O ano 2003 finda com novas agressons e ameaças contra a classe trabalhadora galega

31 de Dezembro de 2003

Enquanto as grandes empresas e a burguesia batêrom novos recordes de ganho, o balanço de 2003 é claramente negativo para a classe trabalhadora e as camadas populares, nomeadamente para certas fracçons do povo trabalhador: mulheres, mocidade, desempregad@s, reformad@s, que padecêrom substanciais retrocessos nas condiçons de vida e de trabalho a respeito do ano anterior.

Em 2003 perdemos poder aquistivo, continuando com a tendência aberta em 1996: em oito anos, os salários "subírom" 2.6%, enquanto o IPC acumulado superou os 14%, ou seja, perdemos mais de 11% da capacidade de compra; o desemprego continuou a aumentar até se situar numha média de 13%, (nas mulheres ultrapassa os 17%), o que significa que em cada 100 desempregad@s, a nível estatal, 20 som galeg@s; mais de 35a% d@s trabalhadoras/es padecem emprego eventual, também agudizado nas mulheres e na mocidade, chegando a ultrapassar os 84% na faixa de idade dos 16 e 19 anos; continuamos sendo d@s trabalhadoras/es pior pagos do Estado espanhol e da UE, ganhando cerca de 430 euros menos do que a média estatal; porém, trabalhamos 3.4 horas mais; o Salário Mínimo Interprofissional (SMI) aprovado polo Conselho de Ministros espanhol há uns dias é de 460 euros (76.538 pts), o mais baixo da UE, tam só por diante de Portugal; centenas de trabalhadores/as continuam com salários atrasados como Industrias Pardiñas de Foz ou Gonzacoca de Vigo; os acidentes laborais continuam a causar umha vítima mortal cada três dias, convertendo-se numha das letais regras do mercado laboral; a pobreza e a exclusom social também experimentárom um aumento até superar na CAG as 600 mil pessoas que vivem por baixo do limiar da pobreza; o preço da vivenda incrementou em 16% mais do que os salários, convertendo-se o acesso a umha vivenda em propriedade num luxo cada vez mais inasequível.

Os serviços públicos continuárom com a sua paulatina privatizaçom (Segurança Social, ensino, serviços municipais, etc) com a conseguinte deterioraçom nas prestaçons e aumento dos preços da água, gás, electricidade, recolha do lixo, etc.

Simultaneamente, a Galiza continua a ser o "território" mais castigado pola opressom e exploraçom nacional a que nos submete o capitalismo espanhol. A CAG entre 1995 e o ano que finaliza perdeu peso no conjunto estatal consolidando-se como a antepenúltima "autonomia" mais pobre em renda per cápita, só à frente da Andaluzia e a Estremadura, embora essas duas comunidades mantenham um crescimento superior ao galego, polo que em pouco tempo, se a tendência se consolidar, seremos ultrapassad@s, ficando a Galiza em último lugar.

A renda média de umha/um galeg@ é 3.500 euros menor do que a do conjunto estatal. Isto significa que as trabalhadoras galegas, que os trabalhadores galegos, somos 21.54% mais pobres do que a média estatal.

O Norte de Portugal, que já superou a Galiza em 1998, continua a afastar-se da renda galega. A convergência com Espanha e com a UE é umha ilusom: em 1980, a CAG gerava 6.52% da riqueza do Estado espanhol, e na actualidade nom atinge os 5.6%.

A burguesia poupou mais de 80 mil milhons de euros, mais de 13 mil milhons de pts, por mor da última reforma laboral aplicada polo PP; a reforma do IRPF rebaixou as rendas do capital e favoreceu os interesses da oligarquia mediante a prática isençom do Imposto de Património.

O ano 2003 significou mais repressom e perseguiçom sindical, estivo caracterizado polo recorte dos direitos laborais, pola impunidade patronal à hora de incumprir a legislaçom vigorante. Foi um ano de permanente criminalizaçom das forças sociais e políticas democráticas e revolucionárias. Um ano de ameaças, extorsons, manipulaçons, censuras. Um mau ano, em definitivo, para a imensa maioria dos habitantes da Galiza que configuramos o povo trabalhador.

Mas, tal como já manifestou Mariano Rajói, secretário geral do PP e candidato à presidência do governo espanhol, se ganhar as eleiçons em Março, umha das primeiras medidas será continuar com a liberalizaçom do mercado laboral; quer dizer, umha nova volta de porca na política de destruiçom dos direitos sociais e laborais da classe trabalhadora para favorecer umha maior acumulaçom de capital da burguesia à custa do empobrecimento das massas populares.

Primeira Linha aguarda que o ano 2004 seja um ano de luitas e de vitórias, um ano de desenvolvimento da auto-organizaçom operária e popular, de incremento da consciência nacional, de batalhas contra o capital, Espanha e o patriarcado. @s comunistas galeg@s estaremos com humildade revolucionária contribuindo para este urgente e necessário incremento da resistência e do combate popular.


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