Manipulaçom Nunca Mais
Quigérom
negar a evidência, e a maré negra enchoupou o país.
Quigérom negar que existia o protesto e aqui estamos.
Quigérom silenciar-nos e hoje gritamos de novo: demissons.
Demissons também de todos os responsáveis da censura informativa
que invadiu os meios públicos como o fuelóleo invade as costas.
Demissom dos responsáveis do chapapote televisivo, do alcatram nas
ondas.
As trabalhadoras e trabalhadores da Televisom e da Rádio Galega repudiamos
a manipulaçom nos meios públicos do nosso país.
Manipulaçom que nom é nova, que se manifesta em cada conflito
silenciado. Manipulaçom que estivo presente no tratamento informativo
do problema das "vacas tolas", que está presente cada verao
quando proibem falar de incêndios, ainda que o país arda polos
quatro costados.
Porém, resulta impossível lembrar um momento no que o desprezo,
a burla à cidadania, a manipulaçom e a censura da profesiom
foram tam evidentes.
Pedimos a sua demissom por tentar ocultar, disfarçar e frivolizar o
maior desastre ecológico sofrido por Galiza. Um desastre que terá
brutais conseqüências económicas e humanas para o conjunto
do nosso país.
Pedimos a sua demissom porque vulneram a lei, que fixa a veracidade, a independência,
o pluralismo, como princípios básicos polos que se deve reger
a programaçom da Televisom e da Rádio galegas.
Pedimos a sua demissom porque ameaçam. Porque apartam às/aos
jornalistas críticos das informaçons conflictivas. Porque utilizam
a precariedade, os contratos-lixo, e o medo ao desemprego como fórmula
de extorsiom, como jeito de obrigar @s trabalhadoras/es a ser cúmplices
das suas mentiras.
Pedimos a sua demissom porque em lugar de agir como gestores dum serviço
público, actuam como lacaios do poder.
Público nom significa institucional, e muito menos governamental. Público
significa de todas e de todos, desde a pluralidade, desde a veracidade, desde
a independência, desde o direito a informar e a sermos informadas.
O pessoal da Televisom e da Rádio já temos denunciado em diversas
ocasions a manipulaçom informativa. Levamos ao Parlamento umha Iniciativa
Legislativa Popular que foi rejeitada, como nom, com os votos do Partido Popular.
Porque eles si querem umha televisom manipulada, um país silenciado,
umha sociedade desinformada, um povo amordaçado.
Eles, que falavam de "manchas" quando a morte negra atingia o nosso
mar, nom podem sair impunes. Eles também som maré negra. Maré
negra informativa que ameaça as nossas liberdades.
Por isso hoje, como cidados e cidadás, mas sobre todo, como trabalhadoras
e trabalhadores dos meios de comunicaçom públicos da Galiza
unimo-nos ao clamor social que percorre estes dias o nosso país: MANIPULAÇOM
NUNCA MAIS.
Begonha Caamanho
Sam Marcos, 21 de Dezembro de 2002