LITERATURA OPERÁRIA E OPERÁRI@S NA LITERATURA

Xosé María Dobarro 

Para os meus queridos e admirados alunos e amigos

Diego Bernal, Manolo Dans e Afonso Mêndez,

dos que tanto aprendo de cotio

 Num interessante artigo, “Duelo entre dos literaturas”, aparecido nas páginas da revista de Lima Universidad, en Outubro de 1931, o grande poeta César Vallejo reflexionava sobre o que entendia -apostando por ele- que ia ser o futuro da literatura no mundo. Na sua opiniom o processo literário capitalista nom conseguia fugir dos germes de decadência que lhe subiam desde o baixo corpo social em que se apoiava. O signo mais claro da decadência da literatura capitalista –que nom fazia mais que reflectir a lenta agonia da sociedade da que procedia- era o esgotamento do conteúdo social das palavras, fruto da confusom linguística derivada do individualismo exacerbado em que estava a base da economia e a política burguesas.

O vocábulo afoga-se de individualismo. A palavra -forma de relaçom social a mais humana entre todas- perdeu assim toda a sua essência e atributos colectivos.

Tacitamente, na quotidiana convivência, tod@s sentimos e nos decatamos de este drama social de confusom. Ninguém comprende a ninguém. O interesse de um fala umha linguagem que o interesse do outro ignora e nom entende. Como vam entender-se @ comprador/a e @ vendedor/a, @ governad@ e @ governante, @ pobre e @ ric@?

@ escritor/a burguês/a construia as suas obras com os interesses e os egoísmos da classe social à que pertencia e para a que escrevia. Nos temas e tendências desta literatura nom havia mais que egoísmo e, por isso, nom podia gostar dela mais que um/ha leitor/a burguês/a. As outras classes de pessoas –operári@s, camponeses/as e até @s burgueses/as liberad@s do classismo- nom podiam entendê-la, porque falava um idioma diverso e estranho aos interesses comuns e gerais da humanidade. Esse/a potencial leitor/a proletári@, ou simpatizante do proletariado, fugia dessa literatura.

Perante esta situaçom, e frente a ela, manifestava Vallejo que

Da mesma maneira que @ proletári@ vai cobrando rapidamente o primeiro posto na organizaçom e direcçom do processo económico mundial, assim também, vai ele/a criando-se umha conciência de classe universal e, com esta, umha própria sensibilidade, capaz de criar e consumir umha literatura sua, é dizer, proletária.

O signo mais importante dela estava em que devolvia às palavras o seu conteúdo social universal, enchendo-as de um substractum colectivo novo e dotando-as de umha expressom e umha eloquência mais diáfanas e humanas. @ operári@, de jeito diferente do patrom, aspirava ao entendimento social de tod@s e por isso a sua literatura falava umha linguagem que queria ser comum a todos os seres humanos.

À confusom de línguas do mundo capitalista, quer @ trabalhador/a sustituir o esperanto da coordenaçom e justiça sociais, a língua das línguas.

Com a denominaçom de produçom literária operária, Vallejo referia-se a toda aquela em que dominavam o espírito e os interesses d@s trabalhadores/as, já polo tema, já pola sensibilidade d@ escritor/a. Refere-se a umha literatura de autores/as de diferente procedência classista que fazem obras seladas por umha interpretaçom sincera e definida do mundo d@s trabalhadores/as.

Porém, o poeta peruano errou no seu prognóstico de que pronto adviria, com ofensiva arroladora, a literatura proletária para derrotar e produzir a desbandada da literatura capitalista.

Nestas breves páginas -que nom podem abranger mais que  um ligeiríssimo percorrido pola literatura galega contemporánea- entendemos a literatura operária nesta linha, mais ou menos coincidente com a definiçom que deu de publicaçons operárias Joaquim Molas, isto é: todo o que se escreve desde o ponto de vista primordial de expor os males que afectam à classe operária e manifestam as ideias que a juízo do autor podem regenerá-la.

Nem que dizer tem que este nom é o tipo de literatura mais habitual entre nós, pois, anticipemo-lo já, o que prevalece é a criaçom literária gerada fundamentalmente por escritores que pertencem às classes médias da sociedade galega, com as contadíssimas excepçons de algum que outro autor do que se pode considerar proletariado, e alguns outros, mais que os primeiros, que criam as suas obras ao serviço da sua causa proletária.

E isto obedece a diferentes causas.

No último quartel do século XIX, quando a nossa literatura já tinha dado os primeiros passos –alguns deles bem seguros, de certo, Frei Marcos da Portela, aquele “doutor en Tioloxía campestre” que agachava o nome de Valentim Lamas Carvajal (com a mais que probável colaboraçom de Arturo Vázquez Núñez), nos meses finais de 1878 nos referia, nos primeiros parágrafos do seu Catecismo da doutrina labrega –un best seller da nossa literatura daquela, e de todos os tempos-, as penúrias que passavam os trabalhadores do campo no seu malviver:

“P.- Que quere dicir labrego?

R.- Home acabadiño de traballos, caste de besta de carga na que tanguen a rabear os que gobernan, ser a quen fan pagar cédula como ás persoas pra tratala como ós cas, que leva faltriqueiras no traxe por fantesía, boca na cara por bulra, que anda de arrastro como as cobras, que furga na terra como as toupeiras, que traballa moito e come pouco, que a somellanza dos burros de arrieiro que levan o viño e beben auga, precuran o trigo pra comeren o millo, que andan langraneando por unha peseta sin poder nunca xuntala, e que vén a ser considerado polos seus somellantes como un ninguén que a todo chamar chaman Xan Peisano”.

É ocioso indicar que a estrutura do modelo da sociedade rural galega, devido ao foro, conservava as características do Antigo Regime e, em consequência, era diferente da doutros territórios do Estado espanhol. A agricultura era, ademais, o suporte básico da economia na Galiza.

Fruto da sua profunda religiosidade –algo que se cria que era consustancial do povo galego-, Lamas nom podia deixar de usar como base o texto do catecismo da doutrina cristá do Padre Astete (1576), o que se vinha utilizando maioritariamente na Galiza –noutras terras predominava o do Padre Ripalda (1591)-, ainda que é possível que conhecesse algum dos muitos que circularom de todas as cores, já que esta fórmula catequética, como cousa jesuítica que era, resultava muito eficaz. Anteriores ao do labrego houvo-os dos industriais, dos socialistas, positivistas, revolucionários. Mesmo Engels, en 1847, escreveu um a jeito de preparaçom do manifesto comunista:

“-¿Que é comunismo?

-O comunismo é a doutrina das condiçons de libertaçom do proletariado.

-¿Que é o proletariado?

O proletariado é a classe da sociedade que saca a sua subsistencia da venda do seu trabalho exclusivamente e nom do interese de um capital qualquer...”.

O uso da fórmula catequística resultava, por outra parte, eficaz porque ao haver um analfabetismo feroz a aprendizagem dos textos realizava-se ouvindo-o e os destinatários tinham esta fórmula interiorizada por via eclesial.

Os lavradores supunham nessa altura o grupo social maioritário da Galiza, pois era no campo onde residia a  imensa maioria da populaçom. Era, pois, o campo o primeiro que havia que redimir, máxime quando os seus trabalhadores nom eram os proprietários das terras e tinham que satisfazer as correspondentes rendas forais. Tratava-se de auténticos escravos da terra incapazes de sair da mais absoluta das misérias. Só tinham como válvula de escape, frequentemente enganosa por outra parte, a emigraçom, maiormente aos países americanos.

Já que logo, se a literatura queria reflectir a realidade do mundo circundante nom achava outros protagonistas que os camponeses, rodeados de todas as maldiçons, nem outros temas que o da miséria e o da emigraçom, como lacra social derivada dela.

Labreg@s e marinheiros eram, ademais, os que conservaram o idioma, esse idioma que se queria reivindicar como língua literária. Os residentes nas vilas ou pequenas cidades utilizavam o espanhol ou aspiravam a fazê-lo. Nom podiam, pois, aparecer nas obras - se se queriam críveis- falando galego. Teriam que falar em espanhol, como acontece, por exemplo, na bilingüe Majina ou a filla espúrea de Marcial Valladares. Em definitiva, que o mundo rural era o que conservava as esências da galeguidade.

Mas essa primeira literatura que bota a sua olhada ao mundo do campo limita-se a presentar aos leitores a vida difícil dos seus habitantes acompanhada de diferentes usos e costumes tradicionais, descriçom de paisagens. etc. Em nengum  momento, mesmo na obra do citado Lamas, quem mais páginas escreveu prestando-lhe atençom, se presentam soluçons, simplesmente se constata umha triste realidade. Assinalan-se os culpáveis da pobreza e do atraso: os caciques, as cúrias civis e eclesiásticas..., mais nom se achegam possíveis vias de saída cara ao cámbio. Para acharmos obras que presentem situaçons de enfrentamento –por vezes violento- com o conflito teremos que aguardar aos começos do século XX, quando surge o movimento agrário organizado. A literatura do mundo do agro, pois, –à par que a que mirava ao glorioso passado- conformou-se como a auténtica literatura galega. Tanto é assim que no final do XIX, en 1896, Francisco Álvarez de Nóvoa se via forçado a iniciar o seu livro de contos Pé das Burgas com “Dous parrafeos” justificativos do que ele fazia em consonáncia com o que entendia que devia fazer a narrativa galega:

“-Ese conto non é galego- adoitan dici-los escasos escritores rexionais que fan prosa, algúns críticos chuchumecos, non tendo cousa mellor de que botar man. -¿Por que non é galego? –preguntádeslles vós; e eles por toda resposta diranvos: -Porque non, porque non é enxebre.

E se cobizosos de discutir, volverades a preguntarlle por que non é enxebre, diríanvos outra tal razón, e entalados nese circo vizoso, eles sen ter que aducir e vós perdendo o tempo, pasariáde-los mellores anos da vosa vida.

¿Queredes que volo eu diga? Pois eles pensan que o voso conto non é galego, porque non falades nel dunha esmorga, dunha lacoada, dunha vendima, dunha desfolla, dunha romaxe, dunha espadela, dunha malla, dunha molenda, dunha rebolada: porque non falades do que vai prara as Américas e chora no vapor e morre no extranxeiro, do que ten a casa sen tellas e sen colmo e sen latas e non ten pan nin abrigo; porque non chamades a berros por Breogán e compaña e non vos sentides bardos nin celtas, porque non pedides que Galicia fuxa da nai España; por iso o voso conto non é galego: se non se fai o conto por ese patrón vello, inservible, escalazado, cheo de mil remendos en forza de traelo e levalo, o voso escrito desprégase da literatura rexional, e o voso conto é chatado de exótico.

Pois que, ¿non se pode escribir no idioma galego nada que non sexan esas lacazadas, eses costumes, esas coitas dos emigrantes [...]?”.

 

Álvarez de Nóvoa quer manifestar, en definitiva, que do que se tratava era de escrever em galego do que for, procurando, ao tempo, nom facê-lo do mesmo jeito que fala o povo ainda que se escriva para ele, porque, pergunta-se, “¿Cando un home agasalla ou rifa un can, ladra coma el?”.

Mas o mundo do trabalho proletário seguia ausente desta proposta temática.

Só conhecemos um texto que supom a excepçom que confirma a regra, sobre o que chamou a atençom Xesus Alonso Montero non seu Pedro Petouto. Traballos e cavilacións dun mestre subversivo. Trata-se da traduçom de Eugénio Carré Aldao recolhida nas suas Brétemas (1896) como “Os tecelás de Silesia” do poema escrito por Heinrich Heine –o poeta admirado por Carlos Marx, com quem colaborava no jornal Vorwärts, publicando poemas políticos- a raiz dos sucessos que tiveram lugar na sua terra natal.

 

 

OS TECELÁS DE SILESIA

(UN CONTO)

 

AO HISTORIADOR GALLEGO

meu ilustre amigo

DON MANUEL MURGUÍA

 

 

   Calados, sin a fe, ja non as bagoas

Mollan o vulto d’estes pobres servos.

Chaveas, marmulando cando abascas,

Cantos de morte que recolle o vento:

«Vella Alemaña, teu sudario branco

»Tecendo están n-o escuro nosos dedos,

»E n-a tea misturan nosos labres

»Da maldición e da carrage os feros.

»¡Tecemos! ¡Tecemos!

 

   »Maldito seia o Deus que fai ditosos

»Ao que nos chegan, non, os nosos prégos,

»Nin ve a fame que mirra nosos corpos,

»Nin a friage que tolle n-os invernos.

»Non nos sirven a fe que n-Él puximos

ȃl nos vendeu cal fato de cordeiros...

»¡Tecemos! ¡Tecemos!

 

   »Maldito seia o rei, o rei dos ricos,

»Ao que pedindo de margura cheos

»Caridá para nos e para os nosos

»Por esmola, nos rouba o derradeiro...

»E danos por resposta aos nosos prantos

»Facernos metralar como juvencos.

»¡Tecemos! ¡Tecemos!

 

Estes sucessos dos tecedores de Silésia, explorados polos industriais, tiverom lugar no mês de Junho de 1844, a raiz da detençom dum dos trabalhadores por cantar o seu hino contra os fabricantes. Produziu-se umha rebeliom que seria esmagada polo exército prussiano. A raiz da sanguenta repressom, Heine compuxo o seu poema, que acadou êxito entre o proletariado. Tanto é assim que os internacionalistas Spies, Fischer, Engel e Parsons o recitarom a coro quando se dirigiam ao cadalso para ser aforcados. Foram injustamente condenados a morte polos sucessos que tiveram lugar durante a greve geral do 1º de Maio em Chicago, acordada polo Congresso Operário de Canadá e os Estados Unidos de 1885 em demanda das oito horas de trabalho. Mas estamos perante um caso excepcional da nossa literatura.

Mesmo operários da construçom naval em Ferrol, como Charlón e Hermida, quando se puxerom a escrever teatro na década dos anos dez do século XX, buscarom as personagens das suas peças breves no mundo rural, um mundo que de facto nom era o seu.

É mais que sabido que Vicente Risco, umha vez que se vinculou ao nacionalismo, influiu, ou tentou influir, no desenvolvimento do mesmo, incluída a literatura. Mas tanto ele como o seu grupo mais próximo nunca tiverom em conta nas suas obras e nos seus projectos a classe operária. Outro nacionalista da época, Álvaro das Casas, referindo-se a este grupo punha em boca do protagonista das Xornadas de Bastián Albor (1931) estas palavras:

“Non hai un que sinta a política, e queren dirixir un movemento exencialmente políteco. Fracasarán; é terribre, pero fracasarán. [...] O autonomismo –hastra os lindeiros que sexan precisos- virá cunha revoluzón e pra eso é preciso xuntar os esforzos cos obreiros, cos partidos da esquerda, cos caudillos do agrarismo e do proletariado industrial. Estes homes nunca o farán”.

 

Partindo desta premisa, sem dúvida muito próxima à verdade, é difícil que se orientasse umha literatura ao serviço das classes populares –agás o caso de Castelao cara aos labregos e marinheiros. Mesmo, deste grupo que conhecemos como Nós, o único que escreveu textos relacionados com o mundo do trabalho –malia nom ser e declarar-se nom marxista- foi o gerente da revista desse nome, Arturo Noguerol, quem acabaria os seus dias numha valeta da estrada entre Corunha e Ferrol no verao de 1936.

A própria literatura que tem como protagonistas os emigrantes procedentes do campo, apresenta-os na sua luita polo sustento diário e co objectivo de poupar algo para volver em quanto puderem. Apesar de ter o mar polo meio semelha que nunca saíram da terra natal. Só após a guerra aparecem na obra dalguns autores –Seoane ou Neira Vilas- emigrantes que trabalham ou trabalharam em diferentes ofícios e que tenhem conciência de classe operária e, em consequência, participam da luita polos direitos da mesma.

Como já se dixo, na nossa literatura nom som os próprios operários os que nos dam conta dos seus padecimentos e luitas, da crua realidade do seu viver como seres explorados até a derradeira pingota do seu suor. Os seus sofrementos e desejos, tanto no nosso caso como na maioria doutros, vam chegar literariamente aos leitores através de autores formados sem relaçom directa cos meios de produçom.

No Fardel de eisilado (1952) de Luís  Seoane achamos alguns exemplos da luita no mundo laboral de galegos emigrados. Um exemplo de clara exploraçom num trabalho infrahumano presenta-no-lo no poema “A Ponte de Brooklyn. Derradeiro terzo do século XIX”.

Traballábamos silenciosos, espidos deica os cós

coas pás, as eixadas e coas picarañas, amuados,

gotexando suor, escorrendo na lama, nos terrós,

caíndonos na iauga do río enlameirados

A door facíanos estourar as testas, máis esmacelados

axuntábamos moreas de terra, de area, de pedras.

Folgábamos cada dez minutos, e voltábamos ousados

ao traballo pra ponte de Brooklyn, sen arredras.

Podíamos ficar pra sempre tolleitos e tamén morrer

[...]

Resistín ese traballo vinte xornadas,

dúas horas cada día na campá pechado.

Perdín o ouvido nos vinte días. Aosadas

ganei cento-coarenta-dólares. Deixeino traballado

pola frebe, polas doores, xordo, escuallado.

Alguén dixo: ¡Ouh cantos rexos emigrantes sofridos

fican pra sempre baixo as correntes deste rio marelado

[...]

Un traballo que ninguén resistía un mes,

moi ben pagado, disque, sete dólares a cotío,

unha grande soldada, sete dólares por ves,

se acadábamos esquivar a convulsión, o arrepío

producido pola falta de ar, polo noxío

que podía facernos inútiles pra toda a vida.

¡Era un grande traballo o traballo doentío

da ponte de Brooklyn, baixo a campá descida!

 

As duas caras da emigraçom. A dos viles e a dos outros. A estes canta-os p.e, na 2ª parte do Em “Outro cantos áos emigrantes.II. O honor de Galicia” (A maior abondamento, 1972) canta a cara da emigraçom dos que nom eram viles e luitaram cóvado com cóvado com os residentes de velho por umha sociedade mais justa.

“Mais tamén están en América

os outros,

traballadores a maioría.

Asemade estiveron

os que loitaron polas libertades americáns,

teimadamente pola libertade,

[...]

Aquí, en Buenos Aires, medrou

o ferrolán Antonio Soto,

1,84 de outura, ollos azúes moi craros

que dirixiu o erguemento obreiro da Patagonia

con Outerelo, outro galego,

e Graña, tamén galego,

e dúceas de galegos,

en 1921. Cando uns dous mil peóns de estancias

[...]

loitaron pola diñidade do home,

pola libertade,

pola terra que traballaban,

deica morrer,

como así foi.

Asesináronos.

Tratábase di exército dos “verdes”,

así chamaban ós galegos.

[...]

Dende 1945

perante anos,

nas paredes das casas de Buenos Aires

leíase escrito de presa, con chapapote,

“Libertad para Arjones”,

un dirixente obreiro galego, que loitaba

contra as represiós dos traballadores

feita por un sátrapa

tido por “amigo dos pobres”,

de quen tíñase feito unha lenda.

Arjones e Soto cos outros teñen nado en Galicia”.

 

Nalguns textos narrativos Neira Vilas, como é sabido, emigrante em Buenos Aires oferece-nos diferentes perspectivas do mundo do trabalho mais ou menos proletário.

Neira situa os 20 relatos de Xente no rodicio (1965) no mundo rural, mas nom som ruralizantes no sentido de apresentarem usos e costumes. Ainda que se trata de ambientes camponeses, dum mundo fechado, de quando em quando aparece por eles o mundo do asalariado.

“Chegarás tarde á obra. Os outros carpinteiros pasaron hai un anaco. Xa deben estar alá. (“O muiñeiro”).

Para rematar a fonte nova viñeran algúns obreiros da vila. [...] Despois de que estivo aquí traballando nunha fonte, chamárono para outra obra. (“María”)

Volveu cantar o galego. [...] Ramón ergueuse caladiñamente. Sen presa, arranxou a esporta. Abriu a cancel e botouse carreiro adiante. Amañecía. [...] Tódalas mañás a mesma andaina. Dúas leguas de camiño ata o piñeiral da Marquesa, onde estaba agora o serradoiro. Despois a volta. Saía do traballo cando o sol xa caera... (“A serra”)”.

As 16 narraçons de Historias de emigrantes (Montevideo 1968) recolhem as vidas e trabalhos destes na Argentina, preferentemente no mundo da grande urbe, no Buenos Aires dos anos cinquenta. Quase todas contam a mesma história, a do moço de aldeia que sem outro ofício que o de labrego decide emigrar para trabalhar no negócio doutro galego emigrado. Mas só se produz o traslado físico já que mentalmente segue na aldeia.

Em “Carta”, o protagonista, filho de solteira que servia na casa do americano, que lhe prometia todo para quando ele nascese, escreve “Andei ó xornal. ... comezou a proer en min o piollo da emigración... ¡Trinta anos! Non puiden voltar. [...] Cun xorne ninguén se ergue, e menos se un non ten oficio. Traballei arreo pensando na volta.

[...]                                                                          

[Quixera] Falar contigo coma cando os dous eramos obreiros na Sudamtex S.A. (¿Lémbraste da folga, e das “octavillas” esparexidas, e da lei 4144, aberta para deportar extranxeiros?)”.

Em “Gumersindo”, apresenta-nos a história do emigrante deste nome que só vive para trabalhar e poupar.

Gumersindo levaba quince anos en Pérez, Bravo & Cía (era unha tenda de lenzos). Era o empregado máis antigo e polo tanto o de mellor xorne. Non casara por “razóns económicas”, segundo diciía. As razóns eran que unha muller dá perdas. Unha muller –a menos que traballe- leva e non trae. E se o que trae son fillos, a perda é maior.

[...]

Así era Gumersindo. Avarento a máis non dar. Non gastaba un peso en nada.

[...]

Amais do seu xorne, Gumersindo tiña outras rebuscas.

Umha perspectiva curiosa apresenta-no-la em Tempo novo (1987). As histórias, de gentes reais, desenvolvem-se na Cuba revolucionária e os protagonistas son emigrantes velhos que som ou forom pescadores, camponeses, ferroviários, carboeiros, obreiros do açúcar, artesaos...que chegaram de novos à ilha. Aqui nom está presente a Galiza nem interessa o feito da emigraçom, já que estes galegos nunca quereriam volver à terra. Em “Traballador exemplar”, a Ramón Calvos, que chegara em 1924, dam-lhe um diploma por ser home de “patria o muerte”. Fora seu curmám Adolfo (que trabalhava fazendo carbom na Ciénaga de Zapata) quem lhe abrira os olhos, quem lle dixera que os homes estám divididos en classes e que cadaquem pensa e fai segundo a classe à que pertença

 

Despois de tanto e tanto, púxose a traballar co gringo Hudson naquel choio de líquido para freos. Era un dos once obreiros ; un dos que andaban a voltas co aceite de ricino, cos bidóns de glicerina, co alcol... Mal pagados, sen seguro ningún e a pique de estalaren en anacos xunto co alpendre de madeira e chapas que os cobexaba

 

O gringo decidiu marchar e vendeu-lhe o negócio “anque, o certo é que non lle sentaba o papel de patrón” e quando baixarom os da serra

 

Unha mañá foise ó Ministerio de Industrias. No departamento de Relacións co Sector Privado falou da súa orixe e da súa condición actual de pequeno fabricante. Dixo, por último, que facía doación formal daquela empresa ó Estado; que estaba ó día nas súas obrigas fiscais e que non pesaba débeda ningunha sobre o seu negocio. Rexeitou a indemnización establecida. Soamente pediu que lle permitisen seguir alí, traballando [...]

E volveu ser obreiro.

 

Também nos versos de Celso Emílio Ferreiro podemos achar exemplos do mundo do proletariado. “O monólogo do vello traballador” apresenta muito bem em chave poética o que significa a plusvalia.

“Agora tomo o sol. Pero até agora

traballei cincoenta anos sin sosego.

Comín o pan suando día a día

nun labourar arreo.

Gastei o tempo co xornal dos sábados,

pasou a primavera veu o inverno.

Dinlle ao patrón a frol do meu esforzo

i a miña mocedade. Nada teño.

O patrón está rico á miña conta,

eu, á súa, estou vello.

Ben pensado o patrón todo mo debe.

Eu non lle debo

nin xiquera iste sol que agora tomo.

 

Mentras o tomo, espero.

 

“Os honoráveles” é um exemplo de crítica aberta ao sistema explorador do ser humano

 

Eu son honrado.

(Nunca pasei fame).

Ti eres honrado.

(Nunca pasache fame).

Ai, a honradez conxugada

en verbos satisfactorios.

[...]

Cando o tempo se chama economía

e trócase o diñeiro por traballo.

Cando en cada letrina unha sereia

vende ilusiós por cartos

i as máquinas potentes esmigallan

pernas e brazos.

Cando a ialba indecisa chega ao mundo

e vai de frol en frol e faise pranto,

ou convértese en lume sin borralla.

Entón ti xa non eres tan honrado”.

 

Frente da claridom ideológica que mostram estes versos, “Deitado frente ao mar” semelha-nos umha contradiçom, pois se no começo o galego é para ele a “Língoa proletaria do meu pobo” nos versos finais converte-se no idioma dos sectores sociais que o conservarom.

“e ser, co rostro erguido,

mariñeiros, labregos do lingoaxe,

remo i arado, proa e rella sempre”.

 

Como assinalava Mêndez Ferrim –mália que na sua obra, tanto poética como narrativa achemos operários- referindo-se, em 1966, à chamada Nova Narrativa, nas obra de Blanco Amor, Neira Vilas ou Eliseo Alonso “aparece umha sorte de ignoráncia das técnicas vanguardistas do romance que nos obrigam a ver na sua maneira literária a antítese justa e cabal da actitude dos escritores da nova narrativa. A realidade, a tradiçom, a vinculaçom aos estamentos populares da naçom galega oponhen-se dialecticamente à evasom, à innovaçom técnica, ao cosmopolitismo na temática presente na nova narrativa”.

 

Nom obstante, em obras consideradas de renovaçom, ou mesmo catalogadas na Nova Narrativa, se detecta a presença do mundo operário. Eis os casos de Cambio en tres, de Carlos Casares, ou de Adiós María, de Xohana Torres.

Mas nom toda a nossa literatura é renovadora. Moita dela, sobretodo durante o franquismo e a chamada transiçom, é política, de combate, de denúncia e, contodo, a presença do mundo proletário é ao meu entender escasso. Ainda que se atopam versos abertamente sindicalistas, como o “Poema/democrático/sindical”, nos Poemas pra construír unha patria (1977) de Manuel Maria.

“O SINDICATO é o único

lar posible,

fogar

que nos defende contra a

esplotación/capitalista

C-O-L-O-N-I-A-L,

arma que empregamos

pra loitar contra os

nosos nemigos:

vencello que

nos xungue como clase e

nos fai sentir pobo

concecia=alerta=colectiva”

 

haveria que aguardar quase ao dia de hoje para poder achar a palavra obreiro no título de umha obra Tortillas para os obreiros (1996), de Fram Alonso.

“Ás oito da mañá comezo a facer tortillas.

Fágoas todo o día,

con e sen cebola,

soas ou acompañadas de leituga e tomate,

ás veces con chourizo,

moito en bocadillo,

sobre todo ás dez ou ás once,

tortillas dos andamios para os obreiros

que berran e traen as mans sucias.

Cómenas con cervexa,

os días grises, sentados trala barra”.


 

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