Breve
aproximaçom aos fenómenos sociais em curso
·Carlos Morais
A maré
negra provocada polo afundimento do Prestige, a criminosa passividade das
autoridades espanholas, a manipulaçom dos factos e o desinteresse à
hora de intervir na catástrofe, provocárom umha onda de indignaçom
popular em amplos sectores do povo galego que até o momento mantém
umha tendência alcista.
O movimento Nunca Mais tem sido capaz de catalisar e fazer activar o sentimento
de malestar e raiva que centenares de milhares de mulheres e homes deste país
individualizavam e tam só esporadicamente exprimiam. Assim a Galiza
nos últimos anos tem estado à cabeça dos grandes mobilizaçons
de massas contra a LOU e a LOQUE, contra as reformas laborais (greve geral
de 15 de Junho de 2001 e 20 de Junho de 2002), e tem sido capaz de articular
umha digna resposta popular, -o denominado movimento antiglobalizaçom-,
às diversas reunions que Espanha organizou no nosso país coincidindo
coa presidência da UE.
Mas estas dinámicas caracterizam-se por ser intermitentes, sem vontade
de cristalizar nos espaços de auto-organizaçom existentes, nem
na procura de novos referentes de luita. A desconfiança com as forças
políticas tradicionais, e a incapacidade das organizaçons revolucionárias
por dotar-se dumha entidade e credibilidade suficiente para converter-se em
referencial, provoca que o movimento de massas que cada certo tempo emerge
nas ruas galegas tam só procure frear umha agressom governamental ou
se conforme com impedir a aprovaçom dumha lei lessiva com os interesses
da classe trabalhadora. Nom existe umha visom estratégica da necessidade
e possibilidade de modificar o presente mediante a vertebraçom dum
amplo movimento popular que em base a reivindicaçons tácticas
procure conquistas estratégicas. Nom se produz acumulaçom de
forças, mais alá dos tímidos e insuficientes avanços
eleitorais dum nacionalismo caracterizado pola capitulaçom com Espanha
e conciliador coa luita de classes. O autonomismo como movimento transformador
é tam só umha ilusom na que a maioria da sua base social segue
erroneamente confiando. O discurso pragmático e possibilista hegemoniza
a maioria da classe operária, da juventude e das mulheres que participam
nas luitas, que assiste às mobilizaçons.
Mas o actual movimento de massas articulado à volta de Nunca Mais,
se bem tenta ser canalizado polo autonomismo num movimento contra o PP, afastando-o
de qualquer tentativa de questionar o quadro jurídico vigente de dependência
nacional ao que nos tem submetido o capitalismo espanhol, demonstra que existe
no interior de destacados sectores populares um malestar profundo coa actual
situaçom sócio-política. O desemprego endémico,
o trabalho precário e eventual, a falta de oportunidades e expectativas
de futuro para a mocidade, o recorte das liberdades, o autoritarismo da democracia
burguesa espanhola, a incapacidade de auto-governo, a dramática situaçom
do idioma, a corrupçom e traiçons das elites políticas,
se bem ainda nom logram ser capitalizadas pola esquerda independentista, si
procuram vias de expressom fora do que os partidos do regime aconselham e
desejam.
As três forças políticas com representaçom parlamentar
no Hórreo mantenhem um pacto institucional implícito à
hora de manter as regras do jogo da "democracia" imposta polo franquismo.
Portanto a lógica da Transiçom caracteriza a direcçom
do actual movimento de massas.
Por primeira vez no último quartel de século amplos sectores
do povo galego acham-se em condiçons objectivas e subjectivas para
elevar o nível de aspiraçons socialmente compartilhadas. A fatalidade
e a resignaçom que vinha caracterizando a resposta popular às
contínuas agressons que padecemos como naçom e como classe parece
que nom está funcionando nesta ocasiom. Centenares de milhares de galeg@s,
por primeira vez em muitas décadas, estám orgulhos@s de pertencer
a um povo que sofre umha agressom. Isto traduze-se num incremento da auto-estima
colectiva, na asunçom dumha primária consciência nacional.
Mas o espontaneismo característico deste fenómeno em curso carece
da espoleta que permita converter os sentimentos em consciência política,
que possibilite umha visom ampla das causas do acidente do Prestige e do abandono
com o que respondeu o capitalismo espanhol, mais alá da incompetência
que caracteriza a sua corrupta burocracia. Há quem pode fazé-lo
mas nom quere fazé-lo. Há quem quere fazé-lo mas nom
tem capacidade.
Ainda assim, seguindo a prudência habitual coa que se devem realizar
leituras das interpretaçons da imprensa burguesa, cumpre repararmos
nalgumhas das tendências que reflictem os inquéritos publicados
a semana passada por "La Voz de Galicia". O jornal corunhés
manifesta que se bem o PP perderia a maioria absoluta se extrapolamos as previsons
dos resultados das eleiçons municipais de Maio a umhas autonómicas,
o PSOE ligeiramente supera o BNG à hora de capitalizar o descontentamento
social. O PP passaria dos 41 escanos actuais a 33, baixando 9%. O BNG ascenderia
dos 17 a 21, um 4.3% mais. E o PSOE de 17 a também 21, mas com um incremento
de 5.1%.
Mas o dado mais revelador para nós deve ser o importante avanço
do voto em branco que atingiria na Corunha 8.3%, em Vigo 8.2%, em Ourense
e Ferrol 7.4%, em Ponte-Vedra 5.8%, em Compostela 5%, e 4.9% em Lugo.
Este emergente fenómeno que já vinha nas últimas eleiçons
exprimindo um surpreendente vigor, se bem aglutina diversas motivaçons,
mantém um fio conductor comum caracterizado polo desencanto coa classe
política tradicional e coa ausência de umha alternativa que poda
canalizá-lo. É um voto de protesto heterogéneo, mas maioritariamente
"antissistémico", o que nom significa revolucionário.
Em Maio deveremos estudar com atençom o nível de apoio ao voto
branco, nulo e da abstençom.
Outro dos fenómenos que se recolhem nos inquéritos referidos
é a opiniom maioritária da ausência de capacidade de autogoverno
na Galiza, que exprime esse sentimento primário de consciência
nacional que está agromando em amplos sectores das massas. O 51% considera
que a CAG tem pouca/nengumha capacidade de autogoverno, frente a um 23.4%
que considera que tem muita/bastante.
Mas outro dado que nos deve fazer reflectir em profundidade no seio do MLNG
é o referido às responsabilidades exigíveis às
autoridades competentes. O 39.9% considera que deve haver demissons. O 15.7%
medidas judiciais e o 16.8% políticas e judiciais. Somando estas duas
últimas temos que o 32.5% d@s galeg@s coincidem coa esquerda independentista
à hora de exigir demissom e prisom para os responsáveis da crise
nacional que padece Galiza. Nom devemos esquecer que tam só NÓS-UP
e o nosso partido tenhem defendido publicamente esta exigência, frente
a um autonomismo acobardado e contrário a depurar responsabilidades
penais. Aqui é onde a lógica da transiçom, os limites
do parlamentarismo burguês, chocam coa realidade e as justas reivindicaçons
populares.
O discurso do MLNG, fecuentemente tildado de radical, de irrealista, mantém
umha sintonia com um sector muito importante das camadas populares galegas.
Já tinhamos constatado nas mobilizaçons como muita gente vé
com simpatia e segue as nossas palavras de ordem de ilegalizaçom do
PP. A imprensa burguesa, espanhola e patriarcal semelha constatar que nom
vamos tam descaminhados.
Finalmente outro fenómeno vissível ao longo do país é
a perda do medo a expressar opiniom. Hoje volta a estar bem visto manifestar-se
e protestar. Reivindicar e falar de política. O Nom à guerra
tem-se unido ao Nunca Mais como um fenómeno novo. A rua como espaço
político em competência coas eleiçons e os parlamentos
tem-se recuperado e dignificado até o ponto que até o próprio
PP tivo que recurrir a umha grande mobilizaçom a prol do trasvase de
água do Ebro ao Levante o passado domingo em València.
A direita espanhola
tem fracassado nas duas tentativas de criminalizar o movimento de massas mediante
ridículas campanhas de intoxicaçom e mentiras. Até o
momento nom tem sido capaz de convencer que geriu correctamente a crise, e
continua carecendo dumha estratégia definida, mais alá da mera
propaganda do "Plan Galicia".
Mas o actual estado de entusiasmo que impregna o movimento de massas, e perante
a ausência dessa rede de espaços de auto-organizaçom popular
sobre o que se deveria ter alargado e consolidado o fenómeno do Nunca
Mais, -e nom só na burocratizada actual superestrutura de partidos,
sindicatos e grupos-, poderá, ao igual que aconteceu co movimento estudantil
contra a LOU, acabar numha nova frustraçom colectiva por mor dos erróneos
parámetros e objectivos curtoprazistas, basicamente eleitoralistas,
que definem a sua linha e intervençom política. Se bem o PP
tem sofrido umha evidente perda de credibilidade, nom se acha perante o desmoronamento
eleitoral na que muita gente ingenuamente pensa. Os dous partidos do regime
que aspiram a subtituir ao PP na gestom da CAG, -PSOE e BNG-, tenhem demonstrado
nestes últimos quatro anos nos espaços de gestom de grandes
cidades como Vigo, Compostela ou Ferrol, que carecem da vontade por introduzir
politicas ao serviço das maiorias sociais, o PTG, e tam só aplicam
umha visom aparentemente menos agressiva da doutrina neoliberal cum morno
"galeguismo" com o que satisfazer à pequena burguesia.
A perda de crédito do PP e as dificuldades do autonomismo para capitalizar eleitoramente o movimento à altura da sua presença e influência nas mobilizaçons, unido aos fenómenos em curso que reflicte a imprensa tal como já adiantaramos em Dezembro, som boas notícias para a esquerda independentista, que deve ser capaz de manter a altura de miras necessária para desde a pluralidade interna e a coesom organizativa ser um movimento útil e impresindível para os interesses do povo trabalhador galego.
Galiza, 6 de
Março de 2003