Publicado no nº 19 de Abrente (Janeiro
de 2001)
A globalizaçom representa o desenvolvimento capitalista dumha época selvagem na que como auténticos cavalos do Apocalipse, o capital financeiro, as empresas multinacionais, as instituiçons de Brettom Woods e o imperialismo cultural, cavalgam polo planeta arrasando os ecosistemas, aniquilando as identidades nacionais, destruindo os direitos sociais e fazendo-nos mais iguais na exclusom social, a miséria ética e a desolaçom. É a expressom mais agudizada do processo de internacionalizaçom, traduzido no tránsito dum sistema de acumulaçom baseado no Estado-Naçom para outro baseado no mercado mundial, convertendo o planeta numha cidade global, aumentando a interdependência das diferentes economias.
Corresponde também ao tránsito de um sistema de acumulaçom agrário-industrial baseado no fordismo para um outro industrial-serviços baseado na tecnologia da revoluçom micro-electrónica.
O fracasso do modo de produçom capitalista
é umha realidade, embora nom esteja derrotado actualmente padece a mais
longa, complexa e pior crise da sua história. Nom se trata só dumha clássica
crise económica, de sobreproduçom no meio da pobreza crescente que gera
à sua vez o subconsumo. A civilizaçom capitalista poderá ter concluído no
prazo de 25/50 anos, mas na actualidade vivemos um período de transiçom
para um novo sistema cujo perfil é incerto. Ao igual que em todos os anteriores
pontos de inflexom da história da humanidade, o papel dos povos e dos oprimidos,
a sua capacidade de luita e combate, será determinante para que o modelo
sócio-económico que substitua ao capitalismo seja um sistema ao serviço
das pessoas e dos povos, no que a igualdade, a justiça e a liberdade deixem
de ser umha utopia e se convertam em realidade, no modelo polo que a humanidade
leva luitando desde os inícios da luita de classes: o Comunismo.
Levamos cerca de umha década sofrendo
a virulenta campanha contrarrevolucionária que afirma que devemos escolher
entre a gestom socialdemocrata do capitalismo e a liberal-conservadora.
Ao igual que antes da queda da URSS rejeitávamos essa visom do mundo que
tratava de obrigar-nos a escolher entre a economia de mercado e a planificaçom
soviética, hoje negamo-nos a ter que escolher entre essas duas letais alternativas.
Embora a globalizaçom seja umha crua realidade, está emergendo com força
um complexo e heterogéneo movimento internacional que questiona e se enfrenta
à actual fase de expansom capitalista, ao actual fenómeno da globalizaçom
capitalista mais conhecido como neoliberalismo.
Cumpre umha nova esquerda que impulsione
um novo internacionalismo e promocione um antiimperialismo que questione
até a raíz este modelo histórico de conquista, exploraçom e dominaçom. Umha
nova esquerda afastada dos conceitos e paradigmas do eurocentrismo, essa
corrente de pensamento que trata de fazer compatível os sonhos humanos de
emancipaçom, co mantimento dos conceitos do progresso, liberdade, democracia
e igualdade próprios do capitalismo imperialista.
O actual movimento internacional
que emerge com força em Dezembro de 1999 em Seatlle e se desenvolve posteriormente
ao longo do planeta é um fenómeno novo que se foi tecendo silenciosamente
na última década, mediante anos de resistência, de pequenas luitas locais,
nacionais, entre multidom de novos grupos e velhas organizaçons que nunca
aceitárom os ditames do capitalismo e as falácias do fim da história, e
cujo inicio simbólico começou o 1º de Janeiro de 1994 co alçamento zapatista
no México contra o acordo de livre comércio cos Estados Unidos e o Canadá.
A actual rede caracteriza-se pola
sua complexa heterogeneidade e horizontalidade, pola indefiniçom política-ideológica,
que facilita a confluência de organizaçons cidadás, movimentos sociais,
sindicatos, partidos comunistas, movimentos de libertaçom nacional, organizaçons
anarquistas, camponesas, indígenas, ONGs, todo o tipo de grupos alternativos,
num amplo movimento internacional de resistência e oposiçom ao capitalismo.
Podemos estar assistindo ao nascimento de um movimento de massas mundial,
semelhante em muitas cousas (grande participaçom juvenil) ao Maio de 68,
que questiona radicalmente -utilizando a mobilizaçom social e a luita na
rua- a actual orde internacional, a actual fase imperialista do capitalismo.
Movimento coordenado, conectado,
interrelacionado, mediante a utlizaçom da Internet e das Novas Tecnologias
da Informaçom e a Comunicaçom (NTIC), actualizando a consigna leninista
pola qual os capitalistas nos venderám a corda coa que os vamos enforcar.
Este movimento constata que ao Capital
nom lhe vai ser tam fácil como pensava implantar um modelo socio-económico
mundial gerido polo mercado ao serviço exclusivo dos ricos e os poderosos.
Um dos últimos editoriais da revista
The Economist, um dos vozeiros do neoliberalismo afirmava que “a globalizaçom
é reversível, e isto provoca que quem se oponhem a ela sejam tam perigosos”.
O actual movimento antiglobalizaçom
supom a incorporaçom de umha nova geraçom militante à luita contra o capital,
numha sintomática e evidente expressom da lenta superaçom da grave crise
de identidade da esquerda provocada a finais da década de oitenta coa implosom
do modelo soviético e o rearmamento ideológico da ideologia liberal.
A esperança de poder modificar o
actual estado das cousas volta a ser umha realidade em milhons de pessoas
em todas as partes do mundo. Sem pretender cairmos no triunfalismo estamos
assistindo ao nascimento de um movimento antisistémico a nível mundial que
pode regenerar a esquerda construindo um novo cenário político internacional
que contribua a frear o avanço do pensamento único e sente as bases para
a sua superaçom.
De 25 a 30 de Janeiro deste ano mais
de 3.000 activistas de todo o planeta reunirám-se em Porto Alegre (Rio Grande
do Sul, Brasil) para debater sobre os rumos do movimento, no que será a
primeira ediçom do Foro Social Mundial, congresso alternativo ao Foro Económico
Mundial que se reunirá como é habitual esses mesmos dias em Davos.
Ao longo de 2001 continuarám as luitas
e as acçons, e daqui devemos lograr que o nosso país se integre activamente
neste movimento. A conferência anual do Banco Mundial que este ano se vai
realizar de 25 a 27 de Junho em Barcelona vai ser umha magnífica oportunidade
para que a voz da Galiza rebelde e anticapitalista tenha presença, seja
escoitada, tecendo laços de solidariedade e amizade com os movimentos de
libertaçom nacional e a esquerda revolucionária doutras latitudes.
A causa desta situaçom é o resultado
dos quinhentos anos do processo de expansom da inicial economia-mundo europeia
capitalista do século XV até o actual triunfo planetário do capitalismo
mundial, a globalizaçom.
O prognóstico marxista formulado
na Lei geral, absoluta, da acumulaçom capitalista que produz “umha acumulaçom
de miséria, proporcionada à acumulaçom do capital. A acumulaçom de riqueza
num pólo é ao próprio tempo, pois, acumulaçom de miséria, tormentos de trabalho,
escravatura, ignoráncia, embrutecimento e degradaçom moral no pólo oposto”,
que Karl Marx recolheu no Livro Primeiro d´O Capital significa que “coa
diminuiçom constante no número dos magnatas capitalistas que usurpam e monopolizam
todas as vantages deste processo de transtorno, aumenta a massa da miséria,
da opressom, da servidume, da degeneraçom, da exploraçom”.
A tese marxista da depauperaçom absoluta
do proletariado é umha terrível realidade tal como demonstram as cifras
e constatam os dados da situaçom actual do planeta elaborados polos informes
e análises dos governos capitalistas. Um estudo da ONU publicado em 1988
titulado O nosso futuro comum, elaborado pola Comissom Brundtland, concluia
coa seguinte afirmaçom: “Há mais gente hoje que passa fame no mundo que
a que houvo em toda a história da humanidade, e a progressom tende a aumentar”.
Tal como afirma Immanuel Wallerstein
“A esmagadora maioria dos trabalhadores mundiais, que moram em zonas rurais
ou oscilam entre estas e os subúrbios da cidade, estám em piores condiçons
do que os seus antepassados há quinhentos anos. Comem menos bem e certamente
tenhem umha dieta menos equilibrada. (...) Hoje trabalham mais horas por
dia, por ano, por vida, por umha remuneraçom total inferior”.
Embora para 10/15% da populaçom mundial
seja absurdo falar do fracasso do capitalismo, estando a Galiza situada
no seio periférico deste selecto clube, é evidente que o modo de produçom
gestado na Europa há quinhentos anos ó e que hoje é hegemónico a escala
planetária ó nom só significa miséria, dor, exploraçom, injustiça, humilhaçom,
para a maioria dos habitantes da Terra (o que Marx definiu magistralmente
como a depauperaçom absoluta do proletariado), senom que pom em perigo a
vida mesma do planeta.
O funcionamentio dum sistema produtivo
competitivo que nom conhece mais critérios de limitaçom do que a capacidade
de consumo e esbanjamento duns quantos origina um ilimitado desenvolvimento
das forças produtivas que envenena o ar, a água, e a terra, assassinando
a vida, arrasando a terra e destruindo o ecossistema.
O desenvolvimento do capitalismo provoca que o planeta perda 15 milhons de hectares de florestas por ano (dos que 6 milhons se tornam em desertos), enquanto a chuva ácida destrui os bosques e os lagos do norte, os resíduos tóxicos envenenam os rios e os mares, o clima se altera polo aquecimento da atmosfera, a erosom destrui cada ano um equivalente à superfície cultivável da Península Ibérica, e a quarta parte da humanidade deve conformar-se com beber água poluída por nitratos, pesticidas e resíduos industriais.
A mai terra, unidade de todo o vivente,
está doente de gravidade.
Som a expressom mais genuina do processo
de concentraçom, centralizaçom e internacionalizaçom do capital. Som gigantescas
empresas distribuídas espacialmente mediante “filiais” no conjunto do planeta
com dezenas e centenas de milhares de trabalhadores/as (General Motors:
775.000; IBM: 383.000; Ford: 370.000) caracterizadas polo seu enorme volume
de produtividade e de facturaçom por pessoas que provoca que hoje 500 empresas
transnacionais podam produzir 25% do PIB mundial com apenas 1,25% d@s trabalhadores/as
do planeta (25 milhons). Hoje as multinacionais concentram mais da metade
da produçom mundial, controlam as reservas energéticas e as fontes de matérias
primas, controlam quase em monopólio a tecnologia e a investigaçom e concentram
a sua produçom em sectores estratégicos, controlando a economia dumha parte
substancial dos países.
OS PRINCIPAIS INSTRUMENTOS OPRESSORES
DO CAPITALISMO
Após a II Grande Guerra a hegemonia norteamericana impulsionou a criaçom dumha série de organismos e instituiçons que regulam e impulsionam o processo de globalizaçom a nível económico (GATT/OMC, FMI, BM, G7), e a nível jurídico político (ONU, NATO).
• GATT/OMC. Representa
um grande projecto de liberalizaçom global e multilateral do comércio mundial
que trata de facilitar a introduçom das grandes multinacionais do Norte
nos mercados locais. Desde 1995 o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras
e Comércio muda de nome transformando-se em Organizaçom Mundial do Comércio.
A OMC pretende liberalizar totalmente
os investimentos eliminando os direitos dos estados a controlar os investimentos
estrangeiros realizados sobre o seu território.
• FMI. O Fundo Monetário
Internacional é um organismo integrado por 151 países, dirigido polos USA,
a Gram Bretanha, a Alemanha, a França e o Japom, tendo os USA direito a
veto. A sua funçom é actuar de autoridade monetária mundial financiando
défices das balanças de pagamento, mantendo estáveis os tipos de cámbio,
co objectivo de facilitar o comércio internacional e a acumulaçom de capital.
Estabelece e dirige os “programas
de ajuste”, ou seja, as privatizaçons, a eliminaçom ou reduçom dos estados
na economia, a supressom dos impostos de importaçom, a desvalorizaçom das
moedas nacionais, a aboliçom das restriçons aos investimentos estrangeiros,
fomentando políticas de exportaçons e integraçom no mercado mundial, que
provocam um agravamento das condiçons de vida e dependência dos países e
um maior empobrecimento dos sectores sociais mais desfavorecidos.
• Banco Mundial. Está configurado
por umha série de organismos como a Agência Internacional para o Desenvolvimento
(AID) que concede empréstimos baratos a países pobres; a Corporaçom Financeira
Internacional (CFI) que fomenta a introduçom do sector privado; e a Agência
Multilateral de Garantia de Investimentos (AMGI) que assegura os grandes
investidores privados contra os riscos nom comerciais.
A
lógica do BM considera que o dinheiro emprestado o converte em verdadeiro
governo do país receptor, exigindo destes a aplicaçom de políticas sob os
interesses dos estados ocidentais e das multinacionais.
• Grupo dos 7 (G7). Configurado
polas principais potências imperialistas (USA, Canadá, Japom, Alemanha,
França, Gram Bretanha, Itália e recentemente com Rússia como convidada de
pedra), conforma um directório que decide sobre as grandes questons estratégicas
no plano económico, social e político, regulando a “estabilidade” planetária.
Os dous objectivos fundamentais que persegue som impulsionar o processo
de mundializaçom-globalizaçom do capital e aplicar medidas coercitivas e
militares contra aqueles estados e/ou povos que se neguem a submeter-se
aos seus ditados (Guerra do Golfo, dos Balcás).
• ONU. A Organizaçom
das Naçons Unidas representa umha espécie de governo mundial com capacidade
para intervir política e militarmente mediante o Conselho de Segurança,
sob a hegemonia das potências mundiais que possuem capacidade de veto.
• NATO. A Organizaçom
do Tratado do Atlántico Norte é umha estrutura militar nascida para defender
os interesses estratégicos do imperialismo norte-americano e com capacidade
para intervir militarmente quando estes se achem ameaçados.
PRINCIPAIS ACÇONS DO MOVIMENTO ANTIGLOBALIZAÇOM
4 de Dezembro de 1999. Mais de
50 mil manifestantes logram suspender em Seattle (USA) a reuniom dos 135
ministros de Economia e Comércio da OMC. Impedindo assi que a denominada
Ronda do Milénio alcançasse um acordo que pretendia acelerar a “liberalizaçom”
do comércio mundial, eliminando barreiras no sector agrícola e de serviços,
fazendo mais ricos aos ricos e mais intocáveis às multinacionais.
30 de Janeiro de 2000. Milhares
de manifestantes protestárom na localidade suiça de Davos contra o Foro
Económico Mundial, reuniom que anualmente congrega aos responsáveis das
multinacionais e chefes de Estado para falar do futuro do mundo.
13 de Fevereiro de 2000. Centenas
de manifestantes acossárom aos delegados de 190 países membros da Conferência
das Naçons Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) reunidos
na capital da Tailándia, Bangkok.
8 de Março de 2000. Em dezenas
de países, também na Galiza, tem lugar umha greve de mulheres e diversos
actos enquadrados no Dia Internacional da Mulher Trabalhadora organizada
pola Marcha Mundial das Mulheres. En Nova Iorque, diante da sede da ONU,
reunírom-se delegaçonsde mulheres de todo o mundo.
10 ao 14 de Abril de 2000. En diversos
países tenhem lugar diferentes acçons de carácter ecologista inseridas na
Semana Internacional contra a Engenharia Genética.
16 e 17 de Abril de 2000. Milhares
de manifestantes desafiam o estado de sítio imposto pola polícia em Washington,
protestando contra as políticas do FMI que nesses dias reunia na capital
norteamericana o seu máximo órgao de decisom, o Comité Internacional Monetário
e Financeiro.
1º de Maio de 2000. En diferentes
países do mundo tem lugar uma acçon coordenada contra o capitalismo.
14 de Junho de 2000. A cimeira
da Organizaçom para a Cooperaçom e o Desenvolvimento Económico (OCDE) iniciou-se
em Bolonha (Itália) com cargas policiais contra os manifestantes anti-capitalistas
ali concentrados.
30 de Junho de 2000. Na cidade
suiça de Davos tenhem lugar mobilizaçons em solidariedade co sindicalista
camponés e activista ecologista francês, José Bové, julgado por destruir
um McDonalds.
1 a 4 de Agosto. Mais de
20 mil manifestantes concentrárom-se na cidade norteamericana de Filadélfia
para protestar contra a Convençom Nacional Republicana que ia proclamar
candidato presidencial a George Bush, co resultado de centos de detidos.
16 e 17 de Agosto de 2000. Dezenas
de milhares de activistas norteamericanos protestam em Los Angeles contra
a Convençom Nacional Demócrata.
11 ao 13 de Setembro de 2000. Em Melbourne
(Austrália) tem lugar umha batalha campal de quase 72 horas entre milhares
de manifestantes e polícias durante a celebraçom do Foro Económico Mundial.
Também na sede dos Jogos Olímpicos houvo protestos.
26 ao 29 de Setembro de 2000. Em Praga,
capital da República Checa, mais de 15 mil activistas de todo o mundo concentrárom-se
para protestar contra a 55 cimeira do FMI-BM. Impressionantes acçons com
fortes enfrentamentos coas forças policiais e que acabárom com centenas
de detidos, mais que provocárom a paralisaçom e precipitado encerramento
da assembleia.
7 ao 10 de Dezembro de 2000. Na Cimeira
Europeia celebrada na cidade francesa de Niça mais de noventa mil sindicalistas
e activistas anti-capitalistas europeus manifestárom-se contra o actual
modelo de UE.
21 de Janeiro de 2001. Centenas
de manifestantes anti-globalizaçom protestam nas ruas de Washington durante
o percurso de George W. Bush até a Casa Branca para ser nomeado presidente
dos USA.
25 a 30 de Janeiro de 2001. Em Porto
Alegre (Brasil) milhares de delegad@s de organizaçons sociais e políticas
da esquerda de todo o mundo reunem-se no Foro Social Mundial, alternativo
ao de Davos, para condenar o neoliberalismo. Simultaneamente na estaçom
alpina suiça centenas de militantes anti-capitalistas logram manifestar-se
contra o Foro Económico Mundial pese à militarizaçom de toda a zona.
Morte. A fame
mata diariamente a mais de 40.000 pessoas. Dezenas de milhons de crianças
morrem anualmente por desnutriçom e doenças.
Dez milhons de seres humanos morrem
ao ano por epidemias provocadas pola poluiçom de águas e carência de redes
de saneamento e esgotos.
Pobreza. 1.500 milhons
de pessoas vivem na pobreza mais absoluta, sendo esta basicamente feminina
-sete em cada dez pobres som mulheres- e rural.
Fame e desnutriçom. Mais de
2.000 milhons de pessoas padecem insuficiência de vitaminas e minerais na
sua alimentaçom.
Carência de água potável. 2.000 milhons
de pessoas nom tenhem acesso à água potável.
Carência de habitaçom. Mais de
1.000 milhons de pessoas ocupam vivendas sem as mínimas condiçons. 100 milhons
de crianças sobrevivem sem teito pedindo esmola nas ruas das grandes urbes.
Carência de instruçom. Há no mundo
885 milhons de analfabetos, e 130 milhons de crianças sem escolarizar, das
que duas em cada três som meninhas.
Desemprego. Cerca de
900 milhons de pessoas nom tenhem trabalho. Esta-se produzindo um incremento
da hiper-exploraçom, da precariedade laboral, dos empregos eventuais, das
diferenças salariais entre o home e a mulher, do desenvolvimento da economia
submersa, da crise do estado da providência.
Incremento da opressom da mulher. Só recebem
10% dos ingressos mundiais embora sejam a metade da populaçom e realizam
2/3 do total de horas trabalhadas no planeta. Umha em cada três é analfabeta
e 20% sofre algum tipo de violência física ou sexual.
Escravatura. Mais de
75 milhons de nen@s sofrem a escravatura mais absoluta nas suas “condiçons”
de trabalho.
Prostituiçom. Dezenas
de adolescentes e crianças dos países mais pobres som obrigadas a prostituir-se
para sobreviver.
Guerras. Milhons
de pessoas morrem anualmente a causa dos conflitos bélicos fomentados polo
capitalismo para alimentar a sua indústria armamentística (actualmente mais
de 50).
25% dos cientistas e investigadores
do planeta estám empregues na indústria bélica, sendo investidos mais de
1.000 milhons de dólares cada 12 horas.
Agudizaçom das diferenças entre o
Norte e o Sul. Mais de 3500 milhons de pessoas disponhem de um ingresso
global inferior ao da França. 23% da populaçom mundial pertencente aos países
industrializados dispom de 86% do produto bruto mundial, enquanto os mais
de 4.000 milhons de habitantes dos países pobres devem conformar-se com
14% restante.
Desenvolvimento das grandes megacidades. Fenómeno basicamente concentrado no Sul do planeta como conseqüência
da imposiçom de um modelo de desenvolvimento que tam só provoca desestruturaçom
social e miséria, e portanto enormes fluxos migratórios.
Grave crise ecológica. A alteraçom
do clima, o desflorestamento, o envelenamento dos rios e mares, a erosom,
a contaminaçom geral do planeta, é a testemunha muda das atrozes conseqüências
do desenvolvimento capitalista.
Homogeneizaçom cultural. Imposiçom
do modelo ianque (American way of live) que pretende acabar coas diferenças
culturais criando umha sociedade de indivíduos-consumidores-produtores que
vivam procurando a fortuna individual ali onde se “viva melhor”, desenraizados
e desprovistos de qualquer sentido da solidariedade, comunidade ou ser social,
com base à aceitaçom de cánones de prestígio, categorias e elementos lingüístico-culturais
do imperialismo mais forte.
Em definitivo, a globalizaçom está destruindo a biodiversidade cultural e lingüística do planeta, acelerando a assimilaçom cultural, agravada naqueles povos oprimidos como a Galiza que devemos defrontar a dupla acçom do processo de internacionalizaçom e a agressom do estado opressor.
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