O que é que está em jogo na Geórgia?

25 de Novembro de 2003

Enquanto as televisons nos oferecem imagens de idílicos levantes populares na Geórgia, falando mais umha vez de "revoluçom de veludo", "transiçom tranquila" de "regeneraçom democrática", convém nom perdermos de vista o que está realmente em jogo na área.

Mikhail Saakachvili, igual que a actual presidenta interina, fam parte da mesma claque política de Shevardnadze, corruptos todos, ex-dirigentes do decadente PCUS que aproveitárom a chegada do capitalismo para aliar-se às novas mafias e manterem-se no poder, pactuando com os EUA a sua continuidade nas poltronas.

Com a Rússia ao norte e a Turquia e o Irám ao sul, a regiom sul do Cáucaso tem sido um campo de batalhas entre impérios, religions e ideologias ao longo da história, e continua a ser.

Mas, agora, também é umha fonte de preocupaçons para os Estados Unidos. O governo norte-americano investiu politica e financeiramente no oleoduto que passa por Baku, Tbilisi e Ceyhan e que levará petróleo extraído do Mar Cáspio, no Azerbaijám, até a costa mediterránica da Turquia.

É umha fonte de energia com potencial imenso caso haja ainda mais instabilidade no Oriente Médio.

Durante anos, o governo ianque viu Shevardnadze como o responsável por levar estabilidade e "democracia" à sua medida para a regiom, e ajudou financeiramente o seu governo depois da independência.

A Geórgia tornou-se na altura o segundo maior receptor de ajuda financeira per capita dos Estados Unidos, ficando atrás apenas de Israel.

Mas, agora, Shevardnadze estava a ser visto como um líder fraco que nom era capaz de garantir a estabilidade ao padrinho ianque.

As irregularidades nas eleiçons parlamentares podem ter sido a gota de água numha dinámica desestabilizadora negativa para os Estados Unidos. O Departamento de Estado estado-unidense acabou por afirmar estar "profundamente decepcionado" com a liderança de Shevardnadze, apoiando entom um filho político deste, inequivocamente pró-ianque e financiado directamente pola Casa Branca, Mikhail Saakachvili. O já ex-presidente procurou apoio à aligarquia Rússia, que por sua vez teme perder influência na zona ante o poderio norte-americano, sem porém ousar enfrentar-se a ele.

Em definitivo, nengumha novidade para o povo georgiano, que continuará empobrecido e submetido aos interesses geoestratégicos dos EUA na zona, quer com Shevardnadze, quer com Saakachvili.

 

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