O futuro dum país nom pode depender da orientaçom do vento, nem da ajuda de Santiago Apóstolo
NÓS-UNIDADE POPULAR ANTE A CRISE NACIONAL

Desde o passado 13 de Novembro, a Galiza assiste a umha das maiores desfeitas sociais, económicas e ecológicas da sua história; assiste também, apesar do clamor popular, a umha vergonhenta exibiçom de incompetência, manipulaçom e chularia castiça por parte da casta política espanhola, acompanhada pola sensiblaria hipócrita doutr@s opositores (políticos ou mediáticos) que se lembram d@s pobres galeg@s para acudir a socorrê-l@s e organizar entranháveis operaçons benéficas. O que está de fundo: o oportunismo de sempre e a procura de votos que mantenham bem boiantes os seus profissionais da gestom.
Ante a grande vaga mobilizadora e solidária do povo galego, nomeadamente do povo trabalhador, a tentaçom das pressas pode levar a descuidar a análise e pensar que, dentro do terrível da catástrofe, todo está feito desde que centos de milhares de galeg@s tomamos as ruas de vilas e cidades. Mas é em momentos como estes, por graves e transcendentes, quando se fai preciso complementar a acçom com umha reflexom sossegada. NÓS-Unidade Popular quer manifestar:

1. Galiza nom sofre nengumha tragédia natural produto do clima ou dum malfado histórico. Galiza sofre umha crise de incalculáveis conseqüências produzida pola lógica criminosa do capitalismo, pola dependência nacional que sofre o país, e pola incapacidade e irresponsabilidade dumha casta política que se negou a agir com solvência desde o primeiro momento; que ocultou informaçom chave ao nosso povo e negou a entidade da catástrofe; que pujo -mal e tarde- a vetusta tecnologia dos capitalistas amigos do PP (Remolcanosa, Remolcadora, e Tragsa, encarregada de pôr os materiais para armazenar fuelóleo) ao serviço dumha operaçom improvisada. Os meios europeios, e nem só a esquerda independentista, denunciárom com contundência a ineptidom espanhola e a bochornosa actuaçom de quem dizem velar por tod@s nós. E o mundo inteiro conhece, aliás, que um sistema económico consagrado ao lucro duns poucos e que permite a circulaçom sem garantias de barcos-lixo como o Prestige expom naçons como a nossa à desfeita.

2. Galiza nom tem má sorte. Galiza é umha colónia. Cinco grandes accidentes como o presente nos últimos trinta anos; desfeita da economia agrária e reforma pesqueira consumada só em parte; vacas tolas no passado ano e umha vaga de incêndios florestais no último verao a arrasar mais e mais riqueza. Nada disto é casualidade. O conjunto da economia galega está determinado por interesses foráneos e carecemos da mínima capacidade para inverter esta desfeita planificada milímetro a milímetro. A Constituiçom espanhola (nunca refrendada pola maioria do nosso povo, e ainda assim vigorante no nosso território, com um 51,2% de abstençom) estabelece a competência exclusiva espanhola em matérias como pesca marítima, marinha mercante e abandeiramento de buques, iluminaçom de costas e sinais marítimos, e portos de interesse geral (Título VIII.Art. 149.1). Os grandes complexos económicos e sociais que som os nossos grandes portos estám administrados por autoridades dependentes do estrangeiro, e a autonomia só pode desenvolver e executar a legislaçom que elabora Espanha.

3. Qualquer denúncia da situaçom criada dumha perspectiva nacional que nom vincule a desfeita com a falta de soberania sobre as nossas costas e os nossos recursos e fique numha denúncia epidérmica duns maus políticos é desonesta e contraditória. Ou se milita desde umha focagem autóctone, com todas as suas conseqüências práticas, ou se fai vil oportunismo e política de assistência e caridade. Da mesma maneira, quem chame a aprofundar no Estatuto esquece que este é umha via morta que impede acometermos com plenas garantias o governo do que é nosso, dos bens, recursos e riquezas que só ao povo trabalhador galego correspondem.

4. Toda mobilizaçom popular que peda a depuraçom de responsabilidades merece o apoio e vai ter a participaçom activa de NÓS-Unidade Popular. Mas toda mobilizaçom acovardada, que pretenda juntar no mesmo barco agressores (direita espanhola) e vítimas (as classes populares) vai provocar o nosso rechaço. Os incompetentes, os mentireiros, os militares espanhóis, os muitos sicários e lacaios da política fascistóide e antigalega do PP nom têm a ver com @s mariscadoras/es, @s marinheir@s, @s operári@s, e todas as gentes do trabalho do nosso País. Uns devem estar frente @s outr@s.
5. Quem, desde as melhores intençons do mundo, promove umha festa solidária, um estoupido de voluntariado asséptico e recolectas múltiplas em favor da Galiza, erra no objectivo. Só a auto-organizaçom nacional, a denúncia e a acçom, podem minimizar os efeitos e possibilitar outro futuro. Declaraçom de zona catastrófica, sim; mais meios técnicos, sim; agência de segurança marítima para Galiza, sim; demissom dos responsáveis, sim. Mas também, e sobretodo, pedagogia social e política: sem independência haverá mais desprezo espanhol, mais incompetências, mais catástrofes, em mar ou terra. Nengum futuro para Galiza. Começarám a chover as prebendas e subvençons; Europa e Espanha deitarám mais faragulhas, tentarám dividir @s trabalhadores/as e suspirarám por que parte da mocidade desesperada deserte e marche à emigraçom; mais prejubilaçons, mais dependências, mais resignaçom. Estejamos alerta frente o engano: queremos um presente e um futuro.

6. As impressionantes mobilizaçons de massas das últimas semanas fam calar a boca a quem falam dum povo atrofiado e submisso. Galiza vem de viver duas greves gerais, históricas mobilizaçons estudantis contra a LOU, manifestaçons populares contra a Europa do Capital: e agora mais de meio milhom de galeg@s desafiam a manipulaçom e o medo e botam-se às ruas. Para que isto nom culmine na derrota e na resignaçom há que superar as direcçons políticas e sindicais hipotecadas e atadas de pés e maos polo marco jurídico-político espanhol. Há que espalhar a ideia de que a auto-organizaçom é possível e mais efectiva que a subordinaçom a burocracias várias e politiquinh@s que pensam já na saca de votos das municipais. As gentes do mar de Arousa e Vigo dérom umha liçom impressionante de auto-organizaçom efectiva quando, sós e sem ajuda, parárom a maré às portas das rias; de direito à autodefesa, quando assinalárom em Aguinho como culpável e mentireiro Torres Colomer, dando-lhe o que merecia diante de cámaras de todo o mundo; @s moç@s independentistas demonstrárom que nom acreditam no discurso abjecto do Galiza povo pacífico com o que nos deleitava há dias um líder autonomista, enfrentando a polícia espanhola e combatendo os responsáveis com todos os recursos possíveis.

7. Cumpre alargar, aprofundar e radicalizar o movimento de massas. Nom só devemos solicitar a demisom das autoridades responsáveis. Aznar, Rajói, Cascos, Fraga, de Mesa, devem ser detidos e julgados por genocídio ecológico e destruiçom das condiçons de vida de dezenas de milhares de trabalhadoras e trabalhadores galeg@s.
É hora de convocar umha greve geral. De exigir medidas políticas, recursos económicos, para solucionar a contaminaçom do ecossistema e paliar o imediato presente e futuro das populaçons afectadas.

8. É hora, hoje mais do que nunca, de organizar-se no movimento de libertaçom nacional, social e de género. De espalhar a nossa alternativa; de ganhar os sectores rebeldes, as gentes desprezadas e enganadas. De representar a mocidade trabalhadora, as mulheres combativas, @s nacionalistas fart@s de tanto pacto de corredor e tanto medo a ser cidadás e cidadaos galegos. De vencer o mito da resignaçom e o complexo. Continuemos na rua, sem trégua, até a queda do governo do PP e a prisom dos responsáveis.
Continuemos na rua reclamando a soberania plena sobre as nossas costas e recursos. Nom demos oxigénio aos culpáveis. Adiante o Movimento de Libertaçom Nacional Galego no combate aos responsáveis.

ESPANHA É A NOSSA RUÍNA
A SOLUÇOM, INDEPENDÊNCIA NACIONAL
GALIZA CEIVE, SOCIALISTA E NOM PATRIARCAL

Galiza, Dezembro de 2002



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