O IMPERIALISMO, ETAPA
SUPERIOR DO CAPITALISMO. V. I. LENINE
Precisamos
agora de tentar fazer um balanço, resumir o que dixemos acima sobre o
imperialismo. O imperialismo surgiu como desenvolvimento e continuaçom directa
das características fundamentais do capitalismo em geral. Mas o capitalismo só
se transformou em imperialismo capitalista quando chegou a um determinado grau,
muito elevado, do seu desenvolvimento, quando algumhas das características
fundamentais do capitalismo começárom a transformar-se na sua antítese, quando
ganhárom corpo e se manifestárom em toda a linha os traços da época de transiçom
do capitalismo para umha estrutura económica e social mais elevada. O que há de
fundamental neste processo- do ponto de vista económico, é a substituiçom da
livre concorrência capitalista polos monopólios capitalistas. A livre
concorrência é a característica fundamental do capitalismo e da produçom
mercantil em geral; o monopólio é precisamente o contrário da livre
concorrência, mas esta começou a transformar-se diante dos nossos olhos em
monopólio, criando a grande produçom, eliminando a pequena, substituindo a
grande produçom por outra ainda maior, e concentrando a produçom e o capital a
tal ponto que do seu seio surgiu e surge o monopólio: os cartéis, os sindicatos,
os trusts e, fundindo-se com eles, o capital de umha escassa dezena de bancos
que manipulam milhares de milhons. Ao mesmo tempo, os monopólios, que derivam da
livre concorrência, nom a eliminam, mas existem acima e ao lado dela,
engendrando assim contradiçons, fricçons e conflitos particularmente agudos e
intensos. O monopólio é a transiçom do capitalismo para um regime
superior.
Se
fosse necessário dar umha definiçom o mais breve possível do imperialismo,
deveria-se dizer que o imperialismo é a fase monopolista do capitalismo. Essa
definiçom compreenderia o principal, pois, por um lado, o capital financeiro é o
capital bancário de alguns grandes bancos monopolistas fundido com o capital das
associaçons monopolistas de industriais, e, por outro lado, a partilha do mundo
é a transiçom da política colonial que se estende sem obstáculos às regions
ainda nom apropriadas por nengumha potência capitalista para a política colonial
de posse monopolista dos territórios do globo já inteiramente
repartido.
Mas
as definiçons excessivamente breves, se bem que cómodas, pois contenhem o
principal, som insuficientes, já que é necessário extrair delas especialmente
traços muito importantes do que é preciso definir. Por isso, sem esquecer o
carácter condicional e relativo de todas as definiçons em geral, que nunca podem
abranger, em todos os seus aspectos, as múltiplas relaçons de um fenómeno no seu
completo desenvolvimento, convém dar umha definiçom do imperialismo que inclua
os cinco traços fundamentais seguintes: 1) a concentraçom da produçom e do
capital levada a um grau tam elevado de desenvolvimento que criou os monopólios,
os quais desempenham um papel decisivo na vida económica; 2) a fusom do capital
bancário com o capital industrial e a criaçom, baseada nesse “capital
financeiro” da oligarquia financeira; 3) a exportaçom de capitais,
diferentemente da exportaçom de mercadorias, adquire umha importáncia
particularmente grande; 4) a formaçom de associaçons internacionais monopolistas
de capitalistas, que partilham o mundo entre si, e 5) o termo da partilha
territorial do mundo entre as potências capitalistas mais importantes. O
imperialismo é o capitalismo na fase de desenvolvimento em que ganhou corpo a
dominaçom dos monopólios e do capital financeiro, adquiriu marcada importáncia a
exportaçom de capitais, começou a partilha do mundo polos trusts internacionais
e terminou a partilha de toda a terra entre os países capitalistas mais
importantes.
Mais
adiante veremos como se pode e deve definir de outro modo o imperialismo, se
tivermos em conta nom só os conceitos fundamentais puramente económicos (aos
quais se limita a definiçom que demos), mas também o lugar histórico que esta
fase do capitalismo ocupa relativamente ao capitalismo em geral, ou a relaçom
entre o imperialismo e as duas tendências fundamentais do movimento operário. O
que agora há a considerar é que, interpretado no sentido referido, o
imperialismo representa em si, indubitavelmente, umha fase particular de
desenvolvimento do capitalismo. Para dar ao leitor umha ideia o mais
fundamentada possível do imperialismo, procuramos deliberadamente reproduzir o
maior número de opinions de economistas burgueses que se vírom obrigados a
reconhecer os factos da economia capitalista moderna, estabelecidos de maneira
particularmente incontroversa. Com o mesmo fim, reproduzimos dados estatísticos
minuciosos que permitem ver até que ponto cresceu o capital bancário, etc., que
expressom concreta tivo a transformaçom da quantidade em qualidade, a transiçom
do capitalismo desenvolvido para o imperialismo. Escusado é dizer,
evidentemente, que na natureza e na sociedade todos os limites som convencionais
e mutáveis, que seria absurdo discutir, por exemplo, sobre o ano ou a década
precisos em que se instaurou
definitivamente o imperialismo.
Mas
sobre a definiçom do imperialismo vemo-nos obrigados a discutir sobretudo com K.
Kautsky, o principal teórico marxista da época da chamada IIª Internacional,
isto é, dos vinte e cinco anos compreendidos entre 1889 e 1914. Kautsky
pronunciou-se decididamente em 1915, e mesmo em Novembro de 1914, contra as
ideias fundamentais expressas na nossa definiçom do imperialismo, declarando que
por imperialismo se deve entender nom umha “fase” ou um grau da economia, mas
umha política, e umha política determinada, a política “preferida” polo capital
financeiro; que nom se pode identificar o imperialismo com o capitalismo
contemporáneo , que, se a noçom de imperialismo abarca “todos os fenómenos do
capitalismo contemporáneo” - cartéis, proteccionismo, dominaçom dos financeiros,
política colonial -, entom o problema da necessidade do imperialismo, para o
capitalismo, transforma-se na “tautologia mais trivial”, pois nesse caso,
“naturalmente, o imperialismo é umha necessidade vital para o capitalismo”, etc.
Expressaremos com a máxima exactidom o pensamento de Kautsky se reproduzirmos a
sua definiçom do imperialismo, diametralmente oposta à essência das ideias que
nós expomos (pois as objeçons procedentes do campo dos marxistas alemáns que
defendêrom ideias semelhantes durante longos anos, som já conhecidas desde há
muito por Kautsky como objeçons de umha corrente determinada do
marxismo).
A
definiçom de Kautsky é a seguinte:
“O
imperialismo é um, produto do capitalismo industrial altamente desenvolvido.
Consiste na tendência de toda a naçom capitalista industrial para submeter ou
anexar cada vez mais regions agrárias (o sublinhado é de Kautsky), quaisquer que
sejam as naçons que as povoam.”[1]
Esta
definiçom nom serve absolutamente para nada, visto que destaca de um modo
unilateral, isto é, arbitrário, apenas o problema nacional (se bem que seja da
maior importáncia, tanto em si como na sua relaçom com o imperialismo),
relacionando-o arbitrária e erradamente só com o capital industrial dos países
que anexam outras naçons, e colocando em primeiro plano, da mesma forma
arbitrária e errada, a anexaçom das regions agrárias.
O
imperialismo é umha tendência para as anexaçons; eis a que se reduz a parte
política da definiçom de Kautsky. E justa, mas extremamente incompleta, pois no
aspecto político o imperialismo é, em geral, umha tendência para a violência e
para a reacçom. Mas o que neste caso nos interessa é o aspecto económico que o
próprio Kautsky introduziu na sua definiçom. As inexactidons da definiçom de
Kautsky saltam à vista. O que é característico do imperialismo nom é
precisamente o capital industrial, mas o capital financeiro. Nom é um fenómeno
casual o facto de, em França, precisamente o desenvolvimento particularmente
rápido, do capital financeiro, que coincidiu com um enfraquecimento do capital
industrial, ter provocado, a partir da década de 80 do século passado, umha
intensificaçom extrema da política anexionista (colonial). O que é
característico do imperialismo é precisamente a tendência para a anexaçom nom só
das regions agrárias, mas também das mais industriais (apetites alemáns a
respeito da Bélgica, dos franceses quanto à Lorena), pois, em primeiro lugar,
estando já concluída a divisom do globo, isso obriga, para fazer umha nova
partilha, a estender a mao sobre todo o tipo de territórios; em segundo lugar,
fai parte da própria essência do imperialismo a rivalidade de várias grandes
potências nas suas aspiraçons à hegemonia, isto é, a apoderarem-se de
territórios nom tanto directamente para si, como para enfraquecer o adversário e
minar a sua hegemonia (para a Alemanha, a Bélgica tem umha importáncia especial
como ponto de apoio contra Inglaterra; para Inglaterra, tem-na Bagdad como ponto
de apoio contra a Alemanha, etc.).
Kautsky
remete-se particularmente - e repetidas vezes - aos ingleses que, di ele,
formulárom a significaçom puramente política da palavra “imperialismo”, no
sentido em que ele a entende. Tomamos o inglês Hobson e lemos no seu livro O
Imperialismo, publicado em 1902:
“O
novo imperialismo distingue-se do velho, primeiro porque, em vez da aspiraçom de
um só império crescente, segue a teoria e a prática de impérios rivais, cada um
deles guiando-se por idênticos apetites de expansom política e de lucro
comercial; segundo, porque os interesses financeiros, ou relativos ao
investimento de capital, predominam sobre os interesses
comerciais”
Como
vemos, Kautsky nom tem de facto razom algumha ao remeter-se aos ingleses em
geral (os únicos a que poderia remeter-se seriam os imperialistas ingleses
vulgares ou os apologistas declarados do imperialismo). Vemos que Kautsky, que
pretende continuar a defender o marxismo, na realidade dá um passo atrás em
relaçom ao social-liberal Hobson, o qual tem em conta, com mais acerto do que
ele, as duas particularidades “históricas concretas” (Kautsky, com a sua
definiçom, troça precisamente do carácter histórico concreto!) do imperialismo
contemporáneo: 1) concorrência de vários imperialismos; 2) predomínio do
financeiro sobre o comerciante. Se o essencial consiste em que um país
industrial anexa um país agrário, entom atribui-se o papel principal ao
comerciante.
A
definiçom de Kautsky, além de ser errada e de nom ser marxista, serve de base a
todo um sistema de concepçons que rompem em toda a linha com a teoria marxista e
com a atuaçom prática marxista de que falaremos mais adiante. Carece
absolutamente de seriedade a discussom de palavras promovida por Kautsky: como
se deve qualificar a fase actual do capitalismo: de imperialismo ou de fase do
capital financeiro? Chame-se-lhe como se queira, isso é indiferente. O essencial
é que Kautsky separa a política do imperialismo da sua economia, falando das
anexaçons como da política preferida polo capital financeiro, e opondo a ela
outra política burguesa possível, segundo ele, sobre a mesma base do capital
financeiro. Conclui-se que os monopólios, na economia, som compatíveis com o
modo de atuar nom monopolista, nom violento, nom anexionista, em política.
Conclui-se que a partilha territorial do mundo, terminada precisamente na época
do capital financeiro, e que é a base da peculiaridade das formas actuais de
rivalidade entre os maiores Estados capitalistas, é compatível com umha política
nom imperialista. Daqui resulta que, deste modo, se dissimulam, se ocultam as
contradiçons mais fundamentais da fase actual do capitalismo, em vez de as pôr a
descoberto em toda a sua profundidade; daqui resulta reformismo burguês em vez
de marxismo.
Kautsky
discute com Cunow, apologista alemám do imperialismo e das anexaçons, que
discorre de umha maneira grosseira e cínica: o imperialismo é o capitalismo
contemporáneo; o desenvolvimento do capitalismo é inevitável e progressivo; por
conseguinte, o imperialismo é progressivo; por conseguinte devemos
prosternar-nos diante do imperialismo e glorificá-lo! Este raciocínio parece-se,
de certo modo, com a caricatura dos marxistas russos que os populistas faziam
nos anos de 1894 e 1895; se os marxistas considêrom que o capitalismo é
inevitável e progressivo na Rússia, diziam os populistas, devem dedicar-se a
abrir tabernas e a fomentar o capitalismo.
Kautsky
objecta a Cunow: nom, o imperialismo nom é o capitalismo contemporáneo, mas
apenas umha das formas da sua política; podemos e devemos luitar contra essa
política, luitar contra o imperialismo, contra as anexaçons, etc. A objecçom,
completamente plausível na aparência, eqüivale, na realidade, a umha defesa mais
subtil, mais velada (e por isso mesmo mais perigosa), da conciliaçom com o
imperialismo, pois umha “luita” contra a política dos trusts e dos bancos que
deixe intactas as bases da economia de uns e outros nom passa de reformismo e
pacifismo burgueses, nom vai além das boas e inofensivas intençons. Voltar as
costas às contradiçons existentes e esquecer as mais importantes, em vez de as
descobrir em toda a sua profundidade: é isso a teoria de Kautsky, o que nada tem
a ver com o marxismo. E, naturalmente, semelhante teoria nom procura outro fim
que nom seja defender a ideia da unidade com os Cunow!
“Do
ponto de vista puramente económico - escreve Kautsky -, nom está excluído que o
capitalismo passe ainda por umha nova fase: a aplicaçom da política dos cartéis
à política externa, a fase do ultra-imperialismo”[2],
isto é, o superimperialismo, a uniom dos imperialismos de todo o mundo, e nom a
luita entre eles, a fase da cessaçom das guerras sob o capitalismo, a fase da
"exploraçom geral do mundo polo capital financeiro, unido internacionalmente”[3].
Será
preciso que nos detenhamos mais adiante nesta, teoria do ultraimperialismo,,,
com o fim de demonstrar em pormenor até que ponto ela rompe irremediável e
decididamente com o marxismo. O que aqui devemos fazer, de acordo com o plano
geral do nosso trabalho, é passar umha vista de olhos polos dados económicos
precisos relativos a este problema. Será possível o “ultra- imperialismo” “do
ponto de vista puramente económico”, ou será isto um
ultradisparate?
Se
por ponto de vista puramente económico se entende a “pura” abstracçom, tudo o
que se pode dizer reduz-se à tese seguinte: o desenvolvimento vai na direçom do
monopólio; portanto vai na direçom do monopólio mundial único, de um trust
mundial único. Isto é indiscutível, mas ao mesmo tempo é umha perfeita
vacuidade, como seria o dizer-se que ,o “desenvolvimento vai” no sentido da
produçom dos artigos alimentares em laboratórios. Neste sentido, a “teoria” do
ultraimperialismo é tam absurda como seria a “teoria da
ultra-agricultura,”.
Mas
se falamos das condiçons “puramente económicas” da época do capital financeiro
como de umha época historicamente concreta, localizada nos princípios do século
XX, a melhor resposta às abstraçons mortas do “ultraimperialismo” (que servem
exclusivamente um propósito dos mais reaccionários: desviar a atençom das
profundas contradiçons existentes) é contrapor-lhes a realidade económica
concreta da economia mundial moderna. As ocas divagaçons de Kautsky sobre o
ultraimperialismo estimulam, entre outras cousas, a ideia profundamente errada,
que leva a água ao moinho dos apologistas do imperialismo, de que a dam Inaçom
do capital financeiro atenua a desigualdade e as contradiçons da economia
mundial, quando, na realidade, o que fai é acentuá-las.
R.
Calwer, no opúsculo Introduçom à Economia Mundial[4],
procurou resumir os principais dados puramente económicos que permitem ter umha
ideia concreta das relaçons dentro da economia mundial em fins do século XIX e
princípios do século XX. Calwer divide o mundo em cinco ,regions económicas
principais: 1) a da Europa Central (toda a Europa, com excepçom da Rússia e da
Inglaterra); 2) a británica; 3) a da Rússia; 4) a oriental asiática, e 5) a
americana, incluindo as colónias nas “regions” dos Estados a que pertencem e
“deixando de lado”, alguns países nom incluídos nas regions, por exemplo: a
Pérsia, o Afeganistám e a Arábia, na Ásia; Marrocos e a Abissínia, na África,
etc.
O
seguinte quadro reflecte, de forma resumida, os dados económicos sobre as
regions citadas fornecidos polo referido autor.
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Meios de
Comunicaçom |
Comércio |
|
Indústria |
| |
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Principais
regions |
Superfície |
Populaçom |
Vias |
Marinha |
Importaçons |
Hulha
(em |
Gusa
(em |
Fusos
na |
|
económicas
do |
(em |
(em |
férreas
(em |
Mercante |
e
Importa- |
milhons |
milhons |
indústria |
|
mundo |
milhons |
milhons
de |
milhares |
(em
milhons |
çons
(em |
de |
de |
algodoeira |
|
|
de
Km2) |
habitantes) |
de
Km) |
de |
Milhares
de |
toneladas) |
toneladas) |
(em |
|
|
|
|
|
Toneladas) |
Milhons |
|
|
milhons) |
|
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|
de
marcos |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
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1)
da Europa Central . |
27,6 |
388 |
204 |
8 |
41 |
251 |
15 |
26 |
|
|
(23,6)* |
(146)* |
|
|
|
|
|
|
|
2)
Británica ................ |
28,8 |
398 |
140 |
11 |
25 |
249 |
9 |
51 |
|
|
(28,6)* |
(355)* |
|
|
|
|
|
7 |
|
3)
da Rússia ............... |
22 |
131 |
63 |
1 |
3 |
16 |
3 |
2 |
|
4)
Orient.Asiática ...... |
12 |
389 |
8 |
1 |
2 |
8 |
0,02 |
19 |
|
5)
Americana ............. |
30 |
148 |
379 |
6 |
14 |
245 |
14 |
|
|
|
|
|
|
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|
|
|
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|
*
Os números entre parênteses indicam a extensom e populaçom das
colónias. |
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| |||||
Vemos
três regions com um capitalismo altamente desenvolvido (alto desenvolvimento dos
meios de comunicaçom, do comércio e da indústria): a da Europa Central, a
británica e a americana. Entre elas, três Estados que exercem o domínio do
mundo: a Alemanha, Inglaterra e os Estados Unidos. A rivalidade imperialista e a
luita entre esses Estados encontram-se extremamente exacerbadas em virtude de a
Alemanha dispor de umha regiom insignificante e de poucas colónias; a criaçom de
umha “Europa Central” é ainda cousa do futuro e nasce por meio de umha luita
desesperada. De momento, o traço característico de toda a Europa é o
fracionamento político. Nas regions británica e americana, polo contrário, é
muito elevada a concentraçom política, mas há umha desproporçom enorme entre a
imensidom das colónias da primeira e a insignificáncia das que a segunda possui.
E nas colónias o capitalismo apenas começa a desenvolver-se. A luita pola
América do Sul vai-se exacerbando cada dia mais.
Há
duas regions nas quais o capitalismo está fracamente desenvolvido: a da Rússia e
a asiática oriental. Na primeira, a densidade da populaçom é extremamente fraca;
na segunda, é elevadíssima; na primeira, a concentraçom política é grande; na
segunda nom existe. A partilha da China mal começou, e a luita entre o Japom, os
Estados Unidos, etc., para se apoderarem dela é cada vez mais
intensa.
Comparade
esta realidade - a variedade gigantesca de condiçons económicas e políticas, a
desproporçom extrema na rapidez de desenvolvimento dos diferentes países, etc.,
a luita furiosa entre os Estados imperialistas - com a ingénua fábula de Kautsky
sobre o ultraimperialismo “pacífico”. Nom será isto a tentativa reaccionária de
um filisteu assustado que quer esconder-se da terrível realidade? Será que os
cartéis internacionais, nos quais Kautsky vê os germes do “ultraimperialismo”
(do mesmo modo que a produçom de comprimidos nos laboratórios “poderia”
qualificar-se de embriom da ultra-agricultura), nom nos mostram o exemplo da
divisom e de umha nova partilha do mundo, a transiçom da partilha pacífica para
a nom pacífica, e inversamente). Será que o capital financeiro americano e o de
outros países, que dividírom pacificamente entre eles todo o mundo, com a
participaçom da Alemanha, por exemplo, no sindicato internacional dos carris de
ferro ou no trust internacional da marinha mercante, nom redividem hoje em dia o
mundo com base na nova correlaçom de forças, correlaçom que se modifica de umha
maneira que nada tem de pacífica?
O capital
financeiro e os trusts nom atenuam, antes acentuam, a diferença entre o ritmo de
crescimento dos diferentes elementos da economia mundial. E se a correlaçom de
forças mudou, como podem resolver-se as contradiçons, sob o capitalismo, a nom
ser pola força? A estatística das vias férreas[5]
proporciona dados extraordinariamente exactos sobre a diferença de ritmo quanto
ao crescimento do capitalismo e do capital financeiro em toda a economia
mundial. Durante as últimas décadas de desenvolvimento imperialista, a extensom
das vias férreas alterou-se do modo seguinte:
VIAS
FÉRREAS
(em
milhares de quilómetros)
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