O PSOE reivindica o terrorismo de estado

9 de Janeiro de 2007

Quantos mais pormenores se conhecem do sucedido após a detençom de dous jovens bascos pola Guarda Civil espanhola na passada segunda-feira, mas brutal se apresenta o perfil do Governo espanhol e dos porta-vozes do partido que o sustenta.

O ministro do Interior foi o primeiro a descartar qualquer irregularidade no espancamento dos detidos, afirmando que a entrada em estado grave no hospital 15 horas depois da detençom, e duas horas depois do registo das habitaçons dos jovens, era fruto da resistência deles no momento de serem detidos.

Atrás ficavam as primeiras escusas inventadas para proteger os agressores fardados, como que tinham sido apontados com as pistolas supostamente encontradas aos detidos. Arrumada essa primeira falsidade, Pérez Rubalcaba "esquecia" o inquérito judicial aberto no País Basco e dava já por descartado qualquer excesso por parte dos efectivos militares espanhóis que provocárom lesons de gravidade a um dos detidos.

Também o ministro da Justiça espanhol, Mariano Fernández Bermejo, exculpava a Guarda Civil, com o inaudito "argumento" de que "se tratava de terroristas". Nom é preciso lembrar que, em todas as declaraçons dos políticos do PSOE e na maioria dos meios de comunicaçom, a culpabilidade dos detidos se dá já por feita, espezinhando os seus direitos fundamentais.

Inclusive o presidente do Governo, Rodríguez Zapatero, atribuiu "total confiança" à Guarda Civil, sem nem sequer esperar a que os tribunais determinem o que realmente aconteceu, e apesar de existirem precedentes de torturas demonstradas com condenas judiciais.

Mais sincero se mostrou o ex-ministro da Defesa polo PSOE, José Bono, que pulando sobre os direitos fundamentais que, no papel, correspondem aos habitantes deste Estado sem Direito chamado Espanha, dava a sua conformidade à malheira recebida polos detidos com umhas palavras eloqüentes: "se tivesse que dirigir um conselho aos guardas civis, dizia-lhes que nom haja baixas mas, se tiver que haver, que nom sejam nossas".

Perante o escándalo das torturas, Bono pediu "aos espanhóis" que "se ponham do lado de quem tenhem que pôr-se", reclamando assim umha mais do que implícita impunidade para os torturadores.

Estamos, portanto, diante da encenaçom do terror de estado como recurso para combater a dissidência independentista, mais umha vez. Com total impunidade, as autoridades espanholas defendem actuaçons policiais que mandam detidos para a UCI em estado grave. A leitura destes acontecimentos é clara: a unidade desse macronegócio que chamam 'Espanha' está acima dos direitos de qualquer pessoa ou povo, e os defensores dos negócios da oligarquia espanhola estám dispostos a chegar aonde for preciso para os salvaguardarem.

O que nom significa que finalmente vaiam consegui-lo...

Amnistia Internacional pede inquérito independente, BNG olha para outro lado

Face à incrível desfachatez dos ministros, meios de comunicaçom e outros cargos públicos, Amnistia Internacional já pediu um inquérito independente do sucedido na passada segunda-feira. Também alguns partidos institucionais, como o PNB, EA e Izquierda Unida pedírom explicaçons ao ministro espanhol do Interior.

Entretanto, na Galiza, nengum dos partidos institucionais abrírom a boca, incluído o BNG, que costuma ser o primeiro a aderir às campanhas de condena contra o independentismo basco. Só a esquerda independentista, através de NÓS-UP, exigiu o fim das torturas por parte do Estado espanhol, enquanto o Movimento polos Direitos Civis afirmou que o acontecido "pom em dúvida a existência de um Estado de direito".

Por seu turno, o El Correo Gallego dava novas mostras de cinismo ao colocar como título da sua "informaçom" um contundente 'A Guarda Civil cumpriu escrupulosamente a sua missom'. Faltou-lhe foi dizer qual era realmente essa "missom" que tam "escrupulosamente" a benemérita cumpriu...

 

Voltar à página principal