Estado terrorista: Israel ameaça assassinar líder de Hamas

18 de Janeiro de 2004

O vice-ministro da Defesa israelense, Zeev Boim, na mais brutal declaraçom pública feita por umha autoridade desse país contra Hamas, anunciou que o Estado de Israel matará o fundador do grupo palestino Hamas, xeque Ahmed Yassin, em retaliaçom ao recente atentado contra guardas de fronteira israelitas: "O xeque Yassin está jurado de morte, e ele deveria-se esconder num buraco profundo, onde ele nom vai ver a diferença entre dia e noite", afirmou o vice-ministro à rádio militar de Israel.

Mais tarde, porém, Boim foi obrigado a voltar atrás, suavizando o discurso e dizendo nom existir umha "decisom específica" contra Yassin.

Israel já assassinou diversos comandantes militares e políticos de Hamas, mas matar o líder espiritual do movimento, umha figura respeitada mesmo entre os palestinos, seria umha escalada perigosa nas tensons.

De facto, Hamas já anunciou que cubriria Israel "com um mar de sangue", se este atenta contra a vidda de Ahmad Yasine, numha declaraçom feita pública pola rama armada do movimento palestiniano em resposta às declaraçons do ministro israelita. "Israel pagará um preço exorbitante se tenta atentar contra o xeque Yasine ou contra qualquer outro dirigente de Hamas", indicárom as Brigadas Ezzedine al Qasam num comunicado. "Afogaremos os sionistas israelitas nun mar de sangue", acrescenta o texto.

Yassin, que é tetraplégico, fijo umha apariçom pública nesta sexta-feira (16 de Janeiro) onde afirmou nom ter "nada a ver com acçons militares". O xeque também afirmou que "ameaças de morte nom nos assustam porque estamos em busca do martírio".

O líder de Hamas tem um poder cada vez maior entre os palestinianos, frustrados com o processo de paz.

Nascido em 1938 no que era a Palestina sob o mandato británico, as opinions políticas de Yassin formárom-se durante um tempo de humilhaçons e derrotas para os palestinianos. Após o acidente que o deixou tetraplégico ainda durante a infáncia, o xeque dedicou a sua vida aos estudos islámicos na universidade do Cairo, no Egipto.

Yassin ganhou notoriedade durante a primeira intifada palestiniana, em 1987. Foi aí que o movimento palestiniano islámico ganhou o nome de Hamas, que significa Fervor, e Yassin virou o seu líder espiritual.

Em 1989, o xeque foi preso por Israel e condenado à prisom perpétua por ordenar a execuçom de palestinianos que supostamente colaboravam com os militares israelitas. Ele foi solto em 97 numha troca de prisioneiros entre Israel e Jordánia. Os jordanianos libertárom dous agentes secretos israelitas envolvidos numha tentativa de assassinto contra o líder do Hamas na Jordánia.

Na prisom, Yassin ganhou mais importáncia e virou um símbolo da resistência palestiniana, mas a sua popularidade era menor do que a do líder Yasser Arafat. Por acreditar que umha liderança dividida minaria os interesses palestinianos, o xeque mantivo umha política de boa vizinhança com a Autoridade Palestiniana e com outros regime do mundo árabe.

No entanto, ele nunca se comprometeu com o processo de paz. "O chamado caminho da paz nom representa a paz e nom substitui o jihad e a resistência", dixo Yassin várias vezes.

Hamas tem sido capaz de aumentar a sua legitimidade ao oferecer ajuda material aos palestinianos que tenhem sofrido com o bloqueio económico de Israel, durante a actual intifada. O grupo montou fundos de ajuda, escolas e hospitais, que oferecem serviços gratuitos para as famílias desfavorecidas.

As tentativas de restringir as actividades do xeque recebem forte oposiçom dos seus partidários. Em Dezembro de 2001, um homem morreu durante um confronto com a polícia palestina, após Yassin ter sido submetido a prisom domiciliar.

Um novo tiroteio ocorreu em Junho do ano passado, quando policiais palestinos cercárom a sua casa.

Em Setembro do ano passado, um aviom israelita lançou uma bomba sobre o prédio em que ele e outros líderes de Hamas participavam de umha reuniom.

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