SOBRE A RELAÇOM ENTRE O
CONHECIMENTO E A PRÁTICA, ENTRE O SABER E O FAZER
Julho de
1937
[No nosso Partido havia certo
número de camaradas dogmáticos que, durante longo tempo, rejeitárom a experiência
da revoluçom chinesa, negárom a verdade de o marxismo "nom ser um dogma,
mas um guia para a acçom", e tentárom intimidar a gente com palavras e
frases das obras marxistas, tiradas mecanicamente fora do contexto. Havia
também certo número de camaradas empíricos que, durante longo tempo, se
limitárom à sua fragmentária experiência pessoal, nom entendêrom a importáncia
da teoria para a prática revolucionária e nom vírom a revoluçom no seu
conjunto; embora trabalhassem com diligência, figérom-no a cegas. As ideias
erróneas de uns e outros, e em particular dos mais dogmáticos, causárom entre
1931 e 1934, enormes danos à revoluçom chinesa; aliás, os dogmáticos,
disfarçados de marxistas, deorientárom grande número de camaradas. "Sobre
a prática" foi escrito com o intuito de denunciar, do ponto de vista da
teoria marxista do conhecimento, os erros subjectivistas de dogmatismo e de
empirismo no Partido, nomeadamente o do dogmatismo. Este trabalho foi
intitulado "Sobre a prática" porque pom ênfase na denúncia do
dogmatismo, variedade do subjectivismo que menospreza a prática. As concepçons
contidas neste trabalho fôrom expostas polo camarada Mao Ze Dong numha palestra
no Instituto Político e Militar Antijaponês de Yenán.]
O materialismo pré-marxista
examinava o problema do conhecimento à margem da natureza social do homem e do
seu desenvolvimento histórico, e por isso era incapaz de compreender a
dependência do conhecimento a respeito da prática social, quer dizer, a
dependência do conhecimento a respeito da produçom e a luita de classes.
Antes de mais, os marxistas julgam
que a actividade do homem na produçom é a sua actividade prática mais
fundamental, a que determina todas as demais actividades. O conhecimento do
homem depende principalmente da sua actividade na produçom material; no decurso
desta, o homem vai compreendendo gradativamente os fenómenos, as propriedades e
as leis da natureza, bem como as relaçons entre ele próprio e a natureza, e,
também através da sua actividade na produçom, vai conhecendo paulatinamente e
em diverso grau determinados relacionamentos vigorantes entre os homens. Nom é
possível adquirir nengum destes conhecimentos fora da actividade na produçom.
Numha sociedade sem classes, cada indivíduo, como membro da sociedade, unindo
os seus esforços aos dos outros membros e travando com eles determinadas
relaçons de produçom, dedica-se à produçom para satisfazer as necessidades
materiais do homem. Em todas as sociedades de classes, os membros das
diferentes classes sociais, entrando também, de umha ou outra maneira, em
determinadas relaçons de produçom, dedicam-se à produçom, destinada a
satisfazer as necessidades materiais do homem. Isto constitui a fonte
fundamental desde a qual se desenvolve o conhecimento humano.
A prática social do homem nom se
reduz à sua actividade na produçom, porquanto tem muitas outras formas: a luita
de classes, a vida política, as actividades científicas e artísticas; em
resumo, o homem, como ser social, participa em todos os domínios da vida
prática da sociedade. Portanto, vai conhecendo em diverso grau as diferentes
relaçons entre os homens nom apenas através da vida material, como também
através da vida política e a vida cultural (ambas as duas estreitamente ligadas
à vida material). Destas formas da prática social, a luita de classes nas suas
diversas manifestaçons exerce, em particular, umha influência profunda sobre o
desenvolvimento do conhecimento humano. Na sociedade de classes, cada pessoa
existe como membro de umha dada classe, e todas as ideias, sem excepçom, levam
o seu carimbo de classe.
Os marxistas defendem que a
produçom na sociedade humana se desenvolve passo a passo, do inferior ao
superior, e que, em conseqüência, o conhecimento que o homem tem quer da
natureza quer da sociedade, se desenvolve também passo a passo, do inferior ao
superior, quer dizer, do superficial ao profundo, do unilateral ao
multilateral. Durante um período muito longo na história, o homem viu-se
circunscrito a umha compreensom unilateral da história da sociedade, já que, de
umha parte, as classes exploradoras a deforrmavam constantemente devido aos
seus preconceitos e, de outra parte, a pequena escala da produçom limitava a
visom do homem. Só quando surgiu o proletariado moderno junto de gigantescas
forças produtivas, (a grande indústria), pudo o homem atingir umha compreensom
global e histórica do desenvolvimento da sociedade e transformar este
conhecimento numha ciência, a ciência do marxismo.
Os marxistas defendem que a
prática social do homem é o único critério da verdade do seu conhecimento do
mundo exterior. Com efeito, o conhecimento do homem fica confirmado apenas
quando consegue os resultados esperados no processo da prática social (produçom
material, luita de classes ou experimentaçom científica). Se o homem quiger atingir
sucesso no seu trabalho, quer dizer, alcançar os resultado esperados, tem de
fazer concordar as suas ideias com as leis do mundo exterior objectivo; se nom
consegue isto, fracassa na prática. Depois de sofrer um fracasso, tira liçons
dele, modifica as suas ideias fazendo-as concordar com as leis do mundo
exterior e, destarte, pode transformar o fracasso em sucesso: eis o que se quer
dizer com "o fracasso é a mai do sucesso" e "cada fracasso
fai-nos mais lestos". A teoria materialista dialéctica do conhecimento
coloca a prática no primeiro plano; considera que o conhecimento do homem nom
pode separar-se nem no mais mínimo da prática, e recusa todas as teorias
erróneas que negam a importáncia ou afastam dela o conhecimento. Como dixera
Lenine: "A prática é superior ao conhecimento (teórico), porque possui nom
apenas a dignidade da universalidade, mas também a da realidade imediata[1] . "A filosofia marxista -o materialismo
dialéctico- tem duas características sobressalentes. Umha é o seu carácter de
classe: afirma explicitamente que o materialismo dialéctico serve ao
proletariado. Umha outra é o seu carácter prático: vinca a dependência da
teoria a respeito da prática, sublinha que a prática é a base da teoria e que
esta, por sua vez, serve à prática. O facto de um conhecimento ou teoria ser
verdade nom se determina mediante umha apreciaçom subjectiva, senom mediante os
resultado objectivo da prática social. O critério da verdade nom pode ser outro
que a prática social. O ponto de vista da prática é o ponto de vista primeiro e
fundamental da teoria materialista dialéctica do conhecimento.
Mas, como é que o conhecimento
humano surge da prática e serve por sua vez à prática? Para compreendermo-lo
basta com olhar o processo de desenvolvimento do conhecimento[2].
No processo da prática, o homem
nom vê ao começo mais do que as aparências, os aspectos isolados e as ligaçons
externas das cousas. Por exemplo, algumhas pessoas de fora venhem a Yenan em
giras de investigaçom. Nos primeiros um ou dous dias, vem a sua topografia,
ruas e casas, tomam contacto com muitas pessoas, assistem a recepçons, reunions
e comícios, ouvem todo o tipo de conversas e lem diferentes documentos: isso
tudo som as aparências das cousas, os seus aspectos isolados e as suas ligaçons
externas. Esta etapa do conhecimento denomina-se etapa sensorial, e é a etapa
das sensaçons e as impressons. Quer dizer, as cousas de Yenan, isoladas, agindo
sobre os órgaos dos sentidos dos membros do grupo de investigaçom, provocam
sensaçons neles e fazem surgir no seu cérebro grande quantidade de impressons
junto de umha noçom aproximativa das ligaçons externas entre as ditas
impressons: esta é a primeira etapa do conhecimento. Nesta etapa, o homem nom
pode ainda formar conceitos, pois que correspondem a um nível mais profundo,
nem tirar quaisquer conclusons lógicas.
À medida que continua a prática
social, as cousas que no decurso da prática suscitam no homem sensaçons e
impressons, apresentam-se umha e outra vez; entom produz-se no seu cérebro umha
mudança repentina (um salto) no processo do conhecimento e surgem os conceitos.
Os conceitos já nom constituem reflexos das aparências das cousas, dos seus
aspectos isolados e das suas ligaçons externas, ao captarem as cousas na sua
essência, no seu conjunto e nas suas ligaçons internas. Entre o conceito
e a sensaçom existe umha diferença nom apenas quantitativa, mas também
qualitativa. Continuando avante, mediante o juízo e o razoamento, podem-se
tirar conclusons lógicas. A expressom da Crónica dos três reinos[3]:
"enrugou o sobrolho e veu-lhe à mente um estratagema", ou a da
linguagem corrente: "Deixe-me reflectir", significam que o homem ,
empregando conceitos no cérebro, procede ao juízo e ao razoamento. Esta é a
Segunda etapa do conhecimento. Os membros do grupo de investigaçom, depois de
terem reunido diversos dados e, o que é mais, depois de terem reflectido, podem
chegar ao juízo de que "a política da frente única nacional antijaponês,
aplicada polo Partido Comunista, é conseqüente, sincera e genuína" . Tendo
formulado este juízo, eles podem, se forem genuínos partidários da unidade para
salvar a naçom, dar outro passo à frente e tirar a seguinte conclusom: "A
frente única nacional antijaponesa pode ter sucesso". Esta etapa, a dos
conceitos, os juízos e os razoamentos, é ainda mais importante no processo
completo do conhecimento de umha cousa polo homem; é a etapa do conhecimento
racional. A verdadeira tarefa do conhecimento consiste em chegar, passando
polas sensaçons, ao pensamento, em chegar passo a passo à compreensom das
contradiçons internas das cousas objectivas, das suas leis e das ligaçons
internas entre um processo e outro, quer dizer, em chegar ao conhecimento
lógico. Repetimos: o conhecimento lógico difere do conhecimento sensorial em
que este atinge os aspectos isolados, as aparências e as ligaçons externas das
cousas, enquanto aquele, dando um grande passo à frente, alcança o conjunto, a
essência e as ligaçons internas das cousas, pom a nu as contradiçons internas
do mundo circundante e pode, portanto, chegar a dominar o desenvolvimento do
mundo circundante no seu conjunto, nas ligaçons internas de todos os
seus aspectos.
Ninguém antes do marxismo elaborou
umha teoria como esta, a materialista dialéctica, sobre o processo de
desenvolvimento do conhecimento, o que se baseia na prática e vai do
superficial ao profundo. É o materialismo marxista o primeiro em resolver
correctamente este problema, patenteando de maneira materialista e dialéctica o
movimento de aprofundizaçom do conhecimento, movimento polo qual o homem, como
seu social, passa do conhecimento sensorial ao conhecimento lógico na sua
complexa e constantemente repetida prática da produçom e da luita de classes.
Lenine dixo: " A abstracçom da matéria, de umha lei da natureza, a
abstracçom do valor, etc., numha palavra, todas as abstracçons científicas
(correctas, sérias, nom absurdas) reflectem a natureza em forma mais profunda,
veraz e completa[4]. "O
marxismo-leninismo sustém que cada umha das duas etapas do processo
cognoscitivo tem as suas próprias características: na etapa inferior, o
conhecimento manifesta-se como conhecimento sensorial e, na etapa superior,
como conhecimento lógico, mas ambas as duas som etapas de um processo
cognoscitivo único. O sensorial e o racional som qualitativamente diferentes;
no entanto, um e outro nom estám desligados, e sim unidos sobre a base da
prática. A nossa prática é testemunho de que podemos compreender imediatamente
o que percebemos, e que podemos perceber com maior fundura só aquilo que já
compreendemos. A sensaçom apenas resolve o problema das aparências; unicamente
a teoria pode resolver o problema da essência. A soluçom destes problemas nom
pode afastatar-se nem no mais mínimo da prática. Quem quiger conhecer umha
cousa, nom poderá fazê-lo sem entrar em contacto com ela, quer dizer, sem viver
(praticar) no mesmo meio dessa cousa. Na sociedade feudal era impossível
conhecer antecipadamente as leis da sociedade capitalista, pois nom tinha
aparecido ainda o capitalismo e faltava a prática correspondente. O marxismo só
podia ser produto da sociedade capitalista. Marx, na época do capitalismo
liberal, nom podia conhecer concretamente, de antemao, certas leis peculiares
da época do imperialismo, já que nom tinha aparecido ainda o imperialismo, fase
final do capitalismo, e faltava a prática correspondente; apenas Lenine e
Staline pudérom assumir esta tarefa. Para além do seu génio, a razom principal
pola qual Marx, Engels, Lenine e Staline pudérom criar as suas teorias foi a
sua participaçom pessoal na prática da luita de classes e da experimentaçom
científica do seu tempo; sem este requisito, nengum génio poderia tê-lo feito
com sucesso. A expressom: "Sem sair da sua morada, o letrado sabe tudo
quanto acontece no mundo" nom era mais do que umha frase oca nos tempos
antigos, Quando a técnica estava pouco desenvolvida; e na nossa época de
técnica desenvolvida, embora tal cousa seja realizável, os únicos que tenhem
autênticos acontecimentos de primeira mao som as pessoas que no mundo se
dedicam à prática. E só quando, mercê da escrita e da técnica, chegam ao
"letrado" os conhecimentos que estas pessoas adquirírom na sua
prática, pode este, indirectamente, "saber tudo quanto acontece no
mundo". Para conhecer directamente tal ou tal cousa ou cousas, cumpre
participar pessoalmente na luita prática por transformar a realidade, por
transformar a dita cousa ou cousas, já que este é o único meio de entrar em
contacto com as suas aparências; aliás, é este o único meio de tornar evidente
a essência da dita cousa ou cousas e compreendê-las. Tal é o processo
cognoscitivo que na realidade seguem todos os homens, embora algumha gente,
deformando deliberadamente os factos, afirme o contrário. A gente mais ridícula
do mundo som os "sabidos" que, recolhendo de ouvido conhecimentos fragmentários
e superficiais, se tenhem pola "máxima autoridade no mundo", o que dá
testemunho apenas da sua fatuidade. O conhecimento é problema da ciência e esta
nom admite nem a menor desonra nem a menor presunçom; o que exige é o
contrário, decerto: honestidade e modéstia. Se quigeres conhecer, tes que
participar na prática transformadora da realidade. Se quigeres conhecer o sabor
de umha pera, tes que transformá-la tu próprio comendo-a. Se quigeres conhecer
a estrutura e as propriedades do átomo, tes que fazer experimentos físicos e
químicos, mudar o estado do átomo. Se quigeres conhecer a teoria e os métodos
da revoluçom, tes de participar na revoluçom. Todo conhecimento autêntico nasce
da experiência directa. Porém, o homem nom pode ter experiência directa de todas
as cousas e, de facto, a maior parte dos nossos conhecimentos provém da
experiência indirecta, por exemplo, todos os conhecimentos dos séculos passados
e de outros países. Estes conhecimentos fôrom ou som, para os nossos
antecessores e os estrangeiros, produto da experiência directa, e merecem
confiança se no decurso dessa experiência directa se cumpriu a condiçom de
"abstracçom científica" de que falava Lenine e se reflectem de um
modo científico a realidade objectiva; se assim nom for, nom a merecem. Por
isso, os conhecimentos de umha pessoa som constituídos por só dous sectores: um
provém da experiência directa e o outro, da experiência indirecta. Além do
mais, o que para mim é experiência indirecta, constitui experiência directa
para outros. Portanto, considerados no seu conjunto, os conhecimentos, sejam do
tipo que forem, nom podem separar-se da experiência directa. Todo o
conhecimento se origina nas sensaçons que o homem obtém do mundo exterior
objectivo através dos órgaos dos sentidos Nom é materialista quem negar a
sensaçom, negar a experiência directa, ou negar a participaçom pessoal na
prática transformadora da realidade. É por isso que os "sabidos" som
ridículos. Um antigo ditado chinês di: "Se um nom entra na guarida do
tigre, como poderá apossar dos seus cachorros?" Este ditado é certo tanto
para a prática do homem quanto para a teoria do conhecimento. Nom pode haver
conhecimento à margem da prática.
Para pôrmos em claro o movimento
materialista dialéctico do conhecimento, movimento de aprofundizaçom gradativa
do conhecimento, surgido sobre a base da prática transformadora da realidade,
daremos a seguir outros exemplos concretos.
No perído inicial da sua prática,
período de destruiçom das máquinas e de luita espontánea, o proletariado
achava-se, no que ao seu conhecimento da sociedade capitalista di respeito, só
na etapa do conhecimento sensorial; conhecia apenas os aspectos isolados e as
ligaçons externas dos diversos fenómenos do capitalismo. Nessa época, o
proletariado era ainda umha "classe em si". Porém, o proletariado
tornou-se numha "classe para si" quando, entrando no segundo período
da sua prática, período de luita económica e política consciente e organizada,
chegou a compreender a essência da sociedade capitalista, as relaçons de exploraçom
entre as classes sociais e as suas próprias tarefas históricas, graças à sua
prática, à sua variada experiência de longos anos de luita e à sua educaçom na
teoria marxista, resumo científico feito por Marx e Engels da dita experiência.
O mesmo se passou com o
conhecimento do povo chinês a respeito do imperialismo. A primeira etapa foi a
do conhecimento sensorial, superficial, tal como se manifestou nas
indiscriminadas luitas contra os estrangeiros, acontecidas durante os
movimentos do Reino Celestial Taiping, do Yijetuan e outros. Só na Segunda
etapa, a do conhecimento racional, o povo chinês discerniu as diferentes
contradiçons internas e externas do imperialismo e compreendeu a verdade
essencial de que o imperialismo, em aliança com a burguesia compradora e a
classe feudal, oprimia e explorava as amplas massas populares da China; tal
conhecimento nom começou até a época do Movimento de 4 de Maio de 1919.
Vamos agora ver a guerra. Se os
dirigentes militares carecerem de experiência militar, nom poderám compreender
na etapa inicial as leis profundas que regem a direcçom de umha guerra
específica (por exemplo, a nossa Guerra Revolucionária Agrária dos últimos dez
anos). Na etapa inicial, só viverám a experiência de numerosos combates e, o
que é mais, sofrerám muitas derrotas. No entanto, esta experiência (a
experiência dos combates ganhos e, nomeadamente, a dos perdidos)
permitirám-lhes compreender o que por dentro articula toda a guerra, quer
dizer, as leis dessa guerra específica, compreender a sua estratégia e as suas
tácticas e, destarte, dirigi-la com segurança. Se nesse momento se confia o
mando da guerra a umha pessoa inexperta, ela também terá que sofrer umha série
de derrotas (quer dizer, adquirir experiência) antes de poder compreender as
verdadeiras leis da guerra.
Com freqüência, temos ouvido dizer
de algum camarada sem coragem para aceitar umha tarefa: "Nom estou certo
de podê-la cumprir" Por quê nom está certo de si próprio? Porque nom
compreende o conteúdo e as circunstáncias desse trabalho segundo as leis que o
regem, porque nom tivo ou tivo muito pouco contacto com semelhante trabalho, de
jeito que nom se pode falar de que conheça tais leis. Mas, depois de umha
análise detalhada da natureza e as circunstáncias desse trabalho, sentirá-se relativamente
seguro de si próprio e aceitará-o contente. Se se dedicar a ele por algum tempo
e adquirir experiência, e se e se estiver disposto a examinar a situaçom com
prudência, em lugar de abeirar-se de maneira subjectiva, unilateral e
superficial, será capaz de chegar por si próprio a conclusons sobre como deve
fazer o trabalho e fará-o com muito maior coragem. Apenas quem se abeirar aos
problemas de maneira subjectiva, unilateral e superficial, ditará ordens
vaidosamente ao que chega a um novo lugar, sem levar em conta as
circunstáncias, sem examinar as cousas na sua totalidade (a sua história e a
sua situaçom actual em conjunto) nem penetrar na sua essência (a sua natureza e
as ligaçons internas entre umha cousa e outras). Semelhantes pessoas esbarram e
caem inevitavelmente.
Assim e que se vê que o primeiro
passo no processo do conhecimento é o contacto com as cousas do mundo exterior;
isto corresponde à etapa das sensaçons. O segundo é sintetizar os dados
proporcionados polas sensaçons, ordenando-os e elaborando-os; isto corresponde
à etapa dos conceitos, os juízos e os razoamentos. Só quando os dados achegados
polas sensaçons som muito ricos (nom fragmentários e incompletos) e acordes com
a realidade (nom ilusórios), podem servir de base para formar conceitos
correctos e umha lógica correcta.
Cumpre sublinhar dous pontos
importantes. O primeiro, que se assinalou acima mas que convém reiterar, é a
dependência do conhecimento racional a respeito do conhecimento sensorial. É
idealista quem considerar possível que o conhecimento racional nom provenha do
conhecimento sensorial. Na história da filosofia, existe a escola
"racionalista", que só reconhece a realidade da razom e nega a
realidade da experiência sensorial; o seu erro consiste em alterar os factos. O
racional merece crédito precisamente porque dimana do sensorial; de outro modo,
o racional seria regacho sem fonte, árvore sem raízes, qualquer cousa
subjectiva, autogerada e indigna de confiança. Na ordem que segue o processo do
conhecimento, a experiência sensorial vem primeiro; se vincamos a importáncia
da prática social no processo do conhecimento é porque só ela pode dar origem
ao conhecimento humano e permitir ao homem começar a adquirir experiência
sensorial do mundo exterior objectivo. Para umha pessoa que fecha os olhos e
tapa os ouvidos e se isola totalmente do mundo exterior objectivo, nom há
conhecimento possível. O conhecimento principia com a experiência: este é o
materialismo da teoria do conhecimento.
O segundo ponto é que o
conhecimento necessita aprofundar-se, precisa de se desenvolver da etapa
sensorial para a racional: esta é a dialéctica da teoria do conhecimento[5].
Julgar que o conhecimento poda ficar na etapa inferior, sensorial, e que apenas
é digno de crédito o conhecimento sensorial e nom o racional, significa cair no
"empirismo", erro já conhecido na história. O erro desta teoria
consiste em ignorar que os dados proporcionados polas sensaçons, ainda que
constituem reflexos de determinadas realidades do mundo exterior objectivo (aqui
nom me refiro ao empirismo idealista, que reduz a experiência à chamada
introspecçom), nom passam de ser unilaterais e superficiais, reflexos
incompletos das cousas, que nom traduzem a sua essência. Para reflectir
plenamente umha cousa na sua totalidade, para reflectir as suas leis internas,
há que proceder a umha operaçom mental, submeter os ricos dados subministrados
polas sensaçons a umha elaboraçom que consiste em descartar a casca para ficar
com o grao, descartar o falso para conservar o verdadeiro, passar de um aspecto
a outro e do externo ao interno, formando assim um sistema de conceitos e
teorias; é preciso dar um salto do conhecimento sensorial ao racional. Os
conhecimentos assim elaborados nom som menos substanciosos nem menos dignos de
confiança. Polo contrário, todo aquilo que no processo do conhecimento foi
cientificamente elaborado sobre a base da prática, reflecte a realidade
objectiva, como di Lenine, em forma mais profunda, veraz e completa. Os
"práticos" vulgares nom procedem assim; respeitam a experiência mas
desprezam a teoria, e em conseqüência nom podem ter umha visom que abranja um
processo objectivo na sua totalidade, carecem de umha orientaçom clara e de
umha perspectiva de longo alcance, e contentam-se com os seus êxitos ocasionais
e com fragmentos da verdade. Se essas pessoas dirigem umha revoluçom,
conduzirám-na a um beco sem saída.
O conhecimento racional depende do
conhecimento sensorial, e este necessita desenvolver-se até se tornar em
conhecimento racional: tal é a teoria materialista dialéctica do conhecimento.
Na filosofia, nem o "racionalismo" nem o "empirismo"
entendem o carácter histórico ou dialéctico, do conhecimento, e ainda que cada
umha destas escolas contém um aspecto da verdade (refiro-me ao racionalismo e
ao empirismo materialistas, e nom idealistas), ambas som erróneas quanto à
teoria do conhecimento no seu conjunto. O movimento materialista dialéctico do
conhecimento do sensorial ao racional tem lugar quer num pequeno processo
cognoscitivo (por exemplo, conhecer umha só cousa, um só trabalho) quer num
grande (por exemplo, conhecer umha sociedade ou umha revoluçom).
No entanto, o movimento do
conhecimento nom acaba aí. Deter o movimento materialista dialéctico do
conhecimento no conhecimento racional, seria tocar apenas a metade do problema
e, mais ainda, segundo a filosofia marxista, a metade menos importante. A
filosofia marxista considera que o problema mais importante nom consiste em
compreender as leis do mundo objectivo para estar em condiçons de interpretar o
mundo, mas em aplicar o conhecimento dessas leis para transformá-lo
activamente. Para o marxismo, a teoria é importante, e a sua importáncia está
plenamente exprimida na frase seguinte de Lenine: "Sem teoria
revolucionária, nom pode haver movimento revolucionário"[6].
Mas o marxismo vinca a importáncia da teoria precisa e unicamente porque ela
pode servir de guia para a acçom. Se tivermos umha teoria justa, mas nos
contentarmos com fazer dela um tema de conversa e a deixarmos arquivada em
lugar de pô-la em prática, semelhante teoria, por boa que for, carecerá de
qualquer significaçom. O conhecimento começa pola prática, e todo o
conhecimento teórico, adquirido através da prática, deve tornar a ela. A funçom
activa do conhecimento nom se manifesta apenas no salto activo do conhecimento
sensorial para o racional, mas também, o que é mais importante, deve
manifestar-se no salto do conhecimento racional à prática revolucionária. O
conhecimento que atinge as leis do mundo há que dirigi-lo de novo à pratica
revolucionária. O conhecimento que atinge as leis do mundo há que endereçá-lo
de novo para a prática transformadora do mundo, há que aplicá-lo novamente à
prática da produçom, à prática da luita de classes revolucionária e da luita
nacional revolucionária, bem como à prática da experimentaçom científica. Eis o
processo de comprovaçom e desenvolvimento da teoria, a continuaçom do processo
global do conhecimento. O problema de saber se umha teoria corresponde à
verdade objectiva nom se resolve nem pode resolver-se completamente no acima
descrito movimento do conhecimento do sensorial ao racional. O único meio para
resolver completamente este problema é dirigir de novo o conhecimento racional
para a prática social, aplicar a teoria à prática e ver se conduz aos objectivos
colocados. Muitas teorias das ciências naturais som reconhecidas como verdades
nom apenas porque fôrom criadas polos cientistas, mas porque fôrom comprovadas
na prática científica ulterior. Igualmente, o marxismo-leninismo é reconhecido
como verdade nom só porque esta doutrina foi elaborada cientificamente por
Marx, Engels, Lenine e Staline, mas porque foi comprovada na ulterior prática
da luita de classes revolucionária e da luita nacional revolucionária. O
materialismo dialéctico é umha verdade universal porque ninguém, na sua
prática, pode fugir do seu domínio. A história do conhecimento humano
ensina-nos que a verdade de muitas teorias era incompleta e que a comprovaçom
na prática permitiu corrigi-las. É por isto que a prática é o critério da verdade
e que "o ponto de vista da vida, da prática, deve ser o ponto de vista
primeiro e fundamental da teoria do conhecimento[7]".
Staline tinha razom ao dizer: " (...) a teoria deixa de ter objecto quando
nom se achar vinculada à prática revolucionária, exactamente do mesmo modo que
a prática é cega se a teoria revolucionária nom iluminar o seu caminho[8]".
Consuma-se aqui o movimento do
conhecimento? A nossa resposta é sim e nom. Quando os homens, como seres
sociais, se dedicam à prática transformadora de um determinado processo
objectivo (quer natural, quer social) numha etapa determinada do seu
desenvolvimento, podem, como conseqüência do reflexo do processo objectivo no
seu cérebro e da sua própria actividade consciente, fazer avançar o seu
conhecimento desde o sensorial ao racional, e criar ideias, teorias, planos ou
projectos que correspondam, em termos gerais, às leis que regem o processo
objectivo em questom. A seguir, aplicam estas ideias, teorias, planos ou
projectos à prática do mesmo processo objectivo. Se atingirem os objectivos
formulados, quer dizer, se na prática deste mesmo processo conseguirem fazer
realidade as ideias, teorias, planos ou projectos previamente colocados, ou
fazê-los realidade em linhas gerais, entom pode considerar-se consumado o movimento
do conhecimento deste processo específico. Podem dar-se por atingidos os
objectivos previstos quando, por exemplo, no processo de transformar a
natureza, se realiza um projecto de engenharia, se verifica umha hipótese
científica, se fabrica um utensílio ou se colheita um cultivo, ou, no processo
de transformar a sociedade, se ganha umha greve, se vence numha guerra, ou se
cumpre um plano educacional. Porém, polo geral, quer na prática que transforma
a natureza, quer na que transforma a sociedade, muito ocasionalmente é que se
realizam sem qualquer alteraçom as ideias, teorias, planos ou projectos
previamente elaborados polo homem. Isto deve-se a que a gente que se dedica à
transformaçom da realidade está sempre sujeita a numerosas limitaçons; nom apenas
se acha limitada polas condiçons científicas e técnicas existentes, quanto
também polo desenvolvimento do próprio processo objectivo e o grau em que este
se manifesta (ainda nom fôrom revelados plenamente os diferentes aspectos e a
essência do processo objectivo). Nesta situaçom, devido a que no decurso da
prática se descobrem circunstáncias imprevistas, nom raro de modificam
parcialmente e por vezes mesmo completamente as ideias, teorias, planos ou
projectos. Dito por outras palavras, dam-se casos em que as ideias, teorias,
planos ou projectos originais nom correspondem, em parte ou em tudo, à
realidade, som parcial ou totalmente erróneos. Amiúde, só após repetidos
fracassos se dam corrigido os erros no conhecimento e se fai concordar este com
as leis do processo objectivo e, portanto, transformar o subjectivo em
objectivo, quer dizer, atingir na prática os resultados esperados. Em todo o
caso, quando se chega a este ponto, pode considerar-se consumado o movimento do
conhecimento humano relativamente a um dado processo objectivo numha etapa
determinada do seu desenvolvimento.
No entanto, considerado o processo
no seu avanço, o movimento do conhecimento humano nom está consumado. Em
virtude das suas contradiçons e luitas internas, todo processo, quer natural ou
social, avança e se desenvolve, e, consoante com isso, também tem que avançar e
desenvolver-se o movimento do conhecimento humano. Quanto aos movimentos
sociais, os autênticos dirigentes revolucionários nom só devem saber corrigir
os erros que se descubram nas suas ideias, teorias, planos ou projectos, como
já se tem dito anteriormente, senom que, aliás, quando um determinado processo
objectivo avança e muda passando de umha etapa de desenvolvimento a outra, eles
devem saber avançar e mudar, de par dela, no seu conhecimento objectivo, e
conseguir que todos os que participam na revoluçom fagam o mesmo, quer dizer,
devem saber colocar, conforme com as novas mudanças produzidas na situaçom,
novas tarefas revolucionárias e novos projectos de trabalho. Num período
revolucionário, a situaçom muda com muita rapidez, e se o conhecimento dos
revolucionários nom muda também rapidamente consoante com a situaçom, eles nom
serám capazes de conduzir a revoluçom à vitória.
Todavia, acontece amiúde que o
pensamento se delonga em relaçom com a realidade; isto é devido a que o
conhecimento do homem está limitado por numerosas condiçons sociais. Opomo-nos
aos teimosos nas fileiras revolucionárias, cujo pensamento nom progride em
concordáncia com as circunstancias objectivas em mudança e se tem manifestado
na história como oportunismo de direita. Estas pessoas nom vem que a luita dos
contrários fijo avançar o processo objectivo, enquanto o seu conhecimento fica
entupido ainda na velha etapa. Isto é característico do pensamento de todos os
teimosos. O seu pensamento está afastado da prática social, e eles nom som
capazes de ir avante guiando o carro da sociedade; limitam-se a irem seguindo o
rasto, resmungando que o carro vai rápido de mais e tratando de fazê-lo recuar
ou dar volta e regressar.
Também nos opomos ao vácuo
palavreado "esquerdista". O pensamento dos "esquerdistas"
passa por cima de umha determinada etapa de desenvolvimento do processo
objectivo; alguns tomam as suas fantasias por verdades, outros pretendem realizar
pola força no presente ideais que apenas som realizáveis no futuro. Afastado da
prática presente da maioria das pessoas e da realidade do momento, o seu
pensamento traduz-se na acçom como aventureirismo.
O idealismo e materialismo
mecanicista, o oportunismo e o aventureirismo, caracaterizam-se pola ruptura
entre o subjectivo e o objectivo, pola separaçom entre o conhecimento e a
prática. A teoria marxista-leninista do conhecimento, caracterizada pola
prática social científica, nom pode deixar de se opor categoricamente a estas
concepçons erradas. Os marxistas reconhecem que, no processo geral absoluto do
desenvolvimento do universo, o desenvolvimento de cada processo determinado é
relativo e que, por isso, na cascata infinita da verdade absoluta, o conhecimento
humano de cada processo determinado numha dada etapa de desenvolvimento é só
umha verdade relativa. A soma total das incontáveis verdades relativas é que
constitui a verdade absoluta[9].
O desenvolvimento de todo processo objectivo está cheio de contradiçons e
luitas, como também o desenvolvimento do movimento do conhecimento humano. Todo
movimento dialéctico do mundo objectivo reflecte-se, tarde ou cedo, no
conhecimento humano. Na prática social, o processo de nascimento,
desenvolvimento e extinçom é infinito. E assim o é o processo de nascimento,
desenvolvimento e extinçom no conhecimento humano. À medida que avança cada vez
mais longe a prática do homem que transforma a realidade objectiva conforme
determinadas ideias, teorias, planos ou projectos, mais e mais profundo se vai
fazendo o conhecimento que da realidade objectiva o homem tem. Nunca terminará
o movimento de mudança no mundo da realidade objectiva, e também nom terá fim a
cogniçom da verdade polo homem através da prática. O marxismo-leninnismo nom
esgotou em modo nengum a verdade, senom que no decurso da prática se abre sem
cessar o caminho para o seu conhecimento. A nossa conclusom é a unidade
concreta e histórica do subjectivo e o objectivo, da teoria e a prática, do
saber e o fazer, e opomo-nos a todas as ideias erradas, de "esquerda"
ou de direita, ideias que se afastam da história concreta.
Na presente época do
desenvolvimento na sociedade, a história fijo recair sobre os ombros do
proletariado e o sue partido a responsabilidade de conhecer correctamente o
mundo e transformá-lo. Este processo, o da prática transformadora do mundo, que
está determinado consoante com o conhecimento científico, tem chegado já a um
momento histórico na China e na Terra toda, a um grande momento sem precedentes
na história, quer dizer, o momento de acabar completamente com as trevas na
China e no resto da Terra, e transformar o nosso mundo nom mundo luminoso,
nunca visto antes. A luita do proletariado e dos povos revolucionários pola
transformaçom do mundo implica o cumprimento das seguintes tarefas: transformar
o mundo objectivo e, ao mesmo tempo, transformar o seu próprio mundo
subjectivo, quer dizer, a sua própria capacidade cognoscitiva e os
relacionamentos entre o seu mundo subjectivo e o objectivo. Estas
transformaçons já estám em marcha numha parte do globo terrestre, a Uniom
Soviética. Ali continua-se a promover este processo de transformaçons. Os povos
da China e do resto do orbe também estám a passar ou passarám por semelhante
processo. E o mundo objectivo a transformar inclui também todas as pessoas
opostas a estas transformaçons, pessoas que tenhem de passar por umha etapa de
coacçom antes de poderem entrar na etapa de transformaçom consciente. A época
em que a humanidade inteira proceda de maneira consciente à sua própria
transformaçom e à do mundo, será a época do comunismo mundial.
Descobrir a verdade através da
prática e, mais umha vez através da prática, comprová-la e desenvolvê-la. Partir
do conhecimento sensorial e desenvolvê-lo activamente convertendo-o em
conhecimento racional; a seguir, partir do conhecimento racional e guiar
activamente a prática revolucionária para transformar o mundo subjectivo e o
mundo objectivo. Praticar, conhecer, praticar outra vez e conhecer de novo.
Esta forma repete-se em infinitos ciclos e, com cada ciclo, o conteúdo da
prática do conhecimento eleva-se a um nível mais alto. Tal é no seu conjunto a
teoria materialista dialéctica do conhecimento, e tal é a teoria materialista
dialéctica da unidade entre o saber e o fazer.
[2] Vejam-se C. Marx, Tese sobre Feuerbach e V. I. Lenine, Materialismo e empiriocriticismo, II, 6
[3] Célebre romance histórico chinês escrito por Luo Kuan-chung (¿1330-1400?)
[4] V. I. Lenine: Resumo do livro de Hegel "Ciência da lógica".
[5]
V. I. Lenine di: "Para compreender, há que
começar a compreender e a estudar de umha maneira empírica, e elevar-se do empírico
ao geral." Ibíd.
[6] V. I. Lenine: Quê fazer?, Ibíd.
[7] V. I. Lenine: Materialismo e empiriocriticismo, II, 6.
[8] J. V. Staline: "Os fundamentos do leninismo", III.
[9]
Veja-se V. I. Lenin, Materialismo e
empiriocriticismo, II, 5.
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