Para umha Galiza independente
Abrente Editora


Praticamente imerso já no século XXI, o movimento pola soberania da Galiza, o independentismo, continua carecendo ainda da madurez suficiente que lhe permita converter-se em força sócio-política decisiva para o futuro do nosso povo. O século que conclui supujo a progressiva e irregular posta em circulaçom das ideias e os germes organizativos iniciadores dumha movimentaçom chamada a elaborar a linha discursiva e a prática política mais conscientes, combativas e positivas no caminho da construçom nacional galega. A esquerda independentista situou-se sempre à sombra dum nacionalismo que, desde o rupturismo democrático primeiro, ao autonomismo claudicante na actualidade, definiu em todo o momento as suas aspiraçons em funçom dum impossível acordo co-soberanista co intransigente Estado espanhol.

As distintas formulaçons políticas independentistas enfrentárom, desde a sua fraqueza, nom só a repressom espanhola, como também o sectarismo e por vezes a traiçom dum nacionalismo hoje integrado na democracia formal hispana. Contodo, nom serve culpar em exclusiva agentes externos da marginalidade das forças pró-independência. O limitado nível de desenvolvimento e introduçom social, bem como erros próprios nas linhas políticas efectivadas, explicam também o estado actual do Movimento de Libertaçom Nacional Galego. Por vezes, dependeu-se em excesso de dinámicas alheias ao país; em ocasions, evidenciamos umha fatal dependência ou complexo ante outras forças hegemónicas do nacionalismo galego, dando mostras dumha falta de programa e linha de actuaçom próprios. Porventura devido a causas como as citadas e outras, dérom-se passos mal calculados que supugérom retrocessos maiores dos avanços que prometiam, com grandes custos dificilmente superados. A falta de corage de alguns e o sectarismo de quase tod@s, esse sectarismo que tanto denunciamos em outr@s e, no entanto, quase nunca nos foi alheio, ajudárom e ajudam a empecer o avanço das posiçons independentistas, tam necessário para garantirmos a viabilidade da Galiza como projecto nacional autónomo. Diferentes reflexons sobre muitos destes aspectos encontram-se desenvolvidas nas páginas deste mesmo volume, quase sempre de perspectivas pessoais e políticas diversas.

Além das falhas citadas, nom menos importante é a histórica carência de elaboraçom teórica independentista, que permita avaliar a realidade e a prática sociais com vistas a transformá-las no sentido do progresso da consciência e a acçom dos sectores sociais objectivamente interessados na conquista da independência.

Abrente Editora tem-se marcado entre os seus objectivos contribuir para a superaçom dessa falta de corpus teórico independentista. Cumpre estudarmos a nossa história, rachando a permanente peneira espanhola, cumpre elaborarmos teoria revolucionária para cada um dos campos de actuaçom social que a esquerda independentista, doravante, consiga acometer no longo caminho pola autodeterminaçom que temos de percorrer. E cumpre construirmos espaços estáveis de trabalho em comum entre todos os sectores sinceramente comprometidos coa causa da independência da Galiza.

O volume que tés nas tuas maos é um primeiro contributo nessa direcçom. Além dumha primeira aproximaçom dos movimentos sociais na Galiza de 2000, estas páginas recolhem o testemunho de alguns dos principais actores vivos da militáncia independentista galega nas últimas décadas, apresentando-nos pola primeira vez numha obra escrita aspectos pouco conhecidos da luita pola independência na Galiza contemporánea.

A segunda parte da obra recolhe umha cronologia histórica da esquerda independentista, bem como um anexo documental com umha selecçom de textos da história do independentismo galego no século XX.

Esperamos poder no futuro aprofundar nalgumhas das linhas apresentadas nestas páginas, com estudos monográficos que ajudem a perceber e, sobretodo, subverter umha realidade que ameaça a mesma pervivência do povo trabalhador galego, além do seu protagonismo à frente dum projecto nacional próprio.

Galiza, Julho de 2000


Limiar: Domingos Antom Garcia.

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