Dirigentes do PP reivindicam a "placidez" do franquismo

16 de Outubro de 2007

O PP continua a dar mostras do seu descarnado pró-fascismo através de alguns dos seus mais significados dirigentes. É o caso do "antiterrorista" ex-ministro do Interior, Mayor Oreja, que numha entrevista ao La Voz de Galicia perguntou "porque hei de ter que condenar eu o franquismo?" e acrescentou "era umha situaçom de extraordinária placidez".

Som os filhos legítimos do franquismo e exercem de tais. Afinal, a aniquilaçom física de toda umha geraçom de militantes progressistas e defensores das identidades das naçons sem Estado da Península foi a boia de salvaçom para a oligarquia que Mayor Oreja e companhia tam bem continuam a representar.

Daí que nom nos estranhemos de que o "democrata de toda a vida", "caçador de etarras" e egrégio espanhol despreze a memória histórica antifranquista. "houvo muitas famílias que o vivêrom com naturalidade e normalidade", afirma Oreja, que pertence a umha família da grande burguesia basco-espanhola que tanto e com tanta "naturalidade" engordárom com o franquismo, envolvidas até o pescoço na repressom e embarcadas na "louvável Transiçom" que o próprio regime franquista pujo em andamento para dar continuidade e salvaguardar os privilégios da classe dominante e de Espanha como projecto imperialista e garante dos seus negócios.

Acebes concorda e a "esquerda" institucional fai-lhes o jogo

Daí, também, que nom nos estranhe que Miguel Ángel Acebes, secretário geral do PP, se recuse a questionar as palavras do seu companheiro de fileiras. O ultra-reaccionário dirigente católico do Partido Popular mostrou-se partidário de confinar o franquismo aos estudos académicos e, isso sim, ratificou que o seu partido fai o seu próprio exercício de "memória histórica" apoiando a beatificaçom dos 498 religiosos filofranquistas que a igreja católica chama "mártires" da Guerra Civil. "Só" se "esquecem" das dúzias de religiosos antifascistas assassinados polos golpistas naqueles mesmos anos e que a Conferência episcopal espanhola e o Vaticano nom incluem na listagem de candidatos a santos.

Estranha-nos só, em definitivo, que a a dita esquerda institucional evitasse aprovar uma Lei da Memória Histórica que restaurasse a memória de milhares de represaliad@s, condenad@s, executad@s extrajudiciariamente polos fascistas; umha lei que determinasse sem ambigüidades a supressom de símbolos franquistas e que, em definitivo, possibilitasse a restauraçom da legitimidade republicana.

 

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