ESPLENDOR, CRISE E RECONSTRUÇOM DA ALTERNATIVA COMUNISTA

 

5. A reconstruçom da alternativa comunista e a actual vaga de luitas

O que percebemos por reconstruçom da alternativa comunista exigirá, entre outras questons, esse esforço deliberado por editar, conhecer, estudar, criticar e aplicar o marxismo originário. Mas também exigirá tomarmos consciência de que essa própria reconstruçom está já em andamento. Está-o no sentido de as condiçons objectivas do planeta e da humanidade tornarem a alternativa comunista, hoje mais do que nunca, na única saída factível ao caos que nos ameaça. Por isso temos afirmado na primeira parte desta exposiçom que o esplendor da alternativa comunista é HOJE. Porque Marx tinha razom.

Está em marcha ademais porque som numerosas as regions do planeta em que que cobram crescente força as luitas anti-capitalistas. O caso do Movimento dos Sem Terra (MST) brasileiro é emblemático mas felizmente nom o único. Queremos terminar esta exposiçom referindo-nos a umha série de luitas que nom ocupam lugar de destaque da atençom publica (entre outras cousas porque o capital se encarrega de fazer com que sejam o menos conhecidas possível). Faremo-lo reproduzindo aqui um fragmento dum texto recente (20 de Setembro de 99) do Iñaki Gil de San Vicente. Esse texto intitula-se Aproximaçom sintética da nova vaga de luitas no Centro capitalista. Reflexom feita nas suas liçons sobre Euskal Herria, e que está publicado na web da REDE BASCA VERMELHA

(http://www.basque-red.net/cas/revol/gilo/gilo.htm).

A parte desse texto que achamos mais pertinente para o nosso propósito di assi:

"A ACTUAL VAGA DE LUITAS

As medidas tomadas para sair do atoleiro de fins de 60 e inícios de 70 do século XX, tenhem efeitos tremendos e globais que, durante um tempo, debilitárom, mais ou menos seriamente, a capacidade de luita da classe que vive do trabalho remunerado.

A simultaneidade entre medidas político-económicas, tecnológicas, divisionistas e intimidatórias fijo com que as conquistas arrancadas coa vaga anterior de luitas corra sério perigo, pois muitas delas já estám muito enfraquecidas. Introduzir no processo de produçom o complexo sinérgico formado pola informática, novos materiais e energias, biotecnologias, indústria transcultural e no plano teórico as perspectivas abertas pola física quántica, impujo umha insuspeita transformaçom há apenas duas décadas. Trata-se dumha mudança de mais profundidade que a provocada pola máquina de vapor e pola máquina de explosom interna e a electricidade, aguçado pola marcha imparável globalizadora do capital e polo ataque implacável à centralidade clássica das classes trabalhadoras, formada polas massas de operários de fato-macaco azul das grandes fábricas agora submetidas à deslocalizaçom, flexibilizaçom e coordenaçom mundializada.

Ainda que todo parece indicar que @s oprimid@s temos perdido já qualquer possibilidade de resistência a este maremoto arrasador, se estudarmos com mais pormenor duas cousas compreenderemos que nom é tal. Umha é o fio vermelho da história da luita de classes que se alimenta da centralidade do Trabalho, sobre a qual já temos dito anteriormente o essencial. A outra, é a realidade actual, mas nom segundo a tergiversam os meios propagandísticos burgueses, ou simplesmente negam e invisibilizam, senom segundo palpita, vive e se autoorganiza na rua. Neste segundo aspecto devemos dizer que, em primeiro lugar, o sistema teórico, ou se se quiger o paradigma dominante nas ciências sociais, na economia e na imprensa, nom estám capacitados para reflectir correctamente a realidada da luita de classes, e menos para facilitarem o seu estudo crítico. Em segundo lugar, aliás, os interesses directos das burocracias político-sindicais e universitárias premem contra desses estudos críticos, freando-os, negando-os ou boicotando-os. E, em terceiro lugar, as experiências práticas mantidas até agora, se bem se multiplicam, escassamente tenhem sido submetidas à peneira teórica necessária para extrair conclusons generalizáveis e relativamente definitivas.

Sem embargo, si podemos já precisar com mais pormenor concreto várias formas de luitas reivindicativas que se decantam entre as muitas resistências desorganizadas, pontuais, fulgurantes mas muito discontínuas e descoordenadas. Entre essa variedade extraímos cinco que consideramos importantes. A orde de exposiçom nom reflecte a orde de surgimento concreto em cada sociedade, naçom, Estado ou zona europeia.

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5.1.- A defesa do social

Segundo se debilita o operário de fato-macaco azul e aumenta a des-regulaçom e o ataque ao salário social, etc., aumenta a quantidade, variedade e interconexom do associacionismo. Nom podemos discutir agora as suas relaçons cos velhos e novos movimentos sociais, cos sindicatos e partidos clássicos, etc. Deixando de parte a experiência estado-unidense, na Europa apreciam-se diferenças entre o modelo inglês de associacionismo e o continental, e neste, surgem diversidades segundo as experiências estatais. A impressionante mobilizaçom social contra as ferozes privatizaçons do governo conservador británico, por exemplo, o rechaço massivo das taxas polo aluguer das vivendas, que acelerárom a queda da Thatcher; a nom menos impressionante luita de massas contra as medidas anti-sociais que abalou o Estado francês no Inverno de 1995, ou as luitas operárias alemás, belgas, italianas, ou as marchas europeias contra o racismo, ou contra a precarizaçom e o desemprego, etc. Nada disto se compreende no contexto actual sem recorrer ao novo, complexo e crescente associacionismo que, devagar e com muitos problemas, vai alastrando pola Europa.

Em bairros, escolas, cultura, consumo, ócio, desporto, droga, saúde, minorizaçom, repressom, comunicaçom, etc.; com diferentes relaçons institucionais; com ou sem referências político-ideológicas, etc. Com estas e outras diferenças, hoje como nas anteriores fases ou vagas de luita, ressurge a "ajuda mútua". Esta experiência produz-se também desde começos de 90 nas grandes conurbaçons norte-americanas com estalidos sociais como o de Los Angeles e outras cidades em 1992, também na Argentina, Chile, Brasil, Venezuela, México, ou no sueste asiático a raiz da pavorosa crise financeira-industrial desatada no Verao de 1997, e com especial virulência na Indonésia, Malásia, etc. Queremos insistir que, dumha parte, estas luitas conservan profundas relaçons com luitas similares incluso pré-capitalistas, medievais, feudais e escravagistas. A razom consiste em que, excepto nos piores regimes ditatoriais, os poderes dominantes tivérom sempre que conceder certos níveis de assistencialismo, de ajuda alimentar, de protecçom ante a insegurança vital, de controlo da pauperizaçom absoluta, etc. respondendo aos protestos sociais e ao interesse egoísta das classes dominantes por assegurar a sua continuidade. Ao longo e no interior das culturas populares, das tradiçons d@s oprimid@s, mantivérom-se latentes, utópicos, ucrónicos ou conscientes recordos de velhas conquistas e direitos arrancados à minoria. Hoje revivem nas suas condiçons actuais, com formas actuais.
De outra parte, aliás, agora é tam forte o ataque contra as formas contemporáneas de protecçom social que as massas começam a reagir com umha contundência que muito poucos aguardavam há umha década. Na realidade, como comprovaremos no decorrer das luitas posteriores, actualmente a defesa das conquistas sociais pode adquirir um essencial conteúdo sócio-político precisamente devido à importáncia decisiva que para o Capital tem o transvasamento, melhor dizendo, expropriaçom de renda operária e popular para aumentar o benefício privado burguês. Por isto, na sua essência, defender qualquer direito colectivo é questionar o poder capitalista. E embora estejamos freqüentemente em luitas defensivas e nom ofensivas, até essa resistência gera terramotos políticos mais ou menos importantes segundo os casos. As pequenas vitórias obtidas nestas batalhas freqüentemente ignoradas ou silenciadas pola imprensa burguesa, geram auto-confiança, segurança nas próprias forças, produzem experiências e teorias críticas, criam redes de auto-organizaçom e autodefesa popular, abrem espaços de vida colectiva que multiplicam as forças gerais de emancipaçom.

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5.2.- A reorganizaçom operária

Muitas das pessoas que impulsionam esses colectivos som antig@s militantes da esquerda e sindicalistas anojad@s. Outras som pessoas que se educárom em ambientes esquerdistas, progressistas e democráticos, com contactos pessoais com militantes ou com grupos de voluntariado popular e social. Por isso, quando surgem protestos em que se interrelacionam fábricas, bairros e problemas populares e sociais, quase imediatamente os sindicatos e esses grupos tendem a colaborar. Que as suas burocracias se oponham ou restrinjam essa colaboraçom, só trai desastres e desunions. Mas as burocracias nom podem correr o risco a que esta tendência cresça incontroladamente porque tenhem medo que as suas bases se contagiem do democraticismo directo e assemblear da maioria do associacionismo. Por isso, umha das motivaçons que espicaça o debate do novo sindicalismo é a de conectar com quem luitam contra a precariedade, o desemprego juvenil, a saúde laboral abandonada polo sindicalismo, o ecologismo popular, a cultura criativa, os transportes, o racismo, o trabalho obscuro e clandestino, as creches, etc.
Se esta é umha via de contacto, umha outra é a própria reflexom interna do sindicalismo conseqüente, necessitado de tomar a ofensiva contra a globalizaçom, mas ainda relacionado internacionalmente segundo os cánones da fase anterior. Nalguns casos, os do movimento operário clássico da fase anterior, ainda nom derrotado, as luitas mantidas em vários locais europeus parecem querer superar aquela derrota estrepitosa que o capital británico impingiu aos mineiros e trabalhadores portuários. Recentemente, as propostas da indústria automobilística alemá, por exemplo, reflectem um equilíbrio instável que, junto doutras experiências, indicam que podemos estar na calmaria que precede o temporal. Noutros casos, a ligaçom de todos os problemas e malestares sociais reaparece com mais força quando se anuncia um conflito operário nalgumha empresa importante e referencial para a memória da classe trabalhadora. Este é o caso do acontecido no Estado francês ao se conhecerem as severas medidas antiobreiras da multinacional Michelin, quando precisamente vive um período de aumento de benefícios. Poderíamos estender estas análises às duras greves na Coreia do Sul no sector automobilístico, com fortes ressonáncias sociais, e a greve do sector de transportes e comunicaçons nos EEUU, amostrando a interrelaçom de todos os problemas colectivos, etc., e a sua coesom última em torno da centralidade do Trabalho.

O certo é que por várias vias, o sindicalismo de começos do século XXI nom tem já a passividade prática e teórica do de fins de 80. Se nas vagas anteriores de luita, a autocrítica sindical tinha sido um passo necessário no ascenso ofensivo, agora, a escala diferente, passa-se o mesmo. Vimos como a classe trabalhadora tivo que transformar os grémios artesanais em sindicatos de ofício, estes em sindicatos industriais, estes em sindicatos anti-fordistas e agora estamos no processo de criar os sindicatos anti-toyotistas e anti-neofordistas. Em cada salto organizativo a classe trabalhadora tivo que alargar e melhorar internamente a sua unidade obreira, luitando contra os divisionismos e as armadilhas; também tivo que melhorar e alargar externamente as suas relaçons cos movimentos populares e sociais, com outras luitas existentes nesses momentos. Este processo revive hoje nas condiçons actuais.

Interessa, neste senso, vincar que, de umha parte, os sindicatos anti-toyotistas e anti-neofordistas nom tenhem mais remédio que assumir a luita contra a precarizaçom e contra o desemprego estrutural como eixo decisivo inclusive no interior das fábricas, e inseperável da luita contra as novas disciplinas laborais e sistemas de exploraçom. E de outra parte, se isto que é umha obviedade nom for unido a umha assunçom militante dos valores democráticos e políticos questionados polo Capital, e nomeadamente a luita contra a ditadura do salário. Quer dizer, renasce o debate entre o sindicalismo sócio-político ou revolucionário e o sindicalismo economicista, interclassista e apolítico, debate que existe desde que nasceu o próprio movimento operário. Somente assi é que se podem solucionar discussons estéreis sobre se morreu ou ressuscitou o proletariado, se se tem aburguesado, se desapareceu o Trabalho, etc., e se pode entrar a um conhecimento mais rigoroso da actual composiçom da classe operária nas suas fracçons e no seu papel vertebrador do povo trabalhador no seu conjunto.

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5.3. Na procura dum outro projecto europeu

Um outro campo de expectativas é o do rejeitamento ou indiferença de muita gente à unificaçom burguesa europeia. Depois de campanhas massivas de incitaçom ao voto europeu, as últimas eleiçons do verao de 1999, votárom menos da metade dos 297 milhons de eleitores. Se tivesse sido um abstencionismo de estilo ianque, desleixado ou indiferente, ou se a direita e o nazi-fascismo tivessem subido consideravelmente, entom o panorama seria mais preocupante. Mas foi um abstencionismo massivamente operário e popular para um Parlamento em que a direita era maioritária desde sempre. A direita cresceu proporcionalmente, mas nom em votos; centralizou-se mais à volta do Partido Popular Europeu. Também nom crescêrom a extrema direita e o nazi-fascismo. Si se recuperárom, por contra, as organizaçons revolucionárias, os verdes e ecologistas, os independentistas e os movimentos associativos que se auto-organizaram para se apresentarem eleitoralmente, e mesmo também crescêrom os comunistas oficiais.

Para além do recuo eleitoral social-democrata na Alemanha e na Áustria, trabalhista na Gram Bretanha, e outras mudanças eleitorais, no quadro europeu a burguesia em modo nengum ganhou a batalha. Se nas vagas anteriores de luita se questionava ao seu jeito a legitimidade burguesa no plano internacional, agora, a escala diferente acontece o mesmo. A tarefa calada e muitas vezes sem aparente futuro de milhares de pessoas progressistas a criticarem a reordenaçom da hierarquia interburguesa, que é do que se trata, foi calhando progressivamente numha terra popular resseca pola sangrenta memória de guerras, atrocidades, injustiças e sacrifícios que acarretárom as reordenaçons anteriores. Embora nesta reordenaçom europeia, a quarta na sua história, as burguesias nom querem recorrer à violência intensa e menos à guerra aberta, se bem as tendências estám aí presentes, como sempre, segundo o confirmam as crises balcánicas actuais, embora assi seja, a memória colectiva dos povos europeus continua a latejar e reactiva-se em muitos sectores quando é regada coa água da crítica progressista. Crescem assi as possibilidades de acçom solidária internacionalista no nosso continente, um tema que nom podemos desenvolver cá.

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5.4.- A luita pola identidade

O brusco entrave na legitimidade da unificaçom burguesa europeia vai unido ao aumento das identidades colectivas, populares e nacionais. Tem-se difuminado a euforia dos ideólogos do chamado postnacionalismo, que asseguravam que os Estados e a Uniom Europeia estavam livres do cancro corrosivo dos nacionalismos disgregadores. Impulsionavam a desmembraçom multinacional do Leste, mas vaticinavam que no Oeste os povos sem Estado e as culturas regionais nom incrementariam a sua força. Acontece que a tomada de consciência nacional é o nível mais consciente e profundo dum processo de recuperaçom da identidade colectiva que, freqüentemente, começa com dúvidas, perguntas, inquietaçons e tarefas em colectivos de base, desportivos, recriativos, culturais, etc., para ir crescendo e arreigando. Embora nom todos estes inícios concluam em consciência nacional de povo sem Estado, si latejam no seu germe. Mas também se construem identidades grupais e colectivas nom tam definidas como as nacionais mas si amplas, como as regionais com base cultural e lingüística, etc. Umhas, as identidades dos povos sem Estado, nom fôrom derrotadas, senom o contrário; outras em quase que todos os Estados renascem as identidades regionais; aliás, a escala social quotidiana, muitos grupos associacionistas criam identidades que dalgum jeito se oponhem à férrea disciplina monocorde e unidimensional definitória do sujeito e do colectivo inerente à unificaçom burguesa europeia em curso.

Se a chamada "questom nacional" estivo sempre dentro do mesmo de todas as vagas anteriores de luita, agora, a escala diferente acontece o mesmo. Nestas condiçons som perfeitamente normais as diversas estratégias em contra desta dinámica ascendente e que podemos resumir em três blocos: o da social-democracia europeia, obsesionada por criar um abstracto "cidadao eurpoeu" que no entanto nom questione as identidades nacionais oficiais, opressoras de povos e culturas regionais; o das direitas diversas, que vam das saudades dos conservadores ingleses e a sua negativa a "entrar" na Europa até os nacionalismos reaccionários como os espanhóis e franceses e, por último, os movimentos racistas e nazi-fascistas que reaparecem em muitas zonas. Face a isto, carecemos de umha proposta alternativa como foi aquela que figérom os bolcheviques na primeira época revolucionária, para construir umha Europa socialista, mas si devemos reactualizar o seu conteúdo e enriquecê-lo coas experiências posteriores.

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5.5.- Por umha comunicaçom critica

A crítica de começos da década de noventa ao FMI, GATT e a estrutura de poder imposta em Bretton Wood em 1944, bem logo avançou da sua inicial especializaçom crítica económica ao neoliberalismo para formular demandas culturais e de comunicaçom alternativas, levados polas iniciativas sociais de criatividade cultural e informaçom veraz e contrastável. Os debates, levados polas iniciativas sociais de criatividade radical da indústria cultural globalizada, as crescentes auto-organizaçons em rede de colectivos e grupos, este processo multiplicador, tem um alcance muito superior comparativamente falando ao que em tempo tivo a pequena imprensa revolucionária, a multicopista clandestina e a rádio livre. A força deste complexo movimento nom se alimenta apenas do seu próprio impulso, ainda sendo enorme, quanto sobretodo das suas ágeis e irrompíveis interligaçons em diferentes níveis coas quatro tendências ascendentes acima expostas. Mais é, estas nom teriam já nengum futuro sem o recurso às redes de interligaçom, debate democrático e contrataçom imediata das versons oficiais. Se cada vaga anterior de luita dispujo dos seus sistemas de comunicaçom próprio e relativamente livres do controlo repressor burguês, agora, a escala diferente, acontece o mesmo.

Mas as contratendências neste assunto som poderosas. A centralizaçom e concetraçom dos meios é um processo que além de responder à lógica interna do capitalismo também, sobretodo neste tema, interessa aos poderes tanto para manterem dominadas as classes trabalhadoras, quanto para as suas próprias disputas internas. A potencializaçom de sistemas críticos de comunicaçom entre @s oprimid@s europeus/ias é umha das necessidades mais urgentes. Os meios habituais disponíveis polas esquerdas já nom servem nem para elas mesmas cos seus próprios povos e classes, nem para se relacionarem entre si dentro da Europa. As transformaçons globais som de tal alcance que estamos perante umha das prioridades essenciais. Cada vaga precedente de luitas conseguiu criar um sistema comunicativo próprio que, com todas as suas dificuldades, podia coordenar os debates e até acçons comuns dentro da velocidade do tempo histórico estabelecida em cada período. Geralmente, os erros de coordenaçom vinham das organizaçons que incumpriam acordos ou adiavam a sua resposta em marcha. Um exemplo estremecedor foi o incumprimento da Greve de Massas contra o estalido da guerra em Agosto de 1914 por parte dos partidos social-democratas, embora levassem anos a debaterem ao respeito e aceitando declaraçons oficiais em Congressos que os obrigavam a isso.

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5.6. Na procura do trabalho criativo

Por último, assistimos a umha tendência que se orienta para a crítica da concepçom burguesa do trabalho como exclusivo meio de aceder ao hiperconsumo e ao sucesso pessoal. Sem entramos aqui no debate de algumha corrente sociológica sobre a tendência ao postmaterialismo, quer dizer, ao salto à qualidade de vida após ficar assegurada a satisfaçom das necessidades elementares, cumpre dizer que, em primeiro lugar, esta tendência é permanente na espécie humana, já que umha vez satisfeita a produçom de bens de vida se passa para produzir bens de prazer supérfluo, que se torna logo a seguir em prazeres necessários para a própria criatividade humana. Em segundo lugar, obviamente, esta constante humana manifesta nas comunidades mal chamadas "primitivas" tem essencial relaçom com outra constante humana, como é a muito bem chamada lei do mínimo esforço. Somente os alienados, enlouquecidos ou ameaçados com tormentos insofríveis realizam trabalhos duros, pesados, insalubres, esgotadores, fedorentos e imundos e, acima de todo, mal ou nulamente pagos. Ninguém no seu juízo é escravo por livre vontade.

Periodicamente, quando a sociedade concreta tem acumulado um excedente colectivo e umha riqueza ampla de prazeres e meios de criatividade, surgem sectores que reivindicam e praticam até formas de vida que negam o ascetismo, a austeridade e o estoicismo reaccionários e a sua ideologia do sacrifício laboral. De facto, o controlo e gozo desses recursos de prazer é umha das causas mais profundas da luita de classes. No mundo grecorromano, no Renascimento, na Ilustraçom, na boémia romántica, na esquerda revolucionária, por nom estender-nos, houvo movimentos assi. Desde meados da década de sessenta do século XX começárom a ressurgir na Europa. A dogmática estalinista e maoísta combateu esta reivindicaçom coa mesma ou mais força que a burguesa, contradizendo abertamente o conteúdo dionisíaco, epicúreo e até báquico da visom marxiana e sobretodo engelsiana.

Na actualidade, o Capital tenta reforçar umha subideologia do esforço austero comobase do hiperconsumo e do triunfo individualista. O Capital tem medo, pánico a que o Trabalho reivindique ao pé da socializaçom da propriedade, também a reduçom drástica do tempo assalariado e um imenso alargamento do tempo livre e dos recursos sociais de prazer emancipador e criativo. A burguesia necessita que os trabalhadores se esgotem individualmente em trabalhos brutais, mal pagos, frustrantes e embrutecedores, desqualificados e hipersimplificados; e necessita que os trabalhadores se despedacem entre si para acederem a esses trabalhos escravizadores, incertos e precários. Restringe as possibilidades dum prazer controlado e funcional para umha muito pequena minoria de elegidos, e para um sector algo mais amplo de esquiróis e servos que se movem na fronteira da precariedade e o luxo. Por isso mesmo é tam importante alargar as reivindicaçons contra o trabalho alheador, alienador e escravizador, e exigir a superaçom histórica do salariado e a generalizaçom do trabalho criativo, concreto. Voltamos assi à importáncia chave da centralidade do Trabalho.

Que estas tendências sejam certas nom significa que estejam já asseguradas, que cresçam, se espalhem e se coordenem até triunfarem. Nada disso. Insistimos em que som tendências porque som reversíveis, porque podem deter-se, ficar estancadas, e recuar. Podem ser derrotadas, esmagadas; podem ser enganadas, confundidas, desorientadas, corrompidas e apodrecidas pola burguesia e o reformismo que as encauça pola via morta do institucionalismo até mergulharem no lameiro colaboracionista. En vagas anteriores de luita, aconteceu essa mescla de repressom e/ou integraçom colaboracionista. Sem aprofundarmos nos paradigmas, sistemas e estratégias repressivas que o capital aplicou em cada fase de luita, cumpre dizermos que a que agora emerge enfrenta um sistema repressivo -também integrador e assimilador- novo, caracterizado o controlo e exploraçom flexíveis e televigiláncia generalizada, selectividade integradora e assimilacionista, marginalizaçom e exclusom da disidência, emprego de polícia militarizada de intervençom rápida e militarizaçom social. Umha vitória deste novo sistema é a desactivaçom de muitas ONGs que começárom com boas intençons e acabárom sendo caixas arrecadadoras para partidos, ferralhada de burocratas obsoletos e instrumentos de confusom e desorientaçom. Esta questom é importante porque nos permite conhecer dificuldades que já começamos a sentir."

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6. O socialismo na procura do comunismo que @s comunistas basc@s propugnamos

Dentro dessas razons subjectivas existentes para afirmar que o esplendor do comunismo é HOJE também nom vacilamos em afirmar, coa humildade que consiste em dizer a verdade, que cumpre contar coa força e a tenacidade com que o Povo Trabalhador Basco peleja pola sua independência e polo socialismo. O socialismo entendido, com certeza, apenas como a fase consciente e transitória que prepara o desenvolvimento do comunismo.

É bem certo que o Movimento de Libertaçom Nacional Basco seguimos a tradiçom e o princípio metodológico dos clássicos marxistas de nom fazer utopias futuristas. É bem sabido que nesses clássicos marxistas nom há modelos pré-fixados, acabados e selados como os que, polo contrário, si se formulárom no socialismo utópico ou no anarquismo.

No entanto, embora mantenhamos esse princípio metodológico e teórico muito acertado, si devemos dizer e dizemos como nom queremos que seja o socialismo independentista. Devemos dizer e dizemos que sabemos os erros que nom temos de cometer, embora justo comecemos a saber as cousas que si temos de atingir.
Eis, por isso, umha mao-cheia de princípios teórico-estratégicos que tentamos popularizar e inserir nas dinámicas politicas concretas do processo político basco e que julgamos podem ser também úteis aos nossos camaradas de outros povos:

1) O nosso socialismo, antes de mais, há de quebrar coa dominaçom patriarcal, co império do macho, do marido e do monarca. Esta ruptura, que deve prolongar-se e aprofundar-se durante várias geraçons, é umha prioridade estratégica, de longo alcance, tam importante como o controlo operário, a superaçom processual da propriedade privada burguesa, a socializaçom das forças produtivas, a nacionalizaçom e controlo popular da banca e os resortes financeiros, a destruiçom do exército burguês e a criaçom dum sistema de defesa baseado no povo em armas, voluntário e integrador de todos os métodos de resistência...

O nosso socialismo há de se basear na construçom consciente dumha outra forma de espécie humana, dum outro corpo, dumha outra sensibilidade, amor e prazer. Nom deve ser apenas um socialismo que luite contra a exploraçom assalariada, mas também que defenda um outro conceito de trabalho e, portanto, de relacionamentos humanos, de afectividades e interioridades. Um socialismo que mantenha a visom do trabalho como algo forçoso, duro, alienante e nom enriquecedor seria um socialismo incapaz de contruir dimensons omnilaterais e policromas de criatividade humana. E por isso a superaçom do patriarcalismo torna imprescindível.

2) O nosso socialismo também nom pode ficar cingido ao poder dumha burocracia parasitária, encistada e protegida em e polos aparelhos de Estado, partido único, sindicato obrigatório, associaçons forçosas de vizinh@s, juventude e mulheres, entidades controladoras de artistas, cientistas e desportistas, imprensa submissa e monocorde dumha burocracia que, acoiraçada atrás desses poderes injustos, dite e ordene todos os aspectos da vida, colectiva e individual. Do mesmo modo que reivindicamos umha nova vivencialidade psicofísica, intersexual e superadora dos roles e géneros, também, à força por quanto vam unidos, reivindicamos formas assembleares, conselhistas, horizontalistas de intervençom popular e operária.
O modelo de partido único é daninho. Nengumha sociedade pode pretender abrir-se a umha explosom de criatividade, que é umha das características do socialismo, se estiver espartilhada polas estreitas mentes dos burocratas balorentos. Nengum processo emancipador, que por força há de defrontar toda série de boicotes, cercos, sabotages e agressons que nom tenhem por que ser pública e imediatamente militares e guerreiras, senom que podem principiar sendo económicas, políticas, culturais, sanitárias e alimentares e tecnológicas, pode resistir longo tempo se nom estiver dirigido conscientemente polo povo. Este ponto é tam básico como o anterior, porque atinge algo que se esquece quase sempre quando se fala de socialismo: muito mais importante do que a estrutura política, sendo esta muito, som a vontade, a consciência, a decisom, o chamado factor subjectivo das massas que se dirigem a si próprias porque dentro delas estám as estruturas auto-organizadas.

3) Nom menos importante no nosso socialismo há de ser a generalizaçom dumha forma qualitativamente superior de relacionamento coa Natureza, co ecossistema e hábitat nosso e mundial. O desenvolvismo capitalista, o consumismo cego e irracional e a destruiçom de energias e matérias finitas e irrecuperáveis, som hipotecas, cadeias que nos atarám mais cedo do que tarde a novas formas de exploraçom e por ende suprimirám a nossa independência nacional. A ecologia nom é umha moda, é umha exigência ético-política. Nom é um truque capitalista para vender mais poluindo no Terceiro Mundo ou regions longínquas, é umha sábia poupança de bens cada vez mais escassos e quebrantados. A ecologia nom é um somnífero para yuppies atormentados pola sua má consciência, mas umha prática colectiva de reunificaçom da espécie humana coa natureza.

Mas a generalizaçom social de modos de vida, de poupança e reciclage, de consumo racional e integrado, de despoluiçom e de projectos a meio e longo prazo, semelhante tarefa essencial a nosso socialismo, nom pode existir se nom existir um debate colectivo sobre o critério de necessidade, de qualidade de vida, de senso da existência, de interiorizaçom das conseqüências acumulativas e sinérgicas num futuro dos nossos mais nímios e em aparência superficiais vícios consumistas. Isso todo remete-nos umha outra vez para os dous pontos precedentes. E é que o socialismo é a consciência levada à acçom, ou nom é nada, excepto dogmas e palavras ocas.
4) Por último, o nosso socialismo nom pode dar-se dentro dos estreitos e castradores tópicos eurocêntricos. Ou somos internacionalistas à vez que independentistas, ou nada. Assi de simples. Nom existe qualquer hipótese de criarmos umha ilha de justiça e igualdade no meio dum oceano de opressom e injustiça. Duraríamos muito pouco se nom estivéssemos dentro dum processo mais generalizado de emancipaçom. Mas isso exige-nos ultrapassar os nossos racismos eurocêntricos, as nossas xenofobias ocidentalistas. Temos de aprender de outros povos e civilizaçons, de culturas mais "pobres" -em quê?- e com outros códigos e parámetros. Também havemos de aprender a relacionar-nos coas classes oprimidas dentro da mesma Europa, com essas massas cada vez mais empobrecidas e maltratadas. Em resumo, trata-se de percebermos que o nosso socialismo nom pode repetir o erro estratégico do chamado "socialismo num só país", o que nos leva a desenvolver estratégias e tácticas de desligaçom paulatina, processual mas corajosa dos centros imperialistas. É possível e é necessário.

O internacionalismo nom é apenas umha manobra de sobrevivência e um recurso egoísta de pedir ajuda. É antes de mais umha nova concepçom da unicidade do mundo, da pertença de todos os povos à mesma espécie humana, da existência dumha mesma problemática e dum mesmo inimigo. É portanto umha concepçom nova, filosófica e histórica, humanista e ético-moral. Concepçom essencialmente unida à ecologista porquanto ambas partem dos mesmos problemas, olhados dumha outra perspectiva e campo de acçom, para coincidirem nos mesmos resultados práticos. Concepçom essencialmente democrática porquanto se opom e luita contra todo poder, esteja onde estiver e se difarce da cultura que for. Por último, dado que reformula dumha outra visom a cissom da espécie em si e consigo mesma, advogando por umha radical unicidade, por isso mesmo é incompatível de facto co patriarcalismo.

Nom deveria surpreender ninguém a clara interligaçom teórica e prática dos quatro pontos descritos. Nom podia ser de outro jeito. O socialismo é umha totalidade multicolor que ascende polo arco-íris da consciência emancipada. As suas tonalidades e matizes som infinitos, a sua beleza é única.

É assi como @s comunistas basc@s estamos pensando o socialismo que temos que construir. O socialismo que seja, repito, a fase consciente e transitória que prepara o desenvolvimento do comunismo.

(Esta descriçom dos princípios teórico-estratégicos sobre o socialismo que @s comunistas basc@s propugnamos reproduz quase que textualmente parte dum trabalho de Iñaki Gil de San Vicente intitulado Independência e socialismo, publicado na web da REDE BASCA VERMELHA

http://www.basque-red.net/cas/revol/socialis/texto2.htm trabalho cuja leitura recomendo calorosamente).

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7. Todo corre muita pressa. A pavorosa crise ecológica mundial e o esgotamento do Modo de Produçom Capitalista

Todo corre muita pressa. Há já vários anos que Immanuel Wallerstein e os seus colaboradores nos advertírom de que findou o ciclo histórico do Modo de Produçom Capitalista. De que o capitalismo histórico, a civilizaçom capitalista, terá concluído no prazo de 25/50 anos e o seu sistema histórico particular já nom existirá. Wallerstein e os seus colegas e colaboradores do Fernand Braudel Center julgam que está aberta umha trifurcaçom, que cabe pensar três fórmulas sociais como substitutas do capitalismo histórico:

1) Umha espécie de "fascismo democrático" com duas castas (a de acima com 20% da populaçom mundial)

2) Umha espécie de neofeudalismo também claramente desigualitário, e

3) A boa: umha ordem mundial socialista mais radicalmente generalizada, muito descentralizada e altamente igualitária.

No 23 de Setembro passado, Wallerstein recebeu o doutoramento honoris causa da Universidade Autónoma de Puebla. O seu discurso intitulou-se O fim das certezas e os intelectuais comprometidos. E nele dixo:

"Três curvas de longa duraçom da economia-mundo capitalista chegárom a um ponto que ameaçam a acumulaçom incessante de capital e, com isto, à raison d'être do capitalismo histórico. As três curvas som boas de apresentar. Embora seja impossível elaborá-las cá, mencionarei-nas a seguir: a desruralizaçom do mundo que produz um incremento na quota salarial; a destruiçom ecológica do mundo que fai subir o preço dos inputs na produçom; e a democratizaçom do mundo que eleva as taxas de impostos por meio das quais os governos procuram satisfazer as reivindicaçons populares para a educaçom, a saúde e as receitas mínimas de sobrevivência. Portanto, a restriçom de ganhos a escala mundial e a longo prazo, ligado paradoxalmente (ao menos em aparência) co colapso dos movimentos da Velha Esquerda, levárom-nos a umha crise estrutural do nosso sistema-mundo. Vivemos o período de transiçom para um novo sistema.

Há três aspectos que podemos assinalar dum período de transiçom. Primeiro, será longo, talvez cinqüenta anos. Segundo, será caótico e, portanto, nom só desagradável mas horrível. E terceiro, o seu resultado será ultra-incerto. Poderíamos chegar a um novo sistema muito melhor, ou a um muito pior, ou a um outro dum carácter nom muito diferente. Nom podemos predizê-lo, mas si podemos influenciá-lo."

O texto completo do discurso acha-se publicado na web da REDE BASCA VERMELHA. In http://ww.basque-red.net/cas/archivo/wall/wall7.htm

Embora Wallerstein e os seus colaboradores mencionem e tenham em conta a crise ecológica, achamos que nom aceitam a sua definitiva implicaçom: a de que talvez NOM SE PRODUZA ESSA MUDANÇA DO CAPITALISMO HISTÓRICO PARA OUTRO SISTEMA EM VINTE E CINCO OU CINQÜENTA ANOS. E isso porque o capitalismo pode ter destruído o planeta ANTES de eles transcorrerem. Ou, o que para a Humanidade seria o mesmo, tê-lo feito inabitável para o género humano.
De facto, Wallerstein afirmou com clareza que a crise ecológica nom tem saída dentro do sistema capitalista. Na web da REDE BASCA VERMELHA publicamos (http://www.basque-red.net/cas/archivo/wall/wall5.htm) um texto seu intitulado Ecologia e custos de produçom capitalistas: nom há saída, que é um trabalho apresentado por Wallerstein nas Jornadas PEWS XXI, "The Global environment and the World-System, na Universidade de Califórnia, Santa Cruz, de 3 a 5 de Abril, 1997.

Nesse trabalho, pode ler-se que:

"De facto, estamos ante três alternativas:
Umha, os governos podem insistir em que todas as empresas devem internalizar todos os custos, e acharíamo-nos de imediato com umha aguda diminuiçom de benefícios.

Dous, os governos podem pagar a factura das medidas ecológicas (limpeza e restauraçom mais prevençom), utilizando impostos para isso. Mas se se aumentarem os impostos, entom, ou bem se aumentam sobre as empresas, o que conduziria para a mesma reduçom dos ganhos, ou bem se aumentam sobre o resto da gente, o que possivelmente conduziria para umha intensa rebeliom fiscal.

Três, podemos nom fazer praticamente nada, o que conduziria para as diversas catástrofes ecológicas de que os movimentos ecologistas nos tenhem alertado.
Até agora, a terceira alternativa é a que tem predominado. De qualquer maneira, isto explica por quê é que digo que "nom há saída", querendo dizer que nom há saída dentro da armaçom do sistema histórico existente."

Acabando de escrever o que antecede vim na televisom as impressionantes images dum icebergue gigantesco (mais extenso do que Navarra) que está acabando de desprender-se da Antártida no mar de Ross. É apenas um outro dos centos e centos de sintomas que se amontoam ante os nossos olhos e que nos advertem de que o capitalismo deixou o planeta desfeito e que está a desabar aos pedaços.

Cumpre apressarmos.

Cumpre apressarmos porque acaba o tempo e amontoa-se o trabalho na luita porque nom nos basta com termos tido e continuarmos a ter razom. @s comunistas tivemos e temos razom. Mas nom basta.

Amontoa-se o trabalho porque temos hoje que alertar muita gente. Cumpre despertar, cumpre desalienar e desenganar boa parte da populaçom mundial avisando-a, com seriedade e dados e provas e convicçom, dos desastres que venhem. De que nom resta tempo para mais dúvidas nem vacilaçons nem covardias. Se quigerem sobreviver. Nom se trata já agora de gostarmos ou nom das condiçons de vida sob o capitalismo. Há milhares de milhons de pessoas com terríveis razons para nom gostarem. Mas nom é já questom de gostos. É que a tod@s nos aguarda o desaparecimento (nom ao natural ritmo de um a um, mas ao catastrófico de quase todos a um tempo) se deixarmos o sistema capitalista continuar a destruir o planeta e nós com ele.

Por isso nom há já tempo. É urgente tomar drásticas medidas preventivas JÁ.
Temos que ser capazes de comunicar eficazmente a muitíssima gente que, se quigerem sobreviver à catástrofe planetária que nos ameaça, tenhem de reflectir seriamente connosco e como nós sobre a necessidade de eliminar do mundo o capitalismo. Que essa eliminaçom nom só é o nosso dever para cos explorados, senom que a sua realizaçom é hoje a única saída possível para a sobrevivência da sociedade humana.

Temos que ser capazes de comunicar eficazmente que, se já há oitenta anos que a humanidade defrontou o dilema de socialismo ou barbárie, hoje, no limiar do século XXI, o dilema tem-se agudizado extremamente e ACHAMO-NOS ABOCADOS A ESCOLHER ENTRE COMUNISMO OU CAOS.

 

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