Eleiçons legislativas espanholas de 12 de Março: MAIS DO MESMO

Comité Central de Primeira Linha (MLN). Abril de 2000

A maioria absoluta atingida polo PP, o retrocesso da esquerda espanhola (PSOE+IU), o avanço das organizaçons nacionalistas de esquerda (BNG, ERC) e o incremento da abstençom em mais de sete pontos no conjunto do Estado, som as chaves mais significativas que permitem realizar umha análise dos resultados eleitorais.

Os 183 deputad@s do PP, com mais de dez milhons de votos (2.402.426 votos de ventage sobre o PSOE), e portanto cumha folgada maioria absoluta, é o dado mais salientável do último processo eleitoral da "democracia" espanhola imposta polo franquismo. A vitória da direita sobre a aliança virtual da "esquerda" estatal nom vai supor grandes mudanças na situaçom das classes trabalhadoras, pois a política económica e social do governo Aznar foi basicamente continuísta coas grandes linhas estratégicas e estruturais iniciadas e desenvolvidas polo PSOE desde 1982: liberalizaçom da economia, progressiva destruiçom das conquistas sociais em matéria de sanidade, educaçom e pensons, precarizaçom do mercado laboral, privatizaçom das empresas públicas, recorte das raquíticas liberdades e direitos cívicos, ou seja, a aplicaçom do ABC das pautas neoliberais. A derrota do PSOE, cum importante retrocesso em número e votos -perto de um milhom e meio- é facilmente explicável, nom só por um preocupante corrimento ideológico face a postulados conservadores de sectores sociais, entre os que destaca segmentos juvenis, mas fundamentalmente porque:

1-O PSOE nom se apresentava cum programa diferente ao dos populares, porque na prática, com certos matizes, mantém na política económica, social, da articulaçom estatal, e internacional, umhas notáveis e evidentes coincidências co PP. Ambas forças representam os interesses das diversas fracçons da oligarquia espanhola, ainda que seguem contando, do ponto de vista sociológico, cum apoio social claramente diferenciado nalgumhas zonas do Estado.

2- O seu candidato perdera as eleiçons primárias com Borrell, mas após o escándalo de corrupçom que o salpicou, Almunia foi imposto polo aparelho felipista que até o 12-M mantinha intacto o seu poder. O ex-ministro de Trabalho, para a faixa mais ideologizada do eleitorado socialista é um personage ligado à etapa da corrupçom, terrorismo de Estado, reconversom industrial, desemprego, repressom, que caracterizárom os 14 anos da era González.

3- A serôdia aposta por um precipitado acordo eleitoral com IU foi mal interpretado por parte do tradicional eleitorado de ambas forças, que o vírom como o que realmente foi, umha desesperada tentativa por construir umha maioria eleitoral ao PP sem mais objectivo que recuperar o poder, carecendo dum acordo programático que sustentara um governo progressista.

4- A destruiçom e domesticaçom do sindicalismo espanhol, a imposiçom do modelo de vida individualista, competitivo, da cultura banal e do triunfo fácil, que modificou as mentalidades de amplos sectores do Povo Trabalhador, o desprestígio popular dos valores da esquerda por umhas práticas similares às da direita tradicional, som a grande achega histórica do PSOE na sua etapa de governo. O PSOE é o grande responsável da desmobilizaçom social da classe trabalhadora e da mocidade. O PSOE é o grande responsável da reactivaçom e incremento do nacionalismo espanhol e da incomprensom e/ou ódio visceral que a imensa maioria d@s trabalhadores/as espanhóis mantenhem face às demandas de liberdade e autodeterminaçom da Galiza, Euskal Herria, Catalunya e Canárias.

Todos estes factores fôrom habilmente aproveitados polo PP que logrou interiorizar que Espanha vai bem, e impedírom movimentar sectores urbanos e jovens do eleitorado progressista espanhol que optarom por ficar na casa e nom votar, ante a conjuntura de terem que escolher entre a direita clássica ou a nova direita socialdemocrata. Esta abstençom consciente, foi a que permitiu a vitória do PP em termos absolutos, levando em conta que em relaçom com 1996 tam só incrementa 600.000 votos.

As massas desarmadas ideologicamente, narcotizadas polos meios de comunicaçom, alienadas polo fogo fátuo do capitalismo finesecular, optárom pola estabilidade, votárom Aznar porque virtualmente representa um estilo de gestom política mais transparente e eficaz que a do PSOE.

Mas, tal como afirmamos anteriormente, se a maioria absoluta do PP nom vai provocar mudanças significativas na já de por si negativa situaçom das classes trabalhadoras e outros sectores explorados e excluídos polo capitalismo, si vai provocar umha involuçom na sua tradicional política imobilista face às reivindicaçons nacionais. Aznar já nom precisa de CiU ou do PNV para ter maioria parlamentar. Este novo cenário, retrotrai-nos a 1991 e as políticas espanholistas promovidas polo PSOE antes de necessitar de Pujol para ocupar La Moncloa. O PP tem as maos livres para acelerar o reforçamento das medidas políticas tendentes a reforçar a naçom espanhola e portanto iniciar um processo de repressom e isolamento dos nacionalismos galego, basco, catalam, e canário. A reformulaçom federal do Estado, a modificaçom da Constituiçom, que aparentemente pretendiam promover sectores do PSOE com IU e co apoio do BNG e de certas fracçons do nacionalismo burgués catalám, fica definitivamente esquecida. O PP, o verdadeiro PP, o da militáncia que festejava o triunfo eleitoral na rua Génova, o PP imperialista e fascistoide tem a via livre para combater as reivindicaçons nacionais, marginalizar o nacionalismo burgués e tentar destruir via repressom policial e intoxicaçom mediática aos movimentos de libertaçom nacional.

No nosso caso, dada a fraqueza do MLNG, devemos ser capazes de dar passos firmes e nítidos na nossa acçom política tendentes a conseguir a maior introduçom social possível que dificulte e mesmo impida conduzir-nos face à ilegalizaçom.

Galiza nom estivo à marge destas tendências sociológicas.

No nosso país o PP incrementa os seus votos em 25.000 sufrágios, o PSOE perde mais de 200 mil, o BNG consegue 80.000 novos eleitores/as, e a abstençom passa de 28.6% de 1996 a 30.52%. Seria absurdo achacar este incremento da abstençom (mais de 700.000 galeg@s nom votárom) à campanha que o nosso Partido e outros sectores da esquerda independentista realizárom. Esta nom tinha mais objectivos que deixar constáncia da necessidade de criar espaços políticos próprios no campo independentista para vertebrar um referente político de massas, polo que é necessário deixar de emprestar o voto ao nacionalismo institucional. Embora estivesse concebida como umha campanha testemunhal, nom ficou isenta da denúncia política activa contra os inimigos da Galiza: a hierarquia do PP.

Outro elemento salientável que da esquerda independentista devemos seguir com certa atençom é o voto em branco (21.423 sufrágios, 1.34%), que expressa um malestar consciente contra o actual sistema político.

Os três deputados do Bloco e os bons resultados alcançados por esta força fôrom vividos pola base social e por parte do seu eleitorado com certa decepçom e amargura.

A Permanente da organizaçom frentista desenhara umha campanha eleitoral convencional, ao uso das organizaçons tradicionais, mas mui ambiciosa nos seus objectivos: lograr grupo parlamentar próprio e ser a chave da nova maioria dum hipotético governo progressista. Se bem fôrom os caprichos e arbitrariedades do sistema leitoral vigente, da Lei de Hont, os que impossibilitárom acadar os 5 deputad@s necessários para obter grupo parlamentar, som os erróneos cálculos e incorrectas análises da direcçom política do BNG, definindo objectivos inalcançáveis, cuja inconsistência era umha evidência, os que frustrárom a esperança depositada por longas decenas de milhares de galeg@s. Nom existia nengum sintoma social, nom havia elementos objectivos que contribuíssem para precipitar a perda do governo polo PP e a vitória do PSOE, salvo os delírios eleitorais que o parlamentarismo burguês tem provocado nalguns dirigentes do Bloco.

Este mau sabor de boca, palpável nos seus líderes durante a noite eleitoral, responde à preocupante incapacidade para consolidar o sorpasso co PSOE alcançado nas autonómicas, romper a abafante hegemonia do PP, e sair reforzados eleitoralmente para o que até há umhas semanas era umha doce ilusom que ao dia de hoje já está, logicamente, totalmente evaporada nos objectivos imediatos: poder governar a Junta da Galiza em 2001.

Mas tal como já adiantárom nos dias seguintes às eleiçons e posteriormente ratificou a sua direcçom, o BNG vai redifinir novamente o seu discurso e portanto a sua política, co objectivo de soltar mais lastro ideológico suavizando ainda mais o seu programa coa finalidade de achegar-se a sectores sociais nom nacionalistas. Este irreversível caminho empreendido polo nacionalismo institucional para a sua plena integraçom no quadro jurídico-político emanado da II Restauraçom borbónica, nom deve ser interpretado, das fileiras da esquerda independentista, como a liquidaçom do projecto histórico gestado em 1964. O BNG, as suas constantes ambigüidades e permanentes renúncias naqueles espaços de poder onde gestionam (governos municipais) nom está contribuindo claramente para construir a Naçom Galega. Nom devemos esquecer a dramática situaçom em que se acha o idioma após vinte anos de Autonomia, como paradigma da incapacidade que a ingénua e absurda exclusivista via eleitoral manifesta na hora de modificar ou simplesmente resistir aos objectivos comuns da Espanha e o capitalismo trasnacional de arrasar a nossa pátria.

A deriva socialdemocrata e autonomista do BNG facilita à esquerda independentista contar e alargar um espaço político próprio no seio da nossa sociedade. Sermos capazes de satisfazer a urgente demanda de articulaçom dumha organizaçom sócio-política antissistémica por sectores sociais hoje minoritários, mas qualitativamente importantes, é um repto que devemos solventar nos meses imediatos.

A campanha testemunhal pola abstençom que Primeira Linha (MLN) realizou ratificou as dificuldades existentes por criar umha Unidade Popular resultante das três forças políticas independentistas que mantemos desde o Dia da Pátria de 1999 umha unidade de acçom. O 12 de Março encenou as duas vias, as duas tácticas, as duas culturas e projectos que convivem na esquerda independentista e que dificultam a superaçom da suicida fragmentaçom.

A FPG voltou a demonstrar a sua incapacidade para compreender, assumir e modificar as inércias destrutivas dumha realidade histórica que já nom existe, e a necessidade de transformar os esquemas políticos inçados de fracasso. Os 1826 votos atingidos polas suas candidaturas, 0.12% do eleitorado, situando-se como a antepenúltima força em número de votos de todo o Estado, som a evidência da ausência de qualquer visom política de futuro.

A esquerda independentista que pretende construir um projecto político sério, novo, ilusionante, capaz de articular a resistência nacional e social ao capitalismo colonial, deve em primeiro lugar romper o cordom umbilical sentimental que ainda mantém co BNG e, em segundo lugar, dar passos firmes e imediatos na direcçom de construir esse imprescindível projecto unitário e plural, tal como já se está ensaiando exitosamente nalgumhas comarcas do país, aprendendo das experiências iniciadas pola esquerda alternativa em países da nossa área geográfica.

Os povos, as classes oprimidas nunca se libertárom mediante processos eleitorais burgueses, nem maiorias parlamentares. Reconstruir a partir da base um movimento social independentista e de esquerdas deve ser o objectivo de todos aqueles sectores, correntes ideológicas e pessoas que nom renunciamos a salvar a Galiza da sua destruiçom por Espanha.

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