"Viva Bolívar! Vivam as FARC!": captura do comandante guerrilheiro Simón Trinidad

6 de Janeiro de 2004

As notícias chegadas da Colômbia confirmárom a captura do comandante Simón Trinidad, destacado membro das FARC-EP, membro da equipa da organizaçom guerrilheira colombiana durante as negociaçons de paz com o Estado colombiano em 1999.

Simón Trinidad pertence a umha das famílias mais tradicionais de Valledupar, cidade onde nasceu a 30 de Julho de 1950. Ao contrário que a grande maioria dos seus companheiros e companheiras, nom provém do campo, nem aderiu às fileiras da revoluçom fugindo da perseguiçom de militares e paramilitares. Ele estudou no colégio Helvetia, onde se graduou, para depois realizar estudos de economia na Universidade Jorge Tadeo Lozano, completando posteriormente estudos na Universidade de Harvard (nos Estados Unidos). Foi catedrático universitário e gerente do Banco do Comércio, e deixou as suas prebendas, privilégios e comodidades pola dura e sacrificada vida guerrilheira nas montanhas deste país latino-americano. "Ir para a guerrilha foi umha decisom muito difícil, por ter que deixar inclusive os meus filhos, mas a dignidade está por cima", declarava numha entrevista que lhe figeram na época das negociaçons de paz com o governo de Andrés Pastrana. Ele escolheu esses nomes, Simón Trinidad, em homenagem a Bolivar.

Mesmo detido pola polícia fascista do Estado colombiano, mantivo a moral alta, e pudo-se ver, nas imagens que o governo decidiu mostrar, como foi capaz de gritar, no búnquer da Fiscalia Geral de Bogotá, "Viva Bolívar! Vivam as FACR", ao tempo que fazia com os dedos o sinal da Vitória.

Acodira ao Equador para submeter-se, polos vistos, a umha operaçom cirúrgica. A sua captura foi possível pola actuaçom das forças policiais norte-americanas naquele país, que de seguido procedêrom a realizar a entrega do guerrilheiro às autoridades colombianas.

O governo colombiano aginha apresentou a detençom como um importante golpe contra a guerrilha, destacando, e inventando, a importáncia de Simón Trinidad dentro das FARC-EP. Mas o próprio guerrilheiro desmentiu a transcendência da detençom: "Nom é um golpe (para as FARC). Continuamos na luita", respondeu às perguntas de jornalistas na entrada da sede da Fiscalia.

A imprensa colombiana, apressou a reproduzir, sem nengum tipo de contraste, as "informaçons" proporcionadas pola inteligência militar, única fonte consultada: "Capturado membro do secretariado das FARC", "líder das finanças das FARC e número quatro da cúpula subversiva", "quarto homem em importáncia nas FARC", "comandante da frente 19 e 41", etc...

Uribe Veles precisava com urgência de um facto destas características, umha detençom importante de um líder guerrilheiro, preferivelmente das FARC, para legitimar a sua fracassada política de "segurança democrática". Necessita umha detençom que poda rendibilizar mediática e políiticamente, e que lhe dê um fôlego ante o desgaste político que sofre.

O descrédito do governo Uribe avança sem cessar nos últimos meses: fracasso do referendo, adverso resultado eleitoral, reiteradas críticas nacionais e internacionais pola sua "política antiterrorista", que adensa toda a política repressiva dos últimos 40 anos, negativa a um acordo humanitário, ... Mas sobretodo, a sua polícia de "segurança democrática", que só está a ser útil para reprimir, com mais força e intensidade ainda, os sectores populares e organizaçons sociais e políticas. Dúzias, centenas de pessoas entram para os cárceres, para logo ser postas em liberdade ante a impossibilidade do Estado de demonstrar a sua alegada culpabilidade nos cargos imputados.

Por sua vez, as FARC-EP, por meio do comandante Raul Reyes, em declaraçons à agência ANNCOL (Agencia de Noticias Nueva Colombia), confirmavam a detençom, mas desmentindo que Simón Trinidad faga parte do Estado Maior Central da organizaçom guerrilheira revolucionária: "Nom é certo que Simón seja membro do Estado Maior Central, nem do seu secretariado, tambem nom é o Comandante do Bloque Caribe, nem Chefe das Finanças das FARC-EP".

Ante a acusaçom da Fiscalia colombiana de ser responsável pola tragédia de Bojaya, e da morte da ex-ministra de Cultura, Consuelo Araujo, Reyes declarou que quando ocorrêrom esses factos Simón Trinidad estava em San Vicente del Caguán, como porta-voz da guerrilha nos diálogos que ali realizava com o governo, tal e como ficou constatado por diversos meios de comunicaçom, entre eles a TV. "Si se observa demoradamente cada umha das afirmaçons de imprensa durante o governo fascista de Álvaro Uribe", continuou Reyes, "nom há um só guerrilheiro assassinado ou capturado polas tropas que nom seja segundo eles a pessoa mais importante das FARC. Estas som as mentiras fabricadas pola inteligência militar na procura de mais dólares para benefício pessoal dos corruptos".

Entretanto, já nom som poucas as vozes que perguntam que benefício tiraria no Equador o coronel Lucio Gutiérrez, assinalado por diversas organizaçons políticas e sociais populares e de esquerdas como traidor, da detençom do guerrilherio colombiano, aproveitando-se da sua doença para capturá-lo e entregá-lo a Uribe, criador e defensor de paramilitares. Rompe-se assim a neutralidade que até agora mantiveram os militares equatorianos para nom se verem envolvidos na guerra colombiana.


 

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