Entrevista com o responsável comarcal de AGIR no Condado

Fevereiro de 2004

Apresentamos a entrevista com Alberte Rio-Bom, um d@s estudantes que permaneceu fechado seis dias na Escola de Ensino Secundário Pedra da Auga de Ponte Areas, publicada por AGIR no seu web.

Alberte tem 18 anos e cursa 1º de Bacharelato na EES Pedra da Auga. Alberte é o Responsável Local de AGIR em Ponte Areas e participou activamente na criaçom da Assembleia de Estudantes do seu centro. Durante os dias que durou o encerramento exerceu de porta-voz d@s estudantes encerrad@s

Em primeiro lugar explica-nos quais som as deficiências que motivam o encerramento no vosso centro.

As deficiências som muitíssimas. O primeiro dos problemas, seguramente o mais grave, é o da massificaçom. A Pedra da Auga foi construida com umha capacidade de 250 estudantes e após umha obra posterior foi habilitada para 350. Actualmente estudam lá mais de 700 pessoas, sem contar com o colectivo do professorado, que som uns 70.

Somado o grave problema da massificaçom, há um importante número de deficiências no que a infraestruturas se refere. Há salas minúsculas, por exemplo há umha de 2 por 4 metros onde lousa está colocada à direita das mesas por falta de espaço; só contamos com um laboratório, quando deveria haver um mínimo de quatro; o ginásio é de risa; o pátio apenas conta com o 30% das medidas mínimas exigidas; nom contamos com qualquer sala de aulas de música; @s alun@s do ciclo de automoçom vem-se obrigad@s a fazer as prácticas ao ar livre por a sala que lhes corresponde nom contar com umha saída de fumos, com o que só as fam se nom chover; o estado das casas de banho é lamentável; nom há espaços habilitados para os departamentos ...A lista é largíssima.

Por todo isto o que reclamamos é a inclusom nos orçamentos deste ano de umha partida para a construçom de um novo centro e o imediato início das obras de acondicionamento da Pedra da Auga mentras dura a construçom da nova escola, para assim dotá-la de umhas condiçons mínimas de habitabilidade.

Aliás desta reivindicaçom exigíamos a demissom da equipa directiva do centro pola ineptidom e desídia demonstrada durante estes messes por desentender-se dos problemas do centro. Também aludimos na tabela reivindicativa à responsabilidade do Partido Popular e a sua política educativa, que está a condenar a miséria e a precarizaçom aos centros da rede pública para beneficiar aos centros privados.

As vossas reivindicaçons nom som novidosas, quando começam as mobilizaçons para reclamar a construçom de um novo centro e que colectivo as encabeça?

As primeiras queixas de que temos constáncia datam do curso 95-96. Som sobretudo escritos do colectivo de professores e professoras da escola dirigidos à Conselharia de Educaçom informando das deficiências do centro para esigir o seu arranjo.

O professorado, depois de uns anos de enviar queixas à Junta da Galiza, suponho que por cansaço, tinha abandonado o tema.

Nom é até este ano quando as AMPAS se começam a mover a sério e ponhem em marcha um calendário de actividades reivindicativas. Durante os três primeiros meses do curso convocam manifestaçons todas as semanas diante do Concelho, fam umha marcha a pé até Ponte Vedra para entrevistar-se com o Delegado de Educaçom na província Fraga Boulhosa, etc. Estas mobilizaçons tenhem a maior força no mês de Dezembro, justo quando se iniciam as férias de Natal, ao subir dous pais ao telhado da escola.

Só com esta acçom conseguem arrincar o compromisso por parte da Conselharia de Educaçom de que arranjaram o centro e construiram o novo centro. Depois o único que figérom foi dar-lhe umha mao de tintura ao ginásio e instalárom umha rede de voleibol para as aulas de Educaçom física. Desde aquela todo ficou um pouco parado.


O que mudou com a criaçom da Assembleia de Estudantes e a entrada em cena do estudantado?

Principalmente o que muda é que o estudantado massivamente assome como própria umha luita que até aquel momento viam como algo alheio, como um assunto dos pais e mais e do professorado.

A assistência às assembleias é massiva, à primeira reuniom assistírom mais de 350 estudantes e nunca chegou a baixar de 200 o número de assistentes. Isto fai com que a luita adquira um verdadeiro carácter de massas.

Que papel cumpre AGIR na activaçom da Assembleia de Estudantes?

Sem dúvidas cumpre um papel fundamental. A Assembleia Local de AGIR activa-se coincidindo com o momento mais importante da mobilizaçom da AMPAS e desde o primeiro momento temos claro que nos devemos implicar ao 100% nesta luita, com o objectivo de somar ao estudantado a umha batalha protagonizada até esse momento polas ANPAS.

Pomos em andamento umha campanha de denúncia no mês de Janeiro que é muito bem acolhida pol@s companheir@s. Decidimos entom dar o seguinte passo e pôr em marcha um calendário de actividades. Aproveitando que vári@s militantes de AGIR no centro somos delegad@s, as mobilizaçons fôrom convocadas através de nós. Com esta fórmula convocamos até quatro paros que fôrom secundad@s massivamente. Além do mais cada vez mais companheir@s participavam na preparaçom das convocatórias. É neste momento quando a iniciativa de AGIR, junto com estes companheir@s se convoca a primeira reuniom para a constituiçom da Assembleia de Estudantes do centro com grande sucesso.

E é a Assembleia e o massivo apoio que recebe do estudantado do centro quem possibilitam a vitória sobre o PP.

Quero dizer com isto que cumprimos o papel que ao meu ver nos correspondia .Isto é o de ser um dos motores do movimento. O que neste casso se traduze em servir de elemento dinamizador das mobilizaçons, organizando e radicalizando até onde foi necessário o conflito.

Conta-nos como se fragua o encerramento, por que vos decidides por esta acçom quando a Assembleia só dera os seus primeiros passos?

É certo que o calendário nom foi muito ortodoxo. Quero dizer que o normal seria ter convocado primeiro umha grande manifestaçom. Essa era a nossa intençom de partida. Mas com o paso dos dias, após constituída a Assembleia, notava-se no ambiente que a gente reclamava algo mais contundente. Já se levavam feito paros e concentraçons, incluso zarandeáramos ao inspector da Conselharia de Educaçom. Isso estava bem, mas havia que dar o seguinte passo, radicalizar os protestos, dar um golpe na mesa para fazer ver à Junta da Galiza que íamos a sério.

É assim como decidimos lançar a proposta do feche indefinido. A Assembleia respaldou por unaminidade a proposta e a partir deste momento um pequeno grupo de estudantes começamos a preparar a acçom. O resto é conhecido, na madrugada do 14 assaltamos a escola, atrancamos as entradas e preparamo-nos para agüentar o que figesse falta.

O certo é que baralhamos outras possibilidades mais contundentes que nos guardamos no bolso por se a Junta nom cumpre.

Umha vez fechad@s, qual é o talante da Junta?

A Junta mantivo um talante chulesco e prepotente durante todo o conflito. O mesmo com o que tratou a AMPAS os meses anteriores. Fôrom duas pessoas as que se encarregárom da negociaçom, o Fraga Boulhosa, delegado de educaçom na província de Ponte Vedra, e Néstor Valcarcel, Secretário Geral da Conselharia. Os dous protótipos de fascistas, tanto polo talante como polo aspecto.

Em todas as conversas que tivemos, eu era o encarregado de negociar em nome da Assembleia, tratavam-nos como a crianças que tenhem algo nas maos que nom controlam. Incluso pola primeira vez que falei com o Valcárcel tivem de desligar o móvel para que entendesse que nom podia jogar connosco como era a sua intençom. Continuamente expunham problemas legais que criam que nom entendíamos para fazer-nos ver que nom era possível atender as nossas reivindicaçons.

Quatro dias após iniciar o encerramento, a Junta dá os primeiros indícios de que vai ceder. Como se negocia o acordo?

O dia 17 de Fevereiro, após qautro dias de encerramento, convocam-nos a um encontro no Concelho. Assistimos representantes d@s estudantes, das AMPAS e o Néstor Valcarcel aliás de representantes da equipa de governo municipal como mediadores. É lá quando o representante da Junta informa que estám dispost@s a ceder.

O Valcárcel compromete-se a iniciar a inspecçom do centro para iniciar imediatamente as obras e a construir um novo centro que estaria acabado em 2005. Além do mais constitue-se umha comissom de seguimento que se reunirá cada 15 dias para garantir o cumprimento do acordo. @s representantes d@s estudantes exigimos que o compromisso apareça por escrito e ainda que estas eram as duas reivindicaçons principais, pedimos que a Conselharia aceite oficialmente a demissom da equipa directiva, que se producira nos primeiros dias do encerramento.

Nom recebemos resposta até o dia seguinte. Chega-nos o compromisso assinado e decidimos que abandonariamos o encerramento a quinta-feira 19 de Fevereiro, cumprindo assim seis dias de feche.

Atendendo à proximidade das eleiçons ao parlamento espanhol, nom achas que o PP vos tratará de enganar oferecendo-vos um acordo que nom pensam cumprir, mas que lhes permite calmar o ambiente até o 14-M?

Acho. Esta é umha das variáveis que baralhamos. É por isto que desde a Assembleia plantejamos que apenas acabava umha batalha desta guerra. É muito possível, como já figérom em outras ocasions, que passadas as eleiçons esqueçam o acordado. Em todo o caso estamos preparad@s para voltar às mobilizaçons.

A AMPAS participou activamente na mobilizaçom, como valorizades o seu papel?

A AMPAS estivo ao nosso lado desde o primeiro momento e o seu apoio foi fundamental. Também é certo que houvo sectores que figérom o possível por criar discórdia entre @s estudantes acussando AGIR de querer politizar o conflito. Nom queriam reconhecer a raiz do problema e isso nos provocou muitas dificuldades.

Eu faria umha distinçom entre dous sectores das AMPAS. Foi graças ao sector mais combativo que se conseguiu implicar o resto, que desde o primeiro momento mostrou muitos receios. Fôrom elas/eles @s mais comprometid@s e @s que estivêroma às portas do centro até que nós abandonamos o encerramento. O resto já se tinha marchado porque nom entendia que quigessemos um compromisso assinado da Conselharia.

Como reagiu Ponte Areas à vossa acçom?

Muito bem. Nom deixamos de receber comida, mantas, colchons, etc. Fôrom vários os supermercados e restaurantes da vila que nos enviavam comida. Incluso houvo um que nos achegou marisco.

Para alargar a solidariedade na vila a assembleia decidira convocar umha plataforma à que seriam convidadas as organizaçons políticas e sociais para preparar mobilizaçons fora do centro e assim romper um pouco o cerco e aproveitar o apoio do povo trabalhador de Ponte Areas com as nossas reivindicaçons.


Entrevista realizada o Domingo 22 de Fevereiro em Ponte Areas. Para mais informaçom sobre esta luita, visita o especial incluído no web de AGIR.

Voltar à página principal