Contra o chaPPapote que assola Galiza: organizaçom e mobilizaçom social

Com o Prestige, o governo de Madrid e a sua delegaçom autonómica actuárom seguindo a lógica colonial com a que a oligarquia espanhola sempre trata Galiza, dobrando-se às pressons das potências europeias. Infravalorárom a dimensom do acidente e as similares experiências de sinistros anteriores. Galiza sofreu nos últimos 25 anos o 10% das marés negras por derramamento de petróleo ou derivados que se produzírom em todo o mundo, o 65% dos acidentes de petroleiros da Europa. Com estes antecedentes o PP nom só mantivo umha passividade criminal, senom que negou ao nosso país os recursos técnicos e humanos mínimos para fazer frente a um tipo de situaçons que som cíclicas nas nossas águas. Galiza, depois de um quartel de século padecendo sistematicamente este tipo de catástrofes claramente evitáveis, carece de barcos descontaminantes, de buques de extracçom de hidrocarburos, de potentes e modernos rebocadores, de barreiras protectoras, meios aéreos, pessoal especializado, etc, para poder combatê-las. Desde a esquerda independentista galega definimos como atentado terrorista o desinteresse, a ineptidom, a descoordenaçom, com a que o Estado espanhol desde o primeiro momento vem gestionando a situaçom. A situaçom geográfica da Galiza provoca que o corredor marítimo que atravessa as nossas costas seja estratégico no transporte de mercadorias e matérias perigosas. A divisom internacional do trabalho imposta polo capitalismo, entre países produtores de hidrocarburos e países transformadores, entre o centro e a periferia, é responsável de que mais de 600 barcos carregados com estes materiais cruzem diariamente as nossas costas sem controlo algum. Nos critérios de rendibilidade económica, de máximo benefício, de abaratamento de custos -características consubstanciais do modo de produçom capitalista-, por acima dos interesses e necessidades dos povos, @s trabalhadoras/es, as mulheres e a natureza, encontramos em primeira instáncia a origem da actual catástrofe.

Umha legislaçom internacional, europeia e espanhola, que favorece os interesses das companhias de transporte marítimo, das grandes corporaçons e multinacionais, unido ao incumprimento das tímidas normativas de segurança actuais, assim como os grandes negócios económicos que beneficiam certos estados e as suas oligarquias, evitam e vetam a modificaçom das leis e os acordos internacionais sobre tráfico e transporte marítimo, mantendo umha permissividade e cumplicidade criminal que permite a repetiçom cada vez mais freqüente de este tipo de acidentes.

Em segundo lugar, e como conseqüência directa da exploraçom e dominaçom capitalista, está a opressom nacional que padecemos. Carecemos das competências, do mínimo poder político para poder incidir na modificaçom de esta legislaçom, dos mecanismos para defender os nossos interesses nacionais e de classe, e portanto dos meios para evitar que barcos como o Prestige circulem polas nossas águas. O capitalismo espanhol é directamente responsável pois nom tomou nengum tipo de medidas para evitar a catástrofe e porque em contra dos informes técnicos adoptou decisons que tod@s @s especialistas desaconselhavam. A nossa falta de soberania, a carência de um estado galego, provoca que sejamos reféns dos interesses da oligarquia espanhola e da lógica colonial de desprezo com a que historicamente sempre nos tratárom.
Porque é evidente que se o Prestige tiver o acidente, diante de Bilbo, Tarragona, València ou Almería, a atitude do governo espanhol seria totalmente distinta.Nom entrava nos seus cálculos a possibilidade de umha resposta tam massiva, contundente, de amplos sectores das classes trabalhadoras de este país. Pensavam que as mentiras de Rajói e Cascos, as patranhas do Delegado do Governo e do próprio Fraga, que em pleno desenvolvimento da crise se encontrava de caçaria com vários conselheiros, a manipulaçom dos meios de comunicaçom, e as cortinas de fumo utilizadas -inicialmente convertendo o capitám do buque em cabeça de motim, ao governo británico na pérfida Albiom, para posteriormente, ante o fracasso de ambas as opçons, incidir nos recorrentes "êxitos" da luita antiterrorista, na "brilhante operaçom militar" contra o barco norcoreano no Índico, o cumprimento íntegro das condenas, ao juízo contra HB, etc-, eram suficientes para esconder as suas responsabilidades, e maquilhar os efeitos da contaminaçom.

Sobre as tendências e fenómenos sociais em curso.O espontáneo mal-estar popular ante as mentiras e manipulaçons fôrom determinantes à hora de configurar o actual movimento de protesto articulado ao redor da plataforma Nunca Mais. Galiza está vivendo o maior movimento de massas desde 1936. A manifestaçom celebrada em Compostela em 1 de Dezembro (250 mil pessoas), ou as mobilizaçons do 11 de esse mesmo mês, nas que participáron entre o 12 e o 13% da populaçom da CAG, evidenciam este fenómeno, que se bem inicialmente solicitava a demissom dos governos do PP em Madrid e Compostela, por estar o seu discurso baixo a hegemonia e o controlo do autonomismo, e ante o temor de que se lhes vaia das maos, actualmente carece de um objectivo político claro, além de solicitar medidas de urgência para paliar a catástrofe e ajudar as povoaçons afectadas.

A atitude criminal do PP provocou umha indignaçom colectiva de amplos sectores populares, incrementando quantitativa e qualitativamente, da noite para a manhá, o nível de aspiraçons socialmente partilhadas.

A ausência do estado, a falta de decisom política, de coordenaçom, para adoptar as medidas mínimas que impedissem a entrada do fuelóleo nas rias, provocou que os sectores populares afectados directamente (marinheiros, mariscadoras) se vissem obrigad@s a utilizar as suas ferramentas de trabalho, os seus barcos, as suas própias maos. Este fenómeno, unido ao anterior, provocou um incremento da consciência nacional, de momento de forma difusa e primária, e sobretodo da auto-estima colectiva.

Também estamos assistindo a umha relativa permissividade social à hora de utilizar métodos de luita avançados, até há escassos meses estigmatizados: desde fazer pintadas, increpar, lançar ovos e outros objectos às autoridades, a acçons de sabotagem como a queima de um camiom, do exército em Carnota ou a colocaçom de explosivos em duas sedes do PP.

Assistimos a um emergente processo de radicalizaçom de massas, unido ao descrédito dos políticos e ds instituiçons em geral, paralelo a umha politizaçom social que muita gente compara ao ambiente da Transiçom.

Os actores políticos da crise.O PP infravalorou a magnitude do acidente e o movimento social que gerou. O aparelho madrileno tampouco permitiu até o momento que a Junta da Galiza jogue um papel destacado invadindo certas competências. Esta atitude, unido ao nervosismo gerado no PPdG pola reacçom social, provocou umha forte divisom interna que complicou ainda mais a tomada de decisons para paliar o impacto sociolaboral.

O BNG pretende canalizar institucionalmente e capitalizar eleitoralmente a actual situaçom. A massividade das mobilizaçons, a radicalizaçom das consignas, dos objectivos de amplos sectores populares, questionando o quadro autonómico, o papel dependente da Galiza, e a necessidade de aprofundar e alargar o movimiento se bem tivo de forma contraditória certo eco na CIGque baralhou a possibilidade de convocar umha greve geral, foi imediatamente gorada polo autonomismo que optou por se somar à estratégia do PSOE de apresentar umha moçom de censura ao governo de Fraga, que tam só supujo o balom de oxigénio e de estabilidade institucional que reclamava o regime. O Bloco nunca se tomou a sério a possibilidade de trabalhar na direcçom de lograr a demissom de Fraga. A hipótese de que o PP perda a maioria absoluta da que desfruta desde 1989 provoca autêntico pánico no seu seio. Este temor é parecido ao mesmo que manifesta à hora de frear o desenvolvimento e a politizaçom do movimento popular. O inicialmente reivindicativo Nunca Mais foi incorporado com o seu consentimento polo regime. As instituiçons, as empresas, universidades, os meios de comunicaçom de massas, sectores do PP e da administraçom autonómica, até o Exército se incorporárom ao carro da "denúncia" abstracta que tantos benefícios económicos pode dar, que tantos subsídios pode lograr, que tantos votos pode recuperar, que tanto prestígio social pode acarretar.

O autonomismo, o mesmo que alcançou um acordo institucional com o neofascismo fraguiano, renunciando à reclamaçom e exercício do direito de autodeterminaçom, nom está aproveitando a conjuntura social mais favorável das últimas décadas para incrementar a consciência nacional do nosso povo para romper laços com a Espanha. Nom lhe interessa, nem quer. Há anos que abandonou a construçom de umha naçom livre. Aposta unicamente por reforçar a sua posiçom institucional na prolongaçom juancarlista do fascismo espanhol.

Pola sua parte o PSOE tentou somar-se à vaga das mobilizaçons deslocando todo o seu aparelho madrileno à manifestaçom do 1 de Dezembro, mas Zapatero e companhia tivérom que abandoná-la entre os gritos de "PSOE-PP a mesma merda é". A memória popular nom esquece a gestom felipista do Mar Egeu. Ao igual que o BNG teme o movimiento de massas, mas, a diferença do primeiro, carece da capacidade do autonomismo para actuar em plataformas sociais. O alcaide "socialista" da Corunha, em umhas declaraçons públicas, manifestou o seu temor ao processo de radicalizaçom e organizaçom social por representar um claro "perigo para a democracia".

Finalmente estám as povoaçons trabalhadoras afectadas e o movimento de massas. A sua organizaçom, desenvolvimento e consolidaçom,a sua capacidade de manter a luita, de nom deixar-se instrumentalizar polo autonomismo, som alguns dos elementos fundamentais para poder orientar e inclinar a situaçom em chaves nacionais e de esquerdas, ou acabar na via morta de umha nova frustaçom colectiva.

Os reptos e as possibilidades de incidir por parte do independentismo. NÓS-UP está introduzindo o discurso nacional, de classe e de género no actual cenário, delimitando com nomes e apelidos os responsáveis da crise nacional, solicitando nom unicamente responsabilidades políticas: demissons, senom penais, pedindo a prisom para os culpáveis, incluindo ao próprio chefe do estado; a ilegalizaçom do PP polas suas evidentes responsabilidades no ecogenocídio das nossas costas e por pôr em perigo o futuro de dezenas de miles de trabalhadoras e trabalhadores que vivem directa e indirectamente do mar; além disso reclamamos a convocatória de umha greve geral para tumbar o PP, para exigir medidas políticas que resolvam tecnicamente o problema do barco, e um plano integral de intervençom sócio-económica que evite a ruína da populaçom afectada. Para isso é necessário manter, ampliar e radicalizar a luita de massas, a pressom social, evitando que o caudal acumulado culmine novamente numha derrota popular, na resignaçom paralisante. Nom podemos dar-lhes trégua. Há que seguir com as mobilizaçons, com a denúncia, com as acçons reivindicativas. O crime que cometêrom contra Galiza nom lhes pode sair grátis aos inimigos deste país e do seu povo trabalhador. Só a independência e o socialismo evitarám novos Prestiges. De nós depende lográ-lo.

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Carlos Morais é militante da organizaçom independentista, socialista e antipatriarcal galega NÓS-Unidade Popular


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