RESISTÊNCIA E REBELIOM MUNDIAL ANTICAPITALISTA. DE SEATTLE A BARCELONA

Publicado no nº 19 de Abrente (Janeiro de 2001)

A globalizaçom representa o desenvolvimento capitalista dumha época selvagem na que como auténticos cavalos do Apocalipse, o capital financeiro, as empresas multinacionais, as instituiçons de Brettom Woods e o imperialismo cultural, cavalgam polo planeta arrasando os ecosistemas, aniquilando as identidades nacionais, destruindo os direitos sociais e fazendo-nos mais iguais na exclusom social, a miséria ética e a desolaçom. É a expressom mais agudizada do processo de internacionalizaçom, traduzido no tránsito dum sistema de acumulaçom baseado no Estado-Naçom para outro baseado no mercado mundial, convertendo o planeta numha cidade global, aumentando a interdependência das diferentes economias.

Corresponde também ao tránsito de um sistema de acumulaçom agrário-industrial baseado no fordismo para um outro industrial-serviços baseado na tecnologia da revoluçom micro-electrónica.

O fracasso do modo de produçom capitalista é umha realidade, embora nom esteja derrotado actualmente padece a mais longa, complexa e pior crise da sua história. Nom se trata só dumha clássica crise económica, de sobreproduçom no meio da pobreza crescente que gera à sua vez o subconsumo. A civilizaçom capitalista poderá ter concluído no prazo de 25/50 anos, mas na actualidade vivemos um período de transiçom para um novo sistema cujo perfil é incerto. Ao igual que em todos os anteriores pontos de inflexom da história da humanidade, o papel dos povos e dos oprimidos, a sua capacidade de luita e combate, será determinante para que o modelo sócio-económico que substitua ao capitalismo seja um sistema ao serviço das pessoas e dos povos, no que a igualdade, a justiça e a liberdade deixem de ser umha utopia e se convertam em realidade, no modelo polo que a humanidade leva luitando desde os inícios da luita de classes: o Comunismo.

O movimento antiglobalizaçom

Levamos cerca de umha década sofrendo a virulenta campanha contrarrevolucionária que afirma que devemos escolher entre a gestom socialdemocrata do capitalismo e a liberal-conservadora. Ao igual que antes da queda da URSS rejeitávamos essa visom do mundo que tratava de obrigar-nos a escolher entre a economia de mercado e a planificaçom soviética, hoje negamo-nos a ter que escolher entre essas duas letais alternativas. Embora a globalizaçom seja umha crua realidade, está emergendo com força um complexo e heterogéneo movimento internacional que questiona e se enfrenta à actual fase de expansom capitalista, ao actual fenómeno da globalizaçom capitalista mais conhecido como neoliberalismo.

Cumpre umha nova esquerda que impulsione um novo internacionalismo e promocione um antiimperialismo que questione até a raíz este modelo histórico de conquista, exploraçom e dominaçom. Umha nova esquerda afastada dos conceitos e paradigmas do eurocentrismo, essa corrente de pensamento que trata de fazer compatível os sonhos humanos de emancipaçom, co mantimento dos conceitos do progresso, liberdade, democracia e igualdade próprios do capitalismo imperialista.

O actual movimento internacional que emerge com força em Dezembro de 1999 em Seatlle e se desenvolve posteriormente ao longo do planeta é um fenómeno novo que se foi tecendo silenciosamente na última década, mediante anos de resistência, de pequenas luitas locais, nacionais, entre multidom de novos grupos e velhas organizaçons que nunca aceitárom os ditames do capitalismo e as falácias do fim da história, e cujo inicio simbólico começou o 1º de Janeiro de 1994 co alçamento zapatista no México contra o acordo de livre comércio cos Estados Unidos e o Canadá.

A actual rede caracteriza-se pola sua complexa heterogeneidade e horizontalidade, pola indefiniçom política-ideológica, que facilita a confluência de organizaçons cidadás, movimentos sociais, sindicatos, partidos comunistas, movimentos de libertaçom nacional, organizaçons anarquistas, camponesas, indígenas, ONGs, todo o tipo de grupos alternativos, num amplo movimento internacional de resistência e oposiçom ao capitalismo. Podemos estar assistindo ao nascimento de um movimento de massas mundial, semelhante em muitas cousas (grande participaçom juvenil) ao Maio de 68, que questiona radicalmente -utilizando a mobilizaçom social e a luita na rua- a actual orde internacional, a actual fase imperialista do capitalismo.

Movimento coordenado, conectado, interrelacionado, mediante a utlizaçom da Internet e das Novas Tecnologias da Informaçom e a Comunicaçom (NTIC), actualizando a consigna leninista pola qual os capitalistas nos venderám a corda coa que os vamos enforcar.

Este movimento constata que ao Capital nom lhe vai ser tam fácil como pensava implantar um modelo socio-económico mundial gerido polo mercado ao serviço exclusivo dos ricos e os poderosos.

Um dos últimos editoriais da revista The Economist, um dos vozeiros do neoliberalismo afirmava que “a globalizaçom é reversível, e isto provoca que quem se oponhem a ela sejam tam perigosos”.

O actual movimento antiglobalizaçom supom a incorporaçom de umha nova geraçom militante à luita contra o capital, numha sintomática e evidente expressom da lenta superaçom da grave crise de identidade da esquerda provocada a finais da década de oitenta coa implosom do modelo soviético e o rearmamento ideológico da ideologia liberal.

A esperança de poder modificar o actual estado das cousas volta a ser umha realidade em milhons de pessoas em todas as partes do mundo. Sem pretender cairmos no triunfalismo estamos assistindo ao nascimento de um movimento antisistémico a nível mundial que pode regenerar a esquerda construindo um novo cenário político internacional que contribua a frear o avanço do pensamento único e sente as bases para a sua superaçom.

De 25 a 30 de Janeiro deste ano mais de 3.000 activistas de todo o planeta reunirám-se em Porto Alegre (Rio Grande do Sul, Brasil) para debater sobre os rumos do movimento, no que será a primeira ediçom do Foro Social Mundial, congresso alternativo ao Foro Económico Mundial que se reunirá como é habitual esses mesmos dias em Davos.

Ao longo de 2001 continuarám as luitas e as acçons, e daqui devemos lograr que o nosso país se integre activamente neste movimento. A conferência anual do Banco Mundial que este ano se vai realizar de 25 a 27 de Junho em Barcelona vai ser umha magnífica oportunidade para que a voz da Galiza rebelde e anticapitalista tenha presença, seja escoitada, tecendo laços de solidariedade e amizade com os movimentos de libertaçom nacional e a esquerda revolucionária doutras latitudes.

A causa desta situaçom

A causa desta situaçom é o resultado dos quinhentos anos do processo de expansom da inicial economia-mundo europeia capitalista do século XV até o actual triunfo planetário do capitalismo mundial, a globalizaçom.

O prognóstico marxista formulado na Lei geral, absoluta, da acumulaçom capitalista que produz “umha acumulaçom de miséria, proporcionada à acumulaçom do capital. A acumulaçom de riqueza num pólo é ao próprio tempo, pois, acumulaçom de miséria, tormentos de trabalho, escravatura, ignoráncia, embrutecimento e degradaçom moral no pólo oposto”, que Karl Marx recolheu no Livro Primeiro d´O Capital significa que “coa diminuiçom constante no número dos magnatas capitalistas que usurpam e monopolizam todas as vantages deste processo de transtorno, aumenta a massa da miséria, da opressom, da servidume, da degeneraçom, da exploraçom”.

A tese marxista da depauperaçom absoluta do proletariado é umha terrível realidade tal como demonstram as cifras e constatam os dados da situaçom actual do planeta elaborados polos informes e análises dos governos capitalistas. Um estudo da ONU publicado em 1988 titulado O nosso futuro comum, elaborado pola Comissom Brundtland, concluia coa seguinte afirmaçom: “Há mais gente hoje que passa fame no mundo que a que houvo em toda a história da humanidade, e a progressom tende a aumentar”.

Tal como afirma Immanuel Wallerstein “A esmagadora maioria dos trabalhadores mundiais, que moram em zonas rurais ou oscilam entre estas e os subúrbios da cidade, estám em piores condiçons do que os seus antepassados há quinhentos anos. Comem menos bem e certamente tenhem umha dieta menos equilibrada. (...) Hoje trabalham mais horas por dia, por ano, por vida, por umha remuneraçom total inferior”.

Embora para 10/15% da populaçom mundial seja absurdo falar do fracasso do capitalismo, estando a Galiza situada no seio periférico deste selecto clube, é evidente que o modo de produçom gestado na Europa há quinhentos anos ó e que hoje é hegemónico a escala planetária ó nom só significa miséria, dor, exploraçom, injustiça, humilhaçom, para a maioria dos habitantes da Terra (o que Marx definiu magistralmente como a depauperaçom absoluta do proletariado), senom que pom em perigo a vida mesma do planeta.

A crise ecológica

O funcionamentio dum sistema produtivo competitivo que nom conhece mais critérios de limitaçom do que a capacidade de consumo e esbanjamento duns quantos origina um ilimitado desenvolvimento das forças produtivas que envenena o ar, a água, e a terra, assassinando a vida, arrasando a terra e destruindo o ecossistema.

O desenvolvimento do capitalismo provoca que o planeta perda 15 milhons de hectares de florestas por ano (dos que 6 milhons se tornam em desertos), enquanto a chuva ácida destrui os bosques e os lagos do norte, os resíduos tóxicos envenenam os rios e os mares, o clima se altera polo aquecimento da atmosfera, a erosom destrui cada ano um equivalente à superfície cultivável da Península Ibérica, e a quarta parte da humanidade deve conformar-se com beber água poluída por nitratos, pesticidas e resíduos industriais.

A mai terra, unidade de todo o vivente, está doente de gravidade.

As multinacionais

Som a expressom mais genuina do processo de concentraçom, centralizaçom e internacionalizaçom do capital. Som gigantescas empresas distribuídas espacialmente mediante “filiais” no conjunto do planeta com dezenas e centenas de milhares de trabalhadores/as (General Motors: 775.000; IBM: 383.000; Ford: 370.000) caracterizadas polo seu enorme volume de produtividade e de facturaçom por pessoas que provoca que hoje 500 empresas transnacionais podam produzir 25% do PIB mundial com apenas 1,25% d@s trabalhadores/as do planeta (25 milhons). Hoje as multinacionais concentram mais da metade da produçom mundial, controlam as reservas energéticas e as fontes de matérias primas, controlam quase em monopólio a tecnologia e a investigaçom e concentram a sua produçom em sectores estratégicos, controlando a economia dumha parte substancial dos países.

 

OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS OPRESSORES DO CAPITALISMO

Após a II Grande Guerra a hegemonia norteamericana impulsionou a criaçom dumha série de organismos e instituiçons que regulam e impulsionam o processo de globalizaçom a nível económico (GATT/OMC, FMI, BM, G7), e a nível jurídico político (ONU, NATO).

• GATT/OMC. Representa um grande projecto de liberalizaçom global e multilateral do comércio mundial que trata de facilitar a introduçom das grandes multinacionais do Norte nos mercados locais. Desde 1995 o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio muda de nome transformando-se em Organizaçom Mundial do Comércio.

A OMC pretende liberalizar totalmente os investimentos eliminando os direitos dos estados a controlar os investimentos estrangeiros realizados sobre o seu território.

• FMI. O Fundo Monetário Internacional é um organismo integrado por 151 países, dirigido polos USA, a Gram Bretanha, a Alemanha, a França e o Japom, tendo os USA direito a veto. A sua funçom é actuar de autoridade monetária mundial financiando défices das balanças de pagamento, mantendo estáveis os tipos de cámbio, co objectivo de facilitar o comércio internacional e a acumulaçom de capital.

Estabelece e dirige os “programas de ajuste”, ou seja, as privatizaçons, a eliminaçom ou reduçom dos estados na economia, a supressom dos impostos de importaçom, a desvalorizaçom das moedas nacionais, a aboliçom das restriçons aos investimentos estrangeiros, fomentando políticas de exportaçons e integraçom no mercado mundial, que provocam um agravamento das condiçons de vida e dependência dos países e um maior empobrecimento dos sectores sociais mais desfavorecidos.

• Banco Mundial. Está configurado por umha série de organismos como a Agência Internacional para o Desenvolvimento (AID) que concede empréstimos baratos a países pobres; a Corporaçom Financeira Internacional (CFI) que fomenta a introduçom do sector privado; e a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (AMGI) que assegura os grandes investidores privados contra os riscos nom comerciais.

A lógica do BM considera que o dinheiro emprestado o converte em verdadeiro governo do país receptor, exigindo destes a aplicaçom de políticas sob os interesses dos estados ocidentais e das multinacionais.

• Grupo dos 7 (G7). Configurado polas principais potências imperialistas (USA, Canadá, Japom, Alemanha, França, Gram Bretanha, Itália e recentemente com Rússia como convidada de pedra), conforma um directório que decide sobre as grandes questons estratégicas no plano económico, social e político, regulando a “estabilidade” planetária. Os dous objectivos fundamentais que persegue som impulsionar o processo de mundializaçom-globalizaçom do capital e aplicar medidas coercitivas e militares contra aqueles estados e/ou povos que se neguem a submeter-se aos seus ditados (Guerra do Golfo, dos Balcás).

• ONU. A Organizaçom das Naçons Unidas representa umha espécie de governo mundial com capacidade para intervir política e militarmente mediante o Conselho de Segurança, sob a hegemonia das potências mundiais que possuem capacidade de veto.

• NATO. A Organizaçom do Tratado do Atlántico Norte é umha estrutura militar nascida para defender os interesses estratégicos do imperialismo norte-americano e com capacidade para intervir militarmente quando estes se achem ameaçados.

 

PRINCIPAIS ACÇONS DO MOVIMENTO ANTIGLOBALIZAÇOM

4 de Dezembro de 1999. Mais de 50 mil manifestantes logram suspender em Seattle (USA) a reuniom dos 135 ministros de Economia e Comércio da OMC. Impedindo assi que a denominada Ronda do Milénio alcançasse um acordo que pretendia acelerar a “liberalizaçom” do comércio mundial, eliminando barreiras no sector agrícola e de serviços, fazendo mais ricos aos ricos e mais intocáveis às multinacionais.

30 de Janeiro de 2000. Milhares de manifestantes protestárom na localidade suiça de Davos contra o Foro Económico Mundial, reuniom que anualmente congrega aos responsáveis das multinacionais e chefes de Estado para falar do futuro do mundo.

13 de Fevereiro de 2000. Centenas de manifestantes acossárom aos delegados de 190 países membros da Conferência das Naçons Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) reunidos na capital da Tailándia, Bangkok.

8 de Março de 2000. Em dezenas de países, também na Galiza, tem lugar umha greve de mulheres e diversos actos enquadrados no Dia Internacional da Mulher Trabalhadora organizada pola Marcha Mundial das Mulheres. En Nova Iorque, diante da sede da ONU, reunírom-se delegaçonsde mulheres de todo o mundo.

10 ao 14 de Abril de 2000. En diversos países tenhem lugar diferentes acçons de carácter ecologista inseridas na Semana Internacional contra a Engenharia Genética.

16 e 17 de Abril de 2000. Milhares de manifestantes desafiam o estado de sítio imposto pola polícia em Washington, protestando contra as políticas do FMI que nesses dias reunia na capital norteamericana o seu máximo órgao de decisom, o Comité Internacional Monetário e Financeiro.

1º de Maio de 2000. En diferentes países do mundo tem lugar uma acçon coordenada contra o capitalismo.

14 de Junho de 2000. A cimeira da Organizaçom para a Cooperaçom e o Desenvolvimento Económico (OCDE) iniciou-se em Bolonha (Itália) com cargas policiais contra os manifestantes anti-capitalistas ali concentrados.

30 de Junho de 2000. Na cidade suiça de Davos tenhem lugar mobilizaçons em solidariedade co sindicalista camponés e activista ecologista francês, José Bové, julgado por destruir um McDonalds.

1 a 4 de Agosto. Mais de 20 mil manifestantes concentrárom-se na cidade norteamericana de Filadélfia para protestar contra a Convençom Nacional Republicana que ia proclamar candidato presidencial a George Bush, co resultado de centos de detidos.

16 e 17 de Agosto de 2000. Dezenas de milhares de activistas norteamericanos protestam em Los Angeles contra a Convençom Nacional Demócrata.

11 ao 13 de Setembro de 2000. Em Melbourne (Austrália) tem lugar umha batalha campal de quase 72 horas entre milhares de manifestantes e polícias durante a celebraçom do Foro Económico Mundial. Também na sede dos Jogos Olímpicos houvo protestos.

26 ao 29 de Setembro de 2000. Em Praga, capital da República Checa, mais de 15 mil activistas de todo o mundo concentrárom-se para protestar contra a 55 cimeira do FMI-BM. Impressionantes acçons com fortes enfrentamentos coas forças policiais e que acabárom com centenas de detidos, mais que provocárom a paralisaçom e precipitado encerramento da assembleia.

7 ao 10 de Dezembro de 2000. Na Cimeira Europeia celebrada na cidade francesa de Niça mais de noventa mil sindicalistas e activistas anti-capitalistas europeus manifestárom-se contra o actual modelo de UE.

21 de Janeiro de 2001. Centenas de manifestantes anti-globalizaçom protestam nas ruas de Washington durante o percurso de George W. Bush até a Casa Branca para ser nomeado presidente dos USA.

25 a 30 de Janeiro de 2001. Em Porto Alegre (Brasil) milhares de delegad@s de organizaçons sociais e políticas da esquerda de todo o mundo reunem-se no Foro Social Mundial, alternativo ao de Davos, para condenar o neoliberalismo. Simultaneamente na estaçom alpina suiça centenas de militantes anti-capitalistas logram manifestar-se contra o Foro Económico Mundial pese à militarizaçom de toda a zona.

 

O MUNDO HOJE. UM TERRÍVEL DIAGNÓSTICO

Morte. A fame mata diariamente a mais de 40.000 pessoas. Dezenas de milhons de crianças morrem anualmente por desnutriçom e doenças.

Dez milhons de seres humanos morrem ao ano por epidemias provocadas pola poluiçom de águas e carência de redes de saneamento e esgotos.

Pobreza. 1.500 milhons de pessoas vivem na pobreza mais absoluta, sendo esta basicamente feminina -sete em cada dez pobres som mulheres- e rural.

Fame e desnutriçom. Mais de 2.000 milhons de pessoas padecem insuficiência de vitaminas e minerais na sua alimentaçom.

Carência de água potável. 2.000 milhons de pessoas nom tenhem acesso à água potável.

Carência de habitaçom. Mais de 1.000 milhons de pessoas ocupam vivendas sem as mínimas condiçons. 100 milhons de crianças sobrevivem sem teito pedindo esmola nas ruas das grandes urbes.

Carência de instruçom. Há no mundo 885 milhons de analfabetos, e 130 milhons de crianças sem escolarizar, das que duas em cada três som meninhas.

Desemprego. Cerca de 900 milhons de pessoas nom tenhem trabalho. Esta-se produzindo um incremento da hiper-exploraçom, da precariedade laboral, dos empregos eventuais, das diferenças salariais entre o home e a mulher, do desenvolvimento da economia submersa, da crise do estado da providência.

Incremento da opressom da mulher. Só recebem 10% dos ingressos mundiais embora sejam a metade da populaçom e realizam 2/3 do total de horas trabalhadas no planeta. Umha em cada três é analfabeta e 20% sofre algum tipo de violência física ou sexual.

Escravatura. Mais de 75 milhons de nen@s sofrem a escravatura mais absoluta nas suas “condiçons” de trabalho.

Prostituiçom. Dezenas de adolescentes e crianças dos países mais pobres som obrigadas a prostituir-se para sobreviver.

Guerras. Milhons de pessoas morrem anualmente a causa dos conflitos bélicos fomentados polo capitalismo para alimentar a sua indústria armamentística (actualmente mais de 50).

25% dos cientistas e investigadores do planeta estám empregues na indústria bélica, sendo investidos mais de 1.000 milhons de dólares cada 12 horas.

Agudizaçom das diferenças entre o Norte e o Sul. Mais de 3500 milhons de pessoas disponhem de um ingresso global inferior ao da França. 23% da populaçom mundial pertencente aos países industrializados dispom de 86% do produto bruto mundial, enquanto os mais de 4.000 milhons de habitantes dos países pobres devem conformar-se com 14% restante.

Desenvolvimento das grandes megacidades. Fenómeno basicamente concentrado no Sul do planeta como conseqüência da imposiçom de um modelo de desenvolvimento que tam só provoca desestruturaçom social e miséria, e portanto enormes fluxos migratórios.

Grave crise ecológica. A alteraçom do clima, o desflorestamento, o envelenamento dos rios e mares, a erosom, a contaminaçom geral do planeta, é a testemunha muda das atrozes conseqüências do desenvolvimento capitalista.

Homogeneizaçom cultural. Imposiçom do modelo ianque (American way of live) que pretende acabar coas diferenças culturais criando umha sociedade de indivíduos-consumidores-produtores que vivam procurando a fortuna individual ali onde se “viva melhor”, desenraizados e desprovistos de qualquer sentido da solidariedade, comunidade ou ser social, com base à aceitaçom de cánones de prestígio, categorias e elementos lingüístico-culturais do imperialismo mais forte.

Em definitivo, a globalizaçom está destruindo a biodiversidade cultural e lingüística do planeta, acelerando a assimilaçom cultural, agravada naqueles povos oprimidos como a Galiza que devemos defrontar a dupla acçom do processo de internacionalizaçom e a agressom do estado opressor.

 

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