O tratamento
mediático do independentismo pola imprensa autonomista
Partidismo, manipulaçom e intoxicaçom
·Carlos Morais
"Os que
máis madrugaron o 25 de xullo foron os manifestantes convocados por
NÓS-Unidade Popular, que celebraban ademais do aniversario da sua constitución
baixo o lema "Umha outra Galicia é possível". As once
e media partía da alameda unha manifestación menos concorrida
que a pasado ano -ao redor de cincocentas persoas- na que quixeron
poñer de manifesto que o 25 de xullo "non é unha celebración
inocua e compracente".
"Às doce do mediodía partía a manifestación
convocada por NÓS-UP dende a Alameda camiño da Praza de Mazarelos.
Perto de cincocentas persoas marcharom polas rúas de Santiago
pedindo a independencia, unha "Galiza ceive, socialista e nom patriarcal
asi como a liberdade para os presos políticos". Com case unha
hora de retraso sobre o horario previsto saía a manifestación
de NÓS-UP coa xente do Bloque lambéndolle os calcañares.
A pesar de que o descenso de asistentes foi notábel, case a metade
que o ano pasado, a organización mostrou a súa satisfacción
ao verse compensada pola abundante concorrencia de xente nos demais actos
convocados".
Ambas citas, -reproduzidas fielmente-, percentem à informaçom
que o semanário do autonomismo A Nosa Terra dedica à manifestaçom
da esquerda independentista do Dia da Pátria de 2002 e 2003 respectivamente.
O jornal vinculado ao BNG, no número 1.045 de 1 de Agosto a 4 de Setembro
de 2002, e no número 1.093 de 31 de Julho a 3 de Setembro de 2003,
tal como se pode constatar nas negritas com as que desvendamos a manipulaçom,
nom se diferencia do resto da imprensa na hora de intoxicar e transmitir calculadamente
informaçom falsa sobre umha parte do independentismo galego.
ANT estima que o número de manifestantes que secundárom este
ano a manifestaçom da Unidade Popular aproximava-se das 500 pessoas,
-o qual resulta bastante rigoroso quando o número exacto foi de 430-450-,
no que considera "case a metade que o ano pasado", mas em
2002 o semanário também estimava em meio milhar o número
de independentistas que participárom na manifestaçom de NÓS-UP.
É evidente que a ANT mente, manipula e intoxica tendo em conta que
a manifestaçom deste ano foi ligeiramente superior a de 2002.
Descarta-se qualquer erro de transcriçom da notícia elaborada
por César Lorenzo Gil e Begoña Carballo, ou desconhecimento
da crónica realizada o ano anterior polas suas colegas de redacçom;
também nom consideramos possível que as erróneas contas
sejam expressom de graves carências estruturais em aritmética
e matemática, entendidas como o conjunto de ciências em que intervenhem
as teorias dos números, de ambos os "jornalistas". Portanto,
nom se pode interpretar esta absoluta e ridícula imprecisom, -expoente
da falta do mais mínimo rigor jornalístico-, mais que como umha
evidente manipulaçom e intoxicaçom do autonomismo à hora
de tratar todo o ligado com a esquerda independentista.
Nom é nova esta atitude nas páginas de ANT. Nos últimos
meses, por nom recuarmos a umha etapa cronológica mais ampla, o jornal
dirigido por Afonso Eiré tem-se caracterizado por umha estratégia
mediática a respeito do MLNG caracterizada pola ocultaçom sistemática,
e às vezes obsessiva, da imensa maioria das iniciativas e actividades,
combinada com umha manipulaçom constante das notícias que considera,
por diversas razons, imprescindível ressaltar.
Resultaria cómico e surreal, senom fosse polas conseqüências
e evidente intencionalidade política que procura, o título e
tratamento sobre o Dia da Pátria na semana prévia: "FPG
e AMI aproveitan o 25 de xullo para criticaren a Aznar" (ANT 1.092,
de 24 a 30 de Julho de 2003, página 8), mais próprio de 1995
do que do ano em curso.
A orientaçom da informaçom sobre as sete sabotagens realizadas
em Compostela na noite de 24 a 25 de Julho contra diversos interesses do capital
espanhol e sipaio também é umha mostra de jornalismo colaboracionista,
homologável ao conjunto da imprensa espanhola, burguesa e patriarcal,
que inunda os quiosques do país. ANT, na página 15 do já
citado número 1.093, qualifica de vandalismo acçons de evidente
intencionalidade e natureza política, e citando um artigo do subdirector
do "Faro de Vigo", Javier Sanchez de Dios, ao qual reverencialmente
qualifica de "veterano comentarista", publicado em 29 de
Julho no diário viguês, adere à lógica para-policial
que a ofensiva fascista espanhola impom nos meios de comunicaçom de
massas.
O tratamento
concedido à II Assembleia Nacional de NÓS-Unidade Popular tampouco
tem desperdiço (ANT 1.088, página 14, de 26 de Junho a 2 de
Julho). Sem contactar com ninguém da organizaçom política
unitária da esquerda independentista, sem citar fontes, elabora umha
notícia com que justificar a suja estratégia de pretender gerar
tensionamento e transmitir divisom interna no seio do MLNG, plasmada nas "informaçons"
recolhidas nos números 1.069 e 1.070, de 13 a 19 de Fevereiro, e de
20 a 26 de Fevereiro de 2003 respectivamente, com títulos tam eloqüentes
da intencionalidade fraccionalista como "Malia as diferencias entre
AMI e Primeira Linha. Negan que a organización independentista NÓS-UP
vaia rachar". Cumpre ressaltar que, nestas planificadas manobras
confusionistas, ANT mentiu sem o menor reparo ao afirmar que Primeira Linha
declinara realizar declaraçons, quando em nengum momento contactou
com a organizaçom comunista do MLNG.
Resulta surpreendente que a informaçom da Assembleia Nacional nom vaia
acompanhada, como fijo com as citas congressuais da FPG, sem ir mais longe,
com umha entrevista a alguém da direcçom.
Finalmente, para nom cansar com mais citas exaustivas sobre um tratamento
informativo que está bem claro, ressaltemos a informaçom da
greve de fame que durante semanas mantivérom em Compostela dúzias
de activistas da Unidade Popular, nos meses de Novembro e Dezembro de 2002,
para denunciar a perseguiçom contra o exercício da liberdade
de expressom que praticava, e pratica, o governo municipal, naquela altura
de coligaçom PSOE-BNG. O semanário autonomista com o gráfico
título "Grafitismo, unha plaga ou un dereito" sementa
dúvidas sobre a legitimidade do protesto ocultando as verdadeiras razons
da iniciativa, centrando o "problema" na realizaçom de pintadas
sobre pedra ou património monumental ao mais puro estilo "El Correo
Gallego", evitando informar sobre o estado de excepçom de baixa
intensidade em que o regime tem convertido a capital da Galiza, como laboratório
piloto do controlo social, repressom selectiva e proibiçom do exercício
mais elementar dos direitos básicos de manifestaçom e expressom,
contra o que a esquerda independentista leva anos combatendo sem trégua.
Fai-se mais necessário do que nunca consolidar umha rede própria de comunicaçom com que o MLNG poda, -com a pluralidade ideológica que o caracteriza-, informar, coesionar e socializar o seu projecto revolucionário. Nom podemos depender, embora sim devamos ter umha clara política mediática, dos mass-media do capitalismo, nas suas variantes espanholistas ou autonomistas. Temos que contar basicamente com os nossos próprios meios, polo que urge coordenar as diversas expressons mediáticas do conjunto do independentismo galego, que com todas as limitaçons, som relevantes em relaçom com a actual grau de desenvolvimento do emergente movimento de libertaçom nacional e social de género.
Galiza, 3 de Agosto de 2003
Voltar à página de Documentaçom