Da resistência à alternativa social e nacional

Antes de nada, queremos começar por agradecer-vos o convite que nos figestes chegar a este Aberri Eguna 2003 da Pátria Galega, já que com isso demonstrades umha coerência política e ideológica que nestes momentos de repressom e imposiçom do pensamento único por parte do PP, marca a diferença entre aquelas forças políticas que falam da falta de democracia mas se acomodam à situaçom de aquelas que, além de falar da falta de democracia, luitam contra este modelo de ditadura que nos impom o Governo de Madrid.

Para vós, como para nós, a solidariedade internacionalista e a dignidade política passam por cima da repressom e da ameaça fascista.

Tod@s sabemos que o PP converteu Euskal Herria num verdadeiro laboratório repressivo onde pretender liquidar, polo que chamam o império da Lei, todo o processo soberanista basco e especialmente a esquerda independentista basca. O que está a ocorrer em Euskal Herria é um claro aviso a navegantes, para tod@s aqueles/as que noutras partes do Estado espanhol, especialmente na Catalunha e na Galiza, pretendem mudar o "estatus quo" actual.

Mas também é um claro aviso para todos os movimentos sociais e políticos anticapitalistas europeus que se enfrentam à globalizaçom e o neoliberalismo, já que o que José Maria Aznar está a fazer em Euskal Herria, o está a fazer dentro do quadro da Uniom Europeia, e o que é possível fazer no Estado espanhol, o pode fazer, por exemplo, Berlusconi na Itália... E, com certeza, Bush nom fará outra cousa que apoiá-los no empenhamento de acabar com o inimigo interno.

Por isso dizemos que o que está a acontecer em Euskal Herria nom é unicamente um problema da esquerda Abertzale, nem sequer é unicamente um problema da sociedade basca, é um problema de todas as pessoas e movimentos que trabalham por esse "outro mundo", por essa "outra Europa", por essa "outra Euskal Herria" e eu diria por essa outra "Galiza" que nom só som possíveis se nom que necessárias e tem que ser aliás socialista.

Mas para tal, resistir nom é suficiente, temos que construir umha alternativa política, social, nacional e internacional, e levá-la à prática. Em Euskal Herria dizemos que o euskara, a nossa língua, nom tem futuro se nom se utiliza. Conhecê-lo aprendê-lo está bem, mas nom é suficiente, há que utilizá-lo. Em política passa-se o mesmo. Resistir está bem, mas nom é suficiente, há que ofertar alternativas à sociedade, há que socializá-las para que se conheçam, mas sobretodo há que pô-las em prática.

Fruto de essa reflexom a Esquerda Abertzale mudou de estratégia a partir de 1992, passamos da resistência à construçom nacional e à mudança social. De umha situaçom de resistência encistada e sem percurso político, graças à denominada Alternativa Democrática, avançamos enormemente nos dez últimos anos. O Foro de Irlanda, o acordo Lizarra-Garai, Udalbiltza, Batera, a trégua da ETA... Nom só avançou a Esquerda Abertzale, senom o conjunto da sociedade basca. Passamos em dez anos do Pacto de Ajuria Enea que incluía o PSOE e PP que marginalizava Herri Batasuna e defendia o Estatuto, a umha sociedade que maioritariamente se opom à ilegalizaçom de Batasuna, busca um novo quadro jurídico e apoia a resoluçom política do conflito baseado no direito à livre determinaçom dos vascos no conjunto do seu território.

O preço pago é muito duro: há mais pres@s políticas que nunca, mais do que quando morreu Franco, fechárom-se três meios de comunicaçom; ilegalizárom-se três organizaçons juvenis; duas organizaçons humanitárias, Udalbiltza e incluso Batasuna, que foi integrada nas organizaçons terroristas dos USA e a Europa... Mas o processo já é imparável. Todos avançamos por encima das ilegalizaçons. O PP esmagou a democracia em Espanha e nem assim vam poder parar-nos. Nom o conseguiu Franco com a ditadura; nom o conseguiu González com os GAL e tampouco o conseguirá Aznar instrumentalizando todo o entramado jurídico.

Nestes mesmos momentos, pessoas qualificadas da maioria social, sindical e quase a maioria política da sociedade basca começárom um Debate Nacional num Foro proposto a iniciativa dos electos que compunham Udalbiltza, que pretende ofertar ao conjunto da sociedade basca umha proposta alternativa comum partilhada pola maioria da sociedade basca para a paz e a contruçom nacional para o Aberri Eguna de 2004. A nova alternativa em andamento. Para entom terá ido embora o Aznar e @s basc@s continuaremos a trabalhar para garantir um futuro para o nosso passado.

EUSKAL HERRIA É UM LABORATORIO REPRESSIVO PARA ELES

MAS É UM LABORATÓRIO PARA NÓS, PARA TODOS AQUELES QUE QUEREMOS, OUTRA EUSKAL HERRIA, OUTRA EUROPA, OUTRO MUNDO. A ALTERNATIVA SOCIALISTA NOM SÓ É POSSÍVEL, É HOJE MAIS NECESSÁRIA DO QUE NUNCA.

25 de Julho de 2003
Compostela
Joseba Alvarez, Parlamentário socialista abertzale.

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