As anacronias das monarquias

18 de Novembro de 2007

Publicamos um artigo de opiniom escrito por Xavier Moreda, membro da Associaçom Viguesa pola Memória Histórica do 36, em que reflecte sobre o fundo dos últimos acontecimentos à volta da monarquia espanhola e do seu papel no seio do Estado constitucional de 1978.

As anacronias das monarquias

A monarquia quer simbolizar e sustentar-se sobre a ideia de umha sociedade hierarquizada. Fai parte dessa " anacronia" que a república erradicou e Francisco Franco Bahamonde, o assassino, impujo saltando mesmo a linha sucessória de umha maneira fraudulenta, passando por alto o herdeiro legítimo: dom Juan, pai de dom Juan Carlos I, que anos mais tarde abdicou do seu reino virtual, coetáneo do Reino de Espanha, que tinha como chefe de estado o referido, assassino sem ter jamais reinado.

Há moitos anos que sofremos as estupidezes da imprensa amarela, amarelinha e cortesá quando atribuem à família Bourbon virtudes intrínsecas, interpretadas através de cada aceno quotidioano por nímio que for. Incluso a título póstumo, obviando as responsabilidades de Alfonso e trocando a sua fugida irremediável num acto de patriotismo de quem actuava como se "o reino" fosse um couto de caça. É absolutamente impossível nom se informar dos beijos da real família; para se arredar da bisbilhotice é preciso deixar de ler jornais, incluso os que se pretendem sérios, que anacronicamente relatam até a saciedade as grandes façanhas dos monarcas: o último barco, já nom esquia… meu pobre, caiu moitas vezes!. E, as de umha família que procria ao tempo que ocupa a linha de sucessom sem mais méritos que os genéticos, e com os mesmos deméritos do vulgo, dos quais quase ninguém sabe por pactos tácitos de censura e omissom, pola mesma força do costume e o seqüestro: castigo "preventivo" mui comum no tardo-franquismo, obsoleto porque a sua aplicaçom é impossível de facto graças à difusom na Internet.

O juiz Del Olmo comportou-se como unha toupeira: "de ofício" perseguiu um delito de calúnias e injúrias", um “atentado contra a honra das mais altas instituiçons do Estado”. Foi, realmente, um erro magnífico tipificado no código penal (perigoso e mui subjectivo), com o qual mostra e demonstra involuntariamente que ninguém pode gozar de imunidade absoluta face à imprensa sem cair no ridículo; nem os súbditos (ao nosso pesar), desprotegidos "de oficio " dos ofensores, por nom encarnar instituçom algumha.

Imprensa, jornalistas cortesaos e o procurador geral do Estado, gerárom a dúvida sobre a inexpugnabilidade da fortaleza monárquica. Gerárom um ambiente de anacronia, figérom parte desse teatro que pretende simular a alteza: dignidade ficçom; tratamento que por definiçom pretende situar-nos na baixeza, na geografia da irrealidade virtual do tuteio Bourbon, afastada dos valores da igualdade e fraternidade, da dignidade natural inerente ao género humano. O "por que no te callas?", foi a derradeira intervençom cuartelera. Como alguém dixo: Bourbonices!

É legitimo, mais para um cidadao de convicçons republicanas, preocupar-se com até quando vam durar as pretensons da real família e dos seus acólitos, de pretender fazer crer que o funcionamento da democracia depende da "coroa" detida pola família Bourbon e do seu sistema reprodutivo. E manter os privilégios, um deles, receber um tratamento sagrado em primeira página com as boas novas e, ao tempo, exigir tacitamente ou através de vassalos, invisibilizar os familiares e amigos inadequados (amizades perigosas), ou procurar a omissom dos segredos de outros assuntos nom tam mundanos.

A defesa a morte da instituiçom monárquica, como umha questom de fé (dogma de fé), baseada na sucessom hereditária acordada na Constituiçom, fai com que a real familia seja propriedade pública (a coroa é um bem público!), do Estado, que somos todos (ainda involuntariamente, sem direito reconhecido de autodeterminaçom), o que lhe possibilita a honra de reinar: o príncipe das Astúrias, sucessor ao trono, deve a sua posiçom aos seus genes; também à lei Sálica e outras questons irracionais e virtudes inerentes que lhe atribuem, às vezes, até gente que semelhava sensata, sempre sustentadas por conveniência bourbónica e lindeiros, confundidas com as razons de estado.

As acçons do procurador geral do Estado para promover a justiça em defesa da legalidade som a sua obrigaçom constitucional, ninguém pode duvidá-lo, mas deveria prevalecer a sensatez; a ridiculariizaçom humorística nom pode ser nunca unha injúria e em todo o caso é legitimo, e cumpre dizê-lo, a actuaçom do procurador é um agravo comparativo para todas as vítimas do regime franquista às quais se nega o restabelecimento da sua própria conduta e honra desde há muitos anos. Das quais fôrom desprovistas sem nengum tipo de garantia jurídica. Algumhas, demasiadas, soterradas nas valas comuns. Essas som injúrias cometidas polo próprio Estado que se inibe ou nom actua, promovendo as acçons jurídicas e legislativas necessárias para o ressarcimento moral, legal e jurídico.

Ajustiça e a legalidade nom som sempre legítimas; abram os arquivos da ditadura franquista para o comprovarem. Menos quando ocupa o seu, que é o nosso prezado tempo, em frivolidades: nas piadas e nas capas "procazes", irrelevantes para a cidadania preocupada com os seus problemas reais. Maranhas absurdas confundidas, pola falta de perícia, em assunto de Estado.

As diferenças entre eles: a real familia, e, nós: as famílias reais, é a riqueza absoluta. Os seus empregos som vitalícios, som tam ricos que nom precisam de ter dinheiro para viver na absoluta opulência e ser singelos, o rei nom é responsável jurídico polos seus actos: nom pagam aluguer e nom precisam de ser donos dos paços onde moran. Os Bourbons som excepcionais polo seu nascimento, polo qual agardam deferências recolhidas em protocolos até a sua morte e exéquias, convertidas em funeral de estado a cargo do erário mal chamado público.Nós os republicanos, à margem da nosas simpatías ou militancia política e partidária, fazemos parte das famílias reais: empregados, desempregados e desempregáveis desde a fraternidade, devemos transmitir-lhe que entendemos em parte, as suas debilidades, apesar dos seus determinantes reais genes e até o advento da, ou das repúblicas, continuaremos a trabalhar pola desapariçom de um sistema irracional e anacrónico, ainda que o rei e a família tenham um bom comportamento, faltaria mais!, a conduta nom revalida a continuidade de um sistema. O futuro nom pode depender de umha sociedade hierarquizada e patriarcal simbolizada pola coroa. Eu, polo menos, desejo que a família Bourbon goze numha sociedade igualitária, dos mesmos direitos que a minha família, sem dúvida, real.

 

 

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