NÓS-Unidade Popular propom a abstençom activa nas eleiçons espanholas de 14 de Março

A organizaçom unitária independentista fijo pública a sua posiçom perante a convocatória eleitoral de 14 de Março. Esclarecendo nom tratar-se de um abstencionismo ideológico, NÓS-UP defende nesta ocasiom a abstençom activa. Reproduzimos o manifesto independentista ante as eleiçons espanholas.

14 de Março 2004 ABSTENÇOM!

Chegam as eleiçons espanholas num contexto marcado no nosso país pola gravíssima involuçom em direitos e liberdades desatada com motivo da ofensiva do PP, que fecha meios de comunicaçom e ilegaliza forças políticas e sociais; polo deterioramento das condiçons de vida da classe trabalhadora, agudizada nas mulheres e a mocidade popular; pola posta em andamento de diferentes projectos de cativas reformas institucionais que asseguram a permanência do projecto nacional espanhol com concessons miseráveis e a partir da negaçom do direito de autodeterminaçom; mas também polos ecos que ainda ressoam de umha Galiza que começou o novo século demonstrando umha grande capacidade de auto-organizaçom popular e mobilizaçom na luita contra as reformas educativas e laborais, contra o imperialismo e as marés negras.

Cumpre à esquerda independentista salvar a vaga de confusionismo que se prepara com a iminente campanha de mercadeio eleitoral e definir a posiçom dessa Galiza rebelde que nom se vende nem se deixa seduzir polas promessas ocas da alternáncia.

-Qualquer posiçom nacionalista, feminista e de esquerda conseqüente passa, aqui e agora, por considerar como secundário e nom determinante um resultado eleitoral que dirima quais as siglas que gerirám o governo de Espanha. As chaves que vam determinar o futuro da nossa naçom, as condiçons de vida das classes populares e os direitos das mulheres acham-se entre nós, nos processos políticos, sociais, culturais, eleitorais ou de qualquer tipo que protagonizemos @s trabalhadoras/es galeg@s de Ortegal ao Minho e de Fisterra ao Mançanal, e nom em instituiçons alheias. Despreender-nos para já da dependência mental e política de Madrid supom relativizar a transcendência de convocatórias como as que enfrentamos.

-O único que está em jogo em termos reais é a gestom do Estado com mais ou menos amabilidade ou mais ou menos tacto. De maos da extrema direita do PP ou do social-liberalismo do PSOE, para o povo trabalhador galego haverá as mesmas receitas com distinto embrulho: mais desemprego, precariedade laboral, acidentes no trabalho, baixos salários e emigraçom a golpe de decretaço ou pactuada com as corruptas burocracias sindicais; dependência sob umha autonomia raquítica ou num quadro pseudofederal em que umha dócil representaçom galega contemple as decisons tomadas em Bruxelas ou figure de adorno no senado espanhol; projecto europeu com maior dependência ianque ou seguindo as directrizes do imperialismo franco-alemám.

-O reformismo autonomista do BNG -cujas reivindicaçons som equiparáveis ao PP galego e ainda mais baixas e inócuas que as de regionalismos como o andaluz- pretenderá enganar milhares de galeg@s que se mobilizárom contra a maré negra e o PP para engordar à custa do descontentamento popular. Ocultam-nos descaradamente que as suas propostas seguem escrupulosamente o guiom do politicamente correcto sancionado pola antidemocrática Constituiçom espanhola e ocultam-nos também que é antitético defender os interesses de umha naçom oprimida a partir o cerne institucional do Estado ocupante.

-A "esquerda" espanhola, que em pleno século XXI é ainda incapaz de defender o direito e a necessidade da autodeterminaçom e a independência das naçons, pretenderá ainda ganhar os votos de gentes combativas que se vem orfas ante a absoluta homologaçom das três forças maioritárias na Galiza. Mas nom podemos transigir com umha "esquerda" hipotecada ao seu pacto com o modelo de Estado pós-franquista, a monarquia e a obediência de raiz aos poderes fácticos; relacionada com as burocracias sindicais do pacto social, a legalizaçom da precariedade e o carreirismo, a que participa com oportunismo nos movimentos populares para conseguir votos a qualquer preço.

-A esquerda independentista, um projecto ainda emergente, nom poderia concorrer a estas eleiçons com um mínimo eco. Longe de abstencionismos ideológicos, nom descartamos aproveitar os espaços que o Regime cede para fazer de caixas de resonáncia da auto-organizaçom e a luita popular, deslegitimando desde dentro o actual estado de cousas. Mas a dia de hoje toca fazer ver que nestas eleiçons nom está nengumha soluçom aos nossos grandes problemas e defender a abstençom activa.

Ganhe quem ganhar no dia 14 de Março, todo vai continuar na mesma. PP e PSOE aplicarám idêntica política sócio-económica e marginalizaçom da Galiza. A maior ou menor presença do BNG nas Cortes é intrascendente para os nossos interesses nacionais, de classe e de género.

As tarefas prioritárias som outras: organizar a resistência operária e popular para evitar mais retrocessos nos nossos direitos e a destruiçom das conquistas sociais, denunciar a natureza antidemocrática do Regime, divulgar a socializaçom do direito de autodeterminaçom, a pedagogia contra a farsa europeia, a autoorganizaçom em todos os níveis, superando na prática o estado de parálise e resignaçom que injectárom os que gorárom deliberadamente o movimento popular do passado ano.

A greve geral do 20 de Junho de 2002 demonstrou como a resposta massiva do povo trabalhador é capaz de parar os pés da burguesia. A luita é o único caminho.


Galiza, Março de 2004


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