GALIZA E A DIVERSIDADE LINGÜÍSTICA
NO MUNDO. SUBSÍDIOS PARA UM DIAGNÓSTICO ACTUALIZADO DA SITUAÇOM
SOCIOLINGÜÍSTICA GALEGA
PREFÁCIO
No primeiro título desta colecçom, o volume publicado em Julho
de 2000 sob o título Para umha Galiza independente, marcamo-nos como
meta superar a falta de corpus teórico independentista. Os textos ali
compilados pretendiam ser umha primeira aproximaçom aos movimentos
sociais galegos e à nossa história, que permitissem posteriormente
«poder aprofundar nalgumhas das linhas apresentadas nestas páginas,
com estudos monográficos que ajudem a perceber e, sobretodo, subverter
umha realidade que ameaça a mesma pervivência do povo trabalhador
galego, além do seu protagonismo à frente dum projecto nacional
próprio», segundo avançávamos no próprio
limiar.
O caderno que agora damos a lume
pretende servir a essa vontade. E fai-no num dos ámbitos principais
na configuraçom identitária da naçom galega: a expressom
da sua diferença, como alguém definiu o valor da língua
no sentimento e a consciência nacionais de um povo.
No caso da Galiza, a situaçom
da nossa comunidade lingüística representa na actualidade com
grande fidelidade o momento que vive o povo galego. Se apenas umhas décadas
atrás o nosso país conservava substancialmente boa parte da
base material que a singulariza, na actualidade vivemos umha etapa dramática
caracterizada pola perda acelerada de alguns dos ingredientes fundamentais
da nossa nacionalidade, incluída a própria capacidade produtiva.
E nom é fácil determinar se resulta mais grave a existência
desse processo, ou a fraca consciência e a insuficiente resposta do
conjunto da populaçom galega ante a entidade do mesmo.
Nem os sectores mais conscientizados
acabam de assumir essa evidência, o que juntamente com a desarticulaçom
social e o controlo ideológico imposto polo poder, acaba de gizar um
quadro nada prometedor para a sobrevivência do nosso milenário
povo.
Este texto tenta desentranhar algumhas
das chaves que historicamente determinárom a situaçom presente
do galego-português na Galiza, chegando à conclusom de que cumpre
actualizar o diagnóstico sociolingüístico em funçom
dos estudos mais recentes e das evidências que deitam sobre o estado
actual da comunidade lingüística galega.
Para além da documentada
análise da evoluçom sociolingüística na Galiza do
último século, o autor propom algumhas das chaves que julga
devem guiar umha resposta colectiva que ponha os meios para um verdadeiro
processo de recuperaçom lingüística, partindo de umha tese
fundamental: é à própria sociedade galega que corresponde
impulsionar umha normalizaçom lingüística que seja digna
de tal nome. Nem as instituiçons actuais, nem outras nascidas de umha
dita releitura constitucional poderiam, mesmo que quigessem, substituir o
protagonismo de umha comunidade consciente e articulada que aposta pola sua
construçom.
Eis a transcendência do repto que todos e todas afrontamos no presente,
e cujo sucesso ou fracasso marcará nas próximas décadas
de jeito determinante que a Galiza seja engolida pola uniformizaçom
capitalista ou poda compor, com o resto de povos do mundo, o grande e diverso
mosaico das naçons e as pessoas livres.