Militarismo,
financeirizaçom e subimperialismo espanhóis
Iñaki Gil de San Vicente
20 de Julho de 2003
O Governo do
PP está enviando ao Iraque tropas que formarám umha brigada
iberoamericana integrada numha divisom internacional de 9.000 efectivos sob
comando polaco. Esta decisom é mais um passo na transformaçom
do capitalismo espanhol em mediana potência subimperialista que cumpre
docilmente ordens dos EUA, aproveitando-se como as rémoras se aproveitam
dos regugalhos que deixam os tubarons aos que servem limpando as suas porcarias.
Que o Estado espanhol padece umha fraqueza estrutural crescente que o distancia
do grosso dos países capitalistas dominantes, é algo cada vez
mais notório apesar da impressionante campanha propagandística
para ocultar essa tendência e aparentar um achegamento ao nível
do capitalismo mais desenvolvido. Embora o capitalismo espanhol fosse um dos
mais beneficiados polas ajudas da UE, estimadas em 1% do PIB, acrescentou-se
o temível "abismo tecnológico", um dos seus principais
lastros históricos. A meio e longo prazo, o que condiciona o futuro
económico é algo tam simples como a lei da produtividade do
trabalho: leva vantagem quem produz mais no mesmo tempo ou o mesmo em menos
tempo, o que outorga cada vez mais importáncia ao desenvolvimento tecnocientífico.
Em 1995-2001, a produtividade do trabalho espanhol cresceu só em 0,81%
e todo mostra a sua incapacidade de descolagem.
Além de polo seu atraso tecnocientífico, o capitalismo estatal
tem muito difícil umha recuperaçom sustentada exclusivamente
no incentivo interno da procura e consumo massivos, pois a dívida familiar
e o empobrecimento das classes populares, a maioria da populaçom, chegou
a um nível perigoso e inquietante. À parte de outras alternativas
menores para sair do buraco, multiplica a sobreexploraçom laboral,
nomeadamente de mulheres e imigrantes, e o imperialismo interno, incrementando
mediante a violência e a chantagem os benefíicios que extrai
da opressom nacional dos povos que ocupa. Todas som "soluçons"
comuns na história burguesa e os seus resultados dependem fundamentalmente
da força e decisom de luita das masas trabalhadoras e dos povos que
se resistem a semelhantes atropelamentos.
Periodicamente, a conjunçom das crises parciais numha crise sistémica
fai com que essas "soluçons" nom sirvam de muito porque a
crise resultante é qualitativamente maior. Assim, o capitalismo, de
seu mundial e global por definiçom, sofre mudanças que, como
às víboras, o fai mudar de pele mas acrescentando a letalidade
do seu veneno. Nestas situaçons chegam a desaparecer estados fracos,
aparecem outros novos e o resto adapta-se como pode à nova situaçom,
pelejando militar ou economicamente entre eles até que uns poucos se
imponhem à maioria formando-se blocos imperialistas com seus estados
aliados lacaios e servis. Mas sempre, por debaixo desas disputas secundarias,
descarregando sobre e contra as mulheres, a classe trabalhadora e os povos
oprimidos os piores custos da "soluçom global". A profundeza
da crise mundial iniciada entre 1968-73 foi e é tal que desde finais
da década de 1980 as burguesias imperialistas forçárom
umha situaçom assim para tentar sair de vez de aquele pántano.
Sem analisar agora em que o conseguírom e em quê nom, e os terríveis
efeitos destruidores que tal está a supor, sim há que dizer
que os três grandes blocos imperialistas actuais, especialmente os EUA,
teimam nessa dinámica.
Este processo capitalista agrava as tensons internas espanholas, forçando
as "soluçons" vistas e também agrava as externas,
incitando-o a outras duas "soluçons", como som a financeirizaçom
da sua economia e o subimperialismo de mediana potência. A financeirizaçom
consiste em priorizar os capitais financeiros e comerciais sobre os industriais.
Foi o PSOE que iniciou decididamente a financeirizaçom. Umha forma
de lográ-lo é enfraquecer os controlos à entrada de capitais
exteriores e adaptar a legislaçom tributária ao capricho das
grandes transnacionais e piratas financeiros. O PP fijo do Estado um paraíso
fiscal dentro da UE e entregou ao capital privado os capitais chamados "públicos".
O PSOE entre 1992-96 cedeu ao capital privado um total de 8.438 milhons de
euros. Mas com o PP ascendeu até 29.716 milhons entre 1996 e 2002.
Umha constante das privatizaçons do PP é beneficiar, além
de a velhos empresários e terratenentes franquistas, também
a umha casta tecnocrática que se está convertendo em "nova"
burguesia fanaticamente reaccionária, consciente de que todo o que
lográrom foi graças ao amiguismo do PP.
Aqui intervém o subimperialismo na América Latina. O PP criou
em 2000 a Fundaçom Carolina, destinada a coordenar o vampirismo das
24 multinacionais mais importantes do Estado. A casta tecnocrática
acelera a sua conversom em "nova" burguesia mediante o massivo espólio
sudamericano. Os investimentos espanhóis na Argentina ascendêrom
de 1.809 milhons de euros em 1995 a 18.726 millons em 2000, e o saque espanhol
foi um dos fundamentais detonantes do desastre argentino.
Outro instrumento é expandir a indústria cultural espanhola,
que a começos de 2003 supunha 6,5% do PIB estatal e 9% da sua populaçom
activa. O PP esforçou-se em controlar esta indústria estratégica
com claros objectivos políticos, económicos e ideológicos.
Mas a financeirizaçom, o subimperialismo e a saída da actual
crise só podem impor-se se o Estado se pregar à vontade dos
EUA. Embora 60,8% das exportaçons se vendam na UE, a burguesia sabe
que nom tem competitividade suficiente e que deve compensá-la com a
ajuda do "amigo americano", que oferece mais vantagens que a UE,
obtendo garantias de que as suas multinacionais nom sofrerám mais obstáculos
norte-americanos na Iberoamérica e com o prémio a 50 grandes
empresas para reconstruir o que previamente fora destruido no Iraque, enquanto
o grosso das empresas europeias fôrom vetadas. Outras ajudas som propagandísticas
e para frear o desenvolvimento tecnocientífico da UE, como a proposta
dos EUA de que a fusom nuclear se investigue no Estado espanhol em vez de
no francês, que conta com muito superiores meios.
Financeirizaçom e subimperialismo som inseparáveis do militarismo
necessário para defender, com a ajuda ianque, os investimentos exteriores
que ascendêrom de 0,9% do PIB em 1996 a 9,3% em 2000. O Estado espanhol,
que, após o Reino Unido e os EUA, é o que mais percentagem dos
investimentos em I+D dedica à militarizaçom, anunciou que o
gasto em investigaçom militar aumentará em 20% nos três
próximos anos. Por isso o PP manda tropas ao Iraque, como as mandaria
a Plutom se lho ordenasse Bush.
A principal liçom que devemos extrair de todo isto é a urgência
de acelerar a independência do nosso povo. Nom há outra alternativa.
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