Prestige:
atentado terrorista contra Galiza
O acidente do
Prestige em águas da Galiza, e o posterior afundamento do petroleiro
contaminando mais de 900 quilómetros do litoral galego e a paralisaçom
de um dos alicerces básicos da nossa economia, nom é fruto das
inclemências metereológicas, ou da dureza da Costa da Morte,
é conseqüência da lógica capitalista do máximo
benefício, da opressom nacional de carácter colonial que padece
a Galiza polo Estado espanhol, e do desinteresse, descoordenaçom e
criminosa atitude com a que o PP está gestionando a situaçom.
Galiza está padecendo umha das crises nacionais mais graves da nossa
história contemporánea que suporá condenar ao desemprego
e à emigraçom dezenas de milhares de trabalhadoras e trabalhadores,
a ruína de comarcas e vilas inteiras, umha nova reconversom económica
que afectará todos os sectores produtivos, com umha queda do PIB entre
cinco e seis pontos, pois dos 74 principais, 54 mantenhem um vínculo
directo ou indirecto com o mar. A pesca, na Galiza, move oficialmente mais
de 3.127 milhons de euros anuais.
O acidente do Prestige nom é umha novidade no nosso país. Galiza
leva assistindo de maneira cíclica a situaçons semelhantes.
No último quartel de século sofrêmos o 10% das marés
negras de todo o planeta, o 65% dos acidentes de petrolerios da Europa. Apesar
de estes antecedentes os governos espanhóis e autonómicos carecem
dos planos e os mínimos meios para evitar, combater e paliar este tipo
de catástrofes claramente evitáveis. O capitalismo espanhol
negou à Galiza os instrumentos técnicos, os recursos humanos,
imprescindíveis para fazer frente a situaçons que nom som novas.
A passividade do PP e as toscas manipulaçons da maioria dos meios de
comunicaçom no tratamento da dimensom e realidade da catástrofe
ecológica e sócio-laboral, gerou um massivo e espontáneo
sentimento de indignaçom colectiva. Umha resposta social inédita
que denuncia os responsáveis, e reivindica imediatas medidas políticas
para solucionar a crise económica derivada do vertido de milhares de
toneladas de fuelóleo ao mar. Galiza desde meados de Novembro acha-se
em "mobilizaçom permanente" com manifestaçons de centenares
de milhares de pessoas. Este fenómeno rompe os esquemas e preconceitos
de povo submisso e manso. Todo parece indicar a possibilidade de que destacados
sectores do povo trabalhador estám despertando da letargia alienante
do franquismo e sua prolongaçom monárquico-burguesa. Ante a
ausência do Estado, fôrom as populaçons trabalhadoras afectadas
de comarcas inteiras as que com seus próprios meios, suas ferramentas
de trabalho e suas maos, impedírom, de forma muitas vezes heróica,
a entrada do veneno nas rias. Este processo de autoorganizaçom popular,
está favorecendo um difuso, e de momento, primário incremento
da consciência nacional e do orgulho de pertencer a um povo abandonado
e oprimido. Esta tendo lugar umha relativa radicalizaçom das reivindicaçons,
dos protestos, das formas de luita que indicam possíveis mudanças
estruturais na sociedade galega. Esta rápida politizaçom contribuiu
ao fracasso das estratégias de censura e manipulaçom de massas
praticadas polos meios de comunicaçom da burguesia.
O movimento popular está "dirigido" pola plataforma Nunca
Mais e polo colectivo de artistas e intelectuais Burla Negra. Ambas as entidades
estám baixo a influência do reformismo autonomista do BNG, que
vetou unicamente a presença no seu seio da esquerda independentista
representada por NÓS-Unidade Popular e as entidades sectoriais do MLNG.
A grave crise de legitimidade do PP e a radicalizaçom do movimento
de massas provocou temor no BNG que renunciou a politizar o discurso e as
reivindicaçons, pois o seu principal objectivo é capitalizá-lo
eleitoralmente nas municipais de Maio. As mobilizaçons solicitam a
demissom das autoridades responsáveis, mas o BNG veta a convocatória
de greve geral; as manifestaçons reivindicam democracia e justiça
para a Galiza, mas o BNG, com o PSOE, aposta por manter a estabilidade institucional
por meio dumha moçom de censura a Fraga que apenas supujo o balom de
oxigénio que pedia o regime. Ambas as organizaçons -a primeira
vem de assinar um pacto de estabilidade com o neofascismo fraguiano denominado
"Diálogo institucional", que supom a definitiva integraçom
no quadro jurídico espanhol e a renúncia ao exercício
de autodeterminaçom-, nom desejam que o PP se desmorone eleitoralmente
em Maio porque poderia, unido às graves divergências internas
da Junta da Galiza, forçar Fraga a convocar eleiçons autonómicas
antecipadas depois do verao. Nem ao PSOE, nem ao BNG lhes interessa gestionar
agora a Junta com o Prestige soltando fuelóleo e com umha crise económica
que agrava a já de por si situaçom dependente do nosso país.
O independentismo galego está participando activamente no movimento
popular introduzindo o discurso nacional, de classe e de género, popularizando
a alternativa independentista, socialista e antipatriarcal, cujos eixos políticos
em esta conjuntura baseiam-se em solicitar a demissom e prisom para os responsáveis,
incluído o monarca espanhol como chefe do Estado responsável
directo do ecogenocídio do nosso litoral e a ameaça de destruiçom
de milhares de postos de trabalho; a ilegalizaçom do Partido Popular
responsável directo do fracasso da gestom na catástrofe; a convocatória
de umha greve geral para obrigar ao Estado espanhol ue evite que o Prestige
siga contaminando as nossas costas nos próximos anos: diariamente está
vertendo mais de cem toneladas de fuelóleo, e um plano sócio-económico
integral de reactivaçom e recuperaçom das zonas mais afectadas.
Porque deve ser Espanha quem resolva o problema que gerou. A limpeza das praias,
a regeneraçom do litoral, corresponde às autoridades espanholas.
O voluntariado baixo a supervisom das instituiçons, grupos ecologistas
subsidiados, exército, ou as ONGs, pode ser um lavado de consciências
para muita gente que bem intencionadamente quer colaborar, mas na prática
é pouco útil até que nom se evite que o barco siga soltando
fuelóleo, e tam só desvia e dilui as contradiçons nacionais,
de classe e de género em curso entre Galiza e Espanha. Bem diferente
é colaborar directamente, sem intermediários institucionais
ou oficiais, com as populaçons directamente afectadas. Isto é
a solidariedade que reclama o povo trabalhador galego, e nom os donativos
e esmolas que os meios de comunicaçom e as instituiçons espanholas
estám promocionando dentro do seu esquema colonial. Galiza quer justiça,
nom caridade.
Apenas a pressom popular, a mobilizaçom social, logrará que
a oligarquia espanhola ponha os meios económicos, técnicos e
humanos para superar e solucionar a crise nacional.
Apenas um processo revolucionário endógeno, que logre dotar
a nossa naçom dum estado próprio para construir umha sociedade
socialista e nom patriarcal, evitará que sigamos sendo pasto da lógica
terrorista do capitalismo, de novas marés negras.
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·Noa Rios Bergantinhos (bergantinhos@hotmail.com), é a Responsável
Nacional de Relaçons Internacionais da organizaçom independentista,
socialista e antipatriacal galega NÓS-Unidade Popular.