País Basco: Mentirám, mas nom convencerám

27 de Maio: Jornada eleitoral no País Basco

7 de Junho de 2007

Reproduzimos, traduzido, o artigo do jornalista Martín Garitano, em que analisa o estado actual do conflito basco, após o fim do cessar-fogo declarado pola ETA.

Mentirám, mas nom convencerám

Martín Garitano, jornalista

A ocasiom era de ouro e deixárom-na passar. O longo período de distensom (com a excepçom, ineludível, do atentado da T4) desde Março do ano passado, somado aos dous anos anteriores sem atentados mortais, a proposta de um processo sustentado em duas vias diferentes e o oferecimento de umha fórmula possível e possibilista que desse voz a todos os cidadaos de Hego Euskal Herria (País Basco do Sul) num clima de ausência de violência e igualdade de oportunidades fôrom gorados.

Culpabilizarám a ETA e serám aplaudidos, tentarám o linchamento da esquerda abertzale e contarám com a ajuda de um jelkidismo (PNB) em recuo, disponível para continuar a sacrificar camadas do seu verniz nacionalista para se sustentar nas regalias da administraçom; reproduzirám as estratégias bélicas e contarám com o assessoramento e a colaboraçom dos estrategas de Aznar…

Farám isso e muito mais, mas Zapatero e os dele tenhem de saber –e sabem– que nom enganam quem nom se deixar enganar. Mentirám, mas nom convencerám, porque ninguém desconhece que, como passo prévio à declaraçom de cessar-fogo, subscrevêrom compromissos e garantias que incumprírom; porque quem nom fechar os olhos para nom ver, verá que todos e cada um dos movimentos do Governo desde 22 de Março de 2006 tenhem visado a desnaturalizaçom do processo, o esvaziamento do conteúdo das pastas que teriam de pôr-se na mesa de partidos que nem chegou a ser conformada. Dirám disparates e retaliarám brutalmente contra os mais indefesos. Nom tenho dúvida sobre isso: mas nom poderám obviar que, em pleno cessar-fogo, encarcerárom os seus próprios interlocutores políticos; que se assanhárom-se contra os presos, restaurando a prisom perpétua e quase até a de morte no caso de Iñaki De Juana; que a actividade política nom tem sido livre nem um só dia; que gerírom um progrom para onze mil candidatos e legalizárom quinhentas listas eleitorais… e isso todo está aí, à vista de todos.

Agora resta só repeti-lo: perdeu-se a ocasiom. Nom perdamos um só segundo para começar a levantar os alicerces de umha outra mais séria. Será que Zapatero aprendeu qualquer cousa?

 

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