Relaçons perigosas

Alizia Stürtze

19 de Janeiro de 2004 (publicado no jornal basco Gara)

«As decisons políticas som tomadas polos políticos»; «utilizar apenas a via política em defesa da cidadania»; «todo se resolve dialogando e sendo tolerante»... As forças já instaladas no poder ou, como Aralar, com vontade de arranjar um lugarzinho, repetem-nos ladainhas deste género com o intuito nom só de legitimar (e de passagem aproveitar) a discriminaçom e repressom de todo um colectivo incomodativo (Batasuna), como de nos convencer da sua própria autonomia, quer dizer, da sua capacidade real de conseguir o que prometem (o que, de umha perspectiva realmente democrática, na verdade, também nom é muito).

Do seu discurso, com efeito, despreende-se que essas administraçons «públicas» para as que nos pedem o voto som neutras, quer dizer, tenhem por funçom equilibrar os «diferentes colectivos»: os do capital, os do trabalho, os dos «nacionalismos democráticos», os dos imigrantes, os das mulheres, os dos homossexuais,... As crescentes desigualdades, o desmantelamento dos serviços públicos, a sangrante negaçom dos direitos básicos como a habitaçom ou o trabalho digno... todo se soluciona «com fair play», com «boa comunicaçom». Nada de escandalosa concentraçom da riqueza ou de crescente antagonismo objectivo entre classes sociais internacionalmente exploradoras e exploradas... é suposto os cidadaos serem iguais em direitos para elegerem os seus fala-baratos para o Parlamento (exceptuando todos os que ficamos de fora, é claro).

O problema é que o Martín Villa ou o Ardanza (e outros muitos) nom ocupam por acaso postos dirigentes de relevo após «abandonarem» a política; que personagens como Esperanza Aguirre, Alierta ou Solbes nom tomam decisons importantes em clubes privados do capital mundial ou da UE por eleiçom dos seus votantes. O problema é que, nesta nova ordem mundial, existe umha total conivência entre o grande capital finianceiro e industrial, os meios de comunicaçom e o Estado. Assim o demonstra o demolidor livro "Tous pouvoirs confondus", em que G. Geuens analisa de modo científico e muito documentado o monopólio que as grandes empresas exercem tiranicamente sobre as decisons da vida da grande maioria, controlando em todo o momento a selecçom do pessoal político e transferindo-o, segundo os seus interesses, do mundo dos negócios ao político e viceversa. Os dados do trabalho de Geuens som, neste senso, acabrunhadores. Esse discurso reducionista de «só política», portanto, nom seria mais do que umha representaçom distorsionada da realidade realizada com umha pretensom: despolitizar-nos para conservar a ordem social, ocultar as situaçons objectivas de descontentamento e negar o nosso direito à luita contra o capital, adopte este historicamente a forma política que adoptar.

 

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Imagem do recente encontro entre Zapatero (PSOE) e Botin (grande banca)