Alex, Cris, Santi e Carlos som um exemplo a seguir

25 de Janeiro de 2008

Reproduzimos o artigo publicado hoje mesmo no portal galego de informaçom Vieiros, da autoria de Carlos Morais, secretário-geral de Primeira Linha, dedicado ao processo repressivo contra quatro militantes de NÓS-Unidade Popular acusados de queimar um boneco do rei de Espanha.

Alex, Cris, Santi e Carlos som um exemplo a seguir

Carlos Morais

Alexandre Bolívar, Cristopher Machado, Santiago Mendes, Carlos Pena, Manuel Martínez Barros e Pierre Ianni residem no sul da Galiza, os quatro primeiros na comarca do Condado, os outros no Baixo Minho e em Vigo.

Alex, Cris, Santi e Carlos conhecem-se, som companheiros e amigos, mas nom soubérom da existência de Manuel Martínez até há uns dia polos mesmos meios de comunicaçom que os condenárom sem juízo prévio.

Estám citados a declarar na “Audiência Nacional” espanhola no vindouro 29 de Fevereiro acusados de “injúrias à Coroa”. No dia 6 de Dezembro, após finalizar em Vigo umha manifestaçom de Causa Galiza em prol da autodeterminaçom, foi queimado um boneco do monarca espanhol. Eles fôrom detidos umha hora depois dos factos, longe do lugar. Os mesmos meios de comunicaçom que tinham acordado ocultar a mobilizaçom soberanista cobrírom ostentosamente as detençons.

Alex, Cris, Santi e Carlos som trabalhadores em precário, mas basicamente o que os caracteriza é o seu compromisso com a liberdade do seu país e a emancipaçom da sua classe.

Contrariamente, Manuel Martínez, vizinho de Tominho, é um empresário da construçom com importantes interesses imobiliários e diversos negócios. Há uns dias, após ter vendido boa parte do seu património, desapareceu repentinamente condenando dúzias de trabalhadores da sua principal empresa, a construtora Marbar, ao desemprego, e centenas de postos de trabalho de empresas auxiliares ou estreitamente vinculadas ao empório económico a enormes dificuldades de sobrevivência polas dívidas acumuladas que, segundo os meios de comunicaçons, atingem dúzias de milhons de euros.

Pierre Ianni é o director da factoria viguesa da multinacional Citroën. Há umha semana anúnciou, acompanhado polo presidente da empresa, que a fábrica galega, sendo a mais lucrativa do grupo, necessita despreender-se de 1.000 postos de trabalho para garantir o espectacular incremento do ganho dos seus proprietários. Os meios recolhêrom com pasmosa normalidade estas declaraçons e os seus articulistas e tertulianos contribuem para desenfocar os factos.

O vínculo entre estas cinco pessoas vem determinado polo desigual tratamento que as autoridades do regime vigente e os seus aparelhos de propaganda adoptam e polas diversas conseqüências jurídicas.

Os quatro primeiros som jovens radicais, marginais, praticamente delinqüentes que ousam queimar a figura em madeira do Chefe do Estado espanhol. Portanto, é necessário estigmatizá-los, criminalizá-los, julgá-los e, com a toda probabilidade, condená-los. Porém, Manuel Martínez Barros, sendo o paradigma do especulador imobiliário que atingiu umha enorme fortuna ao abrigo da lógica do sistema que permite arrasar o território, converter o direito à vivenda num formidável negócio, enriquecer-se à custa da exploraçom da classe trabalhadora, tem um tratamento benevolente polos mesmos meios que em nengum momento empregam desqualificativos nem sentenciam. Ou polas autoridades que provavelmente subsidiárom com ajudas os seus negócios. Nom se podem questionar as chaves do êxito de tipos sem escrúpulos como Manuel Martínez Barros. De facto, as forças policiais que detivérom Alex, Cris, Santi e Carlos, as que posteriormente carregárom contra a concentraçom solidária que reclamava a sua liberdade diante da esquadra policial, agora garantem a proteçom das propriedades perante possíveis “retaliaçons” dos “afectados”.

Pierre Ianni representa esse alto executivo de umha multinacional, com mentalidade predadora e retribuiçons escandalosas, que se desloca a um dos países onde a empresa conta com umha sucursal com um único objectivo: incrementar ainda mais o lucro da companhia à custa de retirar o pam aos trabalhadores e famílias, de os condenar ao desemprego.

Todo isto é possível porque é o cerne da lógica da economia de mercado, do sistema capitalista. Porque nos últimas três décadas, após os Pactos da Moncloa, as forças políticas burguesas da direita e da “esquerda” domesticada, e as corruptas camarilhas dos aparelhos burocráticos sindicais pactuárom aplicar de forma paulatina umha legislaçom laboral seguindo os critérios do terrorismo patronal. As reformas laborais aplicadas polos governos sucessivos da UCD, depois polo PSOE felipista, posteriormente polo PP e agora polo PSOE de ZP, estivérom dirigidas a legalizar o despedimento livre, o trabalho precário, a perda gradual de direitos elementares para a classe trabalhadora, cooptando as elites para desarmar e desmobilizar o movimento obreiro.

Que sistema é este que trata como delinqüente quem exerce a liberdade de expressom, o direito a questionar um modelo de Estado continuador do franquismo negador do exercício de autodeterminaçom? Que sistema é este que considera decente quem, sem o mais mínimo reparo, declara com absoluta tanquilidade que a Citroën de Vigo necessita despreender-se de 1.000 postos de trabalho? Ou que permite que individos como Manuel Martínez, de aqui a uns meses, podam seguir exercendo legalmente o único que sabe fazer: especular, explorar e mentir, passeando tranquilamente pola Caniça ou Tominho?

Nós nom temos a menor dúvida, sabemos com quem devemos estar, com quem queremos estar.

Alex, Cris, Santi e Carlos som um exemplo a seguir. Por isso vamos acompanhá-los à “Audiência Nacional”, esse tribunal de excepçom continuador do TOP franquista. Vamos a manifestar-nos na capital do império espanhol como o que somos, galegos que nom desejamos ser espanhóis e que portanto nom reconhecemos legitimidade democrática ao rei que Franco nomeou como o nosso chefe de Estado. Mas nom porque queiramos um rei galego, senom porque nom queremos nem gostamos de reis, nem de príncipes, de rainhas, princesas, infantas e demais aristocracia parasita. Queremos umha República, galega e socialista, que garanta que tipos como Manuel Martínez ou Pierre Ianni nom podam continuar a cometer delitos e tropelias.

Estamos orgulhosos de compartilhar militáncia, combates e sonhos com pessoas como Alex, Cris, Santi e Carlos. Gente que nom se resigna, que opta por conquistar um futuro melhor, que nom obedece nem se submete ao “porque no te callas” bourbónico.

Estamos firmemente convencidos que todo isto nom será em balde, que contribui para atingir essa República galega, soberana, vermelha e lilás, em que cada vez mais galegas e galegos estám firmemente convencidos que é a única alternativa viável frente às diversas variáveis da direita, Rajói ou Zapatero, ou ao colaboracionismo miserável e nécio de Quintana.

 

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