Democracia
e populismo na China
Vladímir Illich Ulíanov Lenine
1912
Ainda nom tiveram tempo os oportunistas de gabar-se o suficientemente da "paz
social" e do desnecessário das tormentas sob a "democracia",
quando se abriu na Ásia umha nova fonte de formidáveis tormentas
mundiais. À revoluçom russa seguírom as revoluçons
turca, persa e chinesa. Hoje vivemos precisamente na época das tormentas
e a sua "repercussom" na Europa. Seja qual for a sorte da grande
República chinesa, à vista da qual se afiam hoje os colmilhos
as distintas hienas "civilizadas", nom haverá no mundo força
capaz de restaurar na Ásia a velha servidom da gleba, de varrer da
face da terra o heróico democratismo das massas populares dos países
asiáticos e semiasiáticos. Algumha gente, nom atenta às
condiçons de preparaçom e desenvolvimento da luita de massas,
deixou-se levar à desesperaçom e ao anarquismo, perante a longa
espera da luita decisiva contra o capitalismo na Europa. Hoje vemos quam míope
e pusilánime é a desesperaçom anarquista. Nom é
desesperaçom, senom entusiasmo o que deve inspirar o facto de os oitocentos
milhons de seres humanos da Ásia terem sido arrastados à luita
polos mesmos ideais europeus. As revoluçons asiáticas pugérom
de manifesto a mesma falta de carácter e a mesma infámia do
liberalismo, a mesma significaçom excepcional da independência
das massas democráticas, o mesmo deslindamento neto entre o proletariado
e toda sorte de burguesia. Quem, depois da experiência da Europa e da
Ásia, fale de umha política que nom seja de classe e de um socialismo
que nom seja de classe, merece, simplesmente, ser metido numha jaula e exibido
junto de algum canguru australiano. Após a Ásia tem começado
a se agitar também -ainda que nom ao modo asiático- a Europa.
O período "pacífico" de 1872-1904 passou irrevogavelmente
à história. A carestia e a opressom dos Trust provocam umha
agudizaçom sem precedente da luita económica, pondo em movimento
até os operários ingleses mais corrompidos polo liberalismo.
Aos nossos olhos madurece a crise política até no mais "pétreo"
país dos burgueses e os Junkers: na Alemanha. A raivosa corrida de
armamentos e a política do imperialismo envolvem a Europa actual numha
"paz social" que se parece mais bem a um barril de pólvora.
Entretanto, a descomposiçom de todos os partidos burgueses e o processo
de madurecimento do proletariado seguem o seu curso imparável. Desde
a apariçom do marxismo, cada umha das três grandes épocas
da história universal veu comprová-lo de novo e lhe tem dado
novos triunfos. Mas ainda será maior o triunfo que haverá de
contribuir para o marxismo, como doutrina do proletariado, a época
histórica que se avizinha.