Comunicado Nacional de NÓS-Unidade Popular

A voracidade ilimitada da burguesia. Os planos de terror que pretende aplicar o capital

Durante o mês de Janeiro a classe trabalhadora galega tem padecido um bombardeamento de declaraçons e opinions contra os direitos laborais adquiridos, já de por si reduzidos e recortados polas reformas dos últimos anos. No que nom se deve qualif¡car como umha mera ofensiva dialéctica da burguesia, mais sim o adiantamento sem o mais mínimo pudor, sem filtros, dos planos imediatos da política ecomómica e sócio-laboral que deve aplicar o novo governo espanhol emanado das eleiçons de 14 de Março, destacados representantes do capital venhem de tracejar as novas agressons que nos vindouros meses padeceremos o conjunto do povo trabalhador galego.

António Fontenla, presidente da Confederaçom de Empresários de Galiza (CEG), numha entrevista no Faro de Vigo (19 de Janeiro) solicitava sem eufemismos nem rodeios, utilizando burdas técnicas da demagógia e o engano, o recorte dos direitos laborais das e dos trabalhadores fixos, justificando a precariedade, eventualidade e temporalidade laboral, solicitando novas reformas do mercado laboral para “facilitar a criaçom de emprego”.

Posteriormente Manuel Azpilicueta, presidente do Círculo de Empresários, apresentava o decálogo do terror que a patronal espanhola considera deve aplicar o vindouro governo: supressom da educaçom, sanidade e transporte público gratuitos, eliminaçom dos subsídios dos meios de comunicaçom públicos e da minaria do carvom, drástica disminuiçom do funcionariado público, rebaixa nas indemnizaçons por despedimento improcedente nos contratos fixos para igualá-las com a dos contratos a prazo, reduçom das contribuiçons à segurança social; maior liberalizaçom do solo e reforma da lei de arrendamentos; eliminaçom da vivenda protegida.

Todos estes recursos económicos que a patronal pretende roubar às trabalhadoras e aos trabalhadoras serám destinados a engordar ainda mais a taxa de lucro da burguesia e a reforçar os mecanismos coercitivos que possui para manter os seus privilégios. Assim o Círculo de Empresários “sugere” que se invista ainda mais em “justiça, defesa e segurança”. Ou seja, mais dinheiro para condenar as luitas, para julgamentos em prol dos interesses dos ricos; mais polícia para reprimir greves e manifestaçons, para deter militantes operários e populares; mais meios para meter em prisom a pobreza e proteger-se das inevitáveis revoltas sociais dos vindouros anos.

Mas estas declaraçons nom som retórica inofensiva. Nom som inócuas conversas de café. Fam parte da planificada e coordenada estratégia do capital contra o mundo do trabalho que levamos padecendo de maneira inenterrompida desde há mais de umha década.

Actualmente na Comunidade Autónoma Galega (CAG) o desemprego continua a crescer três vezes mais que no conjunto estatal. Já superam os 157 mil o número de desempregadas/os. No ano 2003, o incremento foi de 4.19% a respeito do anterior, atingindo segundo as maquilhadas estatísticas oficiais os 12.36%, quando a média estatal é de 9.04. Situaçom agravada no caso das mulheres e da mocidade. O desemprego de longa duraçom superou os 45% do total.

A precariedade laboral atingiu quotas dramáticas na mocidade. 65% dos/as jovens galegas/os tenhem contrato temporário carentes dos mais elementares direitos.

Os acidentes laborais seguem incrementando-se mês após mês motivada pola contrataçom vigorante e as condiçons de trabalho que padecem a maioria das/os assalariadas/os. No que vai de ano já som dous os mortos no seu posto de trabalho no que é a expressom mais dramática da exploraçom capitalista.

Os salários som baixos e anualmente as/os trabalhadores/as perdemos poder aquisitivo. A exclusom social, a precariedade é cada vez mais visível nas ruas. A vivenda é um luxo. Chegar a final de mês umha aventura para centenas de milhares de galegas e galegos.

Perante esta situaçom que todo o mundo conhece, pois a padecemos a totalidade das/os assalariadas/os nas condiçons materiais da nossa quotidianidade, embora seja de desigual forma, as forças políticas da direita espanhola, do reformismo e do autonomismo, ou bem aplaudem ou bem continuam a enganar o povo com velhas medidas que a práctica mil e umha vez demonstrou ineficaz. O PP apoia sem reservas as propostas, o PSOE nom as questiona embora por puro oportunismo eleitoral prometa outras cousas que obviamente nom vai aplicar, e o BNG mantém um autismo ou tam só realiza pontuais críticas para consolidar a respeitabilidade e confiança dos poderosos que procuram as suas elites.

Nos vindouros dous meses escuitaremos promessas e promessas desses políticos profissionais que tam só se lembram de nós à hora de buscar votos.

NÓS-UP alerta o conjunto da classe trabalhadora galega e dos sectores populares de evitar cair novamente na armadilha eleitoral. Ganhe quem ganhar, as eleiçons do vindouro 14 de Março todo vai continuar na mesma. PP e PSOE aplicarám a mesma política económica. A maior ou menor presença do BNG nas Cortes será intrascendente para os nossos intereses nacionais, de classe e de género.

Delegando em profissionais do engano, reduzindo a nossa participaçom em votar cada quatro anos estamos passivamente facilitando que cada vez sejamos mais pobres, trabalhemos mais horas por menos salário, com piores condiçons e menor segurança.

Tam só a organizaçom e a luita operária e popular poderám evitar mais retrocessos nos nossos direitos e seguir perdendo conquistas sociais. A greve geral do 20 de Junho de 2002 demonstrou como a resposta massiva do povo trabalhador é capaz de parar os pés da burguesia.

A esquerda independentista há muitos anos que aprendeu que a luita organizada é o único caminho.

26 de Janeiro de 2004

Voltar à página principal