Companheiras
e companheiros, amigas e amigos:
Há já uns quantos anos que o projecto unitário do independentismo
denunciou alto e claro a suculenta operaçom faraónica -disfarçada
de aposta cultural- que a direita espanhola preparava para a nossa cidade
baixo o nome de "cidade da cultura". Há uns quantos anos,
era de por si grave que milhares de milhons de pesetas se destinassem a umha
obra da que todo o mundo desconhecia os conteúdos; que se desconsiderasse
a voz desse 60% de compostelanos e compostelanas que nom viam nengum interesse
a tal investimento; que se tomasse a via da expropriaçom forçosa
para despojar a vizinhança de Sar e Viso das suas terras de lavrança
e que mais umha zona agrária da nossa comarca fosse condenada a morte
em favor dum novo espaço de luxo para consumo turístico.
Mas hoje, com a nossa naçom condenada ao empobrecimento e à
precarizaçom pola maré negra do Prestige, com centenas de mobilizaçons
populares dumha entidade inusitada a reclamar soluçons reais e nom
remendos, é um insulto à nossa dignidade colectiva que o PP
-e a chamada oposiçom- teimem no esbanjamento do dinheiro de tod@s.
Nem só a formaçom da extrema direita espanhola, com a sua clássica
chularia castiça, afirma seguir avante com a obra para maior glória
do seu caudilho decrépito; também aumenta o investimento dedicado
à cidade da cultura, que fica, nem mais nem menos, em 80.000 milhons
de pesetas. Esta é a verdadeira resposta que dá o PP à
crise nacional que vivemos: surdeira total e absoluta para com as reivindicaçons
constantes e quase unánimes dos últimos meses e, de passagem,
mais premura e zelo na hora de aplicar as velhas receitas económicas
coloniais na nossa naçom. Nom há a dia de hoje nengum plano
de recuperaçom integral dos diversos sectores produtivos afectados;
há, pola contra, umha fictícia chuva de milhons que se destina
a reforçar as grandes linhas estratégicas do capitalismo espanhol
respeito a Galiza: novas infrestruturas rodoviárias que avançam
na desarticulaçom do nosso território e na agressom ambiental;
planos energéticos hiperprodutivistas rumados a roubar a este país
mais e mais energia, ainda a costa de pejar gravemente zonas de alto valor
natural; e, por suposto, na linha de converter o nosso País numha reserva
com mao de obra sobreexplorada no sector serviços, ambiciosos planos
turistificadores desenhados desde a metrópole em conivência com
a indústria hospedeira, tour-operadores e a rede caciquil que se alimentará
dos benefícios. É nesta política vácua e de fogos
de artifício na que se enmarca o grande mausoleu fraguiano, esse parque
temático consagrado à cultura espectáculo contra a opiniom
e os desejos da imensa maioria social. Podemos permiti-lo?
Podemos permitir que numha naçom em crise e ameaçada de morte polo chapapote e a negligência criminosa da casta política o formigom e a propaganda substituam as soluçons?
Podemos permitir que se resposte a umha naçom auto-organizada, crítica e em mobilizaçom permanente com aldragens, enganos e a ocupaçom policial de vilas e cidades?
Podemos permitir que partidos que se dizem oposiçom secundem os planos turistificadores do colonialismo, apoiem a cidade da cultura e à vez, de maneira oportunista, berrem Nunca Mais?
A esquerda indepedentista, mais umha vez, está só na defesa consequente de tam elemental reivindicaçom democrática. Nom nos importa. Esta soidade nom resta sentido e necessidade ao que reclamamos nesta noite em plena rua. Berrávamos há meses poucas centenas de pessoas contra o fascismo do PP e som hoje a maioria das classe populares quem se rebelam contra este pilar do regime; dizíamos há meses com insistência que somos umha colónia e é trás a desfeita do Prestige que a consciência nacional se dispara e alcança quotas de importáncia; manifestávamos há um tempo que este engendro filho do franquismo nom se pode chamar democracia e é agora que milhares de galeg@s se decatam indignad@s da farsa autoritária que é a monarquia parlamentária dos espanhóis, exercendo os seus direitos na rua sem delegaçom. Companheiras e companheiros, toca agora questionar sem medo mais um engano de quem nos malgovernam. E insistir, dito seja de passagem, que a efervescência mobilizadora que vivemos nom pode morrer, tem que medrar e tomar formas ainda mais sólidas.
Os 80.000 milhons
da cidade da cultura para @s afectad@s pola maré negra!
Sem trégua contra o Partido Popular!
Com Espanha nunca mais!