Valorizaçom de NÓS-UP dos resultados eleitorais do 14-M

A derrota sem paliativos da fracçom mais extremista do espanholismo é o dado mais destacável dos resultados eleitorais do domingo 14 de Março no conjunto do Estado. O PP, que desfrutava dumha cómoda maioria absoluta de 183 escanos, viu como a brutal manipulaçom e intoxicaçom mediática que empregou no atentado de Madrid provocou umha perda de votos e a imprevista vitória do PSOE que passou de 125 a 164 deputad@s frente aos 148 do PP.

O 14M estivo modulado polas duascentas mortes causadas na capital do Estado e a utilizaçom partidista da dor e a indignaçom com que o núcleo fascista da burguesia espanhola pretendeu ganhar votos.

Embora nas primeiras horas conseguisse enganar amplos sectores das massas trabalhadoras, -basicamente pola cumplicidade do conjunto das forças políticas institucionais que entrárom no jogo do PP culpabilizando a ETA das bombas, suspendendo a campanha eleitoral e posteriormente fechando fileiras com o Estado convocando as manifestaçons da sexta-feira 12 de Março-, a resposta popular do sábado foi decisiva para derrubar em poucas horas a grande manipulaçom informativa. Os milhares de trabalhadoras e trabalhadores, de jovens, que ocupárom as ruas na jornada de "reflexom" cercando as principais sedes do PP na Galiza e no conjunto do Estado fôrom determinantes nos resultados do dia seguinte: forçárom o Ministério de Interior a dar a informaçom das investigaçons responsabilizando a resistência islámica dos atentados contra os comboios, e a que os meios de comunicaçom abandonassem as teses impostas polo regime no que nom se pode mais que qualificar mais que como um golpe de Estado mediático.

O PP viu como a manipulaçom informativa com que veu impondo as suas políticas, ensaiadas com certo sucesso no Prestige e na Guerra do Iraque, com que pretendia alargar a sua maioria absoluta, ruía, e o PSOE, que mantivera umha passividade e cumplicidade criminosa com a atitude do PP por mor dos pactos de estado, logrou capitalizar a ira social.

Esta situaçom provocou um importante incremento da participaçom, algo mais de 6% na Galiza, e a aposta polo voto "útil" contra o PP centrado no PSOE. A polarizaçom política prejudicou a "esquerda espanhola" e o autonomismo galego que nom quigérom afastar-se das posiçons do regime e nas horas posteriores ao atentado submissamente aceitárom o guiom imposto pola Moncloa e a Zarzuela. Quando a maioria dos meios de comunicaçom de meio mundo davam por válida a pista islámica e aceitávam como crível a posiçom da esquerda independentista basca, o BNG, IU, PNB, Aralar, ERC, etc, saíam à rua sob as palavras de ordem impostas polo fascismo de defesa da Constituiçom.

Se bem o PSOE foi o grande ganhador na jornada de ontem, o BNG junto com o PP, foi o grande perdedor. A orientaçom autonomista do BNG, a sua homologaçom com as teses do capitalismo espanhol, igual que já acontecera nas autonómicas de 2001, provocárom a perda de um terço dos apoios eleitorais, algo mais de 100.000 votos e um deputado menos.

Como positivo e esperançador cumpre ressaltar os mais de 120.000 votos que a opçom de voto autodeterminista da ilegalizada esquerda abertzale recolheu em Euskal Herria, assim como o espectacular incremento de ERC que passa de 1 a 8 deputad@s.

Para NÓS-UP, que solicitou a abstençom, os resultados de ontem devem ser valorizados como satisfatórios em termos globais porquanto o núcleo mais intransigente e fanatizado do imperialismo espanhol foi derrotado; deve ser considerado como positivo que nengumha força política espanhola obtivesse maioria absoluta; porém, manifesta que:

1- Nom depositamos nengumha expectativa, nom temos a mais mínima confiança no governo de Zapatero, porquanto este representa a outra cara da moeda de Rajoi, embora mais suavizada. Nom existe nengum motivo para acreditar que o PSOE da reforma laboral, da reconversom industrial, dos GAL, das promessas incumpridas, o PSOE do espanholismo de Paco Vázquez, Ibarra ou Bono, abra vias de soluçom às reivindicaçons nacionais de Galiza, Euskal Herria e Catalunha.

A deriva fascista dos últimos anos fai parte de umha tendência estrutural imposta pola oligarquia perante o avanço das luitas nacionais e a profunda crise em que se acha o projecto nacional espanhol, nom é como se pretende apresentar conseqüência exclusiva da política de Aznar. Perder esta perspectiva, esquecer ou subestimar a involuçom política dos aparelhos do Estado, é umha suicida política autista que nem compartilhamos, nem vamos alimentar fruto do virtual "entusiasmo" da nova conjuntura aberta ontem.

2- A mobilizaçom social, a luita popular, tal como se constatou na greve geral de 2001 quando paramos a última reforma laboral, tal como se constatou na tarde do sábado 13 de Março quando desmascaramos a manipulaçom mediática, é o único caminho para evitar mais reformas laborais, mais agressons contra a classe trabalhadora, para frear o recorte das liberdades, para impedir a criminalizaçom do direito de autodeterminaçom.

3- Perante a capitulaçom do autonomismo à hora de defender os interesses da Galiza e das suas classes populares, cumpre seguir construindo a verdadeira alternativa nacionalista galega, de esquerda conseqüente, de inequívocos parámetros feministas, que representa a esquerda independentista.

O novo cenário político abre novas expectativas para a classe trabalhadora, as mulheres e a mocidade galega sempre que nom se deixe novamente enganar polas promessas que a "mudança" prometida em 82 constatou como umha fraude.

NÓS-UP continuará adiante na sua defesa dos interesses nacionais, de classe e de género, na criaçom de novos espaços de convergência com outros sectores sociais na defesa do direito de autodeterminaçom e da democracia real.


Direcçom Nacional de NÓS-UP
Galiza, 15 de Março de 2004

 

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