Dia das Letras
Iago Barros Minhons (*)
O pulo inato
dos povos para criarem umha língua de seu, umha língua própria
e diferenciada é a razom pola qual da nossa terra surgiu o galego.
Um idioma que
o processo involutivo actual está a transformar num dialeito, numha
variante, numha mera imitaçom dumha outra língua, a espanhola,
que foi levada além de mares e horizontes. O violento acomodo que a
língua do outrora intercontinental império espanhol atopou em
distantes terras nom foi possível na Galiza, onde o ingénio
popular e a pertinaz resistência das classes trabalhadoras impediu o
assassinato cultural que, sem acougo, Castela pretendeu com nós.
A histórica
problemática diglósica transcorreu paralela à realidade
colonial da Galiza, fazendo-se o império sujeito da aniquilaçom
das realidades, lingüísticas incluídas, dos territórios
asobalhados. Mas, é agora, enquanto supostamente goçamos dos
benefícios que nos aporta a impossível e utópica democracia
e coesiom do Estado espanhol, ''livre e descentraliçado'', quando as
forças políticas espanholas e o desleixo autonomista estám
a conseguir com maior celeridade que nunca o objectivo asimilista, cuja única
pretensom é que o povo renúncie à sua personalidade própria
para adquiri-la alheia: a espanhola no casso que nos concirne.
Imbéciles
e ignorantes aqueles/as a quem esta consideraçom lhes pareza esagerada.
Quando o verdadeiro motivo que rege a regulaçom da nossa língua
é o bem-estar político dumha ''indissolúvel pátria''
que nom é a nossa, e nom as urgentes necessidades futuras e a objectividade
lingüística histórica, perpetua-se a dependência
clientelista que temos com Castela desde o sêculo XV.
A demagógica
e enganosa política em matéria lingüística da Junta,
completamente servil a Castela, parapeta-se trala ridícula imagem de
galeguismo bem-entendido com que se maquilha a ultradireita católica
espanhola. A defessa que @s noss@s caciques fam da nossa cultura ocasiona
que os estudos realizados indiquem que saem menos galegofalantes das escolas
d@s que entram. Estas som as consequencias do bilingüismo harmónico.
As sérias
advertências realizadas pola Unesco fai mais dum ano em referência
à precária situaçom do galego e as escuras perspectivas
que o mesmo organismo albisca para a nossa língua, nem imutárom
nem imutam @s noss@s representantes políticos. A penas nos eidos do
ensino e a cultura achamos ousad@s personagens que, contra vento e mareia,
combatem a corrupta e frívola patranha lingüística que
se nos impôm. Todo isto ocorre sem que nengum estamento institucional
tenha em consideraçom as posturas contrárias à oficial
que som defendidas, curiosamente, polos colectivos mais fortemente comprometidos
com Galiza e a sua língua.
Agir, organizaçom
estudantil induvitavelmente vencelhada a Galiza e ao galego, agrupa ou pretende
fazê-lo a tod@s aqueles/as estudantes que contemplam com pavor as tendências
espanholizantes que sem reparo se nos estám a aplicar. E a tod@s aquelas/as
que, porém, rejeitamos comulgar com semelhante aposta suicida.
Mais um ano repetimos
que nom contribuiremos ao sincronizado martírio ao que desde um lado
e outro estám sobmetendo umha das mais valiossas riqueças dum
povo: a sua língua. À nossa: o galego.
NEM BILINGÜISMO QUE NOS DESTRUA, NEM MÍNIMOS QUE NOS CONVENZAM.
UM POVO; UMHA LÍNGUA.
(*) Iago Barros
Minhons é militante de AGIR-Trasancos no comite do IES Montoxo