A Constituiçom Europeia explicada às escolas

Janeiro de 2004
João António
Cavaco Medeiros (economista e professor português de ensino secundário).
Publicado por resistir.info
Antidemocrática O seu processo de elaboraçom por umha convençom de notáveis já di todo sobre a sua pretensa democracia. É feita por cima das cabeças dos povos europeus e só pode ser assim porque é feita contra os seus interesses.
A Constituiçom eliminou qualquer referência aos povos da Europa, o que significa que estes nom podem esperar dela qualquer reconhecimento do seu direito de autodeterminaçom. Aprova as medidas repressivas que os Estados apliquem contra essa aspiraçom dos povos.
Neoliberal Os bem conhecidos laços entre os grupos de pressom das multinacionais e as instituiçons europeias dam lugar a grandes escándalos periódicos. Trata-se de umha verdadeira osmose, com o pessoal dirigente a passar continuamente das funçons oficiais para as privadas e vice-versa.
A Constituiçom nom fai qualquer referência ao Acordo Geral para o Comércio de Serviços, proposto pela OMC e aceite pola UE, o que significa que aceita o princípio de que nengum Estado membro poda opor-se à privatizaçom dos serviços públicos.
Antiproletária Aquilo a que se chama a Carta dos Direitos Fundamentais limita-se a harmonizar polo mínimo os direitos actualmente reconhecidos, aliás precários ou inexistentes em muitos países do Leste. As multinacionais afiam o dente para os novos aderentes que virám fazer pressom sobre os salários, aumentar a concorrência entre assalariados, ajudar a eliminar regalias conquistadas. O direito ao emprego é substituído polo direito a trabalhar.
Xenófoba Ao abrir a porta ao estabelecimento de umha categoria inferior à da cidadania plena para os residentes de longa duraçom nom comunitários, a Constituiçom cria cidadaos de primeira e de segunda classe. Consagra a Europa fortaleza face a umha imigraçom que ela mesma provoca.
Patriarcal Os direitos das mulheres, em particular o direito à contracepçom e ao aborto, assim como os plenos direitos para as unions de facto, nom som reconhecidos.
Imperialista A Constituiçom consagra o respeito polas obrigaçons derivadas da participaçom na NATO, prevê que a França e a Alemanha desenvolvam umha força conjunta, no quadro da Uniom, adopta a doutrina militar dos ataques preventivos, legitima a ocupaçom do Iraque e do Afeganistám e defende o monopólio das armas de destruiçom massiva nas maos das grandes potências e dos seus aliados fiéis, como Israel.
Devemos reclamar que tenha lugar o referendo, a fim de mostrar a toda a populaçom a necessidade de umha rejeiçom maciça desta Europa reaccionária, inimiga dos trabalhadores e dos povos.
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