Escola de Tortura na Argentina "democrática"

17 de Janeiro de 2004

Havia anos que a Associaçom Maes da Praça de Maio vinham denunciando a existência de escolas de formaçom na prática da tortura no seio das Forças Armadas argentinas entre os anos 1966 e 1996; quer dizer, nom só durante a ditadura militar, mas também no período de democracia burguesa, concretamente sob mandado do "socalista" Raul Alfonsín e direitista-neoliberal de Carlos Menem.

Afinal, as denúncias das Maes de Praça de Maio vírom-se confirmadas com documentos gráficos eloqüentes. Fotografias em que se observa a realizaçom de práticas para aprender a aplicar torturas às pessoas detidas polo Exército argentino, sob mando do general Martín Balza, que reconheceu os factos.

A evidência de que os acontecimentos som certos obrigou o Governo actual a comprometer-se num processo de inquérito e apurar responsabilidades. O presidente argentino convidou a presidenta das Maes da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, a um encontro para tratar do assunto.

Os documentos gráficos apresentados mostram agressons e torturas semelhantes às aplicadas polos franceses na Argélia contra o movimento independentista; polos ianques no Viet Nam contra o Vietcong; e polos nazis nos campos de extermínio contra comunistas, ciganos, judeus, homossexuais e outros colectivos sociais. Trata-se de cenas do processo de aprendizagem, de formaçom de torturadores na luita contra-insurgente que o Estado argentino conduziu contra a esquerda revolucionária durante a ditadura e já no novo regime de democracia burguesa que se prolonga até a actualidade. As práticas eram realizadas directamente sobre presos e presas políticos.

A presidenta das Maes afirmou que, em tempos do presidente Raúl Alfonsin, já a Associaçom reclamou umha investigaçom bicameral do Congresso da Naçom para a condenaçom política do terrorismo do Estado e prisom para todos os genocidas, mas também pedírom a necessidade imperiosa da mudança dos planos de estudo do exército. As instituiçons do Estado nom só recusárom qualquer investigaçom na altura, senom que também na etapa de Carlos Menem continuou em vigor a "escola" de torturadores com as presas e presos políticos como vítimas do "aprendizado".

O método ensinado era o desenvolvido polo chamado Comando Sul dos Estados Unidos, instituiçom ianque de apoio à luita contrainsurgente das ditaduras no continente americano e que na Argentina funcionou entre 1966 e 1996.

A denúncia agora efectuada confirma a racionalidade das queixas que realizaram oportunamente as Maes perante o presidente Alfonsín.

A Associaçom de Maes da Praça de Maio receiam que nom seja possível chegar a fazer com que os responsáveis paguem penalmente polo acontecido, mas insistem em denunciar politicamente essas práticas por parte do Estado argentino.

 

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