Espanha aferra-se à cruz (e à espada)

27 de Maio de 2008

Nom se tratava de umha medida revolucionária, só umha proposta de elementar lógica democrática num Estado que afirma ser "nom confissional". Por simbólico e intrascendente que poda parecer, o rechaço do PSOE e do PP, juntos, à proposta de IU de suprimir a cruz católica do protocolo de tomade de posse dos cargos públicos representa mais umha mostra do longe que ainda está o regime monárquico espanhol de ser umha verdadeira democracia.

Com efeito, o PSOE evitou suprimir a simbologia nacional-católica, herdada directamente do franquismo -como o chefe de Estado-, afirmando que nom quer "impor" a retirada das cruzes e as bíblias católicas em actos como os referidos, que afectam a membros dos governos e outros altos cargos.

Dando a volta à realidade, Ramón Jáuregi, do PSOE, afirmou que nom querem produzir "tensons ou rupturas desnecessárias" e que nom querem ser "proibicionistas", já que, polos vistos, a laicidade deve responder a umha "convicçom colectiva".

Alguns e algumhas julgávamos que a independência de credos concretos era já umha questom estabelecida legalmente, num Estado supostamente nom confissional. Julgávamos que o PSOE gostava de proibir, por exemplo, manifestaçons, partidos e direitos sociais. Porém, agora ficamos a saber que só nom gostam de aplicar normas legais que romperiam com o franquismo latente no Estado espanhol. De qualquer maneira, essa é a filosofia aplicada à legislaçom que aprovou em relaçom à chamada Lei da Memória Histórica: evitar a aplicaçom, porque pode molestar à directa reaccionária que domina o Estado espanhol.

Deverá, neste caso, ser reconhecido o papel do BNG ao votar a favor da retirada da parafernália reaccionária católica da solenidade rançosa dos actos institucionais. Porém, podia dar exemplo exigindo, também na Galiza, a retirada de cruzes das salas de aulas galegas, ou pronunciando-se contra as celebraçons do militarismo espanhol nos recintos escolares da Galiza.

Quer dizer, que se oponha realmente ao domínio da cruz e da espada.

 

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