Portugal: Política Operária rechaça colaboraçom com a "guerra suja" espanhola

3 de Setembro de 2007

Nas últimas semanas, tem-se especulado sobre umha hipotética integraçom de Portugal em Espanha, e também sobre o incondicional apoio do Ministério português do Interior à perseguiçom do governo espanhol aos movimentos independentistas peninsulares. O colectivo comunista Política Operária foi o primeiro a contestar a perspectiva de um governo português envolvido na estratégia "antiterrorista" de Madrid.

Achamos de máximo interesse o conteúdo do comunicado das e dos comaradas portugueses. Por isso o reproduzimos aqui na íntegra e recomendamos a sua leitura de princípio a fim:

Nom queremos Portugal envolvido na guerra suja anti-basca

1. Depois de um encontro dos ministros do Interior de Espanha e Portugal, acaba de ser anunciada a formaçom de umha equipa policial mista luso-espanhola, para activar as investigaçons em torno de possíveis actividades da ETA em território nacional.

É o que se pode chamar matar três coelhos de umha cajadada: usa-se a paranóia “antiterrorista” para dar mais poderes às polícias, envolve-se o governo português num problema político interno do Estado espanhol e dá-se um primeiro passo para a integraçom policial ibérica sob comando de Madrid.

2. Quando o ministro Rui Pereira garante leal colaboraçom ao seu colega espanhol podemos acreditá-lo –ou nom fosse ele ex-chefe do SIS. Mas colaboraçom em quê? Na vigilância sobre os suspeitos de apoio à causa basca.

Porque o que está aqui em causa é muito mais do que a ETA. A dramatizaçom forjada em torno das “células terroristas” em território nacional é um pretexto para umha campanha policial contra todos os que no nosso país manifestem o seu apoio aos direitos das minorias nacionais de Espanha, e particularmente à causa basca.

A caça à ETA vai fornecer novos pretextos para mais vigilância, mais escuitas telefónicas, mais intimidaçom. 

3. As autoridades de Espanha nem se dam ao trabalho de disfarçar a pressom sobre Portugal. O governo de Madrid quer tirar a sua parte de lucro da “guerra mundial ao terrorismo”. Com efeito, se Bush pode reclamar dos aliados que enviem contingentes para o Iraque e Afeganistám porque nom pode Zapatero reclamar a colaboraçom de Sócrates na sua guerra suja anti-basca?

E Sócrates embarca gostosamente neste novo “desafio”. Já nom lhe basta obedecer a Washington e Bruxelas. Agora também recebe ordens de Madrid.

4. Até agora, PCP e BE remetêrom-se ao silêncio. É nítido o seu embaraço. Receiam ser acusados de “amigos dos terroristas” se tomarem umha posiçom firme e clara nesta matéria. A tal degradaçom chegou esta esquerda que, no tempo do 25 de Abril, exigia acolhimento aos perseguidos políticos do país vizinho. Mas a sua preocupaçom actual é ver reconhecida a sua respeitabilidade burguesa.

5. Apelamos aos grupos políticos de esquerda, pessoas e colectivos para que afirmem publicamente o seu protesto contra o envolvimento de Portugal nesta campanha. Nom aceitemos que se ponha o rótulo de “terrorismo” nos independentistas do Estado espanhol. Além do mais, ajudar a Espanha a reprimir os independentistas que luitam polos seus direitos é dar mais força ao Estado espanhol para levar avante o seu plano de absorçom de Portugal. E com isso os povos da Península Ibérica só terám a perder.

30 de Agosto de 2007

Política Operária

 

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