BNG quer consensualizar com o PP e o PSOE a "vertebraçom da cultura nacional" através da Cidade da Cultura

19 de Novembro de 2007

O porta-voz do BNG quer mais consensos nas altas esferas institucionais: agora defende, sem pestanejar, a Cidade da Cultura como "projecto chave" para a "cultura nacional". Fala de virar página (ele preferiu usar o decalque espanhol "fazer borrón e conta nova"), e chega a dizer que compreende as pessoas que se oponhem porque também ele gostava que nom existisse (sic).

Porém, as berrantes contradiçons do discurso de Quintana nom lhe impedem avançar: "os populares tenhem umha imelhorável oportunidade de virar página", através de um consenso em torno da "importáncia estratégica" que os três partidos 'de ordem' atribuem ao mausoleu de Gaiás. Ao ponto de, por nom se sabe que artes mágicas, transformarem conjuntamente 'um problema' numha 'oportunidade', em palavras de Anxo Quintana.

Todo indica, portanto, que há boa disposiçom por parte das três forças parlamentares para 'virarem página' e esquecerem as numerosas incongruências e desfases contáveis, e o progressivo aumento exponencial do orçamento necessário para levantar o projecto arquitectónico ad maiorem gloriam de Fraga.

De facto, Quintana, durante a sua alocuçom na Comissom de Inquérito criada no Parlamento autonómico, garantiu que a Cidade da Cultura será um "Contentor de instituiçons chave" e "gerador de riqueza para o País".

Todo pronto para mais um consenso institucional à custa dos fundos públicos do povo trabalhador galego, que como sempre pagará a conta das aventuras dos 'bons vivants' que ocupam as instituiçons autonómicas (e nem só).

Agência Galega das Indústrias Culturais, mais umha manobra irregular para a privatizaçom da cultura

Porém, a Cidade da Cultura nom é o único projecto esbanjador e elitista no departamento da Cultura do bipartido. O Conselho Económico e Social da Junta da Galiza ditaminou unanimemente a "fugida do Direito Administrativo" que supom a criaçom de um novo organismo privatizador por parte da Conselharia que preside a seica 'nacionalista' Ánxela Bugalho.

O ditame do Conselho Económico e Social nom impediu que a Conselharia continuasse avante e, no último Conselho da Junta, foi aprovada a criaçom da Agência Galega das Indústrias Culturais, organismo ao serviço da mercantilizaçom das políticas culturais na autonomia galega. A denúncia pública desta nova manobra foi feita pola Plataforma Cultura Sim, Mausoleu Nom.

Sob o eufemismo neoliberal da 'externalizaçom', prevê-se a cessom das iniciativas institucionais públicas a empresas privadas. Representantes musicais, promotoras de festas e jantaradas várias, empresas de espectáculos nocturnos, etc, substituirám a iniciativa pública através do novo organismo criado por iniciativa da Conselharia que dirige Ánxela Bugalho.

Tanto o referido organismo assessor como os sindicatos mostrárom-se contrários à criaçom da Agência Galega das Indústrias Culturais, mas o BNG mantém a sua aposta em virar costas ao movimento associativo cultural em favor do protagonismo das empresas que explorarám a gestom da cultura na Galiza autonómica, contando para tal, mais umha vez, com a garantia dos orçamentos públicos ao seu serviço.

 

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