Comunicado de Endavant (OSAN) ante o cessar-fogo da ETA

No meio da tormenta mediática de intoxicaçom da opiniom pública do Estado espanhol espoletada polos acontecimentos à volta dos contactos entre ERC e a ETA, achegamo-nos das análises realizadas pola esquerda independentista catalá logo a seguir do anúncio de cessar-fogo da ETA no Principado da Catalunha. Eis o comunicado feito público por Endavant-OSAN.

Comunicado de Endavant (OSAN) ante o cessar-fogo da ETA

Países Cataláns, 24 de Fevereiro de 2004

Endavant (Organizació Socialista d'Alliberament Nacional), ante a declaraçom de cessar-fogo parcial da organizaçom armada basta ETA no território da Comunidade Autónoma da Catalunha e as reacçons que se seguírom, quer dar a conhecer a sua valorizaçom política ao conjunto do povo catalám, de Salses a Guardamar e de Fraga a Maó:

1. A principal constataçom que tiramos é que, apesar dos esforços dos partidos políticos espanhóis e regionalistas cataláns, a questom nacional dos diferentes povos dentro do Estado continua a ser umha questom aberta, e só se poderá solucionar deixando decidir os povos por eles próprios.

2. As reacçons suscitadas entre a classe política, tanto catalá quanto espanhola, esclarecêrom que vam a reboque da estrategia política do Partido Popular. O PP, como a representaçom política da fracçom mais reaccionária e brutal da burguesia espanhola, impom o seu projecto, Espanha, de maneira mais desesperada à medida que a crise estrutural deste Estado avança e a sua posiçom dentro da Uniom Europeia enfraquece, por mais que tire benefícios da sua dependência da burguesia dos Estados Unidos da América.

3. Observamos que a simples formaçom dum governo que nom é netamente ultraliberal e espanholista na Comunidade Autónoma da Catalunha desperta os ataques mais ferozes por parte do Governo espanhol, ainda que acata o quadro jurídico espanhol e de nengumha maneira supom umha ameaça para a continuidade do Estado. Esta reacçom irada do PP mostra a sua necessidade de controlar todas as instituiçons e a marcha da economia do estado e de impedir qualquer pequeno obstáculo que lhe impida assentar o seu projecto de depredaçom dos povos e trabalhadores no seio do Estado.

4. Nestes quase dous meses de governo tripartito (réplica do que temos sofrido nos últimos anos em diversos concelhos), ERC está demonstrando que nom tem um projecto de ruptura com o quadro político espanhol. Apesar do confronto dialéctico através dos meios de comunicaçom que alguns dirigentes do partido republicano mantivérom com dirigentes do PP e do PSOE, esta formaçom política demonstrou que é umha força plenamente integrada no sistema e que contina a agir sob a ideia profundamente errada de que no seio dum Estado fascista camuflado de democrata como o espanhol se pode mudar a situaçom actual. Em 1992 já errou na análise, e agora continua na mesma. A sua posiçom favorável ao "diálogo" em abstracto, só falando a respeito do quadro regional do Principado e nom do conjunto dos Países Cataláns, sem questionar os fundamentos que perpetuam a situaçom de ocupaçom, confirmam a sua integraçom antes comentada. A luita com todos os meios ao alcance continua a ser umha condiçom imprescindível para ganharmos a liberdade, umha liberdade que tem de ser obra colectiva de todo o povo catalám.

5. Verificamos que o Governo espanhol do Partido Popular -com a cumplicidade e seguidismo do PSOE- está a tentar deter qualquer avanço na soluçom do conflito basco baseada na soberania e respeito à decisom democrática do povo basco. As tentativas e propostas de resoluçom política do conflito por parte do Movimento Basco de Libertaçom Nacional (MBLN) só se encontram como resposta à repressom policial e a criminalizaçom mediática do Estado espanhol.

6. O rejeitamento de toda a classe política do Principado à declaracom dum cessar-fogo por parte da ETA circunscrito nada mais que à Comunidade Autónoma Catalá nom se corresponde com as declaraçons de alguns dirigentes políticos segundo os quais a via do diálogo é o caminho para achar umha soluçom ao conflito. Cumpre interpretarmos o gesto da organizaçom armada basca como umha mostra de que se podem encontrar caminhos para umha soluçom pacífica, política e democrática ao actual conflito basco.

7. Celebramos a declaraçom deste cessar-fogo como um gesto da organizaçom basca "de respeito, nom ingerência e solidariedade" com a luita do povo catalám. Nom entendemos, porém, a carência de reconhecimento por parte da organizaçom basca do território catalám em toda a sua extensom, de Salses a Guardamar e de Fraga a Maó, pois do comunicado se deduz que o cessar-fogo se limita ao Principado.

8. A modo de conclusom constatmos que, umha outra vez, um facto pontual deixou ao léu a situaçom de dependência dos Paéses Cataláns, e sobretodo a submissom da classe política principatina aos interesses da classe política espanhola, como demonstrarom as pressons mediáticas e políticas por parte do projecto nacionalista e uniformista espanhol do PP e do PSOE. O Governo tripartito da Generalitat principatina é agora vítima da ausência de soberania real do Principado dentro do quadro jurídico autonómico, e mais umha vez constatam-se as limitadas possibilidades dos projectos autonomistas que hoje representam no Principado o PSC, CiU, IC e ERC. Só a via da ruptura do quadro jurídico espanhol poderá assegurar um projecto de soberania para os Países Cataláns.

Mais umha vez, o povo catalám verifica que a nossa libertaçom só poderá vir da estruturaçom dum movimento que surja da extensom e aprofundamento das luitas populares, em que a crescente consciência política popular permita coordentar ámbitos de luita para criar a alternativa política que há de ser a base da Unidade Popular.
Ante todo isto, só nos resta fazer um novo chamado para criarmos um movimento catalám de libertaçom nacional e social, combativo e de base, para avançarmos para uns Países Cataláns livres e socialistas.

A luita é o único caminho!

 

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