O Tibete é o mais, agora, claro

14 de Abril de 2008

Reproduzimos o artigo publicado polo historiador e independentista basco Floren Aoiz no jornal Gara, dedicado a analisar brevemente a moda pró-Dalai Lama imposta polos media na véspera dos Jogos Olímpicos de Beijin.

O Tibete é o mais, agora, claro

Há modas para todo. Também há épocas para as causas justas, que se vam renovando, como as colecçons dos desenhadores. Há tempos, a situaçom na Birmánia era um escándalo, mas agora esse país nem aparece nos meios de comunicaçom. E de repente, apesar de que há anos que se decidiu que os Jogos Olímpicos decorressem na China, agora crescem os protestos aqui e acolá. Curiosamente, os mesmos meios que costumam silenciar os protestos contra as violaóns de direitos e as políticas de dominaçom sobre os povos, oferecem umha cobertura extraordinária a estas mobilizaçons. O que a China está a fazer no Tibete é intolerável e há que boicotar as Olimpíadas. Na realidade, a China tem sido abençoada durante decénios polas potências ocidentais, com os EUA à cabeça, mas agora alguém resolveu que a causa na moda é o Tibete. E esse alguém –que curioso!– tem a ver com a CIA e, em definitivo, com a estratégia do império que nunca se preocupou com os direitos dos povos. De facto, como todos os impérios, o dos EUA é baseado na negaçom desses direitos.

A China deve dialogar com o Dalai Lama, dim-nos. Caso contrário, terám de ser tomadas medidas. Este é um tema de primeira ordem no palco internacional. O que a Rússia tem feito e fai na Chechénia? O que os EUA fam no Iraque? O que Israel fai na Palestina? Isto todo carece de importáncia. De facto, som os mesmos que tenhem permitido que aconteça os que agora convidam a tomar medidas contra a China.

A ocupaçom de um povo é injustificável. É intolerável que seja negado a um povo o direito a decidir sobre ele próprio. É abominável que seja impedido de ser ele próprio. Sabemo-lo muito bem! Mas que nom nos venham nesta altura da fita com o conto dos pobres tibetanos, porque nom sei importam nada com eles, e abandonarám-nos aginha que mudem as prioridades do império. Traficar de um modo tam sujo com a desventura de um povo é repugnante. É terrível que joguem com os sentimentos de solidariedade das pessoas e lavem assim a cara. É terrível que estejam a fazer isto ao Tibete. Maldito império!

 

 

 

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