Conferência de James Petras em La Casona, Buenos Aires, 12 de Maio de 2003


Os intelectuais, Cuba e os Direitos Humanos

James Petras

Muito boa noite amigas, amigos, companheiros, companheiras e participantes aqui, quero agradecer a La Casona por esta oportunidade para abrir umha discussom e intercámbio de ideias sobre um tema quente que tem provocado um debate na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá, na América Latina, em todos os países.

Estava em Ponte Vedra, na Galiza, há 3 ou 4 semanas, num grande colóquio sobre o tema da responsabilidade dos intelectuais e os problemas actuais, onde estivérom alguns notáveis como Eduardo Galeano, Alfonso Sastre, Adolfo Sánchez Vázquez e outros personagens, incluindo este professor com as suas costas más. Alá estavamos discutindo e na noite que interviu Galeano, afinal, dixo que era contra os fusilamentos, o encadeamento dos dissidentes em Cuba e que ele sempre é pola liberdade e mais, que ele sempre estivo contra o partido único e outras cousas.

Mais de metade da audiência ficou um pouco em estado de shock porque terminou de falar, pegou nos seus papéis e foi embora. Um sindicalista galego, um pouco zangado, berrou de atrás: 'Galeano, queres conseguir o Prémio Nobel?'. Bom, a gente olhava um bocado preocupada e nessa noite Alfonso Sastre, eu e outras pessoas decidimos que debíamos fazer algo pola forma em que se colocou o tema, e entom assinamos o que chamamos a Declaraçom de Ponte Vedra e conseguimos o apoio do alcaide do Bloque Nacionalista Galego, de sindicalistas, professores,... assinárom o documento mais de 200 pessoas num dia.

Depois fum a Madrid e nos dias anteriores El País, um jornal que odeia Cuba visceralmente e nom som simples desinteressados porque a empresa Polanco que dirige El País compartilha acçons com a Federaçom cubano-americana de Miami, entom tenhem um interesse particular em publicar qualquer ensaio de qualquer pessoa, indivíduo, esquerdista, ex esquerdista contra Cuba, e os dias anteriores publicárom a Ernesto Sábato, um progressista que sempre toma posiçons da direita. Conhecemos estes personagens, Sábato e outras vacas sagradas, Carlos Fuentes, Vargas Llosa e demais.

Esse sábado, quando estávamos caminhando polo centro de Madrid, passamos pola Puerta del Sol, onde os burocratas sindicais, El País e outros, convocárom a um protesto anti-Cuba, passamos, escuitamos algum berro mas igual entramos na praça e vimos que eram 700 ou 800 pessoas. Metade eram cubanos de toda a Europa. Na praça havia mais turistas do que manifestantes. Afinal, subiu a falar um representante do Partido Socialista e os fanáticos começárom a tildá-lo de filo comunista berrando-lhe: 'Que fás aqui, vai-te para Cuba!'. Atirárom-lhe um tomate podre e tivo que descer da plataforma. Entre as 800 pessoas, creio que metade eram cubanos da Europa que se juntárom lá, quer dizer, com toda a propaganda, com toda a pressom de El País e os meios, o povo espanhol nom responde, nem as bases do PSOE, nem as bases sindicais e, muito menos, de Izquierda Unida, embora o Secretário Geral do Partido Comunista de Espanha, muito vergonhosamente, dixo a seguir que nom participara -mesmo sendo alvo das mesmas críticas- porque nom o convidaram. Poderia ter recebido outro tomate podre dos direitistas que domináron a reuniom.

Primeiro, creio que devemos começar discutindo qual deve ser o papel dos intelectuais em geral em relaçom com os grandes acontecimentos que estám a acontecer no mundo. A primeira responsabilidade é esclarecer quais som os grandes acontecimentos da nossa era: guerras, conquistas, colonizaçom, militarismo, dominaçom, resistência popular, resistência que vem de movimentos seculares, religiosos, o que seja, a afirmaçom das indentidades dos povos frente ao grande inimigo da humanidade e o grande número de vítimas que estám morrendo polas bombas, destruindo umha civilizaçom de mais de 5000 anos, entre outros exemplos.

Segundo, devemos desmitificar o poder e a manipulaçom do poder. Temos exemplos muito presentes. Quando o senhor Colin Powell, segundo Página 12 o home brando, apresentou as provas de que o Iraque importava uránio, nom mostrou nengumha evidência em nengumha parte do seu fabrico. Um mentireiro frente à Assembleia Nacional. Desmitificar a classe governante imperialista, incluso o bom moço preto que fala polo poder. Poderíamos falar de muitos casos de como o intelectual tem que criticar o poder e desmitificar as ideologias que o justificam, as distorsons que emprega como pretexto, as armas biológicas que supostamente justificavam a guerra contra o Iraque. Agora os inspectores norte-americanos na televisom estám a brincar: 'nom há nada aqui, nom há nada em nengures, já voltamos trinta vezes ao mesmo lugar e nom encontramos nada'. E que significa isso?
Umha guerra de conquista, de dominaçom, de pilhagem dos museus, queima de livros nas biliotecas, enquanto eles estám a pôr o olho noutro lado.

No caso que discutimos, em Cuba, há umha grande diferença entre os intelectuais como Saramago e os direitistas de sempre como Carlos Fuentes, Vargas Llosa e qualquer outro que um pode citar que sempre estám prontos para fazer o coro do imperialismo, mas do outro lado temos personagens que tenhem umha reputaçom, incluso tenhem feito críticas em diferentes momentos, em diferentes formas contra a política exterior de EUA, em defesa dos direitos humanos, etc., etc. Entre eles personagens como Chomsky, como Saramago, como Galeano, como Eduard Said, o palestiniano que mora nos EUA e outros. Umha longa lista de franceses que sempre se prestam a este tipo de jogo. Recordo nos 70 o caso Padilla que passou por umha esquadra por 48 horas e rompêrom com Cuba Jean Paul Sartre e os mais, provocando a reacçom do nosso querido grande escritor Julio Córtazar. Do outro lado temos muitos intelectuais que estám defendendo Cuba, como Benedetti e muitos mais, poderia fazer umha longa listagem.

Ora, como entender o fusilamento de 3 pessoas e o encadeamento de outras 80 chamadas dissidentes? Há que entender 2 cousas: os feitos concretos e o contexto das actividades para ter umha perspectiva sobre a conduta de Cuba.

Tratemos primeiro sobre os mal chamados dissidentes porque criticar um governo, escrever um artigo, nom é um grande crime em si mesmo, nom, eu polo menos nom acredito que sea um crime que mereça sentença, mas neste caso há que ver de perto quem som estas pessoas e para fazer isso, primeiro, temos que entender como funcionavam. Eu por acaso estava no computador com o único dedo que utilizo para baixar as cousas, custa-me muito porque som um pouco míope e tenho que ver de frente para poder ler com cuidado o sítio web da Agência Internacional para o Desenvolvimento (AID), o braço de ajuda externa de EUA que tem umha secçom que se chama Cuba report e dentro desse sector tem um sumário das suas actividades em Cuba. Esta é informaçom pública, polo menos era-o e tenhem umha descriçom do novo projecto para derrocar o governo de Cuba, criar condiçons para o que chamam umha transiçom e desde 1997 até Março do 2003 financiárom 8.5 milhons de dólares para projectos de publicaçons, recrutamento e funcionamento dos grupos chamados de Direitos Humanos, jornalistas, economistas, etc. Entom, estes personagens som funcionários do governo norte-americano. No documento descrevem o critério para entregar o dinheiro e por quê o estám entregando. Porque este projecto começa em 1997 e é derivado da Helms-Burton Act que pom condiçons restritivas sobre todas as relaçons com Cuba, um projecto para derrocar o governo.

Helms e Burton som os 2 senadores mais reaccionários em todo o Senado direitista. Para que tenham umha ideia, Menen parece um progressista frente a Helms e Burton, este era um grande apoio de D'Abussoin, o assassino do bispo Romero no Salvador, queria dar-lhe umha medalha por serviços ao mérito. A partir de Helms e Burton vem o projecto Cuba de AID. Ese documento di que a funçom deste projecto é financiar outros que coincidam com os interesses políticos, económicos e diplomáticos do governo norte-americano.

Está claro que eles recebem o dinheiro umha vez avaliados em termos de como os seus interesses, as suas ideias e actividades coincidem com os dos EUA. Em quê? No projecto dos EUA de derrocar o governo de Cuba.

James Cason o representante de EUA em Cuba, um quase embaixador, desde que chegou ao país em Setembro do ano passado até Março do actual, age como um político contrarrevolucionário. Estimam que fijo viagens de 6.000 kms por toda a ilha passando por todos os lugares onde funcionavam os dissidentes-funcionários da embaixada, dando-lhes instruçons, passando propaganda para circular, abrindo canais para que poderem difundir os seus materiais no exterior, orientando-os em como recrutar e fazer campanhas. É o capataz dos mal chamados dissidentes, até os convidava à sua casa para dar-lhes arengas contra Cuba, animá-los a utilizar a sua casa como um lugar de trabalho, algo pouco diplomático por dizer o menos. Entom esta actividade de serem funcionários pagos por um poder estrangeiro para fazer umha transformaçom de Cuba é umha atitude que vai mais alá de ser um dissidente escritor, bibliotecário, o que for, é umha pessoa que se deve registar como agente de um poder estrangeiro. Há umha lei nos EUA que está no código norte-americano, título 18, secçom 951: "qualquer pessoa que opera dentro dos EUA sujeito à direcçom ou controlo de um governo estrangeiro ou nom oficial pode ser submetida a perseguiçom criminal e 10 anos de cadeia".

Sob a lei norte-americana se alguém funcionara como estes funcionários da embaixada de EUA, sem registar-se como agente estrangeiro, levariam-no a julgamento e poderia receber até 10 anos de cadeia e umha multa de mais de 100.000 dólares. Ora, esta gente nom registada seguem funcionando e a presentando-se como dissidentes. No momento em que os EUA pom Cuba na primeira lista dos países inimigos que podem atacar, mais ainda, quando perguntárom a Powell dixo: 'nom atacaremos Cuba ainda, mas talvez amanhá, ou depois de amanhá.'. É como a ameaça durante a Segunda Guerra Mundial quando os EUA estavam a fazer a guerra contra a Alemanha, agarrárom todos os japoneses independentemente do que figessem, muitos incluso tinham os seus filhos no exército como conscritos mas isso nom os ajudou. Passárom 5 anos em campos de concentraçom e só 40 anos depois recebêrom umha pequena compensaçom e desculpas. Em Inglaterra, o berço da democracia, aos alemáns também os tinham fechados. Voltando a Cuba, que pais vai permitir a funcionários de outro que ameaça destruí-los, caminhar, planificar e funcionar livremente polo país agredido? Nos EUA por umha simples expressom de simpatia, nom por agir, nom por fazer complot com funcionários, nom, por umha simples expressom de simpatia por Al Qaeda, polas FARC ou qualquer outro grupo, podes ser encarcerado e ficar incomunicado e o hábeas corpus suspendido, nom com um julgamento de umha semana ou duas como criticam a Cuba.

Os intelectuais como Chomsky e Zinn, conhecidos personagens que assinam muitos documentos, fôrom recrutados para assinar um documento por umha pessoa que eu conhecim há 40 anos que era umha trosquista que começou criticando o stanilismo e despois descobriu que há outras causas também. Joanne Landy deixou o trosquismo e começou a chamar-se socialista democrática, com tanto êxito que recebeu umha bolsa de 300.000 dólares USA pola Mc Arthur Foundation, por méritos, sem que tenha publicado nada significativo na sua vida. Nom sei se tem 1 ou 2 livros na sua vida, mas já ganhou isto e depois subiu ao Conselho de Relaçons Estrangeiras, o Council on Foreign Relations (CFR) que é o principal centro de assessoria do Departamento de Estado e as políticas do imperialismo e, no entanto, continua chamando-se socialista democrática. Esta mulher apoiou o bombardeamento da Jugoslávia, do Afeganistám, apoiou o ELK na Albánia, as mafias que destruíron e expulsárom 250.000 sérvios e ciganos. Esta personagem que lhes conto preparou o documento que assinou Chomsky e nom fai umha só referência à situaçom de guerra dos EUA contra Cuba. Di que estám pola autoderteminaçom de Cuba, contra a agressom geral dos EUA contra Cuba, o mais é umha denúncia que vai para além. Chomsky assinou um documento de apoio à transiçom em Cuba, quer dizer, por mudar o regime, na linha de Bush, nom menciona nem umha palavra dos grandes logros de Cuba em educaçom, emprego, saúde gratuita, os voluntarios cubanos que trabalham em dúzias de países em Africa, nom mencionam que Cuba é o único país que vota a favor de umha Comissom de Direitos Humanos que investigue as violaçons dos EUA e Inglaterra no Iraque, o único país que defendeu umha comissom para ir investigar no Iraque enquanto todos os restantes países da Europa e América Latina nom se atrevem.

Todo isso fica fora. A ditadura, os fusilamentos, os pobres dissidentes indefesos, isso assinárom e dim que nom sabiam quem era a autora e os seus antecedentes, mas som intelectuais críticos, estudiosos, analiticos, como nom ham de saber? Como explicamos a atitude de Chomsky e os mais? Como entendemos isso? Eu creio que há várias explicaçons. Umha é que Chomsky foi sempre antimarxista, nunca apoiou nengumha revoluçom a excepçom da sandinista porque permitia que a oposiçom contrarrevolucionária funcionasse no país, o que chamava o pluralismo.

Também estas pessoas som contra a intervençom norte-americana, som fortes críticos da política imperialista mas nunca apoiárom os povos na luita, nunca apoiárom a revoluçom chinesa, nunca apoiárom o povo vietnamita, nunca apoiárom a revoluçom de Fidel Castro, por isso agora nos EUA, os milhons que protestavam contra a guerra, essa grande onda desaparece, porque este movimento nunca assinou o seu apoio pola luita dos iraquianos, como nunca apoiárom a luita revolucionária de qualquer outro pais. Sempre apoiam os perdedores, os allendistas, gostam de abraçar todas as figuras trágicas mas nom os protagonistas bem sucedidos, sempre topam algumha escusa, algumha burocracia, algum vínculo com os soviéticos, alguns stalinófobos sempre descobrem a mao de Staline após 50 anos de estar morto, ressuscitam Staline a qualquer momento, mas por quê este problema de resistência a solidarizarem-se com o Iraque? Bom, som mussulmanos som xiítas ou sunnitas, som nom sei o quê. O único que apoia Chomsky som as comunas anarquistas de há 70 anos atrás, esse é o seu exemplo, as comunas anarquistas na Catalunha e pior ainda, sempre utilizam os equivalentes morais: contra Bush, contra Saddam Hussein, contra Milosevic.
Um defende o seu país por mais tirano e corrupto que seja, está lá numha forma má, mas está lá, luitando. O problema do tirano é para os povos decidir quando os tira, o problema dos equivalentes morais é para ser críticos responsáveis mas também para dar a justificaçom para a agressom porque as mesmas críticas que fam estes intelectuais com os seus equivalentes som as que fai o imperialismo. Embora sejam ditadores, como dizia Trotsky quando falava nos anos 30 sobre a China ou a Etiópia frente à invasom do imperialismo italiano, a esquerda tem a responsabilidade de apoiar a resistência qualquer que seja o liderato para que no processo de resistência se desenvolva em perspectiva nom só anti-imperialista senom antiditador ou antiimperador.

Isto escapa aos nossos críticos moralistas e o perigo quando fam estas declaraçons, que estamos pola liberdade em qualquer lugar e em qualquer momento, é como se a polícia secreta na Argentina entrasse num quarto buscando a esposa escondida abaixo da cama e o esposo berra: 'companheira deixa-te de lavar os pratos, nom estás cumprindo com os tus deveres'. Bom a tiram de abaixo da cama e levam-na. Tem razom da falta de igualdade de sexos mas nom é pola igualdade que nom está cumprindo a pessoa abaixo da cama. Nom é certa a violaçom da igualdade como tampouco o é em Cuba quando alguém berra liberdade. Quando alguém che pom a pistola na boca por que nom há liberdade? Porque esses estám a agir da mesma maneira que os tiranos imperialistas, polo facto de que um país está conquistando e destruindo o outro com seus defeitos, os seus líderes autoritários que estám a defender a soberania política e social e mais ainda quando um pensa nas conseqüências do que se passou na URSS, o que se passou nos países da Ásia, o que se passou na Roménia e os outros países, a catástrofe na Rússia, na Polónia, onde agora há milhons de pessoas sem nengum acesso à saúde, onde o desemprego é tam alto que a primera exportaçom da Moldávia som escravas sexuais que enchem os bordéis. Nengum destes intelectuais, por exemplo, Robert Brenner, um economista de grande prestígio, historiador económico, estivem com ele e dizia-lhe: 'Olhe você Lech Walesa, já os trabalhadores nem tenhem estaleiros, lá onde poderiam fazer greves já nom existe mais o emprego, agora estám a vender diários nas ruas, entendemos que a CIA e o Papa financiassem Solidaridade quando o quadro de Pilzudsky, um facho nacionalista, estava sobre o escritório de Walesa. Nom acreditas que era melhor seguir reformando o comunismo para fazê-lo mais democrático, em vez de derrocá-lo e substitui-lo polas mafias que dirigem o país agora?. 'Nom', dizia-me Robert Brenner, 'qualquer cousa é melhor que o stalinismo'. Outro intelectual de primeira fileira que também assinou o documento. É umha situaçom dramática porque primeiro nom há umha reflexom crítica sobre as conseqüências dos seus decretos moralistas, ninguém quer dizer que dez milhons de russos morrêrom antes do seu tempo, desde 1988 até 2000. Agora a vida na Rússia está por baixo da idade de Bangladesh, 58 anos. Haveria cousas como para que estes intelectuais proeminentes e ilustres figessem algumha reflexom, bom, talvez figemos um mau cálculo, que o que cai e o que o substitui nom seja necessariamente melhor, devemos repensar como fazer política para que nom caia todo o plano nacional de saúde, o pleno emprego, nom era exactamente um Estado stalinista, era um Estado de Providência social e, quando cai esse Estado de providência na Europa Oriental, foi o sinal para abaixá-lo na Europa Ocidental. Umha simples pergunta: os alemáns do leste onde é que tinham mais protecçom social? durante o comunismo ou agora na fileria do pagamento do subsídio por desemprego?

Passando ao outro tema, o dos fusilamentos, a pena de morte, algo muito comum nos EUA onde estes intelectuais nunca assinárom um documento de difusom mundial. Som contra, nom há dúvida, criticárom Bush, mas nom com esta força, com esta difusom. Há 10 vezes mais mortos no Texas do que em Cuba nos ultimos 10 anos mas nom vejo ningum intelectual montando umha campanha internacional e atacando os EUA, muito menos Joanne Landy, autora deste documento, assessora do imperialismo que junto dos nossos intelectuais proeminentes nom pergunta a si própria o quê se passou em Cuba as 3 semanas anteriores aos fusilamentos? Seqüestrárom 3 avions com fusis, facas e o mais, e levárom-nos aos EUA. Os seqüestradores estám livres. Agora mesmo caminham polas ruas de Miami e se dim de levá-los a um julgamento, repara como os vai a tratar um juiz de Miami com todo o governo controlado de lés a lés, até os varredores estám controlados pola mafia cubana. Livres os seqüestradores terroristas, entom um di, bom, há umha coincidência aqui, porque sabemos que desde o 11/9 a Força Aérea dos EUA tem ordem aparente de derrubar qualquer aviom que nom responder aos códigos de voo do país e, entom, por quê permitírom estes avions entrar nos EUA sem nengum acompanhamento militar e muito menos o tocárom o bem-vindo aviom. Algumha coordenaçom é umha boa hipótese e por quê querem provocar? Porque querem fazer dano ao turismo; dizer: Cuba nom pode controlar as viagens, para que os onze milhons de cubanos morram à fame, sabendo que as receitas do turismo somam 40% das divisas de todo o país e mais.

Para dar um pouco de contexto, há um acordo de emigraçom entre Cuba e os EUA e Cuba quer que se vaiam os que nom gostam de Cuba, que se vaiam, que se vaiam embora todos os que no querem viver em Cuba; som os EUA quem imponhem as restriçons fixando os vistos de saída em 27.000 por ano legal. Este ano Washington só permite 500 vistos; o quê significa? Todos os que quigerem sair nom podem conseguir vistos, os imigrantes, entom outro incentivo para os que agem ilegalmente.

Qual era a actividade dos raptores? Todos tinham antecedentes criminosos, quase todos, entre os 8 creio que só a 2 lhes faltavam antecedentes, uns membros do lumpem, para dizê-lo claro, nom eram qualquer cubano buscando a liberdade.

Segundo, ameaçárom as pessoas com facas, pugérom umha faca na gorja dumha passageira. Gente que quer sair ou matar, ou matar e sair, entom capturárom os 8, julgárom-nos e fusilárom 3 apesar de que o governo di textualmente: é umha decisom dura. Nom analisemos sob condiçons separadas o pirateio e a maneira de pôr medo aos terroristas que anunciárom que existiam outros complots, outros acontecimentos planificados e com isso os cubanos acreditam que vam aumentar o custo de qualquer que trate de seqüestrar. Bom, um pode aceitar ou criticar, eu pessoalmente creio que melhor é cortar cana durante 40 anos, como quando passei a grande zafra em 69 cortando cana 2 meses; um trabalho brutal, particularmente em Julho, Agosto, eu preferiria o castigo no ar fresco, cortando cana, perdendo peso e fazendo um trabalho honesto em vez dum trabalho terrorista polo Império, mas nom, os cubanos decidírom como umha excepçom à regra fazer o que figérom. Bom, nom é um grande acontecimento, neste senso há milhares de pessoas morrendo polo SAR na China polo desleixo do governo. Nos EUA há cousas tam comuns que temos 2.000 pessoas aguardando a pena de morte, 90% pretos e hispanos, atiramos bombas sobre o Iraque, fusilamos manifestantes civis.

Nom há pior forma prepotente que como age Saramago só com Cuba! Por quê Saramago? Cuba resiste a invasom norte-americana do Iraque, Cuba defende aos palestinianos, Cuba fai umha politica a que El País, onde publica Saramago, se opom; apoiava os bombardeamentos de Jugoslavia, apoiava Javier "Javi" Solana, apoiava o PSOE que matava gente a partir dos GAL, forças paramilitares e, senhor Saramago, para ser coerentes, Por quê nom rompes com El País? Nom te dás de conta! Apoiavam o imperialismo norte-americano antes de Aznar e vam a seguir apoiando-o depois de Aznar, Por quê nom dis "vou a romper com todos os que nom aceitem 100% dos meus principios?" Por quê nom?

Saramago agora é Prémio Nobel, escreve em El País, é prestigioso, recebe honras. A gente intectual que começa a sentir com os seus títulos e certificados honoris causa acreditam que tenhem agora umha obrigaçom de balancear as suas críticas num lado com as críticas no outro lado, o que o Departamento de Estado chama: esquerdistas responsáveis. Eles sempre buscam um esquerdista responsável para defender as suas causas com as cláusulas de escape de sempre. Há que dizer Cuba é umha ditadura mas também apoiá-la e opor-se à intervençom ou dizer Cuba é umha tirania mas creio que os EUA nom deve meter-se, entom esta forma de pensar de fazer agressons com todo o que significa o moralismo desorienta muitas pessoas porque tenhem a imagem destes intelectuais conseqüentes em todo o que fam em vez de ver os intelectuais como classe, submetidos a pressons tanto populares quanto do imperialismo e nom ver que vacilam, que vam dum lado a outro, como mudam de roupas interiores todos os dias.

Também creio que o factor de pressom depois da vitória e conquista dos EUA, que tem o poder mundial, a concentraçom de armas ameaçando a todos dentro e fora do país, inconscientemente ou conscientemente começam a fazer concessons para nom ser riscados de extremistas, de antiamericanismo. Eu conversava há um ano com Chomsky falando do mesmo tema e dixo-me: "molesta-me muito que me chamem antiamericano", eu dizia-lhe: 'é normal, por quê te importas? Podem-che chamar qualquer cousa', mas indicava que lhe molestava.

Finalmente, creio que devemos entender que é trágico quando há divergências e quando os intelectuais aplicam um microcóspio à revoluçom cubana e um telescópio ao inimigo principal nol mundo, quando nom som capazes de pôr as críticas num contexto. Eu estivem em Cuba discutindo com todos sobre problemas da economia, sobre o ênfase no turismo, o perigo dos ciclos de turismo, a autosuficiência, a falta de arroz, por exemplo, nom há razom que isto suceda, muitas cousas discutimos, criticamente, a possibilidade de alargar a participacion nas assembleias, etc., dado o bom contexto de um país que resistiu 50 anos de boicotagem imperialista, um país que é um exemplo para todo o Terceiro Mundo na política social, etc. Eu creio que devemos ter esta perspectiva, nom sempre aplaudir Cuba mas sim reconhecer os seus grandes méritos e tomar em conta este punto que dizíamos ao começo: pôr as cousas em proporçom.

Nom se pode romper com Cuba, quando Cuba defende a autodeterminaçom sem o consenso do Conselho de Segurança da ONU, quando Cuba se atreve a criticar a violaçom dos direitos humanos frente aos EUA que estám massacrando civis no Iraque ocupado, quando Cuba apoia a América Latina Sendo o país que mais tem dado voluntários para a saúde, mais do que qualquer outro, que nunca levárom as empresas privatizadas para explorar a regiom, todo isso há que pô-lo em perspectiva e dentro disso um pode fazer os seus comentários sobre os problemas e pode dizer: apesar de serem funcionários, apesar de receberem dinheiro, apesar de trabalharem com o embaixador Cason, apesar de tratarem de derrocar o governo, nom devem dar-lhes 20 anos de cadeia, talvez 5 ou 10 anos, mas pôr isso como um princípio como fai Saramago e dizer: 'Até aqui cheguei e vou-me. Onde vas Saramago? Eu creio que há que ver a dinámica porque como sabemos todos começam com umha migranha e terminam com gangrena. Muito obrigado.

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