Resoluçom do Comité Central de Primeira Linha
Mais que nunca, por um 1º de Maio anti-imperialista!

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O Povo Trabalhador Galego viveu desde o último 1º de Maio importantes acontecimentos sociais que tenhem servido para madurecer e alargar a sua consciência nacional e de classe, em ocasions mesmo apesar das direcçons reformistas que controlam boa parte das organizaçons sindicais e sociais no nosso país.

As contínuas contra-reformas laborais impostas nas últimas décadas polos sucessivos governos e hoje efectivadas polo PP, bem como os efeitos da precarizaçom do mercado laboral, nom se detivérom nos últimos meses: privatizaçom de serviços públicos municipais; recorte das prestaçons por desemprego sob a reaccionária campanha que apresenta as principais vítimas do sistema como "preguiços@s"; reduçom do poder aquisitivo da classe trabalhadora; aumento da precariedade, nomeadamente para as mulheres trabalhadoras; mais e mais mortes causadas polo terrorismo patronal oculto trás dos mal chamados "acidentes laborais";...

Porém, neste ano houvo outras agressons que afectárom já e continuarám a afectar no futuro as condiçons de vida do nosso Povo Trabalhador:

1.- De umha parte, a ofensiva privatizadora e espanholizadora contra o ensino na Galiza, por parte do Governo espanhol e da Junta da Galiza, que provocará um novo impulso anti-popular e condenará a maior parte da mocidade galega à indefensom ante um futuro laboral cada vez mais incerto. A aprovaçom da Lei de Qualidade dá passos também na desnacionalizaçom da Galiza, na imposiçom do idioma e os conteúdos curriculares mais espanhóis e reaccionários.

Nom podemos deixar de louvar a digna resposta dos filhos e as filhas da classe trabalhadora galega nas ruas da Galiza, massivamente em contra de umha reforma do ensino nefasta para os nossos interesses nacionais e de classe. Porém, mais umha vez, as instituiçons do Estado nom atendêrom o sentir maioritário do estudantado galego.

2.- De outra parte, o desastre nacional que supujo o Prestige nos planos sócio-laboral e ambiental levou centenas de milhares de galegos e galegas de novo às ruas para exigir responsabilidades à direita espanhola, ao Partido Popular, cuja negligência e desinteresse deixou a nu ante crescentes sectores do Povo Trabalhador Galego as graves conseqüências que suponhem a nossa dependência de Espanha e do capitalismo como antítese da justiça e o equilíbrio social, e como paradigma da destruiçom da natureza.

Milhares de famílias galegas vírom-se directamente abocadas à miséria e à imigraçom pola imposiçom do modelo energético, económico e político que Espanha e o capitalismo implicam. Infelizmente, e frente à massiva mobilizaçom popular, o autonomismo reformista empoleirado à direcçom da Plataforma Cidadá Nunca Mais impediu que a raiva e a tomada de consciência por parte das massas chegasse mais longe, quer na exigência de responsabilidades, quer na assunçom da dupla natureza nacional e de classe da agressom do Prestige. O interesse do BNG, como o do PSOE, foi unicamente acalentar e reconduzir a indignaçom social para o carreiro eleitoral do que chamam "alternáncia democrática", cuja falsidade já ambos partidos se encarregárom de corroborar nos últimos quatro anos de governos de coligaçom nas principais cidades galegas.

3.- Finalmente, quando ainda nom se apagaram as massivas respostas contra o PP e o Estado espanhol por causa do caso Prestige, o Governo estado-unidense concretizou as suas ameaças contra o povo iraquiano impulsionando umha guerra de rapina ao velho estilho imperialista. O Governo e o Estado espanhóis implicárom-se até as celhas, monarquia incluída, no apoio incondicional e servil à estratégia anglo-norte-americana, ante o qual o Povo Trabalhador Galego voltou a dar umha liçom de compromisso social e político, neste caso com amplas e diversificadas manifestaçons anti-imperialistas.

O PP viveu umha situaçom de acossa social sem precedentes após ficar em evidência o seu aberto compromisso com o genocídio em curso no Iraque. Caiu-lhe a máscara de "democrata" e apresentou-se como o projecto imperialista e fantoche do capital que é. O PSOE tratou de vender o seu transformismo anti-belicista, logo de ter apoiado desde o Governo do Estado a Iª Guerra do Golfo em 1991. A ajuda do BNG foi determinante nesse objectivo, ao dar-lhe o seu aval sem sequer questionar o evidente eleitoralismo do surto "anti-militarista" do PSOE, seguramente porque também @s autonomistas do Bloque tivérom o olhar mais posto nas eleiçons de 25 de Maio do que no que estava a acontecer no Iraque e nas autênticas necessidades do movimento anti-guerra na Galiza.

Nom esqueçamos que o imperialismo norte-americano, com o apoio dos seus lacaios europeus e começando polo Estado espanhol, nom vai conformar-se com destruir o Iraque, tomar posse das suas riquezas e controlar a regiom frente à vontade dos povos. O imperialismo ianque ameaça e prepara novas intervençons em países que, como Cuba, Coreia do Norte ou Irám, ainda nom se ajoelhárom ante o seu domínio. O alerta anti-imperialista nom pode ser desactivado.

A menor escala, também o Estado espanhol nom dixo a sua última palavra quanto ao seu sonho de ver aniquilados os nacionalismos periféricos como o galego. As reformas espanholizadoras no modelo de ensino, a ilegalizaçom de organizaçons políticas, a clausura de meios de comunicaçom, as reformas penais para punir ainda mais duramente os independentismos, as torturas e a repressom das suas forças polícias; som a melhor prova da vigência da ofensiva imperialista espanhola para impor-se como única naçom possível nas fronteiras actuais do seu Estado.

Conclusom

É neste contexto que se apresenta o Dia do Internacionalismo Proletário neste ano, que desta vez convocam conjuntamente o sindicato maioritário do nacionalismo galego, a CIG, e as sucursais galegas de CCOO e da UGT espanhola. Nom temos conhecimento de que estas tenham assumido a necessidade de um espaço galego de relaçons laborais; nem que tenham deixado de assinar pactos anti-operários sempre com o Estado espanhol como modelo de referência; nem que aumentasse, ainda que fosse só um pouquinho, o seu compromisso com a realidade nacional e lingüística da Galiza como naçom (as suas campanhas contra a guerra no Iraque foi desenvolvida em espanhol no nosso país); em definitivo, que tenham mudado em algo a respeito do 1º de Maio último, quando a confluência nom foi possível. Porém, a direcçom da CIG rompe sem argumentos públicos convincentes a sua orientaçom, nom sabemos se reconhecendo a sua derrota frente ao sindicalismo espanholista actuante na Galiza ou simplesmente dando-lhe carta de natureza; mas o certo é que convoca conjuntamente com a UGT e CCOO as suas mobilizaçons deste ano.

Pola nossa parte, nom temos nengumha dúvida de que por trás desta decisom nom se encontra a procura de umha louvável unidade do movimento operário para fazer frente ao capital, senom a conveniência eleitoral das forças políticas que hegemonizam ambas as organizaçons sindicais: o BNG e o PSOE, respectivamente; com as eleiçons municipais como pano de fundo.

Por todo o vivido durante os últimos doze meses, e a partir das ensinanças que deles tiramos como força revolucionária comunista, independentista e antipatriarcal, Primeira Linha chama o Povo Trabalhador Galego, a sua classe operária, a sair de novo às ruas neste Primeiro de Maio sem perder o rumo estratégico da luita. Frente ao imperialismo; frente ao fascismo espanhol e ianque; mas também frente aos cantos de sereia do reformismo autonomista que pretende reduzir as aspiraçons nacionais e sociais de género do povo galego à alternáncia eleitoral sem questionar a natureza do sistema.

Viva o 1º de Maio e o Internacionalismo Proletário!

Viva Galiza ceive, socialista e nom patriarcal!

Viva a independência nacional e a solidariedade anti-imperialista!

 

Galiza, 1º de Maio de 2003




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