Da crise no Comité Central da UPG em 1976 à cisom da FPG em 1989 (PARTE TERCEIRA)

Luís Gonçález Blasco ”Foz” foi co-fundador da UPG e é um histórico militante independentista.

 

In memoriam, Para Gaël que aparece na capa do número 2 de Galiza Ceive levando a faixa.

 

4. O PCLN E OUTROS GRUPOS INDEPENDENTISTAS

A partir de 1986, e ligado ao começo das acçons do EGPGC, começa um ressurgir do independentismo galego. Este ressurgimento nom se traduziu num incremento importante das forças de GC, devido às dificuldades de que falei antes, também ligadas ao nascimento do EGPGC. O que ocorreu foi que aparecêrom umha série de novos grupos: a maioria procedem do BNG e começam a sua andadura dentro do próprio Bloco antes de serem expulsados do mesmo; porém, nom som infreqüentes os casos de militantes que se incorporam directamente ao independentismo e até de grupos aparecidos à margem do BNG.

 

4.1 O PARTIDO COMUNISTA DE LIBERACIÓN NACIONAL

O Manifesto político “22 de Marzo”, assinado nesse mesmo dia do ano 1986, que era o do quinto congresso da UPG, anuncia a determinaçom de umha série de militantes da UPG de causarem baixa em dito partido, ainda que continuam formando parte do BNG. As diferenças já vinham do IV congresso, mas entre ambos os congressos a luita deu-se dentro do partido. A cisom foi importante e nela figuram três membros do Secretariado Político -Mariano Abalo, Joám López e Xoan Carballo- e o próprio Secretário Geral, Mariano Abalo. O colectivo denuncia o acatamento -nom só formal, segundo as suas próprias palavras- da Constituiçom espanhola por parte do Bloco; no ponto 6º afirmam:

Todos os métodos de loita, sen excepcións, cando esteñan rigurosamente relacionados coa loita e movilizacións populares, merecerán o noso respeto.

O conhecido como “Colectivo 22 de Março” decide transformar-se em partido e em 25 de Julho celebra-se o congresso constituinte do PCLN. Nos documentos do congresso, reconhece-se que os problemas da UPG já vinham do ano 1975 polo que resulta estranho a sua dilatada permanência na mesma. Nos mesmos documentos reafirma-se a sua permanência dentro do BNG e a ambigüidade do Manifesto a propósito da luita armada nom se clarifica excessivamente:

Unha vez triunfante a RN-PG [1] o noso partido defende a aplicación das seguintes Bases Constitucionais para organizar e construir un novo país: (...) Creación das forzas armadas revolucionárias, como garantia para impedir a contrarrevolución; elas sairán do brazo armado que ao noso pobo lle compre para a RNP[ [2]

O PCLN tinha umha força considerável dentro da INTG, sendo o próprio secretário geral da central Xoán Carballo que forma parte da cúpula do novo partido. Os que logo fundariam o PCLN mostrárom-se radicais na expulsom da Coordinadora Sindical Galega que daria lugar à CXTG; no processo de unificaçom INTG-CXTG, o PCLN opujo-se com força à mesma. Paulatinamente, o partido foi perdendo parte da sua força sindical e nos últimos tempos a nova FPG, herdeira do PCLN, patrocinou a criaçom de umha nova sindical: a Central Unitaria de Traballadores.

 

4.2 OS COLECTIVOS LOCAIS

Localmente aparecêrom umha série de colectivos locais em Ferrol, Compostela e Vigo. Mais adiante farei umha pequena referência aos de Compostela e Vigo. O de Ferrol merece estudo à parte pola sua importáncia. Em certa medida também poderiam ser considerados grupos locais Iskreiro e os G.I.GA mas algumhas das suas características [3] levárom-me a dar-lhes um trato diferenciado.

 

4.2.1 O GRUPO DE FERROL

Cumpre salientá-lo pola sua importáncia, madureza e forte implantaçom sindical. Este grupo já reparte propaganda pública, como mínimo, em Novembro de 1987 e e em Janeiro de 1988 assinando como Colectivo Nacionalista Galego, mas os seus textos mais interessantes som os que publica em Junho de 87 apresentados para debate dentro do BNG e assinados com o nome de Comité de Avance Popular, no 25 de Julho voltam a sair uns textos políticos do CAP que já nom som para debater dentro do BNG por terem sido expulsos os ferrolanos do mesmo. Neste número, analisam a sua expulsom; no apartado As falsas razóns dunha depuración (e as verdadeiras) consideram que o apoio público a HB nom foi mais do que um pretexto:

As razóns son outras. Porqué senón se impideu a entrada de Galiza Ceive no BNG, dándolle largas (larguísimas) a sua integración? Porque se provocou o acoso político do PCLN, utilizando para elo á INTG cando o consideraron oportuno?

Em O futuro paso a paso afirmam:

Como resultado da nova situación política é necesario empezar a construir unha nova organización política que aglutine a todos os sectores do nacionalismo radical que hoxe agroman fundamentalmente, ao redor de Galiza Ceive, do PCLN, das Asambleas Nacionalistas de Vigo e Ferrol e doutras persoas e colectivos dispersos pola Nación. E para criar esta nova organización hai que encetar, sen presa pero sen pausa, unha discusión aberta e honrada sobre o futuro da loita política no noso país.

No mesmo boletim falam da ediçom de um jornal político que sirva de canle de expresión do nacionalismo revolucionario, isto será umha constante dos ferrolanos ao tempo que umha prova da sua lucidez. Este grupo, que desde o começo apoia a luita revolucionária do EGPGC, elaborou umha abundante literatura, maioritariamente interna, sobre o problema do agrupamento do nacionalismo revolucionário. De um documento interno sem datar mas que devemos situar em Julho-Agosto de 87 recolho alguns dos trechos iniciais:

A raiz da expulsión do PCLN mais do CAP ficaba claro que non eran estas as únecas forzas ou persoas que non estaban dacordo coa línea do BNG, mais ainda despois dos últimos plantexamentos políticos, sindicais, etc. do BNG, alianzas eleitorais, campo sindical, posicionamento diante da loita armada, etc.

Coidamos que o nacionalismo está hoxe en dia un tanto desorganizado. A nosa decisión de constituirnos en colectivo non é con obxeto de esnaquizarlo ou desorganizalo senon que pola contra tentaremos pular pola unidade de acción das forzas hoxe en dia organizadas nunha determinada posición.....,actuando de xeito coordinado tal que as nosas actuacións conxuntas non se limiten a feitos determinados e puntuais (25 de Xullo, detencións, etc.) (...) Se ben é certo que non consideramos oportuno a criación inmediata dunha frente, non quere dicer que nun período determinado de tempo si sexa imprescindibel a criación dunha nova frente patriótica, frente que sen un traballo previo de todas as forzas nacionalistas que actuamos ao marxe do BNG, sería imposibel.

De acordo com o anterior, criam umha nova organizaçom: Povo Galego Unido, com os seus princípios políticos e os seus estatutos. Porém, eu nom lembro nengumha apariçom pública do PGU, nem sequer lembro que se mencionasse tal nome nas conversaçons que precedêrom a criaçom da FPG; inclino-me a pensar que Povo Galego Unido nunca chegou a actuar como tal, se calhar pola relativa rapidez com que se constitíu a FPG. Como se pode ver polos seus documentos, o grupo de Ferrol nom só nom era reintegracionista, senom que a sua preocupaçom por umha língua correcta deixava muito que desejar; fôrom evoluindo com bastante rapidez e já no número 1 de A Faísca há dous artigos em normativa histórica ainda que o editorial esteja escrito nuns mínimos reintegracionistas bastante avançados, a presença da norma da AGAL vai em aumento até que no número 4 o próprio editorial está em dita grafia, igual que a prática totalidade do vozeiro; porém, nos números que conheço de A Faísca coexistem sempre, em maior ou menor medida, diferentes normativas.

 

4.3 ISKREIRO

Na Corunha existia um colectivo aglutinado em torno à revista Iskreiro em que destacavam militantes como Júlio Béjar e Vidal Boução. Participou no processo prévio e integrou-se na FPG, mas mantendo umhas posiçons muito crítiticas por nom aceitar a FPG como única a normativa reintegracionistas, polas suas diferenças com o PCLN e pola atitude que se devia manter perante o Bloco e o EGPGC, este grupo continuou publicando o seu vozeiro e colaborou activamente nas JUGA, assi se exprimem no n. 3 de Iskreiro (Novembro 1988):

Os militantes de ISKREIRO estaremos em adiante, como vimos estando, a trabalhar mão com mão junto às companheiras e companheiros de Ju.G.A. cuja linha de acçom será para nós labor prioritário a seguir no nosso modesto mas rotundo compromisso com esta organizaçom.

Porque Ju.G.A. é a única plataforma que dota de pleno sentido aqui e agora a luta anti-represiva.

A maioria dos militantes de Iskreiro integrariam-se em APU depois da ruptura da FPG.

 

4.4 OS G.I.GA

Em 1987, o PCLN atravessa umha grave crise na zona de Santiago que culmina numha série de expulsons. O resultado foi que em Compostela ficou reduzido a um grupelho nucleado polo ziguezagueante sindicalista Ouviña Parracho [4] mentres aparecia um novo grupo independentista: os Grupos Independentistas Galegos (G.I.GA) que aginha se achegárom a GC, com a que acabariam fusionando-se, os G.I.GA fôrom a segunda organizaçom independentista (depois de GC) em adoptar decididamente a normativa histórica do galego. Os G.I.GA, ainda que praticamente reduzidos à zona compostelana, conseguírom umha força relativa agrupando umha série de valiosos militantes como Suso Irago, Vítor Belho, César Lago, Júlio Diéguez, César Martínez, Fernando López, etc.

 

4.5 CAMINHO DA FRENTE POPULAR GALEGA

As eleiçons europeias de 10 de Junho de 1987 agudizárom as contradiçons dentro do Bloco, que decide apresentar-se em solitário contra a opiniom do PCLN e outros, partidários de aceitarem a oferta de aliança de Herri Batasuna; finalmente o PCLN, o importante colectivo crítico implantado em Ferrol e comarca, outros colectivos e GC criam comités de apoio à candidatura de HB. O PCLN e os outros colectivos e militantes do Bloco que participam na campanha som expulsos da organizaçom. Depois das eleiçons, os comités de apoio a HB reúnem-se na feira do gado de Santiago e decidem continuar a trabalhar conjuntamente; como primeira medida, convocam de forma unitária a manifestaçom independentista do 25 de Julho que terá umha importáncia muito superior à de anos anteriores; ao fim da mesma, falárom diferentes oradores em nome dos grupos convocantes e a mim tocou-me fazê-lo representando Galiza Ceive. Seria um passo importante no processo unitário que culminará em Julho de 1988 com a criaçom da Frente Popular Galega, mas no caminho fôrom muitas as reunions e discussons para achegar posturas.

No documento interno de GC Resultados da reuniom de Setembro com PCLN e colectivos lê-se que o de Ferrol nom é partidário de umha frente de partidos mas de umha organizaçom única. O de Vigo nom deseja lançar-se de imediato a pola organizaçom e está elaborando um documento sobre a necessidade de coordenaçom, trabalho conjunto, etc. O PCLN manifesta que para meados de Novembro terá tomada umha atitude definitiva e em firme sobre o tema da confluência, também acabará elaborando um documento. GC aposta também decididamente pola organizaçom única e a 9 de Setembro assina os textos Objectivos Políticos da Organizaçom Assembleária X, Definiçom da situaçom política presente e Sobre da estrutura organizativa, ao final di-se:

Este escrito responde ao desejo de contribuir desde Galiza Ceive (o.l.n.) a elaborar esse projecto de bases ideológico-políticas, programáticas e organizativas que permita a confluência do PCLN, Galiza Ceive, Colectivos Nacionalistas e outras persoas e organizaçons nacionalistas, tanto do país como da emigraçom, numha nova organizaçom nacionalista e revolucionária.

Nom pretende ser, nem muito menos, um documento acabado que deva submeter-se a votaçom para a sua aprovaçom ou rejeitamento, senom, única e exclussivamente, um instrumento para a discusom e a clarificaçom ideológica de todos/as os/as que estamos interessados/as em que essa confluência nom vaia eivada de um confusionismo que poria em perigo o êxito da operaçom.

Os documentos elaborados polos diferentes colectivos, o PCLN e GC fôrom discutidos e os representantes de Ferrol comprometem-se a elaborar outro que recolha os frutos da discussom. Com efeito, apresentam umha Proposta de declaración política e de eixos organizativos para a constitución dunha organización úneca que aglutine ao movemento independentista galego, o documento foi aprovado pola Asamblea Nacionalista da Comarca de Ferrol e enviado o 19 de Outubro aos outros colectivos para o seu debate:

nas distintas asambleas existentes na nación asi como nos partidos políticos que estamos a traballar conxuntamente con nós.(sic)

Na próxima xuntanza que teñamos a nivel nacional, quixéramos falar tanto do documento da revista, como deste que se refire á organización política.

O documento representava um avanço notável com relaçom aos anteriores. O documento da revista é umha proposta para criar umha revista (nom um vozeiro) que fosse órgao de expressom do nacionalismo revolucionário, o projecto estava cuidadosamente elaborado: falava-se de designar um comité de redacçom de entre 5 e 7 membros con dedicación política prioritária á revista, havia, mesmo, um estudo económico para editar 1.000 exemplares com umha extensom de 24 a 48 páginas tamanho fólio (existiam várias possibilidades). Umha prova da acolhida destes projectos por parte de Galiza Ceive foi a saída do último número do vozeiro com o editorial de despedida e um artigo central onde se reproduzem amplamente vários trechos da Proposta de declaración política, qualificada de importantíssimo documento político; também se refere positivamente este artigo aos acordos dos Colectivos Nacionalistas de 7 de Novembro. Estes acordos dos colectivos constituíam um emprazamento a GC e PCLN para caminharem pola via da organizaçom única; GC sempre estivo de acordo com essa opçom, mas o PCLN, que prometera umha resposta clara para meados de Novembro, sempre fora muito reticente e seguiu-no sendo. Ainda que os colectivos sabiam as diferentes posiçons de GC e PCLN dirigem-se a ambas as organizaçons por nom estabelecerem diferenças e por serem as duas únicas existentes anteriormente. Reproduzo parcialmente o documento:

Os Colectivos Nacionalistas....decidimos solicitar do P.C.L.N. e Galiza Ceive un proceso de discusión, ampliación e concreción dos seguintes acordos básicos:

1º Constituir Asambleas en todas as Zonas que sexa posíbel.

2º Aglutinar a todas as Asambleas no que sería un principio de organización.

3º Constituir un organismo de dirección e coordenación deste principio de organización.

4º A organización tería os principios ... do Documento do Colectivo ... de Ferrol. [5]

5º Aprobar a proposta de facer unha revista política de ámbeto nacional.(...)

Assinam o documento os colectivos nacionalistas de Santiago, Vigo e Ferrol. No transcurso do processo aparecem claramente duas posturas: constiutiçom de umha organizaçom nova onde confluiriam as pré-existentes e formaçom de umha frente onde os partidos anteriores nom desapareceriam. A segunda postura era defendida polo PCLN e a primeira por todos os demais; ao nom aceitar o PCLN a autodissoluçom, GC decidiu manter-se; os G.I.GA aceleram o seu processo de convergência com ela até a fusom, posterior á formaçom da FPG; o colectivo ferrolano, bastante unitário e com posiçons que se iriam achegando às de GC, funcionará como secçom comarcal da FPG; o de Vigo dissolverá-se e os seus membros funcionarám como independentes dentro da FPG, militando com os membros locais de GC; o de Santiago, que sempre fora bastante feble, desaparecerá aginha reintegrando-se a maioria dos seus membros no BNG.

 

5. A FRENTE POPULAR GALEGA

A FPG apresenta-se publicamente em 10 de Março de 1988 com um documento em que se fam constar os seus princípios políticos mínimos: Independência nacional, Anti-colonialismo, Democracia popular, Anti-imperialismo e Solidariedade internacionalista, Paz mundial, Auto-organización e Contra a represión. A sua assembleia constituinte terá lugar nos dias 15 e 16 de Julho; o lugar escolhido foi umha grande sala de aulas da Faculdade de História, o local encheu-se por completo; desde a fundaçom do PGP, nunca tantos independentistas se reuniram em assembleia. O ambiente, apesar dos problemas e discrepáncias, era optimista; para além dos novos militantes, muitos “históricos” enchiam as bancadas da aula; praticamente só faltava o grupo que até finais de 1986 seguira publicando Espiral depois de abandonar GC.

Porém, o entusiasmo e optimismo reinantes em muitos dos assistentes, em outros a desconfiança neutralizava bastante estes sentimentos, foi defraudado, já que mais que para aunar posiçons a assembleia serviu para salientar as diferenças existentes; a FPG funcionou sempre como umha série de grupos diferentes: PCLN, GC, o grupo de Ferrol, Iskreiro, os colectivos nacionalistas de Vigo e Santiago (mentres existírom), etc.; este conglomerado funcionou, em geral, agrupando-se em dous blocos bem diferenciados: o PCLN com alguns independentes (poucos) que simpatizavam com as suas posturas e o resto da organizaçom incluindo a maioria dos independentes. O problema fundamental consistiu em que o PCLN, autoconsiderando-se marxista-leninista e como tal vanguarda do proletariado, pretendeu sempre dirigir o movimento e fazer da FPG a “sua” organizaçom de massas. Um exemplo deste desentendimento vê-se já na publicaçom do vozeiro: desde o começo do processo vinha-se insistindo na criaçom dum órgao de imprensa do independentismo, sendo o grupo de Ferrol o que mais se preocupara (como já vimos polo documento elaborado); as dificuldades postas polo PCLN impedírom a sua saída, tanto antes da criaçom da FPG como depois; fartos da situaçom, o grupo de Ferrol, logo da apresentaçom da FPG e antes da assembleia constituinte, saca à rua A Faísca como Vozeiro comarcal da Frente Popular Galega-Ferrol; o PCLN (como resposta?) reparte o 1º de Maio um vozeiro próprio onde a FPG apenas é mencionada num pequeno solto: A Frente Popular Galega (FPG) un proxecto para a liberación nacional; no escasso texto do artigo di-se:

O PCLN, xunto con outras forzas políticas, está a pular por unha organización frentista de carácter rupturista e na que teñen que coincidir...(os/as) que consideren que só a ruptura do Estado Imperialista Español dará paso... (à) autodeterminación ...

O P.C.L.N. nom considera dignas de serem citadas polos seus nomes as outras forzas políticas que colaboram no projecto. Apesar de tudo, no 1º de Outubro de 88, a assembleia da FPG de Ferrol [6] apresenta umha nova proposta de jornal que trata de ser conciliadora e unitária; pode-se ver o espírito da mesma nas seguintes citaçons:

De se aprovar esta ideia teria que ser umha comissom da Direcçom Nacional a que fora dando-lhe corpo e desenrolando os diferentes temas sectoriais e culturais.

O texto da proposta indica umha vontade de ir resolvendo os problemas de maneira colegiada e sem apressuramentos, mas nom se limita a isso:

Dado o diferente enfoque que sobre temas importantes existe no seio da F.P.G. (sindical [7] , normativa lingüística,...) seria conveniente profundizar na possibilidade ou nom de que houvera pessoas que firmaram artigos individuais com garantia de equidade para todas as partes.

Na proposta figurava também um projecto económico: mil exemplares de 32 páginas que seriam vendidos a 100 pesetas sendo o seu custo de 75. Este projecto foi apoiado pola prática totalidade da direcçom nacional excepto polos representantes do PCLN que, seguindo umha táctica habitual, nom se opugérom frontalmente mas adiárom tomar umha postura definida até as calendas grecas.

 

JORNAIS LOCAIS RELACIONADOS COM A FPG

Para além do intento frustrado, de que falarei mais adiante, de GC de sacar novamente a lume o seu vozeiro nacional, publicam-se nesta época umha série de jornais independentistas locais ligados à FPG. Tenho notícia dos seguintes: Iskreiro e A Faísca, de que já falei no seu lugar; A Ronca e Cuña obreira.

A Ronca, pequeno jornal local preocupado polos interesses vizinhais, edita-se em Muros sob a influência do PCLN e o seu número 32, Maio de 88, aparece com o subtítulo Boletín da Frente Popular Galega, este número incorpora um editorial:

A RONCA escomenza unha nova etapa, inda que este non ha ser motivo para que os agresores do noso povo permañezan tranquilos. A vontade de mantermonos firmes, a necesidade de denunciar, organizar e movilizarnos xurde dunha información que rache coa manipulación á que se nos quere someter, en especial dende axuntamentos. (...)

Os povos dominados sempre necesitaron ferramentas adecuadas para camiñar e conquerir a sua liberación. O BNG cumplíu este papel (...) A actual liña política do BNG encamiñada ao entreguismo e á claudicación ao sistema, antepoñendo votos por riba de movilización e medre persoal por riba de denuncia constante, fixo necesario encetar un proceso para dotar a Galiza da organización que leve as clases populares a conseguir a LIBERACIÓN NACIONAL.

A FRENTE POPULAR GALEGA-F.P.G. ven de presentarse o pasado 10 de marzo co fin de conquerir o futuro que nos corresponde como povo. (...)

Polo dito no editorial, deduzo que A Ronca era um jornal local do BNG antes da expulsom do PCLN do mesmo. Na contra-capa, reproduzem os dous primeiros parágrafos do documento de apresentaçom da FPG fundindo-os num só e rematando com as quatro últimas linhas de dita apresentaçom; a seguir publicam o enunciado (sem a explicaçom que figura no documento original) dos princípios políticos da FPG.

Nom conheço outros número d’A Ronca, ignorando portanto o seu contido e a continuidade da publicaçom. Apesar do espaço que lhe dediquei, o contido político geral deste pequeno “boletim” é mais bem escasso.

Bem diferente é o jornal Cuña Obreira, sem dúvida editado em Vigo -ainda que nom o di em lugar nengum, polo contido resulta evidente- e do que só conheço o número 4. Aparece editado polo Grupo Autónomo de Traballadores Independentes ainda que detrás deste nome julgo que se agacha o Colectivo Independentista de Vigo. Analisarei e citarei parte do contido deste número 4 de Cuña Obreira.

Na capa publicam, para além do sumário, umha foto com o seguinte pé: Obreiro arroxando unha bomba; opino que nom é necessário nengum comentário.

Cito integramente o primeiro parágrafo do Editorial (algo menos da metade do mesmo):

Os acontecementos dos derradeiros meses no Estado Español: Apresamento do capitalista Revilla, e outras accións de E.T.A.; morte do capitalista Sanmartín, e outras dos G.R.A.P.O.; voadura do chalet de Fraga, e outras do E.G.P.G.C.; ademais das accións militares de outros grupos; as folgas obreiras, con elaboración de bombas, e o lanzamento destas contra da policía; as ocupacións de pisos construídos po-lo M.O.P.U., por persoas sin vivenda; os peches, manifestacións, etc., etc.; así como as accións policiais destinadas a reprimir os obreiros, desarticular as organizacións guerrilleiras, dar co paradeiro do capitoste Revilla; xunto cos plans que o Goberno e os sindicatos teñen para chegar a un novo pacto social; e a inclusión da lexislación “antiterrorista” na normativa ordinaria e, a pesar dos eisitos parciais que ocasionalmente poida ter a policía, e de toda-la demagoxia que emplean o Goberno e demais institucións; demostran sin deixar luga a dudas o que viñamos dicindo no Editorial do N. 3 da Cuña Obreira: A clase obreria amósase totalmente a ofensiva en todo-los terreos, político-militar-sindical, e os capitalistas xunto co seu Goberno e toda-la cohorte de partidos, sindicatos e demais institucións, amosanse completamente incapaces de sair airosos da situación.

Creio que com o Editorial seria suficiente para identificar politicamente -ainda que nom geograficamente os editores- mas todavia publicam um artigo de Carlos (Militante da FPG) na página 3, as páginas 4 e 5 debaixo do cabeçalho: 25 de Xulio: DIA DA PATRIA GALEGA e com o pé Derradeiros galegos feitos presos por atividades politicas estám ocupadas polas fotos de 11 pessoas detidas nas acçons repressivas de Fevereiro de 88. As páginas 6, 7 e parte da 8 ocupam-se de um assunto local de Vigo, relacionado com o movimento vizinhal; e o resto da 8 junto com as 9 e 10 (derradeira do jornal), tratam -em dous artigos- um problema laboral também de Vigo. Com estes dados, julgo que os responsáveis pola Cuña Obreira ficam perfeitamente identificados ainda que se ocultem detrás do nome Grupo Autónomo de Traballadores Independentes. As posiçons do Colectivo estavam muito próximas das de GC e nom vejo mais razons que as lingüísticas [8] para que nom acabassem fusionando-se com GC (organizaçom relativamente forte em Vigo) como figérom os GIGA.

Outra iniciativa sabotada polo PCLN foi a de umha grande campanha nacional pola defensa do património florestal e contra empresas como FINSA, a celulosa de Ponte-Vedra e outras que estavam em projecto. Elaborou-se um amplo dossier com data de 18 de Fevereiro de 1989 para preparar a campanha. O único resultado foi a difussom de um pequeno panfleto em Maio intitulado: CELULOSAS, QUEIMA DE MONTES: ARMAS COLONIAIS; o PCLN nem sequer colaborou na difusom do mesmo.

A isto há que somar o diferente grau de apoio ao EGPGC por parte do PCLN e do resto da FPG. Porém, nom estou de acordo com a tese, amplamente estendida, de que o EG dirigisse na sombra o processo valendo-se de GC ou de outros membros da Frente; pode-se falar de coincidências mas nom de ordens. Por exemplo, a ideia de criar umha organizaçom única e nom umha frente de organizaçons saiu de GC e do resto dos colectivos, nom foi “umha ordem” do EG ainda que, certamente, o movimento armado compartia esta opiniom. Podo assegurar que durante toda a existência de Galiza Ceive, o EGPGC nunca tratou de impor-lhe umha política determinada. Nom podo assegurar o mesmo, ainda que tampouco afirme o contrário, a partir da formaçom da APU.

Já no momento das detençons de Maio de 88 (prévias à assembleia constituinte), o PCLN desvincula-se por completo do EGPGC nunha conferência de imprensa que convoca com motivo das mesmas; Mariano Abalo considera umha grave afirmaçom e umha injuria vincular as forzas nacionalistas non domesticables com a organizaçom armada, chegando a dizer que o PCLN está a estudar a apresentaçom de umha querela contra um jornal madrileno. Também afirma que se se demonstrar a pertença ao EGPGC de algum militante do partido, este ficaria automaticamente desvencellado do mesmo: Tentan dañarnos con estas acusacións, pero no noso partido non está permitida a dobre militancia, porque somos unha forza perfectamente legal que actúa dentro do marco establecido. Porém, ainda nom condenam as acçons do EGPGC [9] .

Quando umha acçom do EGPGC em Irijoa provocou a morte de um Guarda Civil, o PCLN condenou os factos e expulsou da organizaçom os militantes do partido que participaram na mesma. Também propujo a paralizaçom da FPG até nom se resolverem os problemas da mesma; para isto, cria-se umha comissom em que estavam representadas as diferentes partes que, na prática, reduzírom-se a duas. Só umha das partes (a que nom estava formada polo PCLN) apresentou propostas e tratou de buscar vias de compromisso.

Se calhar relaciona-se com esta causa a diferente política ánti-repressiva que vam levar adiante GC e os colectivos por um lado e o PCLN por outro. Estas diferenças estám bem documentadas no documento do EGPGC de Outubro de 1989 a que fago referência, em nota a rodapé, mais adiante.

Em 29 de Maio de 1988, o colectivo de Vigo propom na Coordenadora Nacional a necessidade de criar umha organizaçom ánti-repressiva; o PCLN opina que nom se dam as condiçons necessárias, nesse momento chega a notícia das detençons que começaram o dia anterior e aceita-se a proposta viguesa. O 4 de Junho aprova-se, por unanimidade, a criaçom de umha organizaçom ánti-repressiva autónoma da FPG. No dia 11 celebra-se a primeira juntança e tomam-se os acordos, entre outros, de editar um dossier sobre os presos -baseado num projecto de Ferrol que é aceite por todos- e de funcionar com o nome de XUGAS (ou JUGAS, nom ficara claro). No documento do EGPGC referenciado em nota a rodapé di-se:

(...) O dia 13 Xam Carballo chama a Ferrol para paralisar a impressom dos dossieres, dizendo que os presos nom estám de acordo com a redacçom. O PCLN de Corunha leva à junta do dia 18 um documento com os “critérios dos presos”, sem que o PCLN saiba explicar em que nom estám de acordo os presos nem quem elaborou dito documento. Elabora-se um novo dossier acrescentando-lhe parte do novo documento.

À Junta de 25 de Junho já nom aparece ninguém do PCLN sem dar qualquer explicaçom. Acorda-se mandar um escrito ao PCLN pedindo que expliquem a sua postura.

Nas coordenadoras nacionais da FPG o PCLN nom explica nada até o 4 de Julho, dia que dam respostas um tanto vagas sem concretar por quê se foram. Depois de um diálogo para surdos dizem que se saltaram acordos mas nom dizem quais.

Este assunto resulta um tanto obscuro; nom pertencendo eu às XUGA-JUGA —organizaçom autónoma da FPG— nom podo achegar umha visom pessoal e tenho-me que basear nos documentos. Inclino-me a pensar que houvo razons lingüísticas polo meio: o dossier publicado está escrito em mínimos avançados e o nome da organizaçom aparece como XUGA; porém, as biografias dos presos estám em normativa histórica e a quarta (e última) página tem um pequeno escrito (ocupa a terceira parte da mesma) que também o está, chegando a figurar nel o nome do PCLN como Partido Comunista de Libertaçom Nacional. Continua-se afirmando no documento do EGPGC:

Na última Junta da Frente antes da Assembleia Nacional o Colectivo de Vigo propóm que se invite à Juga ao acto de clausura; o PCLN dize que nom reconhece a esta organizaçom, polo que se negam a invitá-la. Som os únicos que se oponhem. Na Assembleia Constituinte da FPG abre-se o debate sobre o tema, que remata com umha votaçom onde o PCLN impede às JUGA a assistência [10] , porém com 65 votos a favor de que sejam invitadas.

Paralelamente a toda a situaçom anterior comezam a aparecer em Galiza os chamados Comités Ánti-Repressivos (CAR) criados e impulsados polo PCLN nos casos como Corunha ou Alhariz [11] . Em casos como Salvaterra ou As Pontes surgem como resposta popular e espontánea ante as detenções. Posteriormente o Comité de Salvaterra abandoa o Congresso Constituinte da Frente quando o PCLN pretende apresentá-lo como um dos seus CAR, mantendo umha coordenaçom com as JUGA no seu trabalho, igual que o de As Pontes.

Mais adiante, o documento fala de umha mudança (só aparente) na política ánti-repressiva do PCLN:

A situaçom foi obrigando ao PCLN a tratar de retomar o tema, declarando que se apoiariam às JUGA, que se nomearia umha pessoa para assistir às juntas nacionais das JUGA, que nom se criariam mais CAR, ainda que se manteriam os já existentes. Tudo ficou em mais umha declaraçom de intenções: ao pouco tempo criaria-se em Compostela um novo Comité e nom se chegaria a assistir às juntas das JUGA.

A verdade é que o PCLN tinha já montada a sua estratégia desde o começo, esta consistia em montar a sua organizaçom ánti-repressiva em todo o país: os CAR, nessas condiçons todo o que diziam nas juntanças nom passava de ser papel molhado. Para fazer isto encarregaram a alguns dos seus militantes mais interessados na luita conta a repressom a elaboraçom de um documento interno que serviria para elaborar um video que se passava nos lugares onde se iam montando os sucessivos CAR; entre os militantes que se encarregárom deste trabalho figurava Muntxaraz que acabaria sendo expulso do PCLN, integrando-se posteriormente na APU.

Passando o tempo, e nom havendo já presos pertencentes ao PCLN (os que ficavam em prisom abandonaram-no, foram expulsos ou “autoexcluídos”), o partido abandonou os CAR mas estes continuárom (ou fôrom retomados no momento de abandonarem o EGPGC alguns dos seus militantes encarcerados) e mudárom a sua política, prestando o seu apoio a todos os presos independentistas. Inversamente, as JUGA ao produzir-se o citado abandono limitárom-se a apoiar os presos do EGPGC. Também o tempo foi mudando as cousas e hoje as relaçons entre CAR e JUGA som cordiais ainda que siga resultando absurda a existência de duas organizaçons ánti-repressivas; seria desejável o remate de tal duplicidade antes de os presos acabarem de sair do cárcere.

Todas estas diferenças condenavam a FPG a umha inevitável ruptura, tratava-se de “umha morte anunciada”.

Com data de 13 de Março de 1989 [12] aparece umha Proposta de documento político, para debate interno da FPG, nela constata-se a problemática situaçom da organizaçom e busca-se-lhe soluçons numha linha claramente contrária à do PCLN. O documento estrutura-se em três partes, na primeira expom-se a situaçom a que tem chegado a FPG:

O problema da lingua, o problema ánti-represivo e o tema da doble militancia, son máis efectos que causas do desenvolvemento da actual situación. Todo esto merece unha análise máis profunda e documentada, polo que o obxetivo deste documento é aportar dentro do posível unha serie de ideas e alternativas, para que se debata sobre cuestións concretas e cos argumentos sobre a mesa que eso en definitiva é o que vale.

As três questons levantadas eram motivo de conflito com o PCLN que nom aceitava a normativa da AGAL, negava ou adiava -como sempre- a unificaçom dos CAR e das JUGAS e, sobretudo, opunha-se ao que chamava dupla militáncia, esta referia-se a simultanear a pertença ao EGPGC e a outra organizaçom, o PCLN proibira aos seus militantes serem membros da organizaçom armada e pretendia estender a proibiçom ao conjunto da FPG.

O documento pretendia manter a unidade da FPG procurando solucionar os problemas existentes:

... isto non quere dicer que ten que haber unha ruptura política e organizativa, senón que debemos resolver os problemas, partindo da sua raiz, ate chegar ao final, pois é importante saber donde está o tumor para estirpalo, deixar pasar pode ser perigroso e acabar a curto prazo co proxecto, que tanto traballo e sufrimentos esta-nos costando erguer. Partimos de que as contradicións non son insuperáveis...

Na segunda parte analisam as causas que levárom a FPG à actual situaçom e reduzem-nas a duas:

A parte de recoñecer que todo o proceso de constitución da Frente, estivo cheo de contradicións, case todas non superadas, as causas fundamentais desta situación son duas: a primeira, as diferentes posturas con respecto á práctica da loita armada por parte do EGPGC e a segunda, as tamén diferentes posturas diante de que tipo de organización fai falta neste momento histórico.

Considera-se que a primeira nom está nas nossas maos resolvê-la por estar implicada umha organizaçom diferente: o EGPGC, ainda que podamos criticar determinadas acçons e manifestar o nosso desacordo com certos métodos e objectivos. A segunda das causas si que depende de nós e podemos, portanto, solucioná-la:

A teoria da necesidade do partido comunista como vangarda do MLNG, pode non ser certa nestes momentos históricos, e esto non é un “anatema”, pois hai cantidade de procesos revolucionarios que se iniciaron e ate acabaron etapas sen te-lo e incluso donde a sua constitución foi moi posterior [13] . O PCLN nace como resposta á UPG, que levaba camiño da renuncia a ser a vangarda do MLNG e abandoar os plantexamentos rupturistas e do nacionalismo revolucionario, para convertirse nun partido do campo reformista-posibilista; esta resposta tiña sentido cando o PCLN ainda estaba dentro do BNG, pero unha vez fora, cumpria unha nova reformulación organizativa, para aglutinar a todo o Movimento Independentista Galego nunha sola organización...

A oposiçom às teses do PCLN nom pode ser mais evidente. Na mesma parte do documento fai-se umha longa lista das carências da FPG atribuíveis a estas causas:

-Non existe unha Dirección unificada da FPG, capaz de tomar decisións en tempo e forma, polo contrario existen varios grupos de presión que responden a opcións políticas dentro da Frente que obstruen o funcionamento eficaz e operativo da nosa organización política.

-A FPG atópase fraccionada, falta coesión interna e ten un funcionamento irregular, hai lugares donde só funciona o Partido ou as JUGAS en detrimento da Frente.

-Hai un sector da Frente que pensa que esta non debe dirixirse aos traballadores/as, e argumenta que para eso xa está o Partido.

-Nas mobilizacións a propaganda e presencia das organizacións ou partidos sobresale con respecto á da Frente.

-Non existe unha política sindical; sendo a organización de masas donde temos máis presencia.

-Non existe un órgano de expresión periódica, como peza fundamental e imprescindíbel de calquer organización que teña como meta acadar os seus obxetivos.

-Faltan aportacións e opinións na prensa nacionalista e sindical.

-Hai unha competencia desmesurada no campo ánti-represivo e de axuda aos presos/as que aviva o lume das diferencias políticas dentro das cadeas. Coa nefasta repercusión que esto ten para todo o proxecto.

E asi poderiamos continuar enumerando cantidade de feitos obxetivos... 

Na terceira parte do documento intitulada Resolucións e tarefas inmediatas enumeram-se dez, das que as três últimas consistem na criaçom de comissons: umha para preparar umha campanha para as próximas eleiçons europeias, outra para arrecadar fundos e outra para a formaçom da militáncia. A primeira resoluçom insiste na urgência de caminhar cara a umha organizaçom única. A segunda fala da necessidade de delimitar os campos, garantindo

a dirección única e soberana do movimento político, de cara a eliminar os riscos políticos e organizativos que causa a doble militancia...

Na terceira exige-se o reforçamento da seguridade interna advertindo do perigo de possíveis infiltraçons. A quarta vai dirigida aos militantes que trabalham no campo ánti-repressivo exigindo-lhes que celebrem umha assembleia para acabar com a divisom e juntarem-se numha organizaçom única assentada nos seguintes princípios ser inequivocamente nacionalista e popular, configurarse como unha organización de ámbeto nacional e abarcar todos os campos da loita ánti-represiva.

Vou reproduzir integramente a quinta, referida à língua, para que se veja como estám dispostos a ceder em aras da unidade (já a grafia em que está redigido o documento supom umha concessom)

No problema da lingua, temos que partir de que o reintegracionismo é a nosa guia e obxetivo á vez, polo que camiñaremos progresivamente á utilización da sua grafia. Nestos momentos a sua utilización, aparte de causar certos trastornos organizativos de aplicación práctica, sobre todo no mundo sindical, é un elemento de división no movimento político, dado que non é asumido por unha grande parte dos compañeiros e compañeiras da Frente, polo que, dentro do respecto da grafia utilizada a nivel individual nas aportacións teóricas e artigos de opinión, utilizaremos como normativa oficial a da AS-PG ou AGAL mínimos.

Na sexta insiste-se, mais umha vez, na urgência de contar com um órgao de expressom próprio. Por último, na sétima aborda-se a necessidade de elaborar urgentemente umha política sindical própria.

Perante a crise que se vivia no MLNG a maioria dos presos independentistas publica, em Maio, um documento dirigido A TODA A MILITÁNCIA DO MLNG. Vou-no citar amplamente dado o seu carácter clandestino que chegava a exigir a destruiçom do documento na parte final do mesmo. Depois de constatar a situaçom de crise existente, exponhem a sua opiniom sobre as causas e as medidas correctoras necessárias:

1- A falta de direcçom política do processo. Se bem existiram desde o princípio da sua configuraçom núcleos ou sectores que pretenderam arrogar-se esta funçom, a prova que nom fizeram tal é a actual situaçom de desbaraiuste que ninguém soubo atalhar. A direcçom política nom se tem porque o digam os manuais, senom porque se demonstra a capacidade para orientar e dinamizar um processo.

2- A existencia de blocos organizativos enconchados no seio da FPG que dessenvolvem umha guerra de posiçons na que cada organizaçom trabalha para se reafirmar a sim própia, em detrimento do imprescindível trabalho de conjunto e de formaçom da militáncia (conseguindo assim umha verdadeira deformaçom desta).

Entendemos que se devem tomar as seguintes medidas para corregir esta situaçom:

1- Dissoluçom imediata de todos os partidos, colectivos e organizaçons políticas que constituiem a FPG. Bem entendido que esta dissoluçom signifique exactamente isso; e nom “clandestinizaçom” que de se dar será extremadamente grave e lamentável.

Esta será a única maneira de evitar que ninguém pretenda -como até aqui- afiançar em primeiro lugar a sua própia organizaçom em detrimento do conjunto, quer dizer, pôr-se todos a trabalhar realmente polo mesmo.

É conveniente apontar também que a radicalidade desta medida vem determinada tanto pola situaçom de especial gravedade pola que atravessamos, como por já terem fracassado os intentos correctores, ou “reconciliadores” no passado.

2- Unificaçom imediata do trabalho anti-represivo e pola amnistia numha soa organizaçom. Necessidade tam evidente que nom precissa de mais comentários.

3- Criaçom imediata pola FPG de um órgano de imprensa nacional, de informaçom, formaçom e debate.

4- Apertura a continuaçom de um debate entre toda a militáncia do MLNG sobre a base dos seguintes pontos:...

Vinham, a seguir, sete pontos que passo a resumir: análise da actividade anterior; análise do funcionamento organizativo das diferentes organizaçons do MLNG para o seu possível cámbio e melhora; fortalecimento das organizaçons [14] sobre a base de umha melhor formaçom da militáncia; reforçar a estratégia do independentismo; estender, abrir e reforçar as organizaçons de massas em todos os sectores ainda que nom estám pola criaçom de novas plataformas; introduçom da FPG no meio rural e recuperaçom do protagonismo na rua. Finalizado este período de debate, deveriam-se celebrar assembleias nacionais da FPG, MNG, e da organizaçom anti-repressiva e pola amnistia.

Assinavam o documento Xavier Filgueira Domínguez, Josefa Rodríguez Porca, Manuel Quintães López, Jam Carlos Deibe Varela, Duarte Abad Lojo, Antom Árias Curto, José António Mata-Lobos Rebolo, Manuel Soto Martínez, Suzana López Poças, José Samartim Bouça, António Garcia Matos e o recentemente falecido, Ramom Pinheiro Beiro “o Tupa”. Faltam as assinaturas de Miguel Campuzano, Basílio Fernández Mata, Manuel Souto e Alfredo Santos; todos eles ligados de algumha maneira ao PCLN e capitaneados por Campuzano, dirigente do partido. As diferenças surgidas na elaboraçom do documento levárom estes militantes a se segregarem da comuna de presos independentistas galegos de Alcalá-Meco no 4 de Maio de 1989.

Som de salientar as notáveis coincidências entre ambos os documentos e as tradicionais diferenças existentes entre o PCLN e o resto da FPG: organizaçom única, unidade ánti-repressiva, necessidade de um vozeiro nacional, problema de direcçom política, etc. O documento pode ser lido, todo el, como umha crítica ao PCLN, ainda que os desejos dos presos de nom romperem a frágil unidade do movimento fam-lhes adoptar umha série de prudências na linguagem: nom se citam as JUGAS, nom se di que é o PCLN quem pretende dirigir a FPG, etc. Mas já roto, pola primeira vez, o colectivo de presos independentistas e a mesma FPG; os assinantes do documento escrevem umha carta -que foi impressa e foi amplamente difundida no 25 de Julho- denunciando a dispersom do colectivo em diferentes módulos do mesmo cárcere[ [15] 72]; na carta reconhecem as JUGAS como única organizaçom ánti-repressiva [16] .

Em vista do insuportável da situaçom, a FPG levava quatro meses paralizada e nom se avançara nada na resoluçom dos conflitos, umha série de membros da direcçom nacional convoca umha Assembleia Nacional Extraordinária para o 25 de Junho. O PCLN, apesar de estar convocado, nom acudiu à mesma. Para a assembleia elaborou-se um informe que merece ser citado em profundidade por clarificar a triste história dos conflitos no seio da FPG:

Como primeiro ponto é inevitável fazer referência ao processo de confluência que deu nascimento à FPG e que estivo acompanhado dumha série de contradiçons que hoje podemos analisar com mais conhecimento de causa e que podemos resumir em que se manifestava de jeito reiterado umha desconfiança política por parte das pessoas do PCLN que estavam a participar na direcçom da FPG. Desconfiança que se traducia em multitude de actuaçons incorrectas e de compromissos reiteradamente incumplidos ... que eram síntoma, quando menos, de que nom se apostava com decissom polo projecto político que representávamos. Apesar disto (e compre aclarar que nom foi umha actitude colectiva do PCLN como o demostram os feitos [17] ), houvo umha parte que aceptou sempre as resoluçons deste Partido [18] (o nome da FPG, os princípios organizativos, a formulaçom política, etc.) porque considerava que si havia elementos fundamentais de acordo outras diferenças seriam resolúveis co passo do tempo e o trabalho conjunto. É óbvio que isto nom foi assim.

Um dos primeiros conflitos ... situa-se já ... antes de celebrar a Assembleia de Constituiçom. A detençom, a finais de Maio, ... de pessoas em relaçom ao EGPGC fai obrigatória a criaçom dumha organizaçom ánti-repressiva. Convém resaltar que durante todo o processo anterior tanto os colectivos de independentes como GC demandavam tanto a organizaçom ánti-repressiva como a coordinaçom no terreo sindical, a criaçom dum órgano de expressom, dumha organizaçom juvenil, etc. Todo isto contou sempre coa opossiçom do PCLN.

Depois destas detençons dam-se passos acelerados para responder publicamente à situaçom criada e organizar o apoio aos presos. (...)o PCLN toma a decissom sectária de montar os seus próprio Comités Ánti-repressivos abandoando a plataforma unitária que agrupava a todos e todas. (...)

Em Julho do 88 celebra-se a Assembleia Nacional ... na que se manifestam algumhas das contradiçons existentes. A partir de aqui empeça a andadura dumha FPG que nom dá sentado bases mínimas de funcionamento. A DN carece de dinamismo e a ausência de propostas de funcionamento é geralizada, apraçando-se sem fim as que aparecem. (...).

A partir do 2 de Fevreiro os feitos desenvolvem-se com ... rapidez. Ao darem-se as primeiras detençons apreciara-se umha certa debilidade por parte do PCLN, pero agora as cousas clarificam-se. Apesar da repressom e das torturas o PCLN nega-se reiteradamente a convocar umha junta da DN para valorar a situaçom ... Pola contra sacam um comunicado de condena que implica umha valoraçom claramente reaccionária.

O 19 de Fevreiro ... o PCLN propom a paralisaçom total da Frente em funçom ... de umha série de problemas internos que em nada justificam esta proposta. (...)Proponhem a constituiçom dumha Comisso Política reducida ... (que busque) soluçons aos problemas expostos (normativa lingüística, tema ánti-repressivo......). Pola parte que nom é o PCLN insiste-se em que por motivos como estes nom se pode paralisar umha organizaçom. Ao final acepta-se todo o que proponhem ... Ainda assim dáse un longo debate onde senta um critério por ... GC e independentes que consiste em que se se tem clara a posiçom ... a respeito da existência da prática da violência revolucionária na Galiza, todos os demais temas som solventáveis.

Até três semanas depois o PCLN nom dá convocado à Comissom Política e nom trae nengumha proposta concreta. (...) Tam só se acorda relativizar a paralisaçom da FPG nas zonas, em funçom da situaçom concreta em cada lugar.

O PCLN nom dá sinais de vida e o 4 de Abril fai-se-lhe entrega de um documento que recolhe ... as valoraçons tanto de Galiza Ceive como de independentes de Vigo e ... da FPG em Ferrol. Marca-se tamém um calendário ... para achar soluçons e pide-se a convocatória dumha Direcçom Nacional ... co objectivo de afrontar datas concretas (1 de Maio e 25 de Julho) e o tema das eleiçons ao Parlamento europeu.

 Os praços marcados nom som cumpridos polo PCLN que segue sem dar resposta algumha aparece o documento dos presos.

O PCLN convoca umha Direcçom Nacional ... na que teima na sua postura ...:continuar paralisados até que haja posturas “sérias” enriba da mesa. (...) forçam um simulacro de votaçom de resultado e significado desconhecido e se vam. Hai que dizer que se oferece por parte dos únicos que dam alternativas a possibilidade de reformular a Frente ... para seguir trabalhando. Dá-se primeiro a soluçom dumha organizaçom única ... e despois a ideia de converter a FPG numha mesa de duas organizaçons. Eles nem dam resposta nem dim quando a podem dar ...

 Posteriormente enteiramo-nos que esse mesmo dia ... entregárom a HB um documento dumha suposta Direcçom Nacional da FPG designando a várias pessoas do PCLN como portavozes para a campanha das europeas, quando o tema nem tam siquera fora tratado em esta junta. (...).

Ainda continua o documento, mas julgo que com o reproduzido é mais que suficiente para justificar a necessidade da convocatória urgente.

Na assembleia discutírom-se diversos temas. Os mais importantes fôrom o da impossibilidade de continuar com o PCLN em tanto que partido e o de reafirmar-nos nas nossas posiçons. Sendo maioritários (contávamos também com membros do PCLN que nom aprovavam o proceder da sua direcçom) pensou-se na possibilidade de continuar com as siglas FPG; a nossa experiência dizia-nos que o PCLN ia continuar utilizando-as polo que, depois de um debate, decidimos abandoná-las para nom criar confusionismo no povo galego. Levantou-se entom o problema de escolher um novo nome e propujo-se retomar o de Galiza Ceive (OLN) ou escolher um diferente. Houvo várias proposta mas finalmente a votaçom definitiva foi entre Assembleia do Povo Unido e GC (OLN), ganhou o primeiro por umha margem escassa.

Os dias 28 e 29 de Outubro, depois de umha longa preparaçom, celebrou-se em Compostela a Assembleia Constituinte da APU, mas esse tema já nom entra nos limites que decidim pôr ao meu trabalho.

 

6. GALIZA CEIVE DENTRO DA FPG

Depois do visto nom é de estranhar que GC continue a sua vida independente apesar de estar integrada na FPG e dada a inoperáncia desta. Galiza Ceive decide, inclusive, volver a editar o seu vozeiro [19] ; no artigo-editorial intitulado Por que estamos de novo entre o publico di-se:

No editorial do anterior número afirmavamo que “este possivelmente seja o último”. Mais de umha persoa assegurava que o vozeiro de Galiza Ceive desaparecia, e tirava essa deduçom a partir do contido desse editorial. A realidade é que aquel “possivelmente” nom estava aí de casualidade; estava ”estrategicamente situado” para o caso de que sucedesse o que afinal sucedeu.

Aconteceu que o independentismo avançou mas nom do jeito que alguns pensavam porque, por exemplo, nom se produziu a auto-dissoluçom na FPG das distintas organizaçons qua participárom na sua criaçom. Além disso, o independentismo tampouco avançou ao ritmoque algumhas pessoas prevíamos.

Em conseqüência Galiza Ceive vai continuar existindo como tal organizaçom dentro da Frente e publicando com assinatura própria os materiais impressos que considere oportunos. Que fique mui claro.....que esta FPG que nós contribuímos a fundar também é nossa... e polo tanto ficamos comprometidos a defendê-la, a afortalá-la e convertê-la no instrumento o movimento de libertaçom nacional ...

poremos todo o que esteja nas nossas maos para pular por um vozeiro da Frente com a perspectiva de chegar a um público o mais amplo possível, mas nom renunciaremos ao nosso vozeiro particular porque pensamos que também sexa mui positivo um órgao de debate ideológico para um público necessariamente mais restringido...

Como se vê Galiza Ceive nom está disposta a deixar que se faga calar a sua voz. No caso de aparecer -cousa de que duvidávamos muito- um vozeiro nacional da FPG, este teria de ser bastante “descafeinado” para poder ser aceite; tampouco existiam nengumha garantia da normativa utilizada polo hipotético vozeiro nacional da FPG e nós queríamos que existisse um vozeiro independentista, a escala nacional, escrito na normativa histórica do galego.

O contido do resto do vozeiro consagrava-se a informar sobre a VIII conferência da Asociación Americana de Juristas, celebrada em Havana nos dias 14 a 17 de Setembro de 1987, sob o título Los sistemas de derecho en el continente americano, neste artigo há umha extensa referência a um relatório de Nemésio Barxa [20] definido por el mesmo como comunicaçom informativa para que os delegados tivessem conhecemento do problema e pola oportunidade de apresentá-lo num foro internacional e intitulado Por umha Galiza livre.

Umha Carta de Galiza Ceive (OLN) que seria distribuída como panfleto aos trabalhadores de Herema.

A droga, arma de colonizaçom.

O compromisso do independentismo, recolhido do número 2 d’A Faísca.

Factos ...da Vida, que é umha narraçom literária sobre a entrada de uns presos no Palácio de Justiça que já fora publicada em Falcão do Minho. Semanário regional do Minho e da Galiza.

O artigo seguinte é sobre Iskreiro, ainda que poda haver algumha crítica no contido do artigo, prima extraordinariamente a fraternidade com o vozeiro corunhês, o artigo remata: Saúde iskreiros, e ánimo na vossa/nossa luita.

Essa Unión de Loita Marxista-Leninista ...é umha crítica de umha organizaçom de ámbito estatal que intenta introduzir-se na Galiza.

O artigo seguinte intituláva-se Esses de Cuña obreira..., trata-se de umha crítica, mais bem carinhosa, a este jornal por meter no mesmo saco as acçons do EGPGC e as do GRAPO, eis um exemplo da crítica:

Os independentistas e as independentistas da Galiza nom podemos fazer menos que agradecer a deferência que tivérom os companheiros de Cuña Obreira ao publicar materiais do Movimento de Libertaçom Nacional Galego, mas preocupa-nos, e mui seriamente a análise que fam das acçons dos GRAPO, assi como a sua incapacidade para compreender que o “tempo revolucionário” galego é diferente ao basco, o canário, o catalám ou o espanhol. Pode acontecer que a classe obreira basca, organizada política e militarmente dentro do MLNB, esteja à ofensiva e nom o esteja a espanhola ou a catalá, ou a galega. Os algerianos libertárom-se da opressom francessa sem destruir o Estado Francês. O estado francês terá de ser destruído polo Povo francês e o Español polo Povo espanhol.

O seguinte trabalho para este número de GC intitulava-se: Quais som as tarefas imediatas para a Frente no terreno político? e fala das insuficiências da Frente, começa:

A Assembleia Constitutiva da Frente Popular Galega deixou no ar um par de temas de crucial importancia.

Em primeiro lugar, falta por elaborar um programa económico-social que sobre umha base científica nos oriente na nossa actividade política e organizativa, servindo-nos ao mesmo tempo como arma de propaganda. (...)

A segunda eiva que vê GC na Assembleia constitutiva é de tipo organizativo:

Em segundo lugar, nom houvo tempo material para discutir em profundidade o .esquema organizativo. Este tema mostrou ser mui pragmático, e demostrou-se também umha grande madurez e experiência. Quem mais ou quem menos sabe, por anos de prática, que à hora da verdade os estatutos som papel molhado. Mas seria um grave erro negar importáncia ao esquema organizativo. Um esquema organizativo erróneo dificultaria o desenvolvimento de um programa político correcto, e mesmo em determinas circunstáncias pode fazê-lo fracassar.(... )  

O artigo seguinte também está dedicado à droga, assunto polo que Padim se sentia especialmente sensibilizado, chegando -em ocasions- a limites excessivos segundo a minha opiniom.

O seguinte artigo fala do governo da Xunta na altura -tratava-se do governo tripartito- e das futuras eleiçons ao Parlamento galego. Laxe é comparado com os “validos” dos antigos reis espanhóis. Ao passar lista às ofertas eleitorais, dedicam-se três parágrafos a Laxe e tam só um a Fraga; apesar disto é Fraga quem sai pior parado:

Pola sua banda Fraga intriga, apanha por aquí e por alá. Fraga é um fascista da velha escola que se fixo milionário e que toleia por meter as suas úngulas nos orçamentos de Junta e encher o, petos como nos velhos tempos. Fraga é a esperança dos Falconetti, dos mafiosos , dos proxenetas, de toda a fauna “vermeeira” desta Terra. Com Fraga o “enchufismo”, o proxenetismos, o favoritismo, as arbirariedades, o narcotráfico, etc, floresceriam por toda a parte.

Finalmente metem-se ambas as ofertas no mesmo saco:

Laje-Fraga, Fraga-Laje, e no meio os alcaiotes e palanganeiras: Marinhas, Suárez, Soares-Vence, etc.

Apesar de Tudo GC é consciente de que há que recuperar qualquer elemento do governo da Xunta, galeguizando-o. Nom se fala em “parlamento de cartom”, bem ao contrário:

A oferta do independentismo tem que chegar a calar a todos os recunchos da naçom: TODO O PODER AO PARLAMENTO GALEGO. 

O último artigo preparado para este vozeiro que nunca chegou a sair era umha crítica do independentismo catalám que começava assi:

Perigosa resultaria a influência ideológica do independentismo catalám na Galiza. Catalunha tem umha nefasta tradiçom de anarquismo e trosquismo que impregna a vida social até o ponto de que o próprio independentismo nom está livre dela.

Ainda havia mais material em preparaçom para este número de Galiza Ceive que, como se vê, nom era escasso nem na qualidade nem na quantidade dos contidos. Nomeadamente eu começara um estudo sobre o nacionalismo de após-guerra, especialmente centrado na História da UPG, este trabalho, pola sua extensom, seria publicado em vários números do vozeiro mas o meu trabalho ficou interrompido em 1972 e nom passou da fase de manuscrito que ainda conservo.

Como já dixem GC intervém no conflito que se dá em Heerema e que provocara a expulsom de umha série de trabalhadores da empresa; um dos episódios da luita foi o juízo seguido contra Miguel Campuzano acusado de um acto de violência contra um técnico da empresa. GC fai um reparto de propaganda (muito bem acolhido) na factoria defendendo a honra de Campuzano [21] e do EGPGC e denunciando os verdadeiros inimigos dos trabalhadores e a incorrecta actuaçom de Mera no juízo; o conflito remataria com um triunfo dos trabalhadores que fôrom readmitidos.  A 3 de Setembro de 1988, no pub Tarasca de Santiago, celebrou-se a que seria derradeira assembleia de Galiza Ceive. Nela estudárom-se os problemas que se estavam dando no seio da FPG, e nomeadamente, a postura a tomar perante as próximas eleiçons europeias.

Em ocasions chegará mesmo a exprimir publicamente a sua discrepáncia como ocorre com motivo das eleiçons europeias de 89. O PCLN sempre manifestou, se calhar para compensar o seu défice de revolucionarismo, umha posiçom completamente seguidista com respeito a Herri Batasuna; GC, sem deixar de ser sempre solidária com o MLNV, nom tinha reparo em criticar os seus erros. Reproduzo a parte final de um documento de Dezembro de 1988 que resulta esclarecedor:

Por este motivo Galiza Ceive (O.L.N.) considera que seria mui negativo para a Frente Popular Galega e para o conjunto do Movimento de Liberaçom Nacional Galego, comportar-nos como em 1987, cando a F.P.G. ainda nom existia. Nom nos aproveitaremos dos erros que poda cometer Herri Batasuna, e das atitudes pouco solidárias de algum dos seus dirigentes, para fazer como fai o B.N.G., para cair no jogo do imperialismo espanhol e contribuir aos seus intentos de machacar o Movimento de Liberaçom Nacional Basco, porque por riba de erros e atitudes que nom nos gostam está o espírito de solidariedade internacionalista, e está o puro e simples pragamatismo de saber que os avanços que acade o MLNB repercutem mui positivamente no andar do nosso MLN.

O miolo da questom reside em que nós temos que olhar para a própria situaçom interna do Movimento de Liberaçom Nacional Galego, e procurar a postura mais favorábel ao seu afortalamento. Umha postura que, como mínimo, devia significar o exigir a Herri Batasuna a presença de um/ha liberado/a galego/a na sua oficinha de Estrasburgo. Isto seria muito mais efectivo que figurar numhas listas ou numhas siglas.Ter umha persoa nossa ali, embora nom fosse deputado, representaria para a F.P.G. um grande êxito político, e a oportunidade de tirar-lhe rendabilidade imediata. Isto obrigaria-nos a apoiar a campanha de HB de um jeito totalmente diferente. Porque agora já nom teríamos que limitar-nos a organizar-lhe as rodas de prensa e os mtins, agora teríamos que explicar-lhe ao povo galego quais seriam as linhas mestras do nosso representante em Estrasburgo, e polo tanto a defender umha espécie de programa eleitoral próprio.

4) Se HB se negasse em redondo a fazer esta concessom haveria que pensar se realmente mereceria a pena que nós lhe fixéssemos aqui a sua campanha e renunciássemos à nossa própria, porquanto os votos que lhe íamos conseguir nom lhes íam resolver nengum problema e o preço a pagar, renunciar a lançar umha campanha própria da F.P.G., quiça fosse demasiado alto.

5) É evidente que nom existe unanimidade de critérios sobre este tema dentro da Frente Popular Galega. Ao expor a sua postura, publicamente, Galiza Ceive (O.L.N.) nom pretende abrir um novo conflito interno, e polo tanto acatará e aplicará com todo entusiasmo a postura que acordem adoptar os organismos competentes da Frente Popular Galega.

Neste, como noutros casos -JUGA, etc.-, a postura de Galiza Ceive achegava-se ou identificava-se com a dos outros grupos (Ferrol, Corunha, etc.) ficando isolado o PCLN e os seus seguidores.

Uns meses antes da campanha das europeias, no 4 Fevereiro, com motivo dos sucessos de Irijoa é detido o militante de GC Suso Irago. Quase imediatamente GC-OLN (e as JUGA) começam umha campanha pola sua liberdade mentres que a nossa Direcçom Nacional se dirige ao povo galego para informá-lo:

1º.- Da detençom do nosso companheiro e membro desta direcçom nacional,Jesus Irago Pereira, na madrugada do 4 de Fevereiro, levada a cabo num local público cheo de gente por membros das F.O.P., com armas de guerra e umha atitude provocadora e intimidatória, que gerou na clientela umha situaçom de inseguridade e terror colectivo.

Suso Irago passou perto de duas horas em paradeiro desconhecido. A sua própria família ignora o que pudo passar desde as 2 da madrugada até as 4, hora na que chegou ao cuartelilho situado a escassos 5 minutos de distáncia do lugar da detençom. A nossa preocupaçom vê-se agravada por nom ter aparecido nos meios de comunicaçom nengumha image do nosso companheiro. A ausência absoluta de images, tanto nas televisons como na prensa gráfica, das persoas detidas, fai-nos pensar que os seus rostros nom se acham em condiçons de serem mostrados ao público.

2º.- No momento actual o independentismo galego sofre umha repressom indiscriminada que recorda os trágicos dias de Agosto de 1975 e de Setembro de 1980, quando qualquer nacionalista corria o perigo de ser acusado sob a acusaçom de terrorismo. (...)

3º.- As situaçons de violência que se podam dar na Galiza som a conseqüência da opressom colonial que sofre o nosso povo. Polo tanto o responsável em última instáncia de que se produzam feitos desta natureza nom é outro mais que o próprio Estado Espanhol. (...)

A D.N. de G.C.-O.L.N. rematava o seu comunicado reafirmando-se nos princípios de GC: independência e socialismo para a Galiza.

A Suso Irago aplicou-se-lhe a Lei Ánti-terrorista e cumpridos os dias estabelecidos por dita lei passou a disposiçom da Audiencia Nacional e, logo de prestar declaraçom perante o juiz, posto em liberdade condicional prévio pagamento de umha fiança de 100.000 pesetas. O juízo contra Irago [22] começou em 16 de Fevereiro de 1994 e a sentença, de 23 de Fevereiro, condenou-no a 8 anos de prisom maior por “colaboraçom com banda armada”. Por estar em liberdade condicional, nom ingressou imediatamente em prisom e pudo esgotar a via dos recursos legais estando livre. A 16 de Janeiro de 1997 foi encarcerado; apesar de terem-se cumprido as condiçons necessárias para gozar da liberdade condiconal [23] o irmao Irago, no momento de escrever estas linhas, continua no Centro Penitenciário de Paradela depois de ter passado por diferentes cárceres espanhóis; Suso é o último dos antigos militantes de Galiza Ceive que continua encarcerado. Aguardo esperançado que, no momento de saír a lume o livro a que estám destinadas, o irmao Irago esteja de novo connosco e com a sua família.

 

6.1 A FUSOM DE G.I.GA E GC

Um dos factos mais importantes na história de GC durante a existência da FPG foi a sua fusom com os G.I.GA por supor um incremento qualitativo das sua forças e um contributo considerável de militantes de umha nova geraçom. As cordiais relaçons entre os dous grupos já vinhan desde a mesma constituiçom dos G.I.GA: no momento da constituiçom da FPG, o PCLN pujo dificuldades à entrada deste grupo que se resolvêrom pola intervençom de GC. No acto formal de fusom, celebrado na faculdade de Matemáticas, aprovárom-se vários relatórios e documentos; vou reproduzir alguns trechos de um deles para que se veja a identidade que existia entre ambas as organizaçons:

Como conseqüência das expulsons outros militantes decidem abandonar o PCLN e junto com os expulsados e outros nacionalistas nom organizados vem a necessidade de dar umha resposta aos problemas de Galiza desde umha óptica comunista e independentista. Ainda achando válida a referência de Galiza Ceive, ao nom oferecer- -lhes esta umha estrutura organizativa -polo menos em Compostela- ajeitada, decidem auto-organizar-se, aparecendo assi os GIGA... (...) A colaboraçom entre GIGAs e GC, tanto a nível compostelám como a nível nacional -nomeadamente na preparaçom e desenvolvimento da Assembleia Constituinte da FPG e no trabalho das JUGAs- foi levando a ambas as organizaçons à necessidade de umha confluência organizativa vista a identidade ideológica e política existente. (...) O processo que remata hoje... nom deve ser interpretado como umha simples absorçom dos GIGA por parte de GC... (...) Esta integraçom fai-se sob o nome de GC (OLN) por considerarmos que estas siglas representam a tradiçom independentista, rupturista e nom pactista dentro do MLNG. Mas esta integraçom fai-se em pé de igualdade sem estabelecer nengum tipo de diferenças entre velhos e novos militantes...

Conseqüentemente elegeu-se umha nova direcçom em que figuravam militantes procedentes das duas organizaçons. Na prática, a integraçom funcionou perfeitamente sem diferenças nem enfrentamentos entre “novos” e “velhos” até a autodissoluçom de GC para integrar-se na APU.

 


NOTAS

[1] Revolución Nacional-Popular Galega.

[2] O sublinhado é meu.

[3] Mesmo nos nomes -Colectivo Nacionalista de Vigo e Colectivo Nacionalista de Compostela- estes grupos renunciavam a umha expansom nacional.

[4] Hoje novamente no Bloco.

[5] Estes quatro pontos suporiam a automática desapariçom das organizaçons políticas pré-existentes.

[6] A proposta vai escrita em normativa AGAL o que indica a evoluçom lingüística dos ferrolanos.

[7] Os membros do PCLN e de GC estavam sindicados na INTG, mas havia militantes da FPG filiados à CXTG. Na zona de Ferrol havia militantes em ambas as centrais.

[8] Como se vê na citaçom (igual que no resto do jornal) utilizam umha normativa ILG-RAG bastante desleixada.

[9] El Correo Gallego, 31 de Maio de 1988.

[10] Nestas votaçons, a mao alçada, até os membros do PCLN que nom concordavam com a sua direcçom votavam como esta ordenava por disciplina partidária (o centralismo democrático levado à sua caricatura).

[11] Em 6 de Agosto de 1988, constitui-se formalmente em Alhariz o Colectivo Alaricano Solidarios co Alfredo (CASA) que se apresenta como espontáneo e apartidário, sem embargo na conferência de imprensa prévia -celebrada o dia 2- um dos dous participantes, Manuel Pato Vidal, é membro do PCLN, este dado fai-me duvidar da sua “espontaneidade e apartidarismo”. Vejam-se La Voz de Galicia e Faro de Ourense do dia 3 de Agosto.

[12] Anterior pois ao documento dos presos que verei posteriormente, digo isto para os que acusam o sector da FPG oposto ao PCLN de agir às ordes do EGPGC.

[13] O documento refere-se a casos como o da revoluçom cubana.

[14] A aparente contradiçom entre isto e o ponto 1 nom o é. O MLNG compreendia outras organizaçons para além das integradas na FPG (JUGAS, MNG,... e o próprio EGPGC) cuja dissoluçom nom era exigida polos presos.

[15] Nom era mais que o começo de umha política de dispersom que chegou praticamente até os nossos dias.

[16] Em Outubro de 89 (fora já do período que decidim estudar), o EGPGC publicaria um duríssimo documento intitutalado:

Valoraçom do E.G.P.G.C sobre:

-Comportamento do PCLN desde o seu nascimento.

-Causas da ruptura.

-Conclusões.

Neste texto, abandonam-se todas as prudências anteriores e o EGPGC culpabiliza o PCLN, entre outras cousas, do fracasso e ruptura da FPG apostando decididamente pola nova APU. [Veja-se integramente reproduzido no anexo documental deste mesmo volume]

[17] A melhor prova seria que umha série de destacados militantes do partido –como Muntxaraz, Joám López ou Inácio de Viveiro— fôrom expulsos do partido ou abandonárom-no para integrar-se na APU.

[18] Ainda que se utilize o nome de “Partido” parece claro que o informe refere-se à Frente.

[19] Existe um novo número que nom saiu a lume por diversos motivos, estavam feitos quase todos os artigos faltando tam só as ilustraçons e o maquetado para estar pronto para o prelo.

[20] As relaçons de Nemésio com GC fôrom sempre estreitas ainda que houvo episódios curiosos: Quando o Grupo de Ferrín intenta liquidar a organizaçom, foi o voto de Nemésio o que impediu que a dissoluçom saísse adiante. Porém, Nemésio nom cria na viabilidade da organizaçom, simplesmente pensava que se umha série de gente queria continuar devia dar-se-lhes a oportunidade de fazêlo. Pouco tempo depois, Nemésio foi expulso da organizaçom que el ajudara a manter. O seu relatório na Havana defendia as teses de GC. Concluindo direi que Nemésio era um extraordinário achega mas nom tinha madeira de militante.

[21] Campuzano nom era membro do EGPGC.

[22] Junto com el fôrom julgadas outras nove pessoas processadas por serem independentistas: Joám Carlos Deibe Varela, Basílio Fernández Mata, Xavier Filgueira Valverde, Ramom Pinheiro Vásquez, Alexandra Queirós Vaz, Josefa Rodríguez Porca, Manuel Souto Vidal e Manuela Vásquez Cernadas.

[23] Depois das reduçons de pena estabelecidas pola lei por realizaçom de estudos, trabalhos, etc.

 

PEGADAS DA HISTÓRIA RECENTE DO INDEPENDENTISMO. Inácio Martínez Orero

 

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