A CLASSE TRABALHADORA COMO SUJEITO REVOLUCIONÁRIO

Inácio Martínez Orero, activista histórico no sindicalismo nacionalista

(Primeira parte)


Em memória de Carlos Longa Teixeiro, militante obreiro e sindicalista, trabalhador da fábrica de lápis HISPANIA, SL desde os 16 anos de idade. Luitador até o final. Morreu em 19 de Maio de 1996, aos 61 anos de idade, logo dumha dura vida de luita.


Apresentaçom

Este escrito está baseado nos apontamentos que elaborei para preparar as conferências que dei, sobre a Classe Trabalhadora como sujeito revolucionário, com motivo das IV JORNADAS INDEPENDENTISTAS GALEGAS, organizadas em Março de 2000 por Primeira Linha-MLN, sob o lema de "COMUNISMO OU CAOS". O texto final que se segue a continuaçom é umha síntese da experiência de anos de militáncia, sobretodo no sindicalismo nacionalista, e das conversas e debates mantidos com o companheiro Joám Francisco López Pérez, que como mim participou nas conferências mencionadas, ao qual aproveito para agradecer-lhe os seus contributos.

Introduçom

Decorrida umha década do desmoronamento do Sistema Socialista nos países do leste europeu, cumpre analisar a situaçom actual num mundo onde uns cinco mil milhons de seres humanos padecem o egoísmo, a insolidariedade e a soberba duns mil milhons. Seríamos injustos se afirmássemos que esses mil milhons de seres humanos somos os opressores e assovalhadores do resto da humanidade. Nom se trata disso, mas sim somos em muitos aspectos os beneficiários dessa opressom e exploraçom. É-o a sociedade ocidental no seu conjunto, umhas pessoas mais e outras menos, dependendo da classe ou grupo social a que pertencerem e mesmo a naçom.
Os seguintes dados dam-nos umha visom panorámica da situaçom mundial:
"Segundo o informe do PNUD (Programa das Naçons Unidas para o Desenvolvimento) "Human Developent Report 1996", Nova Iorque, Julho de 1996, mais da metade da populaçom mundial (por volta de 3.000 milhons de pessoas) tenhem receitas inferiores a 2 dólares estado-unidenses dia. De outra parte, a porçom da renda mundial de 20% das pessoas mais pobres do mundo diminuiu de 2,3% em 1980 para 1,4% em 1993, enquanto a de 20% das pessoas mais ricas passou de 70% para 85%... Apesar do constante crescimento económico e do importante aumento da riqueza mundial, o abismo entre ricos e pobres medra cada vez mais rapido. A fortuna dos 358 multimilionários do mundo supera a renda de 45% de habitantes mais pobres (a saber, 2.300 milhons de pessoas)... 1.440 milhons de pessoas nom tenhem água potável e 1.700 carecem de vivenda... no ano 2.020 seremos 8.000 milhons de seres humanos no planeta, de continuar esta tendência no desenvolvimento económico e humano, nom haverá possibilidades de satisfazer as necessidades básicas da maioria da humanidade...".

Com estes dados à vista podemos dizer que o capitalismo fracassou como modelo social e económico, este modelo teoricamente é válido para satisfazer as necessidades de 20% da populaçom mundial (ainda assim, mantendo as desigualdades dentro dessa percentagem de populaçom), mas 80% restante da populaçom mundial vive em precário e sem cubrir muitas das suas necessidades básicas como pessoas, e dentro deste 80%, 20 de cada 100 pessoas vivem na miséria mais absoluta.

O lema que preside estas jornadas permite reflectir sobre dous aspectos dumha mesma realidade, um é a situaçom mundial actual e a outra é o futuro que nos aguarda diante da citada situaçom. A esquerda a nível mundial deve reflectir sobre o seu papel no mundo de hoje. Quê fazer? Como caminhar até aproximar-se o máximo possível dumhas sociedades em que a palavra de ordem "De cada qual, segundo a sua capacidade; a cada qual segundo as suas necessidades!", seja umha realidade e sobretodo numhas sociedades mundializadas onde as necessidades em cada momento e espaço determinado som diferentes e em constante movimento? onde umha parte importante da humanidade passa fame e muitas precariedades e pola contra outra vive na opulência, o consumismo desmesurado e o esbanjamento? onde umha parte importantíssisma da economia mundial é destrutivista por agressom ao ecossistema ou mais directamente dedicada à produçom armamentista, para destruir populaçons inteiras?...

A Classe Trabalhadora, entendida hoje num conceito amplo e generoso do que definia o marxismo clássico como Classe Operária, como aquela classe que tem de vender a sua força de trabalho em troca dum salário para poder satisfazer as suas necessidades existenciais básicas, segue sendo, nas diferentes formaçons sociais deste planeta, ampla maioria, a classe mais explorada, a classe mais despossuída... segue sendo sujeito revolucionário. Mas as contradiçons de classe adquirem diferentes formas e ritmos segundo o tempo e o espaço onde se desenvolver a luita de classes. Pois a Classe Trabalhadora nom só a podemos definir como tal, só em relaçom com o papel que cumpre nas relaçons sociais de produçom. Embora isto seja o principal, temos que ter em conta, dumha forma dialéctica, outros níveis, como som o ideológico, o cultural e o político. É por isso que a reflexom sobre o papel que cumpre a Classe Trabalhadora temos que enquadrá-lo num espaço de tempo mais ou menos amplo, numha realidade social e histórica determinada, na luita de classes numha formaçom social concreta, no nosso caso na Galiza de 2000, dentro da realidade do Estado espanhol e da Uniom Europeia, no contexto mundial. A análise que vou desenvolver a seguir pretende cumprir com estas afirmaçons. Os temas que tratarei som análises de factos e aspectos que tenhem a ver com o desenvolvimento da Classe Trabalhadora nos níveis político-ideológico, cultural, económico e social, e por conseqüência no seu grau de conscientizaçom político-social e de organizaçom tanto para a defesa dos seus interesses imediatos quanto dos estratégicos.

Os temas som os seguintes:

" Desmoronamento do chamado "socialismo real"

" A nova fase do capitalismo, a última etapa do imperialismo

" Quadro político e sócio-económico

" Dados de importáncia sobre a populaçom galega e a sua situaçom a respeito da actividade e dos sectores económicos

" As classes socias na Galiza de 2000

" Umha classe trabalhadora dum país enquadrado numha sociedade industria avançada

" Um futuro de luita e esperança

O desmoronamento do chamado "socialismo real"

Com a globalizaçom, a maior mundializaçom e interdependência económica e o avanço imparável das novas tecnologias, as relaçons sociais de produçom estám a experimentar umha mudança enorme. A microelectrónica e o avanço das telecomunicaçons estám a produzir umha mudança no sistema económico. Mas esta tendência nom é nova, já em finais dos anos 60 e princípios dos 70, as pessoas que tenhem analisado a sociedade norte-americana e estudado as classes sociais na sociedade capitalista avançada, previam a tendência universal no mundo capitalista, mas nom podiam imaginar o desmoronamento do sistema socialista.

Hervert Marcuse, entre outros pensadores e pensadoras, tem teorizado sobre o sistema socialista e, por certo, com bastante tino. O ocorrido nos países do leste europeu só pode ser explicável do ponto de vista de que esse sistema, o socialista, reconhecendo o seu grande valor transformador e revolucionário, nom passou mais alá de ser umha espécie de capitalismo de Estado, avançado a nível social, em certos aspectos sócio-económicos progressista e solidário. Mas fortemente autoritário, burocratizado, repressivo, a certa altura do seu desenvolvimento altamente conservador e com práticas imperialistas e intervencionistas nas suas zonas de influência (Hungria, Checoslováquia, Afeganistám...e indirectamente noutros países nom desenvolvidos). Além do mais, eram Estados que nom estavam dispostos a deixar de existir, nom previam a sua extinçom como tais, senom que cada vez se reforçavam mais como máquinas burocratizadas e de controlo social. Mas, ainda assim, este "sistema socialista" era umha referência e umha garantia para a classe obreira e os movimentos de libertaçom nacional a nível mundial, a história assim o demonstrou. O chamado "Estado de Providência" nos países capitalistas foi constituído por consquistas sociais da Classe Trabalhadora, através da luita, e às vezes concessons do próprio capitalismo, para amortecer a luita de classes, nos Estados onde este nom podia ou nom tinha capacidade para impor umha repressom directa através dumha ditadura militar sobre a Classe Trabalhadora e as demais classes populares, para frear a luita revolucionária...e diminuir os efeitos das contradiçons sociais quando estas se agudizavam.

A formulaçom da Perestroika e a Glasnost por Mijail Gorvachov -renovaçom e transparência- (Abril, 1985) e os acontecimentos posteriores como por exemplo a queda do muro de Berlim (Novembro, 1989) e a desintegraçom da URSS (Agosto-Dezembro, 1991) e todas as tranformaçons que tivérom lugar nos países do chamado socialismo real, ou a produzida na China com a teoria de um só país e dous sistemas, fam contextualizar e reformular de novo o debate sobre o sistema socialista e o seu modelo social e económico.

Produzírom-se novos acontecimentos políticos, económicos e culturais, que vinhérom a acelerar a crise que se estava a dar no seio da esquerda e do sindicalismo de classe, nom só nas concepçons políticas, nos métodos e formas de luita ou nos programas, como também veu transtornar toda a escala de valores dos movimentos de esquerda a escala mundial.

Os ideólogos do sistema capitalista venhem insistindo no desaparecimento da luita de classes, coincidindo com o desaparecimento do "comunismo". Mas nada há mais longe da realidade. As classes sociais combatem num novo processo histórico em que as alianças, as formas e os métodos de luita adquirem umha nova dimensom.
Pode-se dizer que nesta nova fase do capitalismo, a fase imperialista a escala planetária, estamos no começo dumha nova era em que as relaçons de dominaçom tomam umha forma diferente que determina realidades histórico-espacias distintas, as quais devem ser analisadas dumha perpectiva histórica. Temos que perguntar-nos que credibilidade poda ter o marxismo ou os marxismos para analisar este novo contexto, quando foi precisamente o fracasso dumha determinada prática marxista um dos factores determinantes da actual situaçom de caos mundial. Seria importante que da esquerda xurdissem análises nesse senso, dando respostas a muitas das interrogantes que hoje se estám a fazer de muitos sectores da sociedade.
Em minha opiniom, a possibilidade do marxismo como ferramenta de trabalho para a análise social segue sendo válida, mas há que fazer um profundo debate pois, como venho expondo, umha determinada interpretaçom do marxismo fracassou, ou fracassárom os que a levárom à prática (levando em conta que se trata dum processo de mais de setenta anos no qual se experimentárom diferentes políticas económicas e sociais, e se padeceu umha guerra mundial de profundas conseqüências). Outra interpretaçom do marxismo, a realizada por Marcuse (1893-1979) dumha óptica do marxismo-humanista e também de sectores trosquistas, maoístas, hoxhianos e da nova esquerda marxista, já prediziam esse fracasso, ainda que nom aguardassem um afundimento tam profundo e radical, e menos a volta da contrarrevoluçom. A tese de que nom é possível a construçom do socialismo num só país toma mais força e merece umha maior atençom.

Há problemas de índole planetária e cáracter social e económico aos quais o marxismo clássico nom oferece umha análise acabada, dentre eles podemos citar três de muita importáncia: o problema do armamento nuclear e a sua potencial utilizaçom; o problema do desenvolvimento produtivista como modelo social e as suas conseqüências de destruiçom ecológica e de explosom demográfica em grandes espaços geográficos; e, por último, sobre o sistema patriarcal da sociedade e a sua necessária demoliçom. Logo penso que a reflexom por parte da esquerda sobre estes temas tam importantes é obrigada.

As análises do marxismo clássico sobre o capitalismo seguem sendo válidas, mas agora existe um outro contexto. A mundializaçom da economia e o neoliberalismo som os pilares da nova ordem mundial, que afecta a homes e mulheres de todo o mundo e ao espaço em que se desenvolvem. Exploraçom, miséria, poluiçom, patriarcado, armamento nuclear, desenvolvimento produtivista, falta de água, manipulaçom genética e nuclear, grandes migraçons e emigraçons... a esquerda tem que intervir ante esta nova situaçom, dotar-se de capacidade científica para analisar muitos dos problemas histórico-espaciais que afectam aos seres humanos e ao meio ambiente, propor soluçons e dotar-se de capacidade prática para actuar frente às causas das diferentes problemáticas sócio-espaciais. Dentro deste contexto analítico, o marxismo, do meu grau de conhecimento, é umha boa ferramenta teórica e prática para os fins que deve e tem que perseguir a esquerda.

Com o desmoronamento do chamado "socialismo real", a Classe Trabalhadora padeceu umha regressom ideológica; o fracasso dum determinado modelo económico, político e social, que se apresentava como alternativo desde a maioria das organizaçons da esquerda a nível mundial, deixou sem referente revolucionário essas organizaçons que em muitos casos optárom por abandonar estratégias socialistas e de libertaçom nacional, abraçando postulados da social-democracia de pensamento, prática e cultura neoliberal (que já há decadas que abandonaram a luita pola mudança social), solicitando a entrada na internacional socialista, governando em diferentes Estados ou integrando-se como oposiçom no sistema, só para melhorá-lo renunciando à luita anti-capitalista e de emancipaçom social. Outras organizaçons sucumbírom por nom saberem resistir a ofensiva ideológica da burguesia, mas outras fôrom capazes de resistir e de recompor as bases ideológicas e organizativas da esquerda revolucionária, com novas e velhas formas e métodos, capazes de livrar a batalha que há que dar, com muitas dificuldades, mas com vontade política de continuar defendendo a barricada obreira e popular. E, por último, outras novas nascêrom, mas bebendo das fontes do movimento operário internacional e dos movimentos de libertaçon nacional, combatendo o imperialismo e a reacçom neoliberal e globalizadora, desde movimentos sociais alternativos com diversidade de métodos de luita que se vam organizando, em todo o planeta, a nível local, com um pensamento global, anti-imperialista, transformador e profundamente solidário. Recuperando-se deste jeito a Classe Trabalhadora como sujeito revolucionário.

A nova fase do capitalismo, a última etapa do imperialismo

Um novo período da história da humanidade vai tomando forma. Nom se pode precisar com exactitude quando e como começou o processo, pois os factores da mudança fôrom muitos e diferentes, os factos que propiciárom transformaçons nas ideias e costumes fôrom vários, ano após ano vam deixando as suas pegadas na história da humanidade. Também vários fôrom os pontos de inflexom. A nova hierarquia de poderes vai-se configurando e o imperialismo afiança-se através do mercado capitalista e os seus aparelhos jurídico-políticos, institucionais, militares, idológicos e de controlo social. Há focos de tensom que se acalmam ou retardam, outros evoluem lentamente, e outros agudizam-se. Hoje, como noutros processos históricos, estám-se a produzir mudanças nas formas de exploraçom, mas com umha maior freqüência, variedade e em menos espaço de tempo.

O assunto da globalizaçom nom é novo, já dixem antes que pessoas socialistas e nom-socialistas estudiosas da realidade social prediziam a actual sociedade global, a tendência da sociedade americana nos anos 60 era esta e a imposiçom dum desenvolvimento determinado ao resto do mundo foi um feito indiscutível (o próprio Lenine, seguindo Marx e Engels, tem teorizado, a grandes traços, sobre esta fase do capitalismo. Podemo-nos assombrar da lucidez de Lenine ao estudar o desenvolvimento do capitalismo momentos antes da primeira guerra mundial e as conseqüências de tal desenvolvimento para o mundo). Como dizia antes, a realidade da globalizaçom e mundializaçom da economia nom é nova, o marxismo já o predizia, mas o que sim há é umha intensa aceleraçom. É como se o caminho traçado que se estava a percorrer a umha velocidade de 20 Km/h, em pouco tempo passasse a ser de 200 Km/h; e segue aumentando.

Hoje em dia unicamente existe umha potência hegemónica, e esta é EEUU, mas do meu ponto de vista o verdadeiro poder é o Mercado Capitalista, este é o que dita as leis, este é quem tem atados os governos. Os grupos transnacionais industriais e financeiros, os grandes consórcios capitalistas e as multinacionais som o poder (Antítese da democracia) que verdadeiramente manda no mundo. As formas de exercer o poder no mundo som diferentes, todo gira em relaçom com os interesses do mercado e da economia mundial. Grandes transformaçons, ameaças e mudanças geoestratégicas dos últimos tempos influírom e influem grandemente no planeta, condicionando as alternativas emancipadoras e os modelos sociais a oferecer por parte da esquerda revolucionária.

Muitos som os factores e feitos que descrevem umha transformaçom real do mundo nos últimos tempos, feitos histórico-espaciais que com toda a segurança influem dum jeito determinante nas diferentes teorias da análise política, entre eles podemos assinalar os mais significativos:

" Crise social na Polónia. Protestos generalizadas do movimento operário num país do chamado "socialismo real" (Princípios da década de 80).

" A Perestroika e a Glasnost de Gorbachov (1985). A nova política de "Renovaçom e Transparência" e a aplicaçom desta na URSS.

" O desastre nuclear de Chernobil (Abril, 1986), mais de sete milhons de pessoas atingidas. Agora sabe-se que nom foi o primeiro nem o único desastre nuclear de grandes conseqüências na antiga URSS.

" A queda do muro de Berlim (Novembro de 1989) e o seu efeito dominó.

" A desintegraçom dos sistemas socialistas nos países do leste europeu.

" A Guerra do Golfo Pérsico (Janeiro de 1991) e a demonstraçom do poderio militar norte-americano.

" A descomposiçom da URSS e o nascimento de novos Estados (1991). A aplicaçom do direito de autodeterminaçom foi umha realidade. Mais adiante, a Chéquia e a Eslováquia também exercem esse direito dos povos.

" As guerras do Cáucaso (Princípios dos 90), umha prova de que o problema nacional nom estava resolvido.

" O desaparecimento do sistema de apartheid e de discriminaçom racial constitucional na África do Sul, o ANC chega ao poder (Maio, 1994) e nasce a nova República Sulafricana.

" A crise de Moscovo (Outono de 1993) e a consolidaçom da contrarrevoluçom.

" A Guerra dos Balcáns (Eslovénia, Croácia, Bósnia, Kosova...), na década de 90. O direito de autodeterminaçom bate com o nacionalismo chovinista da Croácia e a Sérvia.

" A Guerra da Chechénia (Finais dos 90 e continua em 2000). Ocidente demonstra que tem duas varas de medir e consente o genocídio do povo checheno.

" A "soluçom" negociada a certos conflitos regionais (Namíbia, Camboja, Nicarágua, O Salvador, Angola, Guatemala, ... Palestina, Líbano... Irlanda...).

" A guerra civil argeliana e os integrismos islámicos. Umha guerra oculta e com muitas interrogantes.

" A rebeliom zapatista em Chiapas (Janeiro de 1994). Novas ideias, o despertar da solidariedade internacionalista e um pensamento revolucionário inovador.

" A descolagem económica da China Popular e a reintegraçom dos territórios de Hong-Kong (1997) e Macau (1999), mantendo os sistemas capitalistas.

" A descolagem económica irracional dos tigres do sueste asiático e as suas crises cíclicas, controladas por ocidente e as suas empresas financeiras internacionais.

" A explosom demográfica no continente Africano, nalguns países da America-Latina, no sueste asiático e na Índia, como um factor de grande desestabilizaçom, problemas étnicos e de naçons sem Estado, guerras, doenças, grandes problemas migratórios e emigratórios.

" Controlo do mercado mundial polas empresas transnacionais e multinacionais, com o conseguinte avanço da globalizaçom e a consolidaçom dos organismos mundiais controlados pola oligarquia americana.

" Certa divisom no capitalismo transnacional polo controlo dos mercados, destacando três potências mundiais: EEUU, Uniom Europeia e Japom.

" O papel que jogam no contexto internacional os organismos e instáncias internacionais como: ONU, OTAN, G-7, OMC, FMI, BM, ... (Cimeira de Davos, Acordo Mundial de Investimentos...)

" O papel que jogam as unions económicas internacionais como: Uniom Europeia, Tratado de Livre Comércio, Merco Sul, ANSEA...

" O crime organizado e grandes mafias internacionais que controlam o narcotráfico, tráfico de armas, combustível nuclear e até parece ser que armas nucleares.

" A destruiçom sistemática do ambiente, de conseqüências incalculáveis de continuarem as políticas de desenvolvimento económico produtivistas, propiciadas por Ocidente.

" Um aprofundamento na exploraçom da mulher pola intensiva precarizaçom do trabalho feminino, a feminizaçom do desemprego e a generalizaçom da dupla jornada, pola apropriaçom do sistema do discurso feminista e a consolidaçom do sistema patriarcal.

" O controlo policial da populaçom e a manipulaçom dos meios de comunicaçom, com umha forte ofensiva ideológica do capitalismo. O controlo social. Controlo da Internet com a REDE ECHELON da NSA (com a colaboraçom das transnacionais MICROSOFT e NESCAPE).

" O grande crescimento do desemprego nos países industrializados e a criaçom de grandes bolsas de pobreza.


" A mundializaçom da economia o forte impacto das tecnologias avançadas, com a sua implantaçom a escala mundial de conseqüências ainda sem avaliar.

" A crise da Ruanda. Genocídio (Primavera de 1994). Ocidente de mero espectador. Há umha grande hipocrisia colectiva.

" A crise do Congo e doutros países de África (Finais da década de 90 e continua em 2000).

No transcurso dos últimos vinte anos, estamos assistindo a umha transformaçom, a umha aceleraçom dumha mudança real do desenvolvimento sócio-económico. Está-se a produzir um tránsito dum sistema de acumulaçom "agrário-industrial", baseado no fordismo e no Estado/Naçom a um outro "industrial-serviços" baseado nas tecnologias da revoluçom microelectrónica e o mercado mundial. Estamos imersos num processo de globalizaçom, nom novo na sua concepçom, pois eram previsons feitas polo marxismo nas suas diferentes interpretaçons, mas sim acelerado na dita globalizaçom e interdependência sócio-económica a escala mundial.

O quadro político e sócio-económico

O papel que cumprem as diferentes classes e grupos sociais no processo histórico da formaçom social galega e os seus objectivos gerais e concretos realizam-no e som-no em conseqüência com as condiçons específicas nas quais se desenvolve a luita de classes na sociedade galega, no Estado e no resto do mundo.

Anteriormente, manifestávamos a interdependência dos fenómenos a nível mundial e a crescente internacionalizaçom e globalizaçom da economia, feitos que vam determinar o quadro político e sócio económico e que tenhem a ver com o que acontece nos centros de trabalho, nos centros de ensino e universidades, nos bairros, lugares e paróquias, nas bisbarras e no conjunto da Galiza. O conhecimento disto é o que nos vai fazer compreender o que se passa no mundo, o porquê e para quê dos acontecimentos e as realidades sociais que, ainda que som porquês e para quês imperceptíveis para muitas pessoas que estám absorbidas polos problemas diários, nom evita que nos afectem a toda a Classe Trabalhadora e ao resto das classes populares, provocando situaçons de injustiça, discriminaçons e de repressom, situaçons às quais temos que dar umha resposta na nossa luita diária.

No mundo existe um confronto de grandes forças políticas e sociais que seguem a enfrentar se entre si como reflexo da luita de classes e de libertaçom nacional em que está imerso. O imperialismo e a reacçom, portadoras da exploraçom da classe trabalhadora, da espoliaçom e assovalhamento dos povos, da destruiçom do ambiente, sustentadores do sistema patriarcal da sociedade e a militarizaçom da Terra, enfrentam se aos povos que luitam pola sua libertaçom, às mulheres que luitam contra o sistema patriarcal e à Classe Trabalhadora em luita pola sua emancipaçom social.

Esta afirmaçom converte-se em premissa fundamental de análise. Ora bem, a sua leitura ou interpretaçom nom deve serem linear nem esquemática. O mundo actual, e os seus fenómenos, som dumha grande complexidade e as mudanças que se produzem no mesmo som contínuas polo qual se precisa umha grande objectividade na hora de predizer como vam evoluir os acontecimentos.
O imperialismo leva parelha a existência de países dependentes: quem senom explora e espolia o imperialismo? Mais é, o imperialismo, através dos seus instrumentos de dominaçom, impom um modelo de desenvolvimento aos países dependentes que implica umha política de reajustamentos que vem reproduzir dum jeito permanente as relaçons de dominaçom, ao tempo que fai medrar a interdependência, ao criar contradiçons de morte ao próprio sistema por converterem se os países dependentes em consumidores dos países imperialistas. Por isso som tam importantes as relaçons internacionais, o tema da dívida externa, o do bloqueio, do desenvolvimento e do intercámbio desigual, fazendo cada vez maior o abismo antre países pobres e países ricos.

Noutro aspecto, o desaparecimento do sistema socialista nos países do leste europeu está a produzir umha série de mudanças, produto das contradiçons internas que se acham em plena efervescência. A crise social e económica do mundo onde detinham o poder partidos comunistas acabou com o sistema socialista e os avanços e conquistas sociais da Classe Trabalhadora. Dalgum jeito, esta situaçom auspiciada pola perestroika da URSS, destapou umha grave situaçom de fracasso generalizado dum jeito determinado da aplicaçom do marxismo, agachada polo burocratismo que administrava os ditos países.

Grandes contradiçons estavam escondidas no sistema socialista, com um modelo social em crise que nom satisfazia muitas das necessidades da populaçom, mas sobretodo com a problemática das nacionalidades, o que vem demonstrar que era um tema pendente ainda sem resolver e que supom um dos problemas mais graves e de maior tensom na Europa e que atinge a correlaçom de forças no mundo, com os conseguintes efeitos interdependentes.

O Capitalismo actuou com quase todos os seus instrumentos de intervençom no processo político dos países do leste europeu, incentivando, avalando, promovendo reformas com o principal objectivo de alargar o seu mercado, para poder introduzir os seus produtos, que o mercado capitalista actual nom era capaz (nem é) de absorber, polo que a abertura dos países do leste europeu ao capital monopolista e transnacional, além de converter isto numha regressom político social, supujo um enorme balom de oxigénio para o Capital, e umha válvula de escape para as contradiçons sociais que este gerou e segue a gerar nos seus respectivos países. Noutro aspecto, supujo o fechamento das portas à relativa situaçom de cooperaçom e troca que mantinham cos países em vias de "desenvolvimento": Cuba, Angola, Moçambique, Vietnam, Iémene, Síria, Líbia, Argélia, Coreia,... que em certos aspectos eram beneficiosos para estes países, nomeadamente pola política de bloqueio aos que os tinha (e ainda os tem nalgum caso) submetidos o ocidente capitalista.
A Uniom Europeia e a criaçom do mercado único apresenta se como a panaceia para a soluçom a todos os problemas económicos e sociais que padecem a totalidade dos Estados membros, e que se concretiza com o desaparecimento das fronteiras e com a livre circulaçom de pessoas, mercadorias e capitais. A criaçom dum mercado único de 325 milhons de habitantes é um prato forte para o capital transnacional que nom duvida na compra de sociedades com a finalidade de monopolizar o mercado, sendo, sobretodo, as sociedades dos sete grandes (G-7) que, fundamentalmente, se estám beneficiando da situaçom.

No seu momento, as forças da esquerda na Galiza mantiveram umha posiçom contrária à integraçom na CEE. Manifestávamos que representava a expressom da Europa dos monopólios e que respondia às necessidades do capitalismo, nom tendo para nada a ver com a Europa dos povos e das classes populares.

Com a entrada na CEE, na Galiza tivemos experiências avondo que supugérom o desaparecimento dumha grande parte do sector naval e da siderurgia integral, como exemplos antecipatórios dos catastróficos efeitos que está a ter o mercado único também no agro e sector pesqueiro, onde nom existem soluçons alternativas ao seu desmantelamento. Os nossos principais sectores produtivos estám a ser duramente atacados polas directivas europeias, fazendo da Galiza um país subsidário, cada vez mais dependente.

Finalmente, cumpre fazer mençom ao constante deterioramento dos ecossistemas, que está catalogado como um fenómeno mundial que vai traer graves conseqüências para a humanidade, sendo as empresas transnacionais as principais culpáveis da situaçom: a destruiçom da Amazonia e as grandes fragas de Bornéu, Indonésia e Maláisia, o buraco de ozono na camada da atmosfera na zona da Antártida e outras zonas do planeta, a continuada produçom de objectos de consumo altamente poluentes, os resíduos nucleares acumulados e o seu vertido no mar,... som, todos eles, elementos de reflexom que vam condicionar a situaçom política, económica e social e, portanto, também a actuaçom política da esquerda.

No contexto estatal, as constantes que definem a situaçom do capitalismo no nível internacional manifestam se dum jeito semelhante. Há 22 anos que se tem produzido a homologaçom das estruturas políticas com as existentes na maior parte dos países industrializados.

Os interesses da oligarquia coincidentes com os dos monopólios, adaptárom se à situaçom, dada a forte pressom social realizada desde as naçons do Estado e desde o movimento operário e democrático que punham em perigo a estabilidade do sistema. Essa pressom social, de continuar, impossibilitaria a transformaçom sem traumas do fascismo numha monarquia parlamentar que garantisse a hegemonia do capital transnacional e da oligarquia espanhola, como assim aconteceu.
Desde a sua legalizaçom, o sindicalismo espanhol (CCOO e UGT) acedeu a participar com os planos do Capital monopolista, comprometendo se a compartilhar a crise (pactos sociais) para, segundo elas, possibilitar a criaçom de emprego. Contraditoriamente, cada ano crescia o desemprego chegando a acadar mais de 20% da populaçom activa nalguns períodos do processo, com um alto índice de desemprego estrutural.

A integraçom no Mercado Comum Europeu (CEE), hoje Uniom Europeia, levou parelha a chamada re estruturaçom, que consistiu na eliminaçom de sectores produtivos (os planos de reconversom industrial). Nesses momentos, a política económica estava dirigida à equiparaçom da taxa de inflaçom à dos países europeus e à nivelaçom da balança de pagamentos... (a chamada política de convergência), polo que a política anti inflacionista caiu sobre os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras com o conseguinte crescimento do desemprego, a reduçom de salários reais e sociais, e o crescimento da exploraçom. Todo isto cum governo no poder que se fazia chamar socialista e obreiro... A partir de 1996, com o Governo do PP, a situaçom nom variou, continuando com a mesma política no económico e no social, com a política do capital, desregulamentando mais as relaçons laborais e privatizando as empresas públicas mais rendíveis. Mas este governo do PP contava com o vento a favor dumha alça da situaçom económica a nível mundial, o que o favoreceu para poder efectivar a sua política económica desde umha aparente boa gestom do Estado, sem os custos sociais que tinha produzido ao anterior governo do PSOE, que figera o trabalho mais sujo ao Capital.

As luitas sociais contra as políticas sócio-económicas e a legislaçom regressiva, a corrupçom do poder e a parcial localizaçom do terrorismo de Estado, desgastárom o PSOE. Mas o sistema tinha outro recámbio, um partido de refresco, o PP, que levava anos num processo de adaptaçom ideológica à nova situaçom política e ao modelo social, preparando-se para governar e seguir executando a política capitalista. Na prática, é muito difícil encontrar diferenças substanciais entre as políticas do PP e PSOE. Os dous partidos contam com sectores da classe trabalhadora e do resto das classes populares que os apoiam por alienaçom ideológica, tradiçom ou cultura, uns pola esquerda e outros pola direita. Mas, os dous (parece ser que, agora, na Galiza também o BNG), disputam-se o centro sociológico, que coincide com o sector da populaçom mais acomodada, mas também com outro sector muito importante que é a populaçom mais alienada e manipulada polos meios de comunicaçom, principalmente as TVs e emissoras de rádio. A viagem do PP ao chamado Centro Reformista ou Centro Evolucionista, é sintomático; o que se pretende é o PODER, e exercê-lo com a mais absoluta impunidade e nepotismo. Procuram o apoio das maiorias sociológicas de pensamento único, que estejam convencidas de que todo o que se sair do sistema é "subversivo e mau". O Centro Reformista apodera-se dos discursos humanistas e positivistas, disfarçando toda a sua política com umha linguagem em consonáncia com a moda do neoliberalismo das falsas liberdades e do aprofundamento nas desigualdades. Apoderam-se dos discursos feminista, obreiro, solidário, progressista, cooperativo, pacifista, ecologista... moderam-no e parem o neoliberalismo modernista que chamam Centro Reformista, com o "dialogo, a moderaçom, a procura do entendimento, o respeito ao adversário e a renúncia à crênça da possessom da verdade absoluta" como palavras de ordem. todo pura mentira. todo pura retórica. A única vocaçom destes camaleons da política é perpetuarem-se no poder em benefício próprio e da sua classe, que nom é outra que a burguesa. Fam pura propaganda. Só fam demagogia social, para logo aplicar a política mais agressiva do Capital: privatizam e entregam as empresas públicas a gestores amigos; pretendem desregulamentar ainda mais o mundo laboral; falam de embaratecer mais o despedimento; promovem a concorrência e a insolidariedade; fam com que os salários perdam poder aquisitivo; provocam mais precariedade e insegurança do trabalho; seguem sacrificando os sectores produtivos galegos; reduzem o gasto social; exercem o poder com absolutismo e autoritarismo; defendem e promocionam o militarismo; privatizam a sanidade; apoiam o ensino privado em detrimento do público; falam de ecologia e promovem a incineraçom; criminalizam a rebeldia da mocidade, potenciam a sua submissom; praticam um nacionalismo espanhol chauvinista e desprezam todo o que for galego, basco e catalám; reforçam o Estado policial e o controlo social da populaçom...

Logo de quatro anos de governo PP, a situaçom hoje tem umhas constantes parecidas aos períodos anteriores, mas deixam se ver os sintomas da nefasta política económica. Figérom a política do capital no referente à integraçom europeia e o aumentar das contas de resultados das empresas privadas e a grande banca. O desemprego, ainda que conseguírom paralisar o seu constante crescimento, (e até que diminuísse em vários pontos em dados estatísticos), segue a ser o mais alto da Europa, diminuindo a cobertura de prestaçons económicas. [Há que levar em conta que o INE implantou o novo sistema de contabilidade nacional da UE, o que veu supor umha série de mudanças estatísticas e metodológicas que atingem os resultados estatísticos, que segundo alguns peritos podem significar umha variaçom de 2 pontos nalgumhas magnitudes, e que venhem a beneficiar os dados macroeconómicos do Estado. Entre alguns dos dados beneficiados estám a EPA e todo o referente ao chamado mercado laboral (ao qual se aplica o Inquérito de Força de Trabalho da UE), polo que as últimas taxas de variaçom de emprego som inferiores, produzindo-se variaçons de até 2 pontos].

A inflaçom volta a crescer junto do desemprego nos primeiros meses de 2000. Os benefícios das empresas privadas e dos bancos alcançam uns incrementos a respeito de exercícios anteriores entre a faixa de 25 a 40%. As taxas de crescimento económico provavelmente ultrapassem na Galiza 4% (PIB), enquanto os salários em 1999 só subírom umha média de 2,56% (Setembro, 1999), sem sequer chegarem ao que subiu o IPC (o interanual em Setembro de 1999 era de 2,8%) e a percentagem da populaçom que está por baixo dos limites da pobreza aumenta consideravelmente. O índice de sinistros laborais nom deixa de aumentar à par que a precariede do trabalho. Conseqüentes com as nossas análises e premissas, a situaçom do quadro galego nom podemos separá-la da internacional e ainda menos da estatal. As constantes som idênticas, com as peculiaridades da formaçom social galega e a conceptualizaçom da Galiza como um país dependente (com umhas características de colónia interior) e sem soberania política.

Já figéramos previamente mençom à parte que nos tocou de readaptaçom com a reconversom industrial. Também citamos o sector primário da nossa economia (agro e pesca), que estám e vam seguir a sofrer umha grande desfeita económica e social. A todo isto há que acrescentar a desintegraçom da indústria galega que, além da sua fraqueza, está desarticulada e em grande parte nom responde aos interesses económicos, sociais e políticos da nossa Terra.

O Indicador do Desenvolvimento Humano -IHD- (estabelecido polo Programa das Naçons Unidas para o Desenvolvimento) da Galiza corresponde ao dumha naçom desenvovida, pois supera o 0,910 numha escala do 0,001 a 1,000. De feito o Estado Espanhol, segundo este índice, está no 11º posto na tabela (dados de 1998), como um dos Estados mais desenvolvidos do mundo. Mas dentro desta realidade é importante assinalar que, de acordo com o último informe do Defensor do Povo ao Parlamento Galego, na Galiza há 597 mil pessoas (o 22% da populaçom) em pobreza relativa e 136.540 em pobreza severa. Isto quer dizer que na Galiza, como na maioria dos países desenvolvidos, está a criar-se umha bolsa importante de pobreza, aprofundando-se nas desigualdades sociais, na instauraçom dum desemprego estructural e da precariedade da contrataçom e postos de trabalho, diminuindo também a prevençom de riscos de acidentes de trabalho e um deterioramento da saúde laboral.
Dados de importáncia sobre a populaçom galega e a sua situaçom a respeito da actividade e dos sectores económicos.

A continuaçom assinalarei umha série de dados que considero de importáncia, para fazermo-nos com umha visom panorámica da populaçom galega, da sua distribuiçom espacial, modos de habitaçom, dinámica e situaçom a respeito da actividade e dos sectores económicos... Estes dados som incompletos, mas podem ajudar ao fim que pretendo: relacionando-os com os sectores produtivos e a sua situaçom, podemos fazer umha ideia do papel que cumpre cada classe social, a sua importáncia quantitativa e qualitativa, e outra série de valorizaçons de interesse para a nossa prática-teórica e a sua aplicaçom na luita transformadora.

A Populaçom da Galiza

Galiza caracteriza-se, como feito geográfico singular, por ter o maior número de assentamentos de populaçom de Europa por quilómetro quadrado. Som por volta dumhas 30.000 as entidades de populaçom, a metade das do conjunto do Estado. Mas a populaçom da Galiza, ainda que muito dispersa, está assentada maioritariamente nas cidades e o seu contorno, e principalmente na zona costeira. Na Galiza há umha entidade de populaçom singular, a paróquia, reconhecida polo uso, os costumes e, sobretodo nos concelhos de carácter rural, concede-se-lhe na prática um trato de unidade jurídico-administrativa, ainda que nom esteja reconhecida legalmente.
A populaçom galega éramos, em dados de 1998, 2.722.637 pessoas (6,82% do total do Estado), com um crescimento vegetativo negativo de -0´30 % [Dados tirados do jornal "El País", 21 de Janeiro de 2000]. Segundo dados de 1986, doze anos antes, éramos mais de 2.785.394 pessoas (7,2% do total do Estado). As galegas e galegos cada vez somos menos, tanto em número de pessoas, como em relaçom com a percentagem a respeito do resto do Estado.

A populaçom galega decresce, as taxas de natalidade som muito baixas (das mais baixa da Europa). Ainda que o processo emigratório esteja quase estagnado, segue existindo umha populaçom emigrante importante, que sai principalmente a outras zonas do Estado. As galegas e galegos emigrados fora do Estado, recenseados para poderem votar nas legislativas de 2000 eram 254.866 pessoas [Dados tirados do jornal "El País", Março, 2000]. A populaçom galega maior de 18 anos somos 2.292.874 pessoas, segundo o recenseamento eleitoral para as legislativas de 2000. Segundo o recenseamento de 1996, a populaçom galega moça entre 15 e 29 anos (que na actualidade terám entre 20 e 34), eram 640.222 pessoas. E as pessoas que em 1996 tinham 60 ou mais anos eram 678.490. De acordo com umha nóticia publicada nos jornais diários de Maio de 2000, as pessoas que tenhem mais de 65 anos já som mais do que as menores de 15, o que significa que a populaçom galega está muito avelhentada [Dados tirados do Plano de Acción Xove 2000-2003 da Xunta de Galicia]. A emigraçom dos últimos cem anos despovou grande parte da Galiza, sendo este fenómeno umha das causas mais importantes do envelhecimento tam acelerado da nossa populaçom.

Há umha mudança qualitativa e quantitativa referente aos movimentos migratórios. Da Galiza ao resto do Estado há umha constante emigratória que, segundo dados do INE, desde 1989 até 1994, ambos os anos incluídos, foi, em dados absolutos, de 54.655 pessoas. Da Galiza para fora dos limites do Estado, já nom saem tantas pessoas à procura dumha nova vida, quando ainda está fresco o drama da emigraçom da populaçom galega. Das saídas para fora do Estado, os dados nom tenhem valor estatístico. Estas, para o mesmo período a que anteriormente fazíamos referência, fôrom de 810 pessoas. Do resto do Estado vinhérom para a Galiza durante o mesmo período 52.866 pessoas. E 28.186 fôrom as pessoas imigrantes de fora do Estado que vinhérom para a Galiza, também durante o mesmo período. Estes dados dam um saldo a favor da imigraçom, nesse período de seis anos, de 25.587 pessoas. A Galiza recebe mais gente da que sai para outras terras [Dados tirados do Estudo sobre a sociedade galega 1996, Editado pola Consellería de Familia e Promoción de Emprego, Muller e Xuventude. Compostela, 1997]. Estes dados referidos a esse período de seis anos poderiam marcar a tendência que há na actualidade, nomeadamente os referidos às pessoas que venhem à Galiza. A respeito das que saem, a falta de dados sobre a emigraçom, podemos pensar que esta se reduziu, argumentando vários factores que a pudérom fazer diminuir, como por exemplo: o desemprego diminuiu em vários pontos (relativamente ao referido período); houvo umha maior criaçom de emprego; a populaçom segue diminuindo e a populaçom ocupada está crescendo nos dous últimos anos. Dentro da Galiza, dam-se processos migratórios no fenómeno da concentraçom urbana, do campo para as cidades, vilas, concentraçons industriais e zonas suburbanas. Também, segundo dados sindicais, há muitas pessoas que trabalham fora da Galiza temporariamente, na construçom e na montagem.
Com referência à dinámica e ao modo de habitaçom, em 40 anos produziu-se umha mudança quantitativa e qualitativa muito importante. Se em 1960 76% da populaçom galega era rural e 24% urbana, na actualidade a situaçom caracteriza-se por umha tendência de concentraçom urbana da populaçom, entendendo por urbana também a semi-urbana dos núcleos de mais de 2.001 habitantes. Já em 1985 38% da populaçom era urbana e o 62% restante rural [Dado extraido de Galicia. Editorial Planeta-De Agostini, S.A. Barcelona,1989]. Na actualidade, após 14 anos, consolidárom-se mudanças de muita importáncia, como por exemplo os bairros de Lavadores e Bouças da cidade de Vigo, que se convertêrom em urbanos, ou mesmo a cidade da Corunha que nom tem quase zonas rurais significativas. O resto das cidades e vilas galegas, nomeadamente Compostela, alargárom o seu raio urbano. Há um outro dado significativo a levar em conta: segundo fontes do INE, desde os anos 60, os concelhos de Monforte, Vilalva, Estrada e Ortigueira (Carinho e Ortigueira), perdêrom populaçom, mas os seus núcleos urbanos estám mais povoados na actualidade. Por falta de dados, nom me atrevo a dizer a percentagem de populaçom urbana que há hoje, mas considero, depois de fazer um chequeio à populaçom das principais cidades e vilas da Galiza, que passa de 50%. Sendo a taxa resultante de populaçom rural (pouco menos de 50%), muito alta para o que é normal nas sociedades industriais de capitalismo avançado como é a nossa. Mantendo-se a singularidade do nosso modo de viver que segue sendo um factor diferencial da nossa naçom. No livro Galicia 1999, editado pola Junta da Galiza, no apartado sobre populaçom, considera-se, sem citar fontes, que a populaçom urbana na decada dos 90 é de 70% e a rural do 30%. Dado, do meu ponto de vista, nada fiável. A ruralidade da Galiza segue sendo um factor importante.
Nom me cabe a menor dúvida de que há ainda muita gente que vive no rural. Mas há um dado significativo que há que considerar, como é a evoluçom da populaçom ocupada no sector agrícola, um dado que reflecte o fortíssimo ajustamento demográfico no sector. Para ilustrá-lo, avonda com dizer que o número de pessoas ocupadas na agricultura galega em 1999 (139.300) supom unicamente 1/3 das pessoas que havia em 1985, 14 anos antes (415.100). [Do Informe económico 1998/99 do CIEF (Centro de Investigación Económica e Financiera-Fundación Caixa Galicia)].

No mesmo informe donde tirei estes dados, afirma-se que a reduçom da populaçom agrária ocupada, nos últimos quatro anos, tem um ritmo absolutamente espectacular, sendo mais de cinco vezes superior à média do Estado. Se levarmos em comta que o agrário é o fundamental do rural, a leitura que temos que fazer dos dados que achego é evidente. Mas também devemos lembrar que, tradicionalmente, à volta das concentraçons industriais e das cidades e vilas há um sector rural que mantém umha económia simbiótica trabalhando na indústria, na construçom ou serviços, compaginando este trabalho com umha pequena exploraçom agrária maioritariamente de subsistência ou complementar da económia familiar, contribuindo todos os membros dumha mesma família para a sua manutençom. Também acontece que mesmo quando as pessoas que trabalham no sector agrário chegam à idade da reforma, estas seguem vivendo no campo, trabalhando no mesmo e mantendo umha economia de subsistência, embora com a exploraçom agrária dada de baixa. E, por último, está-se a dar o fenómeno (parelho à generalizaçom da utilizaçom do automóvel particular) de que muita populaçom que trabalha nas cidades elege a zona rural para ter a vivenda, quer seja em casas isoladas ou em urbanizaçons arredor das grandes cidades e vilas; no próprio concelho ou em concelhos limítrofes. Contodo, a Galiza do campo e das pequenas vilas marinheiras, em comparaçom com outros povos da Europa, continua a ter um componente rural fundamental (a maioria dos núcleos de populaçom baixam das 2.001 pessoas e a maioria dos núcleos urbanos (vilas), som semi-urbanos, por baixo das 10.001 pessoas. A consideraçom da Galiza como um país com um importante componente rural nom só responde à elevada percentagem de pessoas que moram no campo, quanto também ao muito recente processo de concentraçom urbana, com uns os laços familiares fortes com a aldeia e o lugar.
A populaçom feminina nos sectores económicos.

Na Galiza, as mulheres sempre mantivérom um nível de actividade muito importante (entre 1976 e 1990, movia-se numha banda de 39 a 44%, muito superior à média espanhola, que se movia, para o mesmo período, numha banda entre 27 e 33%), mas a sua actividade desenvolvia-se principalmente no sector económico agrário, e sobretodo no conceito de "ajudas familiares". A perda de populaçom feminina ocupada no campo contrasta com a incorporaçom da mulher ao chamado "mercado de trabalho capitalista", que, a nível percentual, experimenta um crescimento constante.
A mulher, em 1999, era 42,3% do total da populaçom activa. Do total da populaçom galega ocupada, no mesmo ano, 61% corresponde a homens e o 39% corresponde a mulheres.

Período. Desemprego em valores absolutos. Desemprego das mulheres. % em relaçom com o total

Ano 1987. 203.700 110.880 54,43
Ano 1998. 194.000 108.180 55,76
Ano 1999. 182.200 108.300 59,44
[Quadro de elaboraçom própria, fonte da EPA do INE]

Quer dizer isto que, ainda que o desemprego desça um bocado, as pessoas que acedem a um posto de trabalho som maioritariamente homens, polo que o desemprego está a feminizar-se, dado que a percentagem de mulheres desempregadas vai em aumento a respeito dos homens, e sobretodo se considerarmos que esta tendência é a mesma desde há anos. Só temos que reparar no seguinte quadro:

Período. Taxa de desemprego dos homens em relaçom com o total. Taxa de desemprego das mulheres em relaçom com o total.

Ano 1994. 17% 22,7%
Ano 1999. 11,4% 22,8%
[Quadro de elaboraçom própria, fonte da EPA do INE]

Na actualidade, as mulheres maioritariamente decidem incorporar-se ao mundo laboral desde novas, ao concluírem o seu primeiro ciclo formativo. De cada 100 mulheres consideradas activas (entre 16 e 24 anos), 43 estám buscando emprego. Desce a 22 mulheres de cada 100 as que o fam entre 25 e 54 anos, (dados de 1999). Os homens, ao contrário, para o mesmo período, faixa etária e situaçom, som 22 e 10 respectivamente. [Fonte: IGE, Estatísticas do mercado de trabalho e da EPA]
As mulheres registam taxas de desemprego muito superiores às dos homens. Em 1999, de cada 100 mulheres activas, 23 estavam no desemprego, no caso dos homens, de cada 100 activos, 11 estavam no desemprego.

As mulheres ocupam-se mais no sector serviços, sendo em 1997 sobre umhas 217.100 as ocupadas nesse sector.

O número de mulheres ocupadas sob a denominaçom "ajuda familiar" segue sendo muito importante na Galiza (em 1997, no sector agrário, supunham 73,6% de todas as ajudas familiares), mas a tendência é a de diminuir, nomeadamente quando se chega aos 50 anos. Desde a reforma da lei de pensons, em que se exige como mínimo 15 anos de quotizaçom a umha pessoa para poder ter direito a umha pensom de reforma, existe umha estratégia para aceder ao regime geral agrário das chamadas "ajudas familiares", que consiste em dar-se de alta no regime agrário da Segurança Social aos 50 anos (antes da mudança davam-se de alta aos 55), para ter direito a umha pensom de reforma quando se chegue aos 65. Carme Freire, da Secretaria da Mulher das Comissons Labregas (SLG-CCLL), numha conferência que deu na Fundaçom Artábria em Março de 2000, dizia, entre todas estas cousas, que as mulheres novas já nom trabalham no campo na proporçon que o faziam antes, maioritariamente partem às cidades e vilas para trabalharem noutros sectores, principalmente no sector serviços e em pequenas indústrias, pois consideram pouco rendível e escravizante o trabalho no agro.

Logo da reforma laboral de 1996, dá-se um novo quadro para a contrataçom que pretende, segundo a patronal, governo e os sindicatos CCOO e UGT, um emprego de maior qualidade, mas os efeitos sobretodo para as mulheres vam ser negativos. O incremento da precariedade e a temporalidade em 1999 tem género, aumentando progressivamente, desde a entrada en vigor da lei, até afectar a 35,2% das mulheres assalariadas [Dados da CIG].

As mulheres, entre outros sectores, som maioria em sectores como o ensino, a administraçom pública autonómica, a sanidade, a indústria têxtil e conserveira, o comércio, a limpeza de prédios e locais, e o marisqueio a pé. As diferenças salariais e as distintas condiçons de trabalho continuam a falar dumha divisom do trabalho, também por género.

A populaçom activa

Partimos de que a populaçom activa é a que está realizando umha actividade produtiva num sector económico (ocupada) e todas aquelas pessoas maiores de 16 anos que estám em condiçons de trabalhar e que estám procurando um emprego (no desemprego). O seguinte quadro pretende mostrar a tendência de diminuiçom da taxa de actividade e a pequena alça que se está produzir nos anos 1998 e 1999, mas esta alça já se dera com antecedência noutros anos desde 1984.

Período. Pessoas Activas. Taxa de actividade
Ano 1984. 1.192.100 55%
Ano 1997. 1.106.000 47,5%
Ano 1998. 1.110.500 48,14%
Ano 1999. 1.123.900 48,62%

[Quadro de elaboraçom própria com dados da EPA do INE e da EMT do IGE]
A populaçom activa galega apresentava umha descida continuada desde 1984, com umha taxa de actividade de 55%. Desde 1994, há mais pessoas inactivas do que activas. Esta taxa diminuiu progressivamente até 47,5% em 1997. Produziu-se umha pequena alça nos anos 1998 e 1999 que fijo variar, temporariamente, a tendência, com um aumento importante da taxa de actividade 48,62%. Dentre os factores causantes da alça da taxa de actividade podem estar: o imparável acesso da mocidade ao mundo laboral, que estava próxima a findar a sua formaçom profissional e académica; a decisom da mulher de incorporar-se ao mundo laboral e, mesmo, a diminuiçom considerável das reformas no sector agrário. De feito, foi a faixa dentre 25 e 54 anos de idade que se incorporou ao mundo laboral com 46.000 pessoas nestes dous últimos anos. Polo contrário, na faixa de 16 a 19 anos perdêrom-se 6.000 pessoas activas, e na faixa de mais de 54 anos perdêrom-se mais de 18.000 [Fonte: EPA e EMT].

Em termos absolutos, em 1997, e a respeito do ano anterior, a populaçom activa aumentou em 4.500 pessoas. Entre 1998 e 1999 fôrom 13.400. Além disso, continua havendo, para o mesmo ano 1999, mais pessoas no conceito de inactivas: 1.187.700. Ainda que a previsom é que haja umha alça significativa durante um tempo, com um aumento da taxa da populaçom activa, a tendência é que cada vez sejam menos as pessoas que trabalhem ou que estejam em disposiçom de trabalharem. Com o envelhecimento da populaçom galega como constante, e com o crescimento vegetativo negativo, torna quase que impossível recuperar as taxas de actividade de 1984, a nom ser por via das imigraçons.

Na Galiza há umha percentagem muito elevada de pessoas que som pensionistas. E por mor dos processos de reconversom industrial e ajustamentos de quadros de pessoal (BAZAN, ASTANO, ENDESA, FENOSA, CITRÖEN, TELEFÓNICA...) o número de pessoas reformadas antecipadamente é muito importante. O aumento na qualidade de vida alonga a vida das pessoas e os nascimentos som poucos.


A populaçom ocupada


Galiza, em dados de 1999, tinha umha populaçom ocupada de 941.700 pessoas. Das quais 573.990 eram homes e 367.800 mulheres. A taxa de ocupaçom era de apenas 40,73%. A tendência das taxas de ocupaçom é a mesma que a que analisávamos no ponto anterior sobre a populaçom activa; após umha descida continuada desde 1984, há umha pequena alça como já acontecera em anos anteriores, mas provavelmente continuará o processo descendente da taxa de ocupaçom [Elaboraçom própria da fonte: EPA e EMT].

Dentro das pessoas ocupadas, o colectivo de pessoas assalariadas está num processo ascendente. Desde há mais dumha década o colectivo de pessoas assalariadas é superior ao de pessoas nom assalariadas. Este é um dado histórico na Galiza, pois é a primeira vez que isto sucede, na Galiza tradicionalmente as pessoas que trabalhavam por conta própria sempre fôrom umha percentagem muito maior do que as que o faziam por conta de outrem, embora umha percentagem elevada combinassem os dous tipos de actividade. Ainda em 1986 as pessoas assalariadas supunham só 46,67%, mas em 1995 já supunham 58,6%, em 1996, 59,17%, em 1997, 62,77%, em 1998, 65,65% e em 1999 atingiam já 67,60% [Elaboraçom própria a partir de dados da EPA do INE e da EMT do IGE]. Significando esta mudança um factor muito importante, pois a tendência de trabalho por conta de outrem vai em aumento na Galiza. As pessoas que vivem dum salário som cada vez mais.

Dentro deste apartado, convém levar em conta que o processo de proletarizaçom da populaçom galega pode considerar-se relativo. A recuperaçom do sector industrial, genuinamente proletário, é lenta. Os empregos que se criam som em precário. Vai-se saindo do estagnamento logo dumha perda progressiva de postos de trabalho: em 1976 havia 205.200 pessoas empregadas no sector industrial, em 1988 havia 150.100, em 1990 havia 156.400, em 1997 havia 152.200, em 1998 havia 178.100 e em 1999 havia 176.400 [Fonte: EPA do INE].

Para interpretar bem estes dados, há que considerar que umha percentacem importante da ocupaçom no sector é de pessoas nom assalariadas. Quer dizer, em 1998 10,5% do total das pessoas que trabalhavam na indústria faziam-no por conta própria (autónomos), incluindo na percentagem tembém patrons e directivos de cada empresa, um total de 18.700 pessoas [Fonte: EPA]. Aliás, para o mesmo período, as empresas industriais, sem contar as agricolas e pesqueiras, eram já 13.295 [Fonte: Tesourería Xeral da Seguridade Social].

A mudança que se está a produzir no chamado "mercado de trabalho" afecta a todos os aspectos, tanto quantitativos quanto qualitativos. A tendência dumha maior salarizaçom da populaçom galega é um dado transcendente, pois há pouco menos de 15 anos a situaçom era bem diferente. Em 1986, as pessoas ocupadas nom assalariadas eram 534.400 (53,29% do total), enquanto as assalariadas erám apenas 467.700 (46,67% do total). Dentro do colectivo de nom assalariadas, em 1985 eram 415.100 as que trabalhavam na agricultura. No ano 1999, na agricultura eram 139.300 pessoas, o que vem supor umha descida importantíssima de ocupaçom neste sector, à roda das 275.800 pessoas em 14 anos [Fonte:EPA].

O sector serviços é o que está a aumentar consideravelmente, mas também o da construçom, embora sempre devamos reparar no facto de que o sector da construcçom é muito mais conjuntural, com maiores oscilaçons nas suas taxas de ocupaçom.

O sector da construçom (Construçom de prédios, obras públicas e derivados) continua em alça, aumentando progressivamente, chegando a passar das 100.000 pessoas em 1997 até as 110.600 em 1999. A contrataçom neste sector é muito instável, dependendo sempre de diversas circunstáncias, oscilando nos últimos anos as pessoas contratadas, segundo os períodos, entre 95.000 e 110.000 no mesmo ano [Fonte: EPA].

O sector serviços é o que ocupa a um maior número de pessoas, sendo em 1997 umhas 455.200. No ano 1999 aumenta, passou a ocupar 494.800 pessoas [Fonte:EPA]. Polo contrário, o sector agricola/pesqueiro vai decaindo com umha perda constante de empregos. A agricultura/pesca segue descendo. Em 1996 perdeu 29.600 empregos, em 1997 fôrom 29.200 os que se perdêrom, até ocupar somente 196.600 pessoas em 1997. Entre 1998 e 1999, o sector perdeu 46.500 pessoas. Em 1999, ocupava 173.000 pessoas, das quais 33.700 eram do subsector pesqueiro, também em contínua descida, mas nom tam acelerado como o agrícola [Fonte: EPA].
As pessoas assalariadas segundo o tipo de contrato eram:Período Contratos indefinidos. Contratos Temporais. Contratos sem classificar Número total de contratos

Em 1997 365.500 (64,5%) 194.700 (34,37%) 6.200 (1%) 566.500 (100%)

Em 1998 398.800 (65,8%) 201.100 (33,3%) 4.600 (0,7%) 602.600 (100%)

Em 1999 420.88 (66,1%) 215.800 (33,9%) ------------------ 636.600 (100%)[Quadro de elaboraçom própria, com dados tirados do Informe sobre Contratos de Traballo en Galiza. 1999. Do Gabinete Técnico da CIG, sendo a sua fonte a EPA do INE ]

A quase três anos da entrada em vigor da reforma laboral, que foi a formulaçom em lei do acordo assinado polas centrais sindicais espanholas CCOO e UGT, a patronal CEOE e o governo do PP, denominado Medidas para a melhoria do mercado de trabalho e fomento da contrataçom indefinida, há já umha série de dados que nos podem dar umha ideia da efectivaçom e os "logros" de tais medidas.
A efectivaçom da contrataçom indefinida só atingiu 8,5%, enquanto os contratos temporais acadárom umha percentagem, em 1999, de 33,9%. Segundo a CIG: "a reforma nom cumpriu os objectivos, nem de melhorar a qualidade do emprego em duraçom e condiçons de trabalho, nem de aumentar o número de empregos de qualidade". Mas, a meu entender, sim está a cumprir o objectivo do capital que é o de embaratecer os despedimentos, umha maior flexibilizaçom da contrataçom, a centralizaçom e espanholizaçom da negociaçom colectiva. Assim pode utilizar com maior rendibilidade a mercadoria que é para ele a força de trabalho. Assim conseguem que esta força de trabalho diminua o seu valor de uso e de troca. O próximo envite do capital já está anunciado e vai ter como pretensom conseguir umha maior assimilaçom e aceptaçom do sistema por parte das centrais sindicais, um maior controlo da negociaçom colectiva, despedimentos ainda mais baratos, maiores benefícios para o capital, salários mais baixos, menos contribuiçom ao sistema de segurança social e menos regulamentaçom do "mercado de trabalho".
A descriçom da populaçom ocupada que trabalha em empresas por conta de outrem é um dado fundamental para perceber melhor o quadro galego do mundo laboral e empresarial. Segundo os dados, para o ano 1998, da Tesouraria Geral da Segurança Social, a populaçom ocupada trabalha em número e percentagem nos seguintes grupos de actividades económicas distribuídos:

Grupos de actividade. Nº de pessoas. % sobre o total Nº de empresas

Agricultura, gadaria, caça, silvicultura e pesca. 2.928 0,53 633
Enérgia e água. 5.744 1,05 149
Extraçom e transformaçom de minerais nom energéticos e produtos derivados da indústria química. 21.211 3,86 2.060
Indústrias transformadoras de meta. Mecánica de precisom. 50.235 9,15 3.905
Outras indústrias manufactureiras. 56.981 10,38 7.181
Construçom 66.948 12,19 13.169
Comércio, restaurantes e hotelaria. Reparaçons. 119.341 21,73 33.486
Transporte e comunicaçons. 27.168 4,95 4.754

Instituiçons financeiras, seguros, serviços emprestados a empresas e arrendamento. 46.052 8,39 6.480

Outros serviços. 152.555 27,78 14.006
TOTAIS. 549.160 100 85.863

Um dado fundamental para conhecermos a nossa Classe Trabalhadora também é saber em que tipo de empresas somos explorados e que tipo de patronal há na Galiza. Destes dados, como no quadro anterior, estám excluídos sectores nom adscritos ao regime geral da segurança social, como umha parte importante da funçom pública e o sector primário (agricultura e pesca).

Tramos segundo o Nº de pessoas. Empresas de 1 Empresas entre 2 e 5. Empresas entre 6 e 50. Empresas entre 51 e 100 Empresas entre 101 e 500. Empresas de mais de 500.

Nº de pessoas que trabalham. 40.091 87.207 200.582 52.484 104.815 63.983
% sobre o total 7,30 15,88 36,53 9,56 19,09 11,65

Nº de empresas segundo tramo. 40.091 29.971 14.552 682 510 57

O quadro mostra que 81,59% das empresas som de menos de cinco pessoas empregadas, por regra geral pertencem a pequenos empresários. Nestas empresas trabalham o 23,18% do total, e nelas é muito díficil fazer umha actividade sindical, pois nom tenhem direito a umha representaçom e mesmo, em muitos casos, o pessoal que trabalha nas mesmas está muito ligado à patronal, já seja por laços familiares ou doutra índole. No resto das empresas é onde a actividade sindical tem umha maior implantaçom, mas com muitas limitaçons. Vai ser no tramo de mais de 100 pessoas empregadas que se poda realizar dum jeito mais autónomo umha actividade sindical própria no seio das empresas, e este tramo vem representar 30,74% do total das trabalhadoras e trabalhadores.

O Sector público sofreu um processo de privatizaçom enorme (ALUMINA-ALUMINIO, ENDESA, TELEFÓNICA...) que continua (SANTA BARBARA, TABACALERA...), além de continuar um processo de reetruturaçom como foi o caso de BAZAN com a perda de mais de 1.200 empregos, pola via das reformas antecipadas, acordado no 1999. Em dados de 1998, as empresas do sector público que dependem do Estado (RTVE, RENFE, FEVE, BAZAN, AUDASA, ENCE, IMENOSA, ASTANO...) tinham 9.128 trabalhadoras e trabalhadores.

No sector público que depende da administraçom autónoma, estám constituídas umha série de sociedades mercantis (TURGALICIA, GALICIACALIDADE, CIS, SODIGA, SOGAMA...), que nom som mais do que um jeito de privatizar certos serviços. Estas sociedades tenhem, em dados de 1998, um quadro de pessoal de 529 pessoas. A COMPAÑÍA DE RADIO-TELEVISIÓN DE GALICIA tem empregadas 714 pessoas. A privatizaçom de serviços, da sanidade e da gestom administrativa, é feita pola Junta da Galiza através doutras entidades (IGAPE, PORTOS DE GALICIA, fundaçons hospitalares...), em que trabalham 636 pessoas [Os quadros e alguns dados som de elaboraçom própria, os dados utilizados fôrom tirados do Informe sobre a Situación Sociolaboral da Comunidade Autónoma Galega en 1998, do Consello Galego de Relacións Laborais].

A populaçom empregada na funçom pública

Na funçom pública estám empregadas um número muito importante de pessoas. A funçom pública é um sector muito hierarquizado e estratificado, com muitas formas de ligaçom do pessoal com a administraçom (funcionariado, pessoal laboral, propietário, interino, eventual, contrato administrativo, temporal, estatutário...). Na actualidade som três administraçons e várias entidades autónomas, como por exemplo as universidades. Imos dar dados do ano 1998.

Na Administraçom Central, ou administraçom do Estado, estám empregadas 19.493 pessoas. Nestes dados ainda nom estava incluída a transferência do pessoal do INEM. Os ministérios que mais pessoas empregam som Fomento e Interior, este último com 5.005 entre pessoal administrativo, polícias, guardas civis e funcionários de prisons. Do Ministério de Defesa, só aparecem os dados do pessoal laboral e funcionário civil (2.312 pessoas), pois o pessoal militar está excluído dos dados estadísticos, o que torna difícil saber quantos efectivos militares tem o exército espanhol na Galiza.
O pessoal funcionário e laboral da administraçom local, que abrange todo o pessoal que está ao serviço dos 315 concelhos da Galiza e das quatro deputaçons provinciais, som 29.979 pessoas. Neste quadro entram pessoal da administraçom geral, bombeiros, polícias municipais e serviços gerais.

O pessoal adscrito ao Parlamento da Galiza, que é um organismo autónomo da admistraçom (Parlamento, Valedor do Povo e Conselho de Contas), também pertence à funçom pública, e som 92 pessoas.

As universidades som organismos autónomos da administraçom pública, que entre pessoal docente e nom docente inclui 5.575 pessoas que estám empregadas nas diferentes universidades galegas.
Os altos cargos da Junta de Galiza tambem pertencem à funçom pública, entre eles Fraga e os seus conselheiros. Som ao todo 127, a maioria políticos que com anterioridade tinham outra ocupaçom. Também há outros cargos políticos como som as deputadas e deputados do Parlamento Galego, que som 75, e as concelheiras e concelheiros das corporaçons municipais e deputaçons provinciais que estám em situaçom de dedicaçom exclusiva, que podem ser umhas 1000 pessoas. E, por último, os altos cargos da administraçom estatal na Galiza, que serám por volta de 16.
A administraçom da Junta de Galiza, em dados do 2000 [Dados tirados dos Presupostos Xerais da Comunidade Autónoma Galega. 2000] tem 9.748 pessoas funcionárias e 7.013 laborais, em total 16.761 pessoas das Conselharias e os Organismos autónomos, excluído o pessoal docente nom universitário. Em dados de 1998, no ensino público estavam empregadas 28.762 pessoas. A sanidade pública, em 1998, empregava 25.938 pessoas. A polícia autonómica, que som políciais nacionais transferidos, em dados de 1998, eram 345 efectivos. O pessoal da administraçom de justiça foi transferido nom há muito tempo para a administraçom autonómica, e em dados de 1998 era 2.279 pessoas.

A populaçom empregada na funçom pública, em dados de 1998, era 124.318 pessoas, o que vem supor 13,54% do total da populaçom ocupada da Galiza, 26,14% do total da populaçom ocupada no sector serviços e 34,44% do total da populaçom assalariada, ocupada no sector serviços [A maioria dos dados utilizados neste apartado, ainda que de elaboraçom própria, fôrom tirados do Informe sobre a Situación Sociolaboral da Comunidade Autónoma Galega en 1998, do Consello Galego de Relacións Laborais].

A populaçom que está no desemprego

O desemprego segue afectando a um número importante de pessoas. Em 1997, havia 169.454 pessoas registadas no INEM, estando cobertas com algumha prestaçom económica só 43,61% das mesmas. Mas o desemprego real é superior, sendo para o mesmo período sengundo a EPA de 203.700 pessoas. Em 1998, eram 194.000 pessoas as desempregadas. Em Setembro de 1999, o desemprego estimado era de 175.600 pessoas, polo que o crescimento do emprego foi importante. Mas, no final de ano, situou-se em 182.200 pessoas [Fonte: EPA do INE e EMT do IGE].
O desemprego registado no INEM sempre adoita ser inferior. Isto deve-se aos critérios que tem estabelecido este organismo para definir o conceito legal de desemprego registado, sendo o seu saldo médio, para 1999, de 139.078 pessoas (11%). Destas, som mulheres 81.586 e homens 57.495. Pessoas moças, de menos de 24 anos, há registadas 23.366. Dentre 25 e 39 anos, 61.084 (sendo esta a faixa de idade em que mais desemprego registado há). Dentre 40 e 54 anos, há 36.950. E, por último, de mais de 55 anos há 17.678 pessoas. As mulheres de menos de 30 anos som sem dúvida o grupo mais numeroso de pessoas que passam mais tempo no desemprego na procura dum emprego. As mulheres que estám dentro dessa faixa de menos de 30 anos som o grupo que percentualmente tem mais difícil aceder ao trabalho assalariado regulamentado. Significativamente, também é o grupo que mais trabalha na económia submersa, junto das mulheres de menos de 40 anos..


Desde 1995, vem-se produzindo umha queda do desemprego registrado. Esta descida foi mais significativa em 1999. A taxa de cobertura económica (bruta) do desemprego era em 1999 de 44%, sendo beneficiárias 61.300 pessoas. As taxas de desemprego som muito altas, ainda que a tendência seja a de diminuírem. Assim vem sucedendo desde 1995, ainda que nos primeiros meses deste ano 2000 sofreu um freio com aumentos significativos do desemprego. Mas parece ser, segundo certos analistas, que a tendência seguira sendo de descida [Fonte: INEM].


O emprego que se está a criar, maioritariamente, é em precário. Há um abuso da contrataçom temporal, principalmente através dos contratos de obra o serviço ou eventuais por necessidades mercantis. Umha quarta parte dos contratos laborais nom chegam aos três meses de duraçom e 16% nom passam do mês. Com anterioridade, no apartado da populaçom ocupada, dávamos os dados sobre este tema da contrataçom.

A populaçom que estuda

Segundo dados do curso 1997-98, na educaçom infantil e pré-escolar havia matriculadas 60.819 nenas e nenos; na primária eram 155.789; da ESO 1ºC 67.698; da ESO 2ºC eram 13.655; em BUP e COU 93.894; BAC da LOGSE 7.054; BUP e COU a distáncia 7.071; em FP I e II havia 54.305; nos novos Ciclos Formativos de grau médio e superior, juntamente com os módulos profissionais experimentais I e II, eram 7.347; e em programas de garantia social 435; e os alunos e alunas em educaçom especial 1.465. Ao todo, no ano lectivo de 1997-98, na Galiza, no ensino nom universitário, havia 469.532 pessoas estudando. Na Universidade havia 94.858. Mas os últimos dados que saírom em Maio de 2000 nos jornais, falavam de que já se ultrpassavam as 100.000 pessoas matriculadas nas universidades galegas [Dados tirados do Informe sobre el estado y situación del sistema educativo. Curso 1997-98, do Consejo Escolar Estatal, públicado polo Ministerio de Educación y Cultura]. Galiza, para além dos recursos utilizados, da qualidade e conteúdos do ensino, conta com umha escolarizaçom óptima na etapa obrigatória, quase de 100%. Logo há um elevado número de pessoas que se estám a formar, sendo muito importante o número de pessoas que realizam estudos universitários. O nosso país conta com umha importante potencial força de trabalho, que se está a formar, em relaçom com o número de habitantes (2.722.637), que representa 20,91% da populaçom. Isto sem contarmos os cursos de formaçom ocupacional, formaçom contínua, formaçom pós-graduada, escolas obradoiro... que ministram as administraçons públicas, sindicatos, colégios profissionais, ONGs, e mesmo empresas.

A populaçom que é pensionista

Na Galiza, como já temos tratado, há umha faixa da populaçom muito avelhentada, o que vem ser correlativo polo número tam importante de pessoas que estám reformadas ou som pensionistas. Considero importante ter umha visom deste aspecto do estudo da populaçom galega. Os dados dos que disponho som de 1998.

Tipo de Regime. (Contributivas) Nº de pensionistas na Galiza. % em relaçom com o Estado. Nº de pensionistas Estado.

Regime Geral. 226.400 5,72 3.951.500
Autónomos. 55.300 6,82 810.300
Especial Agrário. 268.800 16,75 1.603.900
Especial do Mar. 44.200 35,10 125.900
TOTAIS 594.700 9,16 6.491.600

Pensons nom contributivas Galiza % em relaçom com o Estado Conjunto do Estado
Dados. 48.263 11,03 437.527

Populaçom (1998) Galiza % em relaçom com o Estado Conjunto do Estado
Dados. 2.722.637 6,82 39.908.086 [Os quadros som de elaboraçom própria, os dados som tirados do Informe sobre a Situación Sociolaboral da Comunidade Autónoma Galega en 1998, do Consello Galego de Relacións Laborais, sendo a sua fonte a Tesourería Xeral da Seguridade Social]

Em relaçom com a populaçom que tem (somos 6,82% em relaçom com a do conjunto do Estado espanhol), Galiza conta com um maior número de pensionistas que o resto do Estado. No regime especial do mar, a diferença é enorme, de cada 100 pessoas que cobram umha pensom no conjunto do Estado, mais de 35 som galegas. No agro, também a diferença é grande: de cada 100 pessoas, quase 17 som galegas. No regime de autónomos, a situaçom está equilibrada. E polo contrário, no regime geral, a Galiza tem um menor número de pensionistas, ainda que a diferença só seja de 1,2 pontos.

A nível de pensons nom contributivas, a diferença também é muito grande, pois de 100 pessoas que no conjunto do Estado cobram umha pensom deste tipo, 11 som galegas.
A populaçom pensionista galega é de 642.963 pessoas, o que quer dizer que, na Galiza, de cada 100 pessoas, quase 24 som pensionistas.

Na Galiza há 4.140 pessoas que tenhem concedida umha renda de integraçom social, o chamado RISGA, que é umha pensom mínima que se concede às pessoas que nom tenhem recursos económicos e a sua reinserçom no mundo laboral capitalista é muito dificultosa.

 

A CLASSE TRABALHADORA COMO SUJEITO REVOLUCIONÁRIO (SEGUNDA PARTE)

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