Língua, toponímia e soberania

22 de Agosto de 2007

Reproduzimos um artigo publicado em Vieiros e no Portal Galego da Língua, da autoria de Maurício Castro, sobre a permanente tendência institucional espanhola a deturpar os nomes de lugar do nosso país.

Língua, toponímia e soberania

É um tema recorrente na presença institucional espanhola no nosso país durante o último século e meio: monarquias, repúblicas, democracias, ditaduras e ditabrandas tenhem coincidido na espanholizaçom dos nossos nomes de lugar. E, no entanto, apesar do que podam imaginar os organismos em causa, com essa atitude só continuam a evidenciar a existência de umha naçom chamada Galiza, pois, se já fôssemos considerados espanhóis “homologados”, que falta haviam de ter de nos desfigurar a identidade?

Nestes últimos dias, trascendeu a utilizaçom sistemática pola Guarda Civil da nossa toponímia barbarizada no seu web: "Puertomarín", "Puentenuevo", "Vivero", "Seoane del Caurel"... como com Franco.

Também o Ministério espanhol do Fomento continua a utilizar, como com Franco, formas toponímicas do tipo de "Otero del Rey" ou "Piedrafita del Cebrero", perante a desesperaçom, a bem da verdade, dos deputados do BNG em Madrid, que umha vez e outra vez venhem reclamando, há anos, respeito para os topónimos galegos.

A conclusom parece clara: por mais que em Madrid queiram vender-nos a sua "compreensom" e mesmo falem da "vontade integradora" dessa "rica diversidade" na "Espanha plural" que guia o actual regime constitucional, som incapazes de ocultar a verdadeira natureza do seu projecto nacional. Ao mesmo tempo, por mais que o BNG lhes reclame respeito para o nosso "facto diferencial", as instituiçons espanholas voltam logo a actuar consoante o seu instinto mais primário: a nossa definitiva assimilaçom é hoje, como sempre, o seu objectivo.

Seria bom que compreendêssemos essa elementar verdade na hora de marcarmos as nossas aspiraçons colectivas, como povo, em relaçom a Espanha. Por exemplo, se assumíssemos que nunca vamos obter reconhecimento para os nossos direitos nacionais num quadro estatal cujo único sentido é a negaçom desses direitos, deixaríamos de perder o tempo e as energias reclamando a galeguizaçom da Direcçom Geral da Guarda Civil, ou entom situaríamos determinadas reivindicaçons tácticas no contexto da única aposta estratégica possível para viabilizar o nosso projecto nacional: a aposta independentista.

Afirmando, da mesma forma, a territorialidade como base da luita polos nossos direitos lingüísticos, exigiremos que aqui sim, na Galiza, qualquer instituiçom, nacional ou estrangeira, respeite e utilize o nosso idioma de maneira preferente, se nom exclusiva, e até poderemos praticar, com toda a legitimidade, formas de insubmissom colectiva tendentes a garantir avanços nesse caminho.

Deixando de situar, em definitivo, as nossas aspiraçons políticas em Madrid, onde nunca umha força galega passará de representar umha pequena minoria frente à esmagadora aritmética parlamentar espanhola, relativizaremos a maneira como nos chamem, dedicando de preferência os nossos preciosos esforços colectivos ao exercício efectivo da nacionalidade galega nos campos de actuaçom social em que cada galega ou galego consciente hoje tem presença.

 

 

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