Comunicado do Comité Central de Primeira Linha após os ataques em Madrid e a campanha de manipulaçom espanhola

Ontem, 11 de Março de 2004, umha série de explosons sucessivas contra vários comboios produziu umha carnificina na capital espanhola, vitimando duascentas pessoas, além do milhar longo de ferid@s, principalmente operári@s, imigrantes e estudantes que viajavam nos comboios de proximidade para iniciarem um dia de trabalho.

O ataque tivo todas as características de aqueles que nos últimos anos venhem realizando organizaçons armadas árabes e/ou islámicas ao longo de todo o mundo. Procurárom a morte de civis de maneira indiscriminada, na linha dos ataques que o próprio imperialismo costuma dirigir também nos últimos anos contra os povos árabes e/ou mussulmanos em países como o Afeganistám, a Chechénia ou o Iraque, por apenas citarmos três casos bem evidentes em que as agressons imperialistas tenhem causado, nom centenas, mas milhares de vítimas mortais.

Apesar de nom encaixar as circunstáncias da acçom de ontem com as que tem realizado a ETA nos seus 40 anos de existência, a prática totalidade de meios políticos, mediáticos e sociais mais ou menos próximos ou identificados com o sistema, e nom só, nom duvidárom um segundo, desde o primeiro momento, à hora de acusarem a ETA como executora do ataque na capital de Espanha. Tendo saído representantes da esquerda independentista basca para questionarem o envolvimento da ETA em semelhante acçom, a bateria mediática e política insultou-nos com adjectivos como "miseráveis", enquanto o rei espanhol, presidente do Governo espanhol, o ministro espanhol do Interior, o lehendakari basco, os representantes de todos os partidos do sistema, a prática totalidade de meios de comunicaçom,... desde o PP a Aralar, passando polo PSOE, PNB, ERC, IU e, como nom, o BNG, dérom por feito, contra todos os indícios, a autoria basca do ataque, chegando alguns a afirmar nom existirem dúvidas sobre a mesma. Segundo os representantes institucionais, assinalar a hipótese árabe era "espalhar confusom" e um signo de "miséria".

Já no fim do dia 11, começárom a ser inocultáveis outros indícios de que, como tinha afirmado a esquerda abertzale basca, a resistência árabe podia estar por trás dos ataques. Todo indica que, mais umha vez, a esquerda abertzale foi a única que colocou algumha cordura nas análises e avaliaçons sobre a acçom de ontem em Madrid. Mais umha vez, foi o referente mais fiável frente ao conjunto de meios espanhóis envolvidos numha louca corrida de linchamento contra o independentismo basco que desprezárom qualquer hipótese que nom servisse a tal fim. Nesta altura, enquanto os meios espanhóis continuam a recusar umha rectificaçom à imensa manipulaçom que tanto beneficia o PP, os media de outros países apostam já pola responsabilidade árabe, que responderia assim o apoio do Estado espanhol à destruiçom e ocupaçom do Iraque, mas no Estado espanhol a manipulaçom continua.

Especialmente patética resultou a atitude do lehendakari basco, Juan José Ibarretxe, e do líder de IU, Gaspar Llamazares, que servilmente repetírom o discurso ditado polo PP, insultando e acusando a ETA sem qualquer prova, para hoje mesmo saírem fingindo um pedido de explicaçons ao próprio Governo do PP. Igual que esses dous personagens, a maior parte dos partidos e sindicatos do sistema, BNG incluído, tivérom que engolir as suas acusaçons gratuitas. Porém, os meios de comunicaçom e as instituiçons do regime continuam ainda nestas horas a repetir as mesmas intoxicaçons, com o objectivo de manter a confusom e favorecer os objectivos eleitorais do PP, utilizando mais umha vez o independentismo basco na sua permanente intoxicaçom dos povos do Estado espanhol. Nem sequer a confirmaçom no dia de hoje por parte da ETA de que nada tem a ver com o acontecido em Madrid serviu para deter a maquinaria intoxicadora.

Pola nossa parte, de Primeira Linha, preferimos guardar um prudente silêncio ao longo da jornada de ontem, à espera de dados que nos evitassem participar de um coro de intoxicadores em que participárom "socialistas", "populares", "nacionalistas", "comunistas", "anarquistas" e outros sectores que coincidírom em fazer o fim de campanha eleitoral ao Partido Popular, facilitando-lhe a vitória nas eleiçons do próximo domingo, e apontando a sua artilharia de forma unánime contra o "demo" basco, agitando as alienadas massas espanholas. Hoje mesmo, todos eles se manifestárom juntos "contra o terrorismo e pola Constituiçom". Juntárom-se nas mesmas manifestaçons os participantes na guerra genocida contra o povo iraquiano e os que diziam rejeitar essa guerra. Todas as forças do sistema juntas, pondo em evidência fazerem parte de um mesmo bloco que partilha o essencial: o modelo social capitalista, profundamente injusto e desigual, que provoca opressons que derivam em respostas desesperadas como a que deu a resistência árabe ontem em Madrid. Alguém pensava seriamente que as vidas dos iraquianos e iraquianas, dos afegaos e afegás, tod@s eles inocentes e assassinados pola coligaçom imperialista aos milhares, valiam menos do que as vidas das pessoas inocentes de espanhóis e espanholas? A resistência árabe deu ontem a resposta. O genocídio e a espoliaçom de riquezas dos países empobrecidos, os assassinatos em massa das suas populaçons, nom saem grátis. O povo galego e os restantes povos do ocidente devem tomar consciência e parar os pés à loucura imperialista dos seus governantes, em lugar de se manifestarem com eles, se realmente queremos que factos da gravidade dos de ontem nom voltem a repetir-se.

Sabemos que será difícil conhecer a verdade de maneira imediata, umha vez que o PP, com o apoio da oligarquia e os media, tenta manter a confusom no próprio benefício com vistas às eleiçons do dia 14, e contando com a inestimável colaboraçom das restantes forças políticas do Estado espanhol, que lhe fam o jogo de maneira insuperável. Nom com a nossa, por certo.

De acordo com a estratégia promovida pola esquerda independentista galega para as citadas eleiçons, o Comité Central de Primeira Linha fai um chamado ao Povo Trabalhador Galego para optar pola abstençom activa e consciente como melhor maneira de combatermos, no próximo domingo, os responsáveis finais de factos como os do 11 de Março, que som os mesmos que promovem guerras de rapina no Iraque, no Afeganistám e noutros países.

Nom à manipulaçom informativa!

Morte ao imperialismo!

Liberdade para os povos!


Galiza, 12 de Março de 2004

 

Voltar à página principal