Passividade e negligência definem a política da Administraçom espanhola

A GALIZA, NO TOPO DOS PAÍSES MAIS CASTIGADOS POLAS GRANDES MARÉS NEGRAS NOS ÚLTIMOS 25 ANOS

Das quase cinqüenta grandes marés negras por derramamento de petróleo e derivados às águas do mundo nos últimos 25 anos, cinco -10%- produzírom-se na nossa naçom

O acontecido nestes dias perante os olhos atordoados de galegos e galegas nom é nengumha novidade. Desde 1967, cinco desastres ecológicos e económicos semelhantes venhem golpeando periodicamente o nosso país ante a passividade da Administraçom espanhola, incluindo destacados elementos galego-espanhóis como nesta ocasiom Arsenio Fernández de Mesa y Díaz del Rio, actual delegado do Governo de Espanha na Galiza.
Assim, em 12 de Maio de 1976, o petroleiro Urquiola partiu em dous e ardeu em frente da Corunha, com quase 120.000 toneladas de petróleo bruto (mais 15.000 do permitido). A maré negra atingiu 100 km de costa galega.

Em Dezembro de 1978 foi o petroleiro grego Andros Patria o que deitou 50.000 toneladas de crude perto de Fisterra.

Nove anos depois, em Dezembro de 1987, o Casón, com bandeira panamenha, libertou ao mar mais de 3.000 bidons de produtos tóxicos provocando a morte de 23 tripulantes e importantes doenças respiratórias entre a cidadania de Fisterra, Corcubiom e Cee.
Já em 1992, o Mar Egeu, com bandeira grega, arde ante o porto da Corunha, e provoca umha maré negra com as suas 79.000 toneladas de crude, alastrando a maré negra 200 km. ao longo da costa.

Dez anos depois, assistimos a um novo grande desastre ambiental que acelera a destruiçom do já depauperado litoral galego, um dos principais esteios económicos da nossa naçom. Desta volta é a maré negra de fuelóleo a que se espalha por toda a fachada atlántica galega perante a passividade e a negligência das autoridades espanholas que administram a nossa terra.

Porém, a Galiza nom é o único país a padecer as conseqüências de um tránsito marítimo incontrolado ao serviço do lucro das grandes empresas do centro capitalista. Por volta dos cinco milhons de toneladas de petróleo deitam-se aos mares cada ano, 10% procedentes de grandes petroleiros. A Bretanha, naçom sem Estado dominada por França, é um outro exemplo de litoral empobrecido por efeito das marés negras, sofrendo três grandes derramamentos, um já em 1967 (123.000 toneladas de petróleo), um outro em 1.978 (223.000 toneladas de crude) e o último em 1999 (10.000 toneladas). A República Sul-africana, com outros três grandes desastres (em 1972, 1983 e 1994) é outro dos países mais castigados.

Mas só o Brasil supera o recorde galego em número de sinistros desta natureza. O grande país sul-americano sofreu nom menos de seis marés negras de grandes dimensons nas suas águas, incluindo rios como o Amazonas, Sagrado e Barigüi. Contodo, nom som comparáveis os centos de quilómetros de costa brasileiros com as bem mais reduzidas dimensons do nosso litoral, o que dá maior relevo aos desastres em águas galegas.
Além do mais, as grandes petroleiras vem-se implicadas todos os anos em flagrantes delitos ecológicos como os que comentamos em todo o mundo, sem que sejam tomadas medidas para evitar novos desastres.

Quanto ao Estado espanhol, resulta mais do que chocante comprovarmos a sua nula capacidade de reacçom perante os ataques constantes contras as águas do nosso país, deixando em evidência, também neste aspecto, o caro que nos sai a galegos e galegas deixar nas suas maos a defesa dos nossos interesses económicos e ambientais. Contodo, nom podemos deixar de assinalar directamente aqueles galegos e galegas que, arvorando a sua inquebrantável fidelidade a Espanha, gerem desde instáncias autonómicas e estatais a política de prevençom e resposta ante atentados como o do Prestige, personagens como o já citado Arsenio Fernández de Mesa y Díaz del Río, ou o vice-presidente espanhol, Mariano Rajoi, que passeou pola petroleada costa galega deixando cair pola sua cara dura as báguas do crocodilo. A sua responsabilidade na destruiçom da natureza galega caminha de maos dadas com o seu compromisso na espanholizaçom definitiva da nossa terra.

De outra parte, quando vemos o presidente espanhol fingir indignaçom perante o acontecido com o Prestige, nom devemos esquecer que estamos ante umha burda tentativa de ocultar as suas próprias responsabilidades na gestom da crise, negando-se por exemplo a transvasar o fuelóleo de um barco que, após o seu afundamento, é já umha bomba-relógio para o nosso meio marinho.

Também nom devemos esquecer como os buques espanhóis derramam petróleo sem controlo nas águas do maltratado planeta. O Urquiola, o primeiro superpetroleiro que encalhou nas nossas águas, é um bom exemplo, mas também há outros como o "Castillo de Bellver", que deitou ao mar, em 1983, 250.000 toneladas de crude frente ao cabo da Boa Esperança, na costa sul-africana, causando um dos maiores desastres ecológicos da história. Nom é verdade, portanto, que sejam só os despectivamente chamados "países terceiro-mundistas" quem estám por trás das marés negras. Franceses, gregos, norte-americanos, japoneses, e, naturalmente, espanhóis, fam parte da listagem de responsáveis polas mais graves marés negras da história.

Cumpre, portanto, tomarmos boa nota do que está a acontecer nestes dias ante os nossos olhos, se quigermos evitar que os espanhóis e os galego-espanhóis continuem a permitir o espólio e a destruiçom do nosso país. De nom ser assim, novos Urquiola, Casón, Andros Patria, Mar Egeu e novos Prestige voltarám periodicamente a lembrar-nos o preço que o capitalismo e a dependência imponhem à Galiza.

Voltar à página principal


 

A descoordenaçom e lentidom em agir provoca umha catástrofe ecológica na Costa da Morte


As 77.000 toneladas de fuel-oil que transporte o petroleiro Prestige já estám atingindo a costa de Mugia, Camarinhas, Lage, Malpica, no que será umha nova catástrofe ecológica para a Galiza provocada pola ausência de regulaçom e medidas de segurança do transporte marítimo. As leis internacionais, a legislaçom espanhola e europeia, totalmente permissiva coa existência de dezenas de milhares de bombas frotantes, -barcos antiqüados que transportam todo tipo de mercadorias perigosas (produtos químicos, bacteriológicos, nucleares, petróleo, gás, etc)-, assim como os grandes interesses económicos das multinacionais e grandes companhias de navegaçom, som os responsáveis directos desta nova tragédia para a costa galega, que provocará a destruiçom ecológica do litoral, a ruina e miséria para milhares de trabalhadores e trabalhadoras que vivem do mar (pesca e marisqueio), já castigados pola política da UE e a degradaçom do meio marinho.

A Delegaçom do Governo espanhol na Galiza e a Junta da Galiza agírom com grande lentidom, permitindo que desde a quinta feira 14 de Novembro a situaçom de naufrágio do Prestige fora praticamente irreverssível. A sexta-feira 15, perante a criminal passividade das autoridades o barco, com bandeira de conveniência das Baamas e 26 anos de antigüidade, chegou a estar a menos de três milhas da costa de Mugia.

Nom se adoptárom as medidas oportunas desde que o barco emite o primeiro sinal de socorro para transladar o buque a alta mar, por em funcionamenteo as máquinas e transladá-lo a um porto para a sua posterior reparaçom. As negociaçons entre os armadores e as empresass de salvamento sobre o custo do resgate, a falta de resoluçom da Junta e outras autoridades espanholas, provocárom que o que nom teria porque deixar de ser um acidente cujos efeitos poderiam ter sido totalmente mitigados se convirta numha nova catástrofe para a costa galega semelhante a do Urquiola, Cason ou Mar Egeo.
Primeira Linha solicita a demissom de Arsénio Fernandez de Mesa, Delegado do governo espanhol na Galiza, e de Manuel Fraga Iribarne pola lentidom na adopçom das medidas necessárias para evitar esta catástrofe que ciclicamente padece a nossa naçom.


 

 

Voltar à página principal