Muro israelita do apartheid

Maria Victoria Valdés-Rodda, do Granma Internacional

8 de Janeiro de 2004

Mais do que umha faixa de segurança, como o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, pretende mostrar, o muro israelita é umha medida de força adoptada para amedrontar 30% da populaçom árabe da Cisjordânia. Os 347 quilómetros, construídos desde 16 de Junho de 2002, tenhem o objectivo de perpetuar umha fronteira ilegal à maneira de prelúdio a umha Palestina independente, caso frutificar, no futuro próximo, algumhas das tantas iniciativas de paz para o Oriente Médio.

A Internet difundiu, há poucos dias, umha foto eloqüente: Um pai da Palestina cercada, levantava o seu filho pequeno por cima dos arames electrificados com a intençom de que os parentes que estavam do outro lado da cerca o apanhassem. Desarticular as famílias palestinianas é apenas um dos efeitos desestabilizadores da ocupaçom israelita.

Essência real da demarcaçom

Trata-se, aliás, do controle dos recursos hidráulicos (69% do volume da água e 36 importantes poços de água potável som na zona árabe), da usurpaçom das melhores terras para cultivar (14,5%), de impedir o acesso aos postos de trabalho em Israel, bloquear caminhos e estradas ou converter numha ilha a área de leste de Jerusalém, ao cercar a cidade sagrada em 18 quilómetros.

É também essencial dividir em cantons a geografia de umha naçom (separa 14 povoados), a fim de propiciar com isso a futura fragilidade administrativa e territorial, tornando ingovernável na praxe a criatura: um estado fantasma.

Este muro nasce da distorsom das linhas de demarcaçom estabelecidas unilateralmente por Israel, após a Guerra dos Seis Dias, pois os irrelevantes 11% do território actual atinge a chamada linha verde da ONU ou na antiga fronteira antes de 1967.

Ignoram o direito internacional

Após Sharon apresentar, em 24 de Outubro passado, os planos do projecto do muro à opiniom pública judia, muitos organismos e, nomeadamente as Naçons Unidas, frisam as violaçons que estavam cometendo. Ignorárom, portanto, o estabelecido polo artigo 52 das regulamentaçons da Haia de 1907, do Direito Internacional e ignorárom a 4a Convençom de Genebra, onde é proibida a destruiçom e o arresto da propriedade nos territórios ocupados.

Por seu lado, a Organizaçom para a Libertaçom da Palestina (OLP) e a Frente Democrática para a Libertaçom da Palestina (FDLP), como um de seus membros, denunciárom a atitude racista do governo israelita ao persistir na conclusom da obra, quando já muitos a comparam no mundo com sintomas do apartheid da África do sul.

Um relatório do Escritório da ONU para a Coordenaçom de Assuntos de Segurança confirmou o temor das vozes palestinianas, ao indicar que cerca de 680 mil pessoas nos denominados territórios semi-autónomos correm perigo para as suas vidas, pois de aproximadamente 400 mil pessoas situadas a leste do muro terám de atravessá-lo a cada dia para chegarem a seus campos de cultura, empregos e famílias e mais 11 mil ficarám virtualmente presas.

Por meio da dissuasom com notas de sua Chancelaria, o primeiro-ministro da Palestina, Ahmed Qureia, fijo um apelo em 11 de Dezembro passado, para um processo de reflexom profundo, a fim de impedir maiores dificuldades, que, nas relaçons bilaterais se traduzem em resistência e defesa perante novas anexaçons israelitas em Gaza e Cisjordánia.

"Seria um erro crasso que nos impugessem umha soluçom", afirmou Qureia ao influente jornal Maariv, de Israel. Ele afirmou isso a partir de umha 'iniciativa' de Sharon de contribuir com mais fundos milionários para a estratégia de segurança, tendo o muro como o máximo baluarte. O próprio Banco Mundial assinalou que despendem mais de 1,5 milhom de euros a cada um quilómetro.

"Desmantelar os assentamentos é umha acçom positiva, mas se Sharon deseja construir umha barreira e usá-la para anexar terras palestinianas, isso é inaceitável. Nom ajudará nem terá sucesso, só causará um desastre e mortes desnecessárias de ambas as partes", enfatizou o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Telaviv disfarça a sua estratégia colonista ao anunciar a eliminaçom de dezenas dos 150 assentamentos ilegais. Nom aplica medidas definitórias e respeito à legalidade internacional através da retirada aos seus posicionamentos antes de 1967, mas manipula para se apropriar de aproximadamente 60% da Cisjordánia, de umha fatia de Gaza e 2% de Jerusalém.

Tenta definir no eventual mapa de umha Palestina independente. E fará-o, a partir da sua linguagem habitual de violência, agora sob a forma de centenas de quilómetros de betom, electricidade e 30 postos militares para fazer ressuscitar o apartheid.

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