Plan Galicia: outra farsa espanhola
O governo do
Partido Popular escolhia, o 24 de Janeiro passado, a cidade da Corunha para
apresentar em sociedade o seu chamado Plan Galicia. Como querendo manifestar
às claras o seu talante e modos, decidia ocupar militarmente umha das
praças emblemáticas da cidade, desalojar o edifício do
Concelho de presenças molestas, e manter a mobilizaçom popular
convenientemente longe da importante reuniom. Francisco Vázquez, um
dos representantes senlheiros do fascismo e o racismo antigalego (dirigente
dum partido defendido por alguns/has como alternativa de progresso) facilitava
esta operaçom de aldragem espanhola contra o nosso povo trabalhador.
Com efeito, @s ministr@s congregad@s na Corunha precisavam protecçom:
o que traçavam, em forma de suposto plano de recuperaçom para
um País que ajudárom a despedaçar com a sua negligência
criminosa no caso Prestige, era um autêntico plano de reconversom da
nossa enfraquecida base produtiva. A crise económica directamente produzida
pola maré negra permite aos poderes fácticos acelerar os seus
grandes planos estratégicos para com a Galiza.
1.É absolutamente
falso que haja um grande investimento contra a crise.
Num País, o nosso, tam mediatizado polo bombardeamento mediático,
a ideologia das obras públicas e as promessas de mais formigom, o governo
do PP entendeu que a exibiçom de grandes cantidades e a proposta de
finiquitar projectos eternamente inconclusos serviria para suavizar a amplíssima
oposiçom popular encarnada no movimento de massas Nunca Mais. Daí
a decisom de impactar com os conhecidos 12459 milhons de euros para a Galiza,
ocultando que o 60% dessa cantidade (7259 milhons) correspondia a intervençons
já aprovadas polo Estado espanhol com antelaçom à catástrofe
do Prestige. Se considerarmos, além disso, que os 5207 milhons restantes
têm umha teórica aplicaçom nos próximos 7 a 15
anos, e que o investimento estatal na Galiza nos últimos 7 anos estivo
à roda dos 7000 milhons, concluiremos que ainda se produz umha queda
numérica do investimento espanhol no nosso País.
2.Umha aposta
pola desvertebraçom e a terciarizaçom. Seguem a hipotecar o
futuro do País.
Os próprios dados numéricos, ainda que de importáncia,
nom reflectem a orientaçom de fundo do Plano. O continuismo quanto
a receitas anteriores, e até a sua intensificaçom, som o o mais
destacável do pacote de medidas desta autêntica farsa do PP.
O poder espanhol tem umha velha obsessom em impedir umha autêntica harmonizaçom
territorial da nossa naçom -que, como se sabe, é legalmente
inexistente no marco constitucional-, possibilitando um sistema de comunicaçons
racional que intercomunique os distintos polos de desenvolvimento social e
económico, diversificando-os. Empenha-se em hipertorfiar a fachada
occidental do País e em condenar à desapariçom silenciosa
a vastas áreas do interior, abocadas a umha crise demográfica,
social e cultural sem paliativos. O independentismo denunciara há anos
a navalhada que supujo a autoestrada do Atlántico, cujas consequências
som hoje mais que palpáveis; é hora de denunciar o autêntico
desquartizamento que supom a letal combinaçom de alta velocidade ferroviária,
autoestradas e autovias. Nom é sorpresa nengumha que o 70% do investimento
do Plan Galicia se dedique a novas infraestruturas de transporte (duas autovias
interiores, início de planificaçom e início do estudo
de dous trazados do AVE, e porto exterior corunhês). A promoçom
do veículo particular, os altíssimos custos ambientais na orografia
galega, a destruçom do entramado sócio-económico de muitas
paróquias rurais, e a abertura de comunicaçons com Espanha som
as apostas do PP disfarçadas de mais apologia do chapapote e a construçom.
Com toda sinceridade, o Plan Galicia reconhece que com o novo plano, Galiza
estará melhor comunicada (...)mais autovias, mais AVE: Galiza, mais
perto (mais perto, para quem?). Acrescenta-se ademais que com as novas infraestruturas
se poderá promover o reequilíbrio e a coesom territorial (espanhola,
entende-se).
Os governantes espanhóis negam que o sector pesqueiro, marisqueiro
e em geral todas aquelas actividades relacionadas com o mar sejam as principais
afectadas pola maré, daí que o maior investimento se centre
em campos bem afastados do mundo marinheiro. De facto, pretende-se a teórica
recuperaçom de 13 sectores económicos, quando -segundo a equipa
de investigaçom pesqueira da USC- som 54 os afectados pola desfeita
do Prestige.
O Estado, como vimos, nom fará um especial esforço de investimento
na Galiza; trata-se, em palavras do próprio Plano, de potenciar o investimento
produtivo privado, de nom desenhar nengumha estratégia de recuperaçom
integral do litoral (nom se diz nem palavra ainda da limpeza dos fundos marinhos),
e de fazer que umha Galiza em crise abrace incondicionalmente, como tabelas
de salvaçom, os grandes desenhos estratégicos do capitalismo
espanhol. Estas novas iniciativas -afirma-se- reforçam os planos já
existentes para Galiza nos seis próximos anos: Plano de infraestrutura
de Transporte 2000-2007, Plano hidrológico nacional na Galiza 2003-2008,
e Plano florestal espanhol na Galiza 2003-2008. Todo isto, sem esquecer a
jóia da coroa dentro desta reconversom global, a aposta turistificadora.
O potenciamento da imagem do nosso País, reiterado umha e outra vez,
é a posta em circulaçom dum postal idílico da Galiza
harmónica, submissa, resignada e sem contradiçons, a que assume
a perda do histórico peso do seu pujante sector pesqueiro para se converter
em reserva exótica do turismo médio-alto espanhol e européu,
tirando um 10% do seu PIB desta actividade. Planos de Excelência Turística
serám executados no Salnês, Ribadeu e Costa da Morte (onde se
levantará um Parador de luxo), e algumhas das nossas cidades, especialmente
a capital, serám vitrina a oferecer a politicalhos, capitalistas e
outros ladrons para os seus grandes cônclaves: concederá-se prioridade
a Galiza na celebraçom no seu território de congressos e eventos
de carácter público impulsionados pola Administraçom
Geral do Estado durante 2003. Boa parte das nossas zonas litorais, noutrora
pesqueiras, preparam-se tamém para ser pasto da voracidade colonial
e capitalista, privatizando-se para a construçom de portos desportivos,
daí que os asteleiros que nos restam se especializem na construçom
de embarcaçons para estes usos. A Xunta, como servil sucursal regionalista,
já anunciou que colabora com esta estratégia depredadora do
nosso património e meio com 24 milhons de euros.
3.Os verdadeiros
beneficiados.
O PP tem formado umha aliança bem estreita, por vezes familiar, com
os mais destacados representantes do capitalismo espanhol. O Plan Galicia
é, antes do mais, um bocado mais do que apetitoso para estas máfias
políticas e económicas: em relaçom com o nomeado plano
energético nacional, a acelerar a partir da crise do Prestige, engordarám
a empresas como FENOSA, ENDESA-INEUROPA (foi dirigida por Martín Villa,
comissionado polo Prestige), IBERDROLA-GAMESA (na que trabalham Jesús
Trillo, irmao do ministro de defesa, e Fernández Cuesta, secretário
de Estado de Energia no primeiro goberno Aznar e hoje director de ABC) ou
NUON (participada por Caixa Galicia); em relaçom com todo o plano de
infraestruturas, lembremos que a maioria das grandes obras públicas
do nosso país estám em mao da empresa NECSO (pertencente ao
grupo de ENDESA); e no que diz respeito à dinamizaçom turística,
imobiliárias como FADESA, hoteleiras como Tryp-Meliá, ou empresas
públicas como Turgalicia ou INCOLSA formam um plural conglomarado que
vai nutrir-se das vagas de visitantes atrazidos pola propaganda posterior
à desfeita.
4.Outr@s calam...e
outorgam.
A outra direita espanhola, a do PSOE, protesta como pode e denuncia a pouca
fiabilidade dos prazos de Aznar, ganhando de maneira hipócrita algum
balom de osigénio de cara as eleiçons e aplaudindo na intimidade
as grandes linhas do PP para com a Galiza. O autonomismo do BNG impede-lhe
condenar a filosofia de fundo do plano e fica numha queixa superficial polas
muitas promessas incumpridas. Há tempo já que o autonomismo
se esqueceu de apostar por outros modelos de infraestruturas, pola comunicaçom
interna das próprias comarcas da naçom, ou por modelos de desenvolvimento
que nom sejam o ermo turistificador e a Galiza-vitrina para a indústria
dos serviços e o lezer. Por esquecer,até se esqueceu de que
o marco jurídico-político vigorante é a negaçom
mais acabada da nossa existência nacional e a nossa condena a umha morte
lenta, daí as suas pressas por assentar definitivamente nos sofás
do governinho regional. Tampouco nom se atreve a questionar o projecto de
fundo do Plan Galicia, mas nom por concordar com ele, se nom por medo e ruindade.
A reconversom definitiva que nos prepara Espanha conta com um só obstáculo:
o independentismo organizado.
5.Contra a aldragem
e a agressom: esquerda independentista.
Ansiando que a histórica movimentaçom popular fique numha denúncia
superficial dos maus políticos, que nengum sector social significativo
se atreva a dar o salto ao questionamento do regime criminoso da democracia
borbónica, e que o galeguismo massivo passe a independentismo sociológico,
o poder espanhol atende especialmente ao papel do independentismo. Só
este, com umha sólida organizaçom, pode ir além do que
marcam as burocracias partidárias e sindicais e abrir outro horizonte.
Este começa por negar insultos como o próprio Plan Galicia,
a começar pola sua filosofia de fundo. E segue por dizer alto e claro
que neste marco jurídico-político e neste sistema económico
a nossa naçom e o povo trabalhador agonizam. Somemos forças
para superá-lo.
Demissom e prisom para os responsáveis da maré negra!
Com Espanha nunca mais!
Viva Galiza ceive, socialista e nom patriarcal!