A luita nom é por Saddam, mas contra os invasores

Tirado e traduzido de "La Jornada"

"Paz" e "reconciliaçom" fôrom as palavras que no domingo partilhárom Downing Street e a Casa Branca. Mas nom se há de cumprir a esperança de que rua a resistência contra a ocupaçom. Hussein nom era o guia, nem espiritual nem político, da insurgência que agora custa tantas vidas, mais iraquianas do que ocidentais, devemos acrescentar, no Iraque. Nom interessa o contentes que podam ficar Bush e Blair com a captura de Saddam; a guerra continua.

Em faluja, em Ramadi, noutros centros do poder sunita no Iraque e nom, nom é um triángulo sunita, por certo, senom antes um rectángulo que contém umha outra naçom, a resistência contra a ocupaçom continuará em aumento.

A sitematizaçom dos ataques e o cada vez maior e mais temível refinamento dos insurgentes estám unidos ao Comité da Fé, grupo sunita mussulmano com bases wahabitas que agora planifica os ataques contra as tropas de ocupaçom em Mosul e na cidade de Hilla, 80 milhas a Sul de Bagadad. Inclusive antes da derrocada do regime do partido Baaz, esses grupos tolerados por Saddam com a esperança de que eles cumprirem a funçom de desgastar a militáncia islámica sunita já planificavam a resistência contra a ocupaçom estrangeira.

A matança, no domingo, de 17 iraquianos num atentado à bomba contra umha esquadra de polícia, acontecido horas depois da captura de Saddam, da qual os atacantes pudérom nom ter estado inteirados, é mostra da sangrenta agenda que prevalece no Iraque.

Agora há de ser muito mais difícil sustentar a argumentaçom anglo-estado-unidense. Os "restos" de Saddam ou os "leais" a este serám muito mais difíceis de assinalar como inimigos quando já nom podem ser leais a Saddam. A sua identidade iraquiana tornará mais óbvia e incrementará-se a necessidade de culpabilizar membros "estrangeiros" de Al Qaeda.

Aquele capitám da 82 divisom aerotransportada em Falluja, que assegurou que os seus homens som assediados por "combatentes iraquianos pola liberdade, apoiados por terroristas sírios", está mais próxima da realidade do que quereria admitir Ricardo Sánchez. A guerra nom é por Hussein, mas contra a ocupaçom estrangeira, e os soldados profissionais enfatizam tal desde há tempo.

Neste domingo, por exemplo, um sargento da primeira divisom de artilharia que cumpria a sua guarda num controlo em Bagdad, explicou a situaçom em termos particularmente talhantes: "nom havemos de voltar mais aginha a casa porque Saddam tenha sido capturado; todos vinhemos aquí procurar armas de destruiçom em massa, e depois já ninguém ligou mais para isso. O arresto de Saddam nom interessa; ainda nom sabemos para que foi que vinhemos".

Existem numerosos grupos entusiasmados com os ataques aos estado-unidenses, mas nunca tem havido qualquer género de amor por Saddam Hussein. Estám os Kataeb al Mujaidin fi al Salafija al Irak (Batalhons do Grupo Salafi do Iraque), cujo guia espiritual é o islámico palestiniano Abdullah Azzam, quem combateu os russos no Afeganistám. Está Al Harakat al Islamia fi al Irak (o Partido Islámico do Iraque), cujas Brigadas Farouk fôrom criadas em Junho passado, e os seus "esquadrons" tenhem nomes islámicos.

Também está a Frente para a Unificaçom e Libertaçom do Iraque, que no seu momento se opujo a Hussein e agora chama os seus membros para combaterem a ocupaçom estado-unidense. "The Independent" tem identificado 12 distintos grupos guerrilheiros, os quais tenhem algum contacto entre si, devido a ligaçons tribais, mas só um está conformado por "leais a Saddam" ou membros do partido Baaz.

Quando explodiu a primeira bomba e matou o primeiro soldado numha estrada de Khan Dari, no verao passado, o atentado foi seguido por muitas minas fabricadas de idêntica maneira com três morteiros atados com arame tanto em Kirkuk como em Mosul. Depois de umha semana, umha outra mina explodiu perto das tropas estado-unidense em Nasirija.

É claro que os grupos insurgentes tenhem estado a percorrer o país, partilhando habilidades no manejo de explosivos, organizados sob um género de comando comum que ainda nom atinge magnitude nacional. O carregamento de mísseis terra-ar tipo "Strela" incautado na rota a Bassorá, que supostamente ia ser usado em ataques contra avions que descolaram do aeroporto controlado polos británicos, evidentemente foi enviado a Bagdad de algum outro lugar.

Em muitas zonas há iraquianos que se identificam como membros da resitência, mas gabam-se publicamente de se terem unido à força policial financiada polos Estados Unidos com o único objectivo de ganhar dinheiro, aprender sobre armas e reunir informaçom sobre os "aliados" no exército invasor.

A ocupaçom poderia ter exactamente a mesma sorte que os israelitas no Líbano, quando o seu Exército do Líbano Sul começou a colaborar com os seus inimigos de Hezbollah.
Os mesmos individuais que continuarám a atacar os estado-unidenses, com certeza, celebrarám secretamente no seu coraçom a captura de Saddam. Perguntarám a si próprios por que nom teriam de se alegrarem polo fim do seu máximo opressor ao tempo que planificam a humilhaçom do exército de ocupaçom que o prendeu.

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